segunda-feira, 17 de março de 2014

Yoani Sánchez-Desafios da imprensa cubana

“O diário não falava sobre você…” Canta Joaquín Sabina enquanto leio o jornal Granma. Como quase sempre uma efeméride na manchete de hoje. Uma homenagem a uma figura do passado, um lembrete, a frase que alguém disse faz quarenta ou cinqüenta anos. Todas as páginas têm esse fedor rançoso do jornalismo que não quer se aventurar no presente, que evita o hoje e o agora.
A imprensa oficial cubana não pode se reformular porque se suicidaria. Para informar sobre a realidade nacional teria que renunciar ao seu papel de propaganda ideológica. Não basta que mude o estilo dos seus sítios digitais, acrescente novas assinaturas em suas reportagens ou mantenha as cartas de leitores com denúncias sobre burocratas e corruptos. Deve ir mais além e se despojar dos compromissos políticos adquirindo a verdade com sua única obrigação. Porém isso… Isso sabemos que não pode fazer.
Espero mais da imprensa que está por surgir ou se consolidar do que um “novo jornalismo oficial”. Porém também estou consciente de que o trabalho informativo, precário e ilegal, feito pela sociedade civil deve melhorar. A informação não é trincheira nem arma de ninguém. Os acontecimentos não devem ser narrados a partir do que queremos, mas sim tal como ocorreram.
A variedade temática por sua parte não se mostra de nenhum modo contrária a defesa da liberdade nem dos direitos humanos. Existem muitas formas de dizer e dizer bem. Então devemos procurar modos de informar que nos façam chegar mais aos leitores do pátio*. Criatividade, atrevimento e diversidade de pontos de vista nos ajudariam a sermos melhores profissionais de imprensa. Vale à pena percorrer este caminho.
Da minha parte já estou dando os primeiros passos. A contagem regressiva para esse meio digital, que vem sendo preparado há quatro anos, começou. Um novo desafio profissional se avizinha, porém não será solitário, mas sim acompanhado por uma equipe de pessoas talentosas que querem fazer jornalismo com maiúsculas.
Nas próximas semanas este blog pessoal se transformará – frente aos vossos olhos – num veículo de IMPRENSA. Agradecemos as palavras de ânimo.
Tradução por Humberto Sisley

Yoani Sánchez- Por que não quero ser federada?

Foto: Silvia Corbelle
O congresso da federação das Mulheres Cubanas terminou há alguns dias. No encerramento um homem pronunciou as palavras finais. Porém este não foi o único, nem o último erro de cálculo de uma organização estagnada e marcada pela ideologia.
Depois de escutar as sessões no palácio das Convenções ratifico minha decisão de não ser federada. Por quê?
  • Repudio o tratamento de “presidente eterna” que é dado à figura de Vilma Espín, pois toda ostentação de perpetuidade num cargo me parece – pelo menos  – ridículo.
  • Não quero fazer parte de uma entidade cuja bandeira mostra um indivíduo uniformizado. Como não sou soldado não me vejo representada como uma miliciana com fuzil.
  • Não acredito numa organização feminina que tem como princípios a fidelidade a uma ideologia, a um partido e a um homem.
  • Suspeito que uma parte das 4 milhões de mulheres que compõem a FMC entrou em suas fileiras por puro automatismo, como um trâmite obrigatório pelo qual se passa uma vez feitos quatorze anos.
  • Desconfio de uma federação que se beneficia da falta de liberdade de associação que impede as cubanas de criarem outras organizações.
  • Conheço a dupla cara da FMC que diz repudiar a violência contra as mulheres, porém jamais condenou os atos de repúdio sofridos pelas Damas de Branco.
  • Reputo como ineficiente o trabalho de uma entidade que em 50 anos desde sua fundação não conseguiu que as mulheres chegassem a postos de poder onde realmente se tomam as decisões que afetam o país.
  • Estou cansada de que reduzam as mulheres – nestes congressos femininos – a seres preocupados com panelas e frigideiras, mambisas dispostas a entregar seus filhos como carne de canhão ou peças da engrenagem produtiva… Abnegadas, belas e obedientes.
  • Sou uma mulher do século XXI, não mostro meus ovários com vitimismo, mas sim com orgulho e não posso ser membro de uma organização que é a correia de transmissão do poder em relação às mulheres.
  • Quando for legal se associar por credos, afinidades, gêneros e outros tantos pontos de contato, aí sim estarei com minha progesterona e minhas demandas numa federação feminina verdadeira.
Tradução por Humberto Sisley

“Sou um ser abençoado. Minha mulher fugiu com outro.” (Chico Melancia)

