segunda-feira, 31 de março de 2014

Cubano do Mais Médicos é encontrado morto em Brasília

VEJA
Um médico cubano participante do programa Mais Médicos, do governo federal, foi encontrado morto na tarde desta segunda-feira no hotel onde morava, em Brasília. Com base em informações preliminares, a Polícia Civil suspeita que o médico de 52 anos, que não teve o nome divulgado, tenha cometido suicídio. Ele foi encontrado com um lençol enrolado no pescoço.
O corpo do cubano passa por exame do Instituto de Medicina Legal (IML). A Embaixada de Cuba aguarda a liberação para poder enviá-lo ao seu país. De acordo com o Ministério da Saúde, todo o trâmite será coordenado pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), órgão que faz a intermediação da vinda de cubanos ao Brasil, conforme previsto em contrato firmado entre os países.
O cubano ainda não estava atendendo pelo programa. Segundo o Ministério da Saúde, ele ainda passava pelas etapas preliminares previstas pelo Mais Médicos. A pasta não informou há quanto tempo o médico estava em Brasília.

Uruguai pode ficar fora da Copa por interferência política

Cinco integrantes do Conselho Executivo da Associação Uruguaia de Futebol (AUF), entre eles o presidente Sebastian Bauzá, renunciaram nesta segunda-feira. O motivo seria uma crise que também envolve o governo do país. Na última quinta-feira, o presidente do Uruguai, José Mujica, anunciou a retirada da segurança feita pela polícia nos jogos disputados nos estádios Centenário e Parque Central, de Peñarol e Nacional, respectivamente. Mujica justificou a medida por causa dos recorrentes atos violentos das torcidas. No dia anterior, a torcida do Nacional entrou em violento choque com a polícia, após a partida contra o Newell’s Old Boys, da Argentina, pela Copa Libertadores. Cerca de 40 torcedores foram detidos e 13 agentes ficaram feridos.
Segundo o jornal El Pais, a renúncia de Bauzá pode ter ocorrido devido à pressão de um grupo de empresários ligados ao governo de Mujica. Assim, a Fifa quer investigar a possível interferência política na decisão e pode suspender a Associação Uruguaia de Futebol caso a suspeita seja confirmada, e até excluir o Uruguai da Copa do Mundo.
Na carta de renúncia do Conselho Executivo, o texto diz: “Os fatos de conhecimento público ocorrido nos últimos dias demonstram a necessidade de dar um passo atrás e permitir que outras visões políticas garantam governabilidade ao futebol.” Segundo o jornal El Pais, a decisão já havia sido tomada no final de semana.
Acordo - Na sexta-feira, Mujica se reuniu com Bauzá e dirigentes de Peñarol e Nacional. O encontro resultou em um acordo para que a rodada do final de semana fosse disputada com a atuação da polícia apenas nos acessos e arredores do estádio - e não na parte interna. O Nacional jogou fora de casa, contra o Liverpool, e perdeu por 1 a 0. O Peñarol, que jogaria no Estádio Centenário contra o Miramar Misiones, teve a partida adiada por medo de novos conflitos entre torcedores.
Horas depois do anúncio da AUF, membros da Mesa Executiva da Liga Profissional da Primeira Divisão também renunciaram. O órgão, formado por representantes dos clubes da Série A do Campeonato Uruguaio, é responsável por definir os locais de jogos da competição.
Na noite desta segunda-feira, estava marcada uma assembleia de clubes, que nomearia cinco presidentes de equipes que integrarão o novo Conselho Executivo da AUF, grupo que vai comandar o futebol uruguaio até depois da Copa do Mundo.
(Com Estadão Conteúdo, agência Gazeta Press e ANSA)

Janer Cristaldo- LENTO É O BESTUNTO DO JORNALISTA XIITA

Em uma tentativa canhestra de louvar o islamismo no Irã, Samy Adghirni, o correspondente muçulmano xiita da Folha de São Paulo em Teerã, tenta ver avanços na revolução do aiatolá Ruhollah Khomeini. Sua reportagem, na edição de hoje, é eivada de contradições. Ora louva o exercício de profissões liberais por mulheres – sem nos dar estatísticas – ora lamenta limitações impostas às iranianas. Uma no prego e outra na ferradura.

“A história recente do Irã foi marcada por avanços e retrocessos na vida pública e familiar das mulheres. Entre os países islâmicos, é um dos menos adversos à população feminina, escolarizada e com acesso a diferentes setores profissionais e da política, mas ainda discriminada em termos culturais, jurídicos e financeiros”.

Segundo Adghirni, três décadas e meia após a revolução, o Irã voltou a ser um dos países de maioria islâmica com ambiente mais favorável - ou menos adverso - para a mulher. 

"A comparação chega a ser especialmente embaraçosa para os vizinhos do Irã. As sauditas são atreladas por lei a um tutor - irmão, pai ou marido - e não podem nem dirigir. No Qatar, casas tradicionais possuem duas salas de estar, uma para receber convidados, outra para manter as cônjuges, irmãs e filhas longe das visitas. As afegãs devem abster-se de falar com homens que não sejam ligados a elas por vínculos familiares”.

Quer dizer, melhor ser escrava que prisioneira – no fundo é isto o que o jornalista diz. E ainda sofisma, ao afirmar que sauditas são atreladas por lei a um tutor - irmão, pai ou marido - e não podem nem dirigir. Isto é verdade, mas omite que as iranianas também precisam de um macho tutor para sair às ruas. Se saírem sem o chador, arriscam a serem cuspidas na cara.

Diz Adghirni que as mulheres iranianas são as únicas no mundo legalmente obrigadas a cobrir cabelo e corpo. Mas elas estudam, trabalham e comandam empresas. São advogadas e juízas.

O correspondente só esquece de informar a quais sanções está exposta a mulher que sai sem chador. Quanto a serem advogadas e juízas, é curioso observar – como aliás Adghirni faz – a condição jurídica inferior da mulher:

“No tribunal, o testemunho feminino ainda vale metade do masculino. O "preço do sangue", indenização paga pela família de um assassino a parentes da vítima, também é inferior em caso de morte de mulher. A herança dos filhos é maior que a das filhas. Homens podem pedir divórcio com mais facilidade. A mãe tem chances mínimas de obter a guarda dos filhos. (...) Vulnerável nos tribunais, a iraniana carece de recursos para reagir a humilhações de todo tipo”. 

Deve ser no mínimo insólito ver uma advogada defendendo ou uma juíza julgando uma colega de sexo.

De fato, o Irã é um dos países de maioria islâmica com ambiente mais favorável - ou menos adverso - para a mulher. Como grande progresso na condição feminina, nosso informante xiita fala de uma cantora lírica, a soprano Shiva Soroush, que em agosto passado, pela primeira vez desde a chegada dos aiatolás ao poder, há 35 anos, cantou sozinha em público ... por menos de meio minuto. “Foi suficiente para enterrar o tabu pelo qual uma voz feminina só era lícita se acompanhada de uma masculina”. 

Mais uns 35 anos, e uma soprano poderá talvez cantar minuto e meio.

Registre-se em favor do jornalista a homenagem que faz ao último líder esclarecido do Irã, deposto por Khomeini: “Shiva nasceu e cresceu sob o regime teocrático e nunca teve dinheiro para viajar ao exterior. Mas ela faz parte da legião de iranianas, anônimas ou ilustres, que desbravam caminhos para tentar recuperar a proeminência perdida com a queda do xá Mohammad Reza Pahlavi, em 1979”.

Quando o xá libertou as mulheres do jugo do Islã e as iranianas eram livres de fazer o que bem entendessem, deveria acrescentar. Mas seria pedir demais ao correspondente xiita.

Para reforçar a excelência da condição feminina no Irã, Adghirni traz o testemunho da arquiteta Sahere Foruhi, que se orgulha de contrariar frontalmente o clichê da iraniana submissa.

“Bem-sucedida, viajada e mãe divorciada, espreme sua agenda diária entre serviços para a Prefeitura de Teerã e um escritório no qual tem o ex-marido como sócio. Sahere avalia que o preconceito ocasional contra mulheres, na rua ou no mundo dos negócios, se assemelha ao da Itália, onde estudou. "Na maioria dos países europeus, a situação não é tão diferente da nossa. Invejável, só a Escandinávia. Ali, sim, as mulheres estão com tudo".

Acredite quem quiser.

Adghirni parece estar descobrindo o mundo em que vive e cuja língua desconhece. Após vários anos de trabalho em Teerã, finalmente viu a prostituição disfarçada sob o manto do casamento temporário. Hosana nas alturas! Pela primeira vez, nos fala do sigheh.

Ora, para isto não é preciso ir ao Irã. A instituição é amplamente discutida na internet. Sem ser correspondente no país, em setembro de 2002 – há 14 anos, portanto – eu já falava do matrimônio temporário permitido pelo ramo xiita do Islã, que pode durar alguns minutos ou 99 anos, especialmente recomendado para viúvas que precisam de suporte financeiro. 

Reza a tradição que o próprio Maomé o teria aconselhado para seus companheiros e soldados. O casamento é feito mediante a recitação de um versículo do Alcorão. O contrato oral não precisa ser registrado, e o versículo pode ser lido por qualquer um. As mulheres são pagas pelo contrato. 

Esta prática foi aprovada após a "revolução" liderada pelo aiatolá Khomeiny que, ao derrubar o regime ocidentalizante do xá, tentou canalizar o desejo dos jovens sob a segregação sexual estrita da república islâmica. Num passe de mágica, a prostituição deixa de existir. O que há são relações normais entre duas pessoas casadas. Não há mais bordéis. Mas casas de castidade. A cidade está limpa. 

Antes tarde do que nunca. Lento é o bestunto dos correspondentes xiitas.

Copa terá efeito 'zero' na economia, diz Moody's

VEJA
A Copa do Mundo terá um efeito apenas "passageiro" para a economia brasileira, de acordo com relatório divulgado nesta segunda-feira pela agência de classificação de riscos Moody's e assinado pelos analistas Barbara Mattos, Gersan Zurita e Marianna Waltz. "O torneio vai chamar a atenção do mundo. Mas um investimento estimado em 11,1 bilhões de dólares é pequeno em comparação com o tamanho de 2,2 trilhões de dólares da economia do Brasil", afirmam os analistas, lembrando que o evento dura só 32 dias.
Além disso, os analistas alertam que a oportunidade de o país ganhar visibilidade internacional corre o risco de ser maculada por uma possível onda de manifestações nas ruas e projetos de infraestrutura que não tenha ficado prontos até a Copa.
Pelo lado positivo, o relatório da Moody's estima que 3,6 milhões de turistas virão ao país, o que contribuirá para aumentar a receita de empresas de alguns setores, como alimentos, bebidas, hotelaria e locação de veículos. Outro ponto favorável será o ganho com a exposição global na mídia por meio de peças publicitárias, beneficiando, principalmente, grandes corporações como Coca-Cola, Oi e Anheuser-Busch InBev. A maior demanda por publicidade na mídia ainda vai turbinar a receita de emissoras de rádio e televisão.
Pelo lado negativo, os analistas lembram que problemas locais como trânsito pesado, possíveis protestos da população e dispensas de trabalhadores em dias de jogos importantes nas cidades sedes e/ou na TV vão pesar sobre os negócios de outros setores. Nesse caso, a atividade industrial deverá ser prejudicada, afirmam os analistas, citando os setores de mineração, siderurgia, e papel e celulose. As prováveis mudanças nas rotinas da população e da mobilidade nas cidades também podem desestimular consumidores a visitarem shopping centers, o que afetará as operadoras dos empreendimentos e algumas varejistas, estimam os analistas.
Já em outros setores, a Copa do Mundo causará efeitos diversos. Para aviação, por exemplo, é esperado um aumento no volume de passageiros transportados, mas limitações nos preços de passagens pressionarão a rentabilidade das companhias aéreas. Nesse setor, a Gol contará com a vantagem de ter se tornado a patrocinadora oficial da seleção brasileira de futebol, no lugar da TAM, e se beneficiará da exposição da marca.
Em relação aos gastos para melhorar a infraestrutura local, os analistas da Moody's observam que os projetos da Copa correspondem a apenas uma fatia do total de investimentos em andamento no Brasil. O relatório calcula que os aportes para melhoria de estádios, aeroportos, portos e mobilidade urbana equivalem a apenas 0,7% do que será investido no país entre os anos de 2010 e 2014. "O efeito é positivo para as empresas de infraestrutura, mas muito desse impacto já foi sentido", ponderam. Dentre as empresas beneficiadas, eles citam a Invepar e as construtoras Andrade Gutierrez, OAS e Mendes Júnior, que assumiram projetos importantes de infraestrutura.
(com Estadão Conteúdo)

Rodrigo Constantino- O que pensa a nova direita?

O jornal O POVO de Fortaleza fez uma reportagem neste domingo sobre a “nova direita”. Ítalo Coriolano me entrevistou em um “bate-pronto”. Segue abaixo um trecho:
OPOVO - Por que, na sua avaliação, as marchas pró-militares não têm relação com a chamada nova direita do Brasil?
CONSTANTINO - Na verdade a direita tem varias facetas: os mais liberais, conservadores e aqueles que têm mais apreço por um modelo mais autoritário. É um verdadeiro saco de gatos. Essas marchas tiveram baixíssima adesão. Justamente porque levantaram bandeiras de intervenção militar, e isso não faz sentido no país democrático de hoje. Dá para lutar no sistema democrático.
OPOVO - Como você definiria hoje o pensamento de direita no Brasil? Quais são os principais objetivos?
CONSTANTINO - Do ponto de vista mais pragmático, o objetivo é impedir a venezuelização do Brasil. Se for bem sucedida, essa nova direita se desmembrará em novas vertentes, bandeiras que vão deixar as diferenças mais evidentes. Hoje, todo mundo deverá estar unido por um objetivo comum que é evitar que o Brasil vire uma nova Venezuela. Não adianta discutir mudanças, reformas e bandeiras se vivemos num estado de quase ditadura.
OPOVO - É possível afirmar que a direta modernizou-se?
CONSTANTINO - Uma ala sem dúvida. Mas tem uma turma mais saudosista do regime militar e não consigo compartilhar dessa visão. Há uma ala mais moderna, que reconhece o valor dos indivíduos, dentro da democracia, que é chamada de direita democrática.
OPOVO - A nova direita possui um projeto de poder para o Brasil?
CONSTANTINