segunda-feira, 24 de março de 2014

PLANTOU? CHOVEU? COLHEU? Percival Puggina



É normal que os governantes subam ao palco das homenagens quando o PIB do Estado registra expansão significativa. Totalmente anormal seria apresentarem-se para vaias nos anos de crescimento negativo. Quem observa o PIB gaúcho ao longo da série histórica de 2002 a 2013, disponível no site da Fundação de Economia e Estatística, observará que os anos de pior desempenho foram os de 2005, 2009 e 2012, quando o PIB caiu respectivamente 2,8%, 0,4% e 1,4%. Foram três tombos, em direta relação com as estiagens ocorridas nesses mesmíssimos anos. Em compensação - felizmente há alguma compensação - os períodos subsequentes às estiagens são, sempre, de crescimento significativo, pois partem de patamares reduzidos. Os bons números recentemente divulgados a respeito do PIB gaúcho de 2013, que cresceu 5,8%, foram bafejados pela excelente safra do ano passado e pelo fato de se referirem à base negativa determinada pela estiagem de 2012.



Faz parte do jogo festejar bons resultados como produtos da inspirada e competente gestão pública e atribuir os maus à inclemência da estiagem. No entanto, ante as manifestações oficiais sobre a boa expansão do PIB gaúcho no ano passado, obviamente calcado no agronegócio e nas grandes colheitas de soja, arroz e trigo, indaguei a mim mesmo: quando o partido que nos governa começou a se interessar pela prosperidade do agronegócio?



Muitas vezes ouvi de seus parlamentares críticas candentes ao modelo agrícola estadual e suas extensivas monoculturas. As centenas de invasões de propriedades, levando intranquilidade e violência ao ambiente rural, não tiveram e não continuam tendo incondicional apoio do partido? Afinal, em que berçário nasceu e em que úberes o MST buscou leite para se desenvolver? O Rio Grande do Sul é um Estado sem novas fronteiras agrícolas. Não dispomos de terras virgens, por serem exploradas. Nos últimos anos, nenhum avanço significativo teria ocorrido na produtividade das nossas lavouras sem o uso de defensivos e sementes geneticamente modificadas. E eu lembro bem do fogo cerrado que as tecnologias sofreram por parte do PT. O partido apoiava muito a agricultura familiar (no que ia bem) e métodos arcaicos de produção (no que sempre foi muito mal). Agronegócio era palavrão, coisa de latifundiário neoliberal. Mais, todo produtor rural conhece o jogo pesado da presidente Dilma, junto com sua base no Congresso Nacional, para a aprovação da MP-571 numa versão que danificaria econômica e socialmente o setor, seja por indústria de multas, seja por excesso de ônus à atividade privada, seja por abusiva redução da área de exploração, seja por desrespeito ao pacto federativo e por aí afora. Todos os estabelecimentos ruraispassariam a trabalhar para alcançar certas metas do governo, que não planta, não chove e não colhe. Produção e a produtividade não pareciam encontrar lugar entre essas metas.



Por que tudo isso? Por uma ideologia que conduz as ações do governo e de entidades com ele afinadas num viés avesso ao direito de propriedade. Não preciso explicar, certo? É nesse sentido que trabalham a Funai e o CIMI em sua cobiça por áreas produtivas para entregá-las a reservas indígenas. É nesse mesmo sentido que vão as reivindicações dos quilombolas, sempre apoiadas por movimentos sociais de idêntica motivação e na mesma sintonia. Não possuo um palmo de terra. Mas alerto: sem respeito ao direito de propriedade, numa correta ordem juspolítica, pouco se planta e se colhe. Quer chova, quer não chova.



Zero Hora, 23 de março de 2014

“Prefiro males antigos bem conhecidos, tipo sol na cabeça, reumatismo, caxumba e dor de barriga. Sou um saudosista.” (Climério)

“Inveja? Não tenho inveja de sujeitos endinheirados. Mas como gostaria de ser Voltaire!”

“Num litígio religioso é bom ouvir o conselho do diabo, pois ele trabalha tanto para evangélicos quanto para católicos e protestantes.” (Limão)

TEMPLOS- “Em currais faraônicos ornados de luxo os tosquiadores aguardam por suas mansas ovelhas. E para lá vão elas felizes, cegas pelo não pensar, sempre prontas para a tosa diária.” (Eriatlov)

“Cachorro de açougueiro não se contenta mais com osso.” (Pafúncio)

“Não empresto minha mulher pra dançar com ninguém. Não tenho locadora de mulher.” (Limão)

‘O urro e a dor’, de Roberto Pompeu de Toledo



Publicado na edição impressa de VEJA

ROBERTO POMPEU DE TOLEDO

O jogador Arouca, do Santos, dava entrevistas ao final do jogo contra o Mogi Mirim, pelo Campeonato Paulista de futebol, quando começou a ser chamado de macaco por torcedores nas arquibancadas. Arouca é um negro elegante, dentro e fora do campo de jogo, que ostenta orgulhosamente sua negritude no cabelo arrumado ao estilo rastafári. Ao ouvir os gritos, desconcertou-se. Justamente naquela noite, em que tinha marcado o mais belo gol do jogo, e um dos mais belos da carreira, disparando um chute “de voleio”, com as duas pernas no ar, vinha a ser alvo do ódio selvagem. A torcida do seu time o tinha saudado com o grito de “Arouca na seleção”. Os imbecis da arquibancada agora diziam que seleção, para ele, só se for de país africano. O momento de desconcerto, em que interrompe a entrevista, se atrapalha e se cala, revela a enormidade do golpe. Antes de revolta, é a perplexidade que o toma. Fora atingido por um raio.



Dias antes, o juiz Márcio Chagas da Silva, que apitava o jogo entre os times do Esportivo e do Veranópolis, pelo Campeonato Gaúcho, na cidade de Bento Gonçalves, foi xingado por hordas que, não contentes, riscaram seu carro e o emporcalharam com cascas de banana. A última do futebol brasileiro é, em troca dos jogadores que vende para a Europa, importar os xingamentos racistas que se ouvem por lá. Como combater o racismo nos estádios? Como combater o racismo em geral? Não há resposta fácil para tais questões. No caso de Arouca, a Federação Paulista de Futebol reagiu rápido, interditando o estádio do Mogi Mirim pelo tempo que durar um inquérito a respeito do ocorrido, com a possibilidade de a interdição se prorrogar dependendo das conclusões do inquérito. A medida foi contestada. A punição deveria se restringir aos culpados, não a toda uma coletividade. Entre uma tese e outra, o colunista Hélio Schwartsman, da Folha de S. Paulo, apresentou uma terceira. Amparado no filósofo Stuart Mill, defendeu a ideia de que “mesmo os piores preconceitos precisam ter sua circulação assegurada”, para que, expostos à plena luz, possam ser contestados e vencidos. De outro modo, as respostas a tais preconceitos arriscam ser percebidas elas próprias como “simples preconceitos, sem base racional”.

O argumento é inteligente, e impecavelmente coerente com a visão liberal de circulação o mais desimpedida possível das ideias. Ocorre que, no caso do racismo, não se está tratando com seres racionais. Como vencê-los pelas ideias? Campanhas não faltam. No Brasil e no mundo espalhou-se amoda de exibir faixas e acender letreiros contra o racismo nos estádios. Ao mesmo passo, multiplicam-se os atos de racismo. Dá até para desconfiar que as campanhas os estimulam. Acresce que o racista do estádio não se exprime por ideias. Sua arma é o xingamento. Nessas circunstâncias, e considerando a habitual incapacidade dos investigadores brasileiros de individualizar os culpados, a interdição dos estádios é o que resta. A desproporção da pena é uma vantagem; garante a repercussão da punição.

Sobra, como ponto último e íntimo da questão, a dor de ser alvo de atos e palavras racistas. Outra vítima, o jogador Tinga, do Cruzeiro, num jogo recente contra o Real Garcilaso, do Peru, era saudado em uníssono com gritos imitando macaco toda vez que pegava na bola. Seu filho, segundo Tinga contou depois, assistia ao jogo pela televisão. A muitos filhos e muitas mães tem ocorrido o mesmo. Esportistas, depois de uma jornada de triunfo, gozam da delícia de ser conduzidos ao sono pelo filminho em que passam e repassam a proeza do dia. Arouca, naquela noite, teve o filminho de seu voleio sufocado pelos gritos de “macaco”.

A peça Jesus Cristo Superstar está voltando ao cartaz em São Paulo trazendo no papel-título um ator com a estupenda cabeleira de sempre, corpo de atleta, pele clara e olhos que pelas fotos parecem claros. Os pintores do Renascimento terem elegido tal tipo para representar um judeu da Palestina do século I é racismo lá deles, que a história da pintura consagrou e o tempo apagou. Já numa peça moderninha, que pretende apresentar um Jesus “humanizado”, insistir no modelo equivale a pecar pela base.

PCdoB vende “fans fests” piratas da FIFA em São Paulo

No intuito de fazer caixa para as eleições que estão por vir, o PCdoB não mede esforços, nem criatividade, em suas atitudes. O partido organiza, de maneira oficiosa, "fans fests" piratas, utilizando-se da marca "Copa do Mundo da FIFA", fechando pacotes com torcedores africanos que deverão chegar ao Brasil, nos próximos meses. Alguns lugares já foram reservados para o evento, entre os tais, a "Casa de Portugal", em São Paulo. Resta saber se a ação está sendo realizada à margem do conhecimento do Ministro do Esporte, Aldo Rebelo, ou do antecessor, Orlando Silva - o que seria um constrangimento - ou se ambos sabem de tudo, e se calam, de maneira conveniente.
Blog do Paulinho

GRANDE CABO ELEITORAL

O Planalto ligou todos os alertas após constatar que o desgaste acentuado do prefeito paulistano Fernando Haddad (PT) faz dele um dos principais cabos eleitorais do PSDB, em outubro.
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PT AGE PARA TOMAR A VAGA DE SARNEY NO SENADO

O PT nacional finge contrariedade, mas nada faz para impedir o PT-AP de lançar Dora Nascimento contra José Sarney (PMDB) ao Senado, em outubro. Pior: integrando a chapa do atual governador do Amapá, Camilo Capiberibe (PSB), arqui-inimigo do ex-presidente. A estratégia do PT, definida pelo ex-presidente Lula, é “atropelar” aliados para lhes tomar as vagas, nem que entre eles estejam figuras como José Sarney.Na última eleição do senador José Sarney, Dora Nascimento perdeu por menos de 2% dos votos. Agora, o PT acha que pode elegê-la.
Cláudio Humberto

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LIBERDADE COMO NOSSO DOM MAIOR

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