“Devem ser bois da Arca. Em alguns restaurantes servem bifes que só Wolverine conseguiria cortar.” (Mim)

“São novos tempos, novas tecnologias, mas continuo recebendo cartas. Cartas de cobrança, mas cartas.” (Climério)

“Em qualquer cidade ou vila deste país os melhores homens você encontrará sempre nos cemitérios.” (Pócrates)

“Alguns dizem que não tenho humor. Errado. Eu não tenho é o bom, já o mau-humor me sobra.” (Limão)

Reynaldo-BH: Para o PT, vale tudo para ganhar eleição. Até fazer o diabo

REYNALDO ROCHA
“A gente faz o diabo para ganhar as eleições!” (Dilma Roussef).
A frase revela a falta de limites. O uso de um palavreado que cabe na boca de um estivador, mas jamais na de um presidente.
É um slogan de ditador. A confissão de um agir que não tem ética. Talvez seja a ÚNICA frase dita por Dilma que pudemos entender – não pelo que disse, mas pelo que tem feito.
Vale prometer em cadeia nacional uma diminuição no valor das contas de energia para depois criar um débito que TODOS pagaremos em 2015? Vale!
Ou criar um programa de desassistência médica baseada em uma sociedade mercantil cubana? Óbvio que sim.
Repartir ministérios sem observar quem te competência para lá estar? Sempre.
Mentir sobre números da economia, sendo matéria de piada internacional? Mantega continua ministro…  Acabar com o Plano Real, tentando terminar com a maior conquista social das últimas décadas no Brasil?
Não é o “diabo” financiar o superfaturamento das obras da Copa? E não entregar aeroportos ou qualquer legado que não seja estádios de futebol?
O “diabo” não seria o PMDB, trocando ministérios por misteriosos acertos?
Vale usar a propaganda oficial de empresas estatais como campanha antecipada? Apoiar Cuba e Venezuela em nome de um antiamericanismo vulgar que sequer respeita a inteligência e as oportunidades de comércio mundial? Vale o diabo, segundo Dilma.
O que leva alguém a ser como Fausto e vender a alma? Poder somente? Ou receio de ter a faxina não executada exposta aos olhos de todos?
Dilma tem medo. O PT tem medo.
O PT É um imenso mensalão. Destampar a panela é o receio.
Fazer com que mais de 20.000 apaniguados sejam demitidos por absoluta ignorância é de assustar analfabetos. Não haverá tantas boquinhas em São Paulo (capital) para tamanha incompetência.
Negociatas e roubos desaparecerão. O percentual de sucesso não existirá mais. O trem bala deixará de consumir bilhões sem que tenha meio metro de trilho instalado. A transposição do São Francisco ficará para o futuro. Quem sabe até o STF passe a ser um Tribunal?
O PT tem medo não de perder o poder. O PT tem medo pelo que já fez.

PODE RECLAMAR COM O SAKAMOTO!


A deputada comunista assaltada deveria reclamar com o Sakamoto!

Fonte: Estadão
A deputada Manuela D’Ávila, assaltada recentemente, desabafou nas redes sociais contra a ironia que alguns fizeram, chegando a afirmar que ela merecia ser assaltada e que isso era apenas transferência de renda. Entendo sua revolta, mas acho que ela deveria canalizá-la para seus próprios companheiros de luta comunista. O Sakamoto, por exemplo.
Esse caricato esquerdista chegou a escrever um texto alegando que a ostentação dos ricos era responsável pelos assaltos. A coisa é tão absurda que merecia apenas ser ignorada. Não fosse o caso de Sakamoto ter espaço na mídia e desse absurdo artigo ter recebido 17 mil curtidas! Diz ele:
Não tenho medo de ser assaltado em meu carro porque não tenho carro. Não receio que levem minhas jóias ou meu relógio caro porque não tenho relógio. Não fico com pavor de entrarem na minha casa e levarem tudo porque meu bem mais precioso é um ornitorrinco de pelúcia. Não me apavoro em andar na rua à noite a não ser por conta do risco de chuva. E por mais que vá a bons restaurantes de vez em quando, devo ressaltar que nunca fui assaltado em nenhuma barraca de cachorro-quente… Acho que já deu para entender o recado. Não tenho medo da minha cidade porque, tenho certeza, ela não precisa ter medo de mim.
Portanto, a deputada comunista deveria reclamar com o colega de ideologia, não com a “direita”. Manuela não só tem carro, como tem um carro de luxo, importado, que custa caro. É a comunista mais “patricinha” que existe. Essa turma luta por “justiça social” e por “igualdade de renda” sempre acumulando mais e mais capital para si próprios.
Por fim, a deputada, que pertence ao jurássico PCdoB, escreveu, à guisa de conclusão:
Luto por uma cultura de paz, que respeite as diferenças e construa relações mais solidárias e generosas entre as pessoas. Que o abismo não olhe tanto para dentro de nós e que possam refletir sobre a violência que cometeram contra mim e minhas pessoas queridas em cada comentário desses. Lutar para mudar o Brasil, com amor no coração, vale mais a pena.
Ora, falar em cultura de paz embaixo de uma bandeira com a foice e o martelo? Deputada, a senhora não sabe que essa ideologia foi responsável pela morte direta de 100 milhões de inocentes, ao menos, e que deixou um rastro de miséria e escravidão por onde passou? Não sabe que a violência sempre foi uma arma defendida abertamente pelos líderes comunistas como legítima para a revolução?
Lutar para mudar o Brasil? Em que direção? A cubana? A venezuelana? Onde foi que o comunismo deu certo, deputada? Onde foi que o comunismo trouxe paz e amor? A pomba da paz, eternizada em litografia do comunista Picasso, era usada como propaganda por Stalin enquanto milhões eram mortos na União Soviética *. Paz?
Deputada Manuela D’Ávila, como você tem coragem de falar em paz e amor sendo do PCdoB, um partido que chegou ao ridículo de escrever uma carta de apoio ao ditador assassino da Coreia do Norte? Não tem vergonha na cara? Acha que todos são idiotas?
Não, deputada, eu não sou um desses que acha que você merece ser assaltada, ou sofrer coisa pior. Não vou agir como os próprios comunistas, seres odientos, movidos pelo rancor e o ressentimento. Apenas gostaria que uma pessoa com seu discurso ultrapassado, jurássico, hipócrita, não encontrasse mais eleitores ignorantes a ponto de crer nele. Mas o Brasil ainda está muito atrasado nesse quesito, infelizmente. A ponto de até comunistas terem votos por aqui.
E sobre aqueles que acham que você mereceu ter seu luxuoso carro roubado, vá reclamar com Sakamoto, que pode ser tudo, menos direitista.
* Picasso, em vida, recebeu duas vezes o Prêmio Lênin da Paz. Existe contradição maior do que essa, a de utilizar na mesma expressão duas coisas tão antagônicas como paz e Lênin? Algumas declarações do líder bolchevique, recuperadas após a abertura dos documentos soviéticos e reunidas em O livro negro do comunismo, demonstram o quão pacífico era esse senhor:
Toda a essência do nosso trabalho visa à transformação da guerra numa guerra civil. Não podemos prometer a guerra civil, nem decretá-la, mas temos o dever de trabalhar – o tempo que for necessário – nessa direção.
Enquanto não aplicarmos o terror sobre os especuladores – uma bala na cabeça, imediatamente – não chegaremos a lugar algum!
É chagada a hora de levarmos adiante uma batalha cruel e sem perdão contra esses pequenos proprietários, esses camponeses abastados.
Camaradas! O levante kulak nos cinco distritos de sua região deve ser esmagado sem piedade. É necessário dar o exemplo. Enforcar, e digo enforcar de modo que todos possam ver, não menos que cem kulaks.
Haja pacifismo!
Rodrigo Constantino

O populismo e a lei da acumulação das burradas

ROLF KUNTZ*


Burrada gera burrada e tende a crescer em espiral, como os preços inflados, quando a besteira é realimentada pela mentira. No Brasil, essa combinação de erros levou à superinflação, nome inventado para marcar a tênue diferença entre a hiperinflação e o desastre brasileiro dos anos 80 e começo dos 90. Proscrito por algum tempo, o jogo está consagrado, novamente, na rotina brasiliense. O socorro de R$ 12 bilhões às elétricas, para atenuar os efeitos de uma política populista de tarifas, é o mais novo lance desse jogo. O Tesouro gastará R$ 4 bilhões além dos R$ 9 bilhões previstos no Orçamento e a Câmara de Comercialização de Energia, um ente privado, tentará obter no mercado um financiamento de R$ 8 bilhões, pagando juros, naturalmente. Os consumidores serão mais uma vez poupados, neste ano, e só depois de votar receberão a conta aumentada.



Mentira é uma boa palavra para designar a maquiagem das contas fiscais e a tentativa de reprimir - e falsificar, portanto - os índices de preços. No caso das contas públicas, também tem sido usada, com sucesso internacional, uma expressão mais suave: contabilidade criativa. A nomenclatura faz pouca diferença. O importante é reconhecer a realimentação e a multiplicação dos erros quando se tenta disfarçar os problemas, em vez de resolvê-los. O efeito circular é claríssimo na crise argentina. Também é indisfarçável na baderna econômica da Venezuela, marcada nas páginas da História, de forma indelével, pela escassez de papel higiênico. Haja páginas.

O exemplo argentino é um modelo para os governantes populistas, em geral muito interessados nos benefícios políticos e pouco preocupados com os custos efetivos para a economia. Para disfarçar a inflação o governo da Argentina tem falsificado os indicadores e tentado tabelar ou congelar os preços. Como o fracasso é inevitável, amplia a vigilância e tenta levar o controle até a origem dos produtos. Com isso, impõe perdas a agricultores e pecuaristas e cria um conflito entre a administração central e o setor mais eficiente da economia. De passagem, cria algum obstáculo à exportação de alimentos, para derrubar os preços internos, e compromete a receita cambial. Como o Executivo também usa os dólares da reserva para liquidar contas fiscais, a combinação das trapalhadas produz ao mesmo tempo inflação crescente, insegurança na produção e escassez de moeda para os pagamentos internacionais.

Para poupar reservas o governo impõe controles severos às compras de moeda estrangeira e aumenta o protecionismo. Também esse esquema tende ao fracasso, mas produz algum efeito quando um governo amigo se dispõe a aceitar o desaforo comercial. Neste caso, esse governo amigo tem como endereço principal o Palácio do Planalto, em Brasília. A tolerância é praticada em nome de uma solidariedade nunca retribuída e, de forma implícita, de uma liderança regional imaginária e sempre desmentida na prática.

A solidariedade tem um claro componente ideológico. O estilo dos Kirchners tem sido uma evidente inspiração para o governo brasileiro. Mas as condições no Brasil são um tanto diferentes e têm sido menos propícias, pelo menos até agora, a algumas iniciativas mais audaciosas. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ainda funciona sem interferência do Executivo. O PT conseguiu, pelo menos durante algum tempo, impor sua marca ao velho e respeitável Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mas a ação foi desastrada e desmoralizante. Não se conhece, até hoje, nenhuma tentativa semelhante em relação ao IBGE.

Sem manipulação direta dos índices, a maquiagem da inflação ocorre diretamente nos preços, por meio, por exemplo, da redução das contas de eletricidade, da imposição de perdas à Petrobrás e do congelamento das tarifas de transporte urbano. Seria politicamente muito mais complicado tentar mexer nos indicadores produzidos pelo IBGE. Mas a interferência direta na fixação de preços dispensa o governo desse risco. Impõe, em contrapartida, uma porção de outros problemas.

O congelamento de tarifas de transporte público resultou em perdas para governos municipais e estaduais, incluídos os do PT. Recursos para investimentos e até para ações rotineiras tornaram-se mais escassos, mas o reajuste de tarifas é hoje politicamente mais difícil do que no ano passado.

O esperado socorro do governo federal - uma das apostas do prefeito Fernando Haddad - também está atrasado e é pouco provável, porque as contas do Tesouro Nacional estão em más condições. Se algum socorro aparecer, será uma surpresa, porque a meta fiscal anunciada no mês passado pelo ministro da Fazenda parece cada dia mais inacessível. O aumento das despesas para socorrer o setor elétrico é uma sangria a mais para o Orçamento federal.

Se a presidente insistir em poupar os consumidores, será preciso compensar os gastos adicionais do subsídio às contas de eletricidade. O ministro da Fazenda mencionou o possível aumento de impostos e a reabertura do Refis, o refinanciamento de dívidas tributárias. Mais uma vez o balanço fiscal dependerá de receitas especiais, como os pagamentos iniciais do Refis, os dividendos do BNDES e o pedágio pago pelas concessões de infraestrutura. Se as agências classificadoras aceitarem a jogada, talvez se possa evitar a redução da nota de crédito soberano.

Um pouco mais de seriedade na gestão das contas públicas e no combate à inflação pouparia ao governo muitas complicações e livraria o País de perdas injustificáveis. Combate sério à inflação inclui o uso mais eficiente do dinheiro público e a ação realmente autônoma do Banco Central. O Brasil nada ganhou com a redução voluntarista dos juros. A inflação subiu e foi preciso apertar de novo a política monetária. Também nada ganhou com a manipulação de preços e tarifas. Burradas só geram problemas e o esforço para disfarçá-los envolve novas burradas, como a solução improvisada para o problema das elétricas.

*ROLF KUNTZ É JORNALISTA

‘De dose em dose’, por J. R. Guzzo



Publicado na edição impressa de VEJA


J. R. GUZZO


O tribunal mais alto do país resolve que um crime foi cometido e, passado algum tempo, decide que esse mesmo crime não é mais crime ─ coisa incompreensível, no entendimento comum, quando se leva em conta que o tal tribunal existe justamente para dar sentenças que não podem mais ser mudadas. Mas no Brasil não é assim que funciona, e por via dessa mágica três estrelas do mensalão, re­cém-con­de­na­das pelo Supremo Tribunal Federal por crime de quadrilha, não cometeram crime de quadrilha. Nesse meio-tempo, o governo Dilma Rousseff substituiu dois ministros que acabavam de se aposentar por dois nomes exatamente a seu gosto, ficou com maioria de 6 a 5 no plenário e o que valia passou a não valer mais. Desanimado? Talvez não seja o caso; não compensa comprar por 100 um aborrecimento que não vale nem 10. No fundo, esse último show encenado no picadeiro do STF não quer dizer lá grande coisa. Problema, mesmo, é a lata de formicida Tatu que o governo parece interessado em nos servir, em doses bem calculadas, no futuro aí à frente.





Dirceu & cia. foram absolvidos do crime de quadrilha? Sim, foram ─ mas e daí? Continuam condenados por corrupção ativa: não é um certificado de boa conduta. Sim, o PT festeja ─ mas festeja o quê? Não mudou nada no que real­men­te tem importância: três dos maiores heróis da Era Lula estão liquidados para a vida política brasileira, pelo menos no grau de grandeza que julgavam merecer. Seu futuro morreu. Que diferença faz, então, saber se vão cumprir X ou Y meses a mais de sua pena, ou onde estão dormindo? Se fosse mantida a condenação, não iriam ficar muito mais tempo no xadrez, levando em conta que todos os criminosos brasileiros, por mais selvagens que sejam, têm direito a cumprir só um sexto da pena ─ mesmo gente como o casal de São Paulo que matou a própria filha de 5 anos, jogada do alto do seu prédio. De mais a mais, daqui a pouco todos eles começarão a ficar velhos, o que é castigo suficiente para qualquer ser humano. A velhice, como é bem sabido, não inspira muita pena, nem simpatia ─ e, uma vez que se entra nela, não é possível voltar.


O verdadeiro perigo armado contra o Brasil se chama Supremo Tribunal Federal, e o perverso sistema pelo qual os seus membros são nomeados. Para simplificar: o STF deixou de ser uma corte de justiça. Hoje é um amontoado de onze cidadãos dividido em grupinhos, cabalas e intrigas, com um partido pró-governo e outro que se junta ou separa ao sabor das circunstâncias. Há gangues inimigas ─ onde, justamente, deveria haver esforço comum para a prestação de justiça. Suas Excelências têm, é certo, a soma daqueles pequenos talentos que servem de combustível para subir na vida, mas é só o que têm. O senso moral desapareceu na atuação dos juízes. Como pode funcionar um tribunal supremo onde o fator que determina as decisões não é a lei, mas o ódio individual entre ministros e a obediência a doutrinas políticas? A situação já estaria suficientemente ruim se ficasse assim como está. Mas pode ficar pior ainda, dependendo do sucesso que tiverem no futuro próximo as forças que têm o sonho de rebaixar o STF à condição de repartição pública, ocupada por despachantes encarregados de executar ordens do governo.


Durante toda a vigência do Ato Institucional Nº 5, a ditadura militar garantiu o controle sobre o STF através das “aposentadorias compulsórias” dos ministros que não obedeciam a suas ordens. Para que o trabalho de fechar o Supremo, se ele podia ser controlado pela força armada? Hoje é possível obter o mesmo resultado, sem a necessidade de usar a tropa ─ basta, com um pouco de paciência, ir colocando nas próximas vagas ministros como Ricardo Lewandowski ou Luís Roberto Barroso, Teori Zavascki ou José Dias Toffoli. Mas os novos juízes não teriam de comprovar alto saber jurídico? Que piada. Toffoli, advogado do PT, foi nomeado ministro do STF depois de levar bomba em dois concursos para juiz de direito ─ provavelmente, um caso único no sistema judiciário mundial. Os demais, com ligeiras diferenças que não alteram o produto, são nulidades. Quando se aceita, como hoje, a ideia de que não é preciso ter princípios nem valores morais na atividade de governar, tudo começa a valer ─ e o resultado desse vale-tudo são aberrações como a “democracia da Venezuela”, que tanto encanta Lula, Dilma e o PT.


Destruir o Supremo é destruir a pátria. País sem Supremo é país sem lei, e país sem lei não é mais nada ─ apenas um ajuntamento de gente submetida à vontade do mais forte.

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