quinta-feira, 27 de março de 2014

Caio Blinder- A lógica da radicalização II (Egito)

O marechal Abdel Fattah el-Sisi fez o trabalho sujo, com muito apoio popular, de remover a Irmandade Muçulmana do poder em julho passado. Agora, ele tira a farda (mas não veste o pijama) para uma tarefa de limpeza penosa: tirar o Egito do buraco. Sisi, conforme se antecipava, formalizou na quarta-feira que será candidato presidencial.
Governante de fato desde o golpe militar, ele será imbatível nas eleições a serem realizadas provavelmente em junho. Além do apoio popular, conta com o respaldo da comunidade empresarial e do chamado “estado profundo”, o aparato militar, policial e burocrático que não foi desmantelado nos três tumultuados anos que se seguiram à deposição do ditador Hosni Mubarak.
Sisi hoje é o homem-forte do país e retoma o padrão egípcio implantado em 1954 com a ditadura militar de Gamal Abdel Nasser, cujos ingredientes são o nacionalismo e frequentes ondas de repressão da Irmandade Muçulmana, o outro pilar da sociedade egípcia. Visto agora como o salvador da pátria, Sisi irá se defrontar com outro cenário, o de dirigir o país e isto depois do fiasco governamental da Irmandade Muçulmana.
O brucutu não terá uma longa lua-de-mel e se for necessário vai manter o casamento na marra com a população egípcia. A Irmandade Muçulmana hoje está sangrando com a repressão simplesmente selvagem e a paródia judicial que é o julgamento de seus militantes e líderes. No entanto, ela irá sobreviver e como no passado um dia vai à forra.
É verdade que, como no passado, os militares poderão cooptar a Irmandade Muçulmana em alguns momentos, permitindo seu trabalho assistencialista como válvula de escape dos gravíssimos problemas sócio-econômicos do pais. Visto como um ícone nacionalista ao estilo Nasser,  Sisi não deverá, porém, se atrever ao aventureirismo militar nasserista contra Israel, o suspeito habitual. Os israelenses, aliás, consideram o cenário pós-Irmandade Muçulmana o mal menor no Egito, como avaliavam a ditadura Mubarak. E para Sissi, há os bilhões sauditas para impedir a total degringolada do país. Para Riad, é vital remover do mundo árabe propostas do islamismo político ao estilo Irmandade Muçulmana.
Frustrado com os vacilos e pruridos democráticos do Ocidente, Sisi, como Nasser, poderá se voltar para Moscou, onde também manda um homem-forte muito popular que nunca vacilou em esmagar de forma selvagem o desafio islâmico, como ocorreu na Chechênia. Incrível, mas em Damasco manda um Assad, aliado dos russos, numa relação que remonta aos tempos soviéticos. Se houver uma sólida aproximação de Sisi com Vladimir Putin, empenhado em restaurar glórias imperiais russas e que segura as pontas da Síria do ditador-carniceiro, será o triunfo do retrô.
O Egito por três anos, desde a Primavera Árabe, buscou de forma frenética e caótica uma porta para o futuro. Com Sisi, encontrou a do passado.

Caio Blinder- O clubinho do Putin (II)

Parece artigo de jornal satírico, uma composição escolar escrita na novilíngua ou uma tirada de um filme de Sacha Baron Cohen (o nosso querido Borat). Viktor Churkin, embaixador russo nas Nações Unidas, disse que a votação não-vinculativa na assembleia-geral nesta quinta-feira foi um bom resultado para o governo Putin. “Nós tivemos uma vitória política e moral. Não deve haver nenhuma questão sobre isolamento da Rússia na situação”.
Do que o diplomata está falando? A resolução apoiou a integridade territorial da Ucrânia e declarou não-válido o referendo que levou à anexação da Crimeia pela Rússia. A resolução passou por 100 votos a 11, com 58 abstenções, entre elas a do Brasil, que ficou em cima do muro ao lado dos outros integrantes do clube dos Brics,que a Rússia tanto preza: China, Índia e África do Sul. Alguns países simplesmente fugiram do muro e não votaram como Israel, Irã e Líbano. A Rússia conseguiu este milagre: Israel e Irã com a mesma posição.
Por vitória politica e moral para a Russia, entenda-se o apoio dos seguintes países, entre os quais estão os mais imorais do mundo: Armênia, Bielorrúsia, Bolívia, Coreia do Norte, Cuba, Nicarágua, Sudão, Síria, Venezuela e Zimbábue.

A ditadura da moda é socialista

Tenho certeza de que o leitor já escutou por aí a expressão “ditadura da moda”. Invariavelmente, da boca de “intelectuais” que costumam demonstrar profundo antiamericanismo e anticapitalismo. A moda, alegam, é “imposta” pelo mercado, todos precisam seguir as regras burguesas, adequar-se ao modismo do momento, criado para o lucro dos capitalistas.
Qual a realidade? Basta ir a um shopping center para ver que esse discurso é absurdo. Há de tudo, para todo gosto, para todo bolso. Uma verdadeira miscelânea de grifes, estilos, modelos. E é bom que assim seja. Afinal, a roupa, o corte de cabelo, o estilo, tudo faz parte de nossa identidade. É nossa carta de apresentação, onde já tentamos mostrar a nossa “tribo”.
Socialistas não gostam disso. As utopias coletivistas aboliam essa diferenciação, essa identidade singular. Em Cidade do Sol, de Tommaso Campanella, há um culto coletivista, tratando homens como abelhas, que trabalham para a felicidade da “colmeia”. Sugere roupas iguais, tudo igual, e os filhos também serão propriedade “comum”.
Todos iguais, mas sempre uns mais iguais que os outros. Os tais “sábios” sempre entram em cena, para comandar o show. Isso vem desde Platão e sua República. Os indivíduos são apenas ratos de laboratórios, ferramentas “científicas”, que devem sucumbir ao “coletivo”, representado aqui pelo líder.
O escritor inglês L.P. Hartley, em Facial Justice, comentada no excelente livro de Helmut Schoeck sobre o tema da inveja, intitulado Envy: a Theory of Social Behaviour, chegava a uma conclusão lógica, expressada por Schoeck em seu livro, sobre a estranha tentativa moderna de legitimar o invejoso e sua inveja, de forma que qualquer um capaz de despertar inveja seria tratado como antissocial ou criminoso.
Em vez de o invejoso ter vergonha de sua inveja, é o invejado que deve desculpas por ser diferente, melhor. Há uma total inversão dos valores, explicada apenas por uma completa aniquilação do indivíduo em nome da igualdade coletivista. Como conclui Schoeck: “O desejo utópico por uma sociedade igualitária não pode ter surgido por qualquer outro motivo que não a incapacidade de lidar com a própria inveja”.
A heroína da novela de Hartley chama-se Jael, uma mulher que, desde o começo, não se conforma com a visão igualitária, recusando-se a aceitar que pessoas mais bonitas ou inteligentes devessem se anular como indivíduos por causa da inveja alheia. A obra se passa no futuro, depois de uma Terceira Guerra Mundial, e as pessoas são divididas de acordo com o grau de aparência. A meta era obter uma igualdade facial, pois a material já não bastava para acabar com a inveja: alguns sempre terão algo que os outros não têm.
Havia um Ministério da Igualdade Facial, e a extirpação dos rostos tipo Alfa, os mais belos, não era suficiente, uma vez que os de tipo Beta ainda estavam em patamar superior aos Gama. Enquanto todos não tivessem a mesma aparência, não haveria “justiça”. Ninguém poderia ser um “desprivilegiado facial”. Hartley combate a utopia dos igualitários, mostrando que a equiparação financeira jamais aboliria a inveja na sociedade. Durante sua vida, demonstrou aversão a todas as formas de coerção estatal.
Tudo isso, claro, foi para chegar à nova excentricidade do ditador comunista da Coreia do Norte, que decidiu que todos os universitários do país deverão adotar o mesmo corte de cabelo: o dele. O mimado tirano quer uma legião de clones, todos feitos à sua imagem e semelhança:
O governo norte-coreano já havia definido há anos modelos de cortes de cabelo dos cidadãos do país. A TV estatal inclusive fez campanha contra o cabelo comprido, propondo aos cidadãos que aparassem suas cabeleiras “de acordo com o estilo de vida socialista”. Atualmente as mulheres têm a permissão de escolher entre 18 estilos de corte de cabelo. Os homens têm menos opção: apenas 10.
Da próxima vez que o leitor escutar algum “intelectual” condenando o capitalismo, o liberalismo, acusando a “ditadura do mercado” ou a “ditadura da moda”, lembre-se de que quem costuma impor, sob coerção, a mesma “moda” igualitária, inspirada sempre em um narcisismo exagerado ou na profunda inveja, são justamente os socialistas e comunistas.
Os capitalistas liberais respeitam as diferenças, e no campo da moda, é por isso que há tanta opção e fartura nos países mais capitalistas e liberais.
Rodrigo Constantino

A maldição da linguagem racial

DEMÉTRIO MAGNOLI
Publicado:


Carolus Linnaeus (Lineu), o pai fundador da taxonomia biológica, sugeriu uma divisão da espécie humana em quatro raças: europeanus (brancos),asiaticus (amarelos), americanus (vermelhos) e africanus (negros). Naturalmente, explicou Linnaeus, a raça europeia era formada por indivíduos inteligentes, inventivos e gentis, enquanto os asiáticos experimentavam inatas dificuldades de concentração, os nativos americanos deixavam-se dominar pela teimosia e pela irritação e os africanos dobravam-se à lassidão e à preguiça. Isso foi em meados do século XVIII, na antevéspera do surgimento do “racismo científico”. Como admitir que uma linguagem paralela seja utilizada por Ricardo Noblat, um jornalista culto e respeitado, na segunda década do século XXI?


O presidente do STF, Joaquim Barbosa, moveu representação contra Noblat, acusando-o dos crimes de injúria, difamação e preconceito racial. Três frases numa coluna do jornalista publicada no GLOBO (18 de agosto de 2013) formam um alvo legítimo da representação criminal: “Para entender melhor Joaquim acrescente-se a cor — sua cor. Há negros que padecem do complexo de inferioridade. Outros assumem uma postura radicalmente oposta para enfrentar a discriminação.” Noblat resolveu “explicar” Joaquim Barbosa a partir de presumidos traços gerais do caráter dos “negros”: é Lineu, no século errado...


As três frases deploráveis — e preconceituosas, sim! — oferecem aos “negros” as alternativas de sofrerem de “complexo de inferioridade” ou de arrogância, que seria a “postura radicalmente oposta”. Contudo, no conjunto do raciocínio, há algo pior: a cassação da personalidade de Joaquim Barbosa, a anulação de sua individualidade. Joaquim não existe como indivíduo, mas como representação simbólica de uma “raça”; ele é o que é pois “sua cor” esculpe sua alma — eis a mensagem de Noblat. Podemos aceitar assertivas sobre caráter e atitudes baseadas na “raça” dos indivíduos? Essa é a questão que Joaquim Barbosa decidiu repassar para tribunais criminais.


O problema de fundo da representação é que o Estado brasileiro oficializou as “raças”, por meio de políticas raciais adotadas pelo Executivo, votadas pelo Congresso e avalizadas pelo Judiciário — inclusive, pessoal e diretamente, por Joaquim Barbosa. De acordo com as políticas raciais em vigor, fundaram-se “direitos raciais” ligados ao ingresso no ensino superior, na pós-graduação e em carreiras do funcionalismo público. Os indivíduos beneficiários das cotas privilegiadas são descritos como “representantes” de uma “raça” — do presente e, também, do passado histórico dos “negros”. Foi o próprio Estado que introduziu a “raça” (e, com ela, a linguagem racial!) no ordenamento político brasileiro. Os juízes que darão um veredicto sobre a ação contra Noblat provavelmente circundarão o problema de princípio — mas isto não o suprime.


Na democracia, a linguagem tem importância maior que a força. A linguagem racial introduziu-se entre nós a partir do alto. Pais são compelidos a definir a “raça” de seus filhos nas fichas de matrícula na escola. Jovens estudantes devem declarar uma “raça” nos umbrais de acesso às universidades. Na política, a cor e a “raça” converteram-se em referências corriqueiras. Lula da Silva invocou a cor da pele de Joaquim Barbosa como motivação para sua indicação ao Supremo (algo mencionado, aliás, em outra linha da coluna de Noblat). “Brancos” e “negros”, essas entidades da imaginação racial, transformaram-se em objetos discursivos oficializados. Joaquim Barbosa tem sua parcela de responsabilidade nisso, junto com seus colegas do STF.


Cotas raciais não existem para promover justiça social, mas para convencer as pessoas a usarem rótulos de identidade racial. Anos atrás, um amigo dileto confessou-me que, para produzir artigos contrários às políticas de raça, tinha de superar uma profunda contrariedade íntima. Perdemos cada vez que escrevemos as palavras “branco” e “negro”, explicou-me com sabedoria, pois contribuímos involuntariamente na difusão da linguagem racial. Raças não existem — mas passam a existir na consciência dos indivíduos quando se cristalizam na linguagem cotidiana. Caminhamos bastante na estrada maldita da naturalização das raças, como atesta a coluna de Noblat.


Na sua defesa, Noblat talvez argumente que apenas jogou de acordo com as regras implícitas nas políticas de raça julgadas constitucionais por um STF pronto a ignorar as palavras da Lei sobre a igualdade entre os cidadãos. Seu advogado poderia dizer que o jornalista não inventou a moda de julgar as pessoas pela cor da pele — que isso, agora, é prática corrente das autoridades públicas e das universidades. Mas ele continuará errado: a resistência à racialização da sociedade brasileira exige, antes de tudo, que se rejeite a linguagem racial. Temos a obrigação de ser subversivos, de praticar a desobediência civil, de colocar os termos “raça”, “brancos” e “negros” entre as devidas aspas.


A “pedagogia da raça” entranhou-se nas políticas de Estado. Dez anos atrás, um parecer do Conselho Nacional de Educação, que instruiu o “Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana”, alertou os professores sobre “equívocos quanto a uma identidade humana universal”. Segundo o MEC, os princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos constituem, portanto, “equívocos”: humanidade é uma abstração; a realidade encontra-se nas “raças”. As três frases de Noblat, que abolem a individualidade de Joaquim Barbosa, situam-se no campo de força daquele parecer. A resposta antirracial a elas pode ser formulada em duas frases simples — mas, hoje, subversivas:


1) Joaquim Barbosa é igual a todos os demais seres humanos, pois existe, sim, “uma identidade humana universal”;


2) Joaquim Barbosa é um indivíduo singular, diferente de todos os demais seres humanos, que são diferentes entre si.

A “mãe do PAC” e os 11% de obras da saúde entregues pelo programa

Em campanha
Poucas ações concluídas
Enquanto Dilma Rousseff busca reforçar a alcunha de “mãe do PAC” com a terceira etapa do Programa de Aceleração do Crescimento a partir de 2015, ações do PAC 2 seguem capengas.
Se a execução de 76% do orçamento do PAC 2 até 2014 sugere bom andamento dos investimentos do programa, o Conselho Federal de Medicina fez um levantamento provando, com dados do próprio governo, que a área da saúde não chegou nem perto da meta estipulada por Dilma. Das 24 000 ações previstas, apenas 2.640, ou 11%, foram concluídas.
Em São Paulo, onde a presidente tem usado sua agenda para dar visibilidade a Alexandre Padilha (leia aqui), o PAC 2 previa 1 633 ações e entregou somente 145, ou 8,7%, segundo os dados coletados pelo CMF.
Alagoas e Sergipe, estados em que Dilma teve maioria de votos em 2010, têm a menor taxa de conclusão das obras previstas para a saúde: 4% em ambos. Mesmo no líder da lista, o Acre, o governo ficou longe de chegar a 50% do que prometeu para a saúde. Apenas 33% das ações foram finalizadas.
Em números absolutos, o Distrito Federal, onde a presidente vive, foi o que menos teve obras entregues à população. Das 41 prometidas, apenas três foram concluídas.
Por Lauro Jardim

Campos a favor da CPI da Petrobras: Congresso não pode ficar de joelhos

O PSB do presidenciável Eduardo Campos parecia um pouco reticente em relação a uma CPI da Petrobras. Ele próprio havia pedido para botar o pé no freio. Creio que esperava para ver se o assunto “pegaria” ou não. Pegou! E Campos decidiu fazer uma defesa enfática da investigação:
“Acho que o Congresso Nacional, por dever, tem de abrir um processo de investigação. Por que só o Ministério Público abre, a Petrobras abre, a presidenta demite, e só o Congresso tem de ficar de joelhos? O Congresso está com medo? Medo de quê? De que a verdade venha? A verdade tem de ser colocada”.
A questão é boa. Por que até a Petrobras, em tese ao menos, investiga a si mesma, e o Congresso tem de ficar parado?
Segundo informa a Folha, “Campos também aproveitará o programa político-partidário do PSB [que vai ao ar nesta quinta] para criticar a condução da política econômica do governo Dilma Rousseff. Em um vídeo de 10 minutos, que será exibido em cadeia nacional no rádio e na televisão amanhã, o pré-candidato à Presidência aparecerá ao lado de Marina Silva, cotada para ser vice na chapa. Em um diálogo mais intimista, Campos afirma que Petrobras perdeu metade do seu valor de mercado.”
Por Reinaldo Azevedo

Monty Python se encontra com Raymond Aron em Banânia: “A MACONHA É A MACONHA DOS INTELECTUAIS”

Pois é… A direção da Universidade Federal de Santa Catarina admitiu que o consumo de maconha no campus não é novidade. Dado o tumulto promovido por vândalos disfarçados de estudantes, a Reitoria fez o quê? Ora, preferiu atacar a Polícia Federal. Leiam o que vai na VEJA.com. Volto em seguida.
Por Bianca Bibiano:
A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) disse ao site de VEJA nesta quarta-feira que o consumo de drogas no campus não é novidade: “Trata-se de uma questão de conhecimento público”, disse a assessoria de imprensa da instituição. A declaração foi feita um dia após ação da Polícia Federal (PF) no campus para investigar denúncia de tráfico de drogas que acabou com a prisão de cinco pessoas (sendo quatro estudantes), choque entre policiais e supostos estudantes e a depredação de viaturas da PF e da Polícia Militar. Os detidos portavam maconha. Após o confronto, cerca de 200 estudantes invadiram a reitoria pedindo a proibição da entrada da polícia no campus.
A PF comentou o caso nesta quarta-feira. Em entrevista coletiva, o delegado Paulo Cassiano Júnior criticou a posição da reitoria, que na noite da terça-feira condenou a ação dos agentes federais. “A PF não tem compromisso com a falta de pulso da reitoria em gerir os assuntos da universidade. (…) Autonomia universitária não deve ser confundida com licença para baderna. Nós não temos compromisso se a reitora com seu comportamento condescendente pretende transformar a universidade em uma república de maconheiros”, declarou, em entrevista transmitida pela TV.
O texto da universidade divulgado na noite da terça-feira, assinado pela reitora Roselane Neckel, dizia o seguinte: “Em todos os contatos com a Polícia Federal sempre foi solicitado que quaisquer ações de repressão violenta ao tráfico de drogas fossem realizadas fora das áreas da universidade.”
Na tarde desta quarta-feira, membros da reitoria, estudantes e funcionários vão se reunir para discutir o caso, além de negociar a desocupação da reitoria. Os estudantes pedem a legalização de festas no campus, a proibição da entrada da PMs no campus e punição aos responsáveis pela ação da terça-feira. O episódio ocorre em meio à greve de servidores da universidade, iniciada no dia 17, com a paralisação geral dos técnicos-administrativos das instituições federais de ensino. O encerramento da greve também está na pauta de reunião desta tarde.
Retomo
Como se nota, a doutora que comanda a UFSC acha que reprimir o tráfico dentro da UFSC é coisa incompatível com as atividades acadêmicas da instituição, donde se conclui haver compatibilidade entre a produção intelectual e o tráfico! Em qualquer país decente do mundo, seria demitida. Por aqui, vai virar heroína — Ooops!
O grande Raymond Aron afirmou que o marxismo era o ópio dos intelectuais. Carlos Graieb, editor-executivo da VEJA.com, submeteu a frase a uma leitura, digamos, à moda Monty Python: “A MACONHA É A MACONHA DOS INTELECTUAIS”.
Nas moscas!
Por Reinaldo Azevedo

Futebol é o de menos

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo


Isoladamente, é claro que o rebaixamento da nota de crédito do Brasil não tem efeito eleitoral, pois o grande o público não se sensibiliza com esses aspectos da economia. Para a maioria contam os quesitos emprego e preços de alimentos. É nisso que o governo se apoia para confiar na preservação dos índices de intenções de votos da presidente Dilma Rousseff.

O "porém" está na combinação com outros indicativos desfavoráveis de desempenho, especialmente nas áreas mais visíveis ao eleitor (segurança e energia, por exemplo); o conjunto não autoriza o festejo das qualidades técnico-gerenciais na campanha pela reeleição de uma candidata apresentada como o suprassumo da competência quatro anos atrás.

Fica o governo, nesse aspecto, dependente do que vai acontecer na Copa no tocante à estrutura e organização. Se tudo funcionar bem, melhor para Dilma. Mesmo que o resultado para o Brasil não seja bom dentro de campo. Ela não ficará com os méritos nem poderá ser responsabilizada pelo futebol melhor ou pior apresentado pela seleção.

Agora, se as falhas forem tantas e tão grandes a ponto de colocar o Brasil em situação constrangedora, a conta será do governo, o que terá repercussão na eleição. Não significa, no entanto, que um eventual fracasso resulte necessariamente na derrota da presidente, pois tudo depende de os candidatos da oposição conseguirem capitalizar para eles a insatisfação.

Mesmo em ambiente desfavorável Dilma pode ganhar. Uma vitória menos expressiva do que gostaria para ter um segundo mandato, pelo menos no início, com relações razoavelmente tranquilas com o Congresso.

A diferença para o PT em relação às últimas três eleições é que, mesmo vitorioso, o partido sairá dessa disputa com nomes fortes na oposição já em preparativos para 2018: Aécio Neves, Eduardo Campos e Marina Silva, cujo partido em breve estará em condições legais de atuar.

Dominó. Diariamente demonstra-se devastador o efeito da justificativa da presidente Dilma Rousseff para seu voto a favor da compra da refinaria de Pasadena quando presidia o Conselho de Administração da Petrobrás.

A vítima da vez foi a presidente da estatal que, após dias de silêncio, falou ao Globo. Ou melhor, tergiversou. Fugindo ao que se conhece do estilo direto dela, anunciou a abertura de investigação interna para apurar a existência de um comitê de proprietários da refinaria em que o ex-diretor da empresa Paulo Roberto Costa (acusado e preso por suspeita de corrupção) representava a Petrobrás.

Como não podia bater de frente com a presidente, a menos que se demitisse do cargo, Graça Foster igualou-se a ela na toada da justificativa: atraiu atenções para uma zona de nebulosidade e pôs em questão os controles da empresa, ao destacar fato por ela desconhecido.

Em sua fala a presidente da Petrobrás busca respaldar a nota divulgada na semana passada por Dilma dizendo que o resumo que orientou a decisão sobre a compra de Pasadena deveria mesmo ter todas as informações do contrato e que caberia ao diretor da área expor as cláusulas relevantes.

Aproximou-se, assim, da posição do Planalto, corroborou o pedido de afastamento de Nestor Cerveró, o diretor em questão, mas contrariou as próprias convicções a respeito do assunto. Em ocasiões anteriores, no Congresso inclusive, havia dito que o negócio foi feito porque à luz da realidade da época era vantajoso para a empresa.

A primeira versão da resposta da presidente Dilma ao Estado sobre a decisão do Conselho da Petrobrás havia sido redigida por Graça Foster e nada dizia sobre o relatório, muito menos fazia referência a falhas. Na opinião da presidente da empresa, a presidente da República deveria responder que o caso estava aos cuidados dos órgãos de fiscalização e nada mais.

Na entrevista, a executiva deu ao jornal um bom título - "Não fica pedra sobre pedra" -, mas subtraiu de si autoridade.

Seguidores

Arquivo do blog

LIBERDADE COMO NOSSO DOM MAIOR

Ser livre para ir e vir!Pela liberdade de expressão.Pela humanidade contra os pregadores da escuridão que assolam nosso mundo moderno.Democracia verdadeira sempre,não aquela de fachada que persegue quem não compartilha de suas idéias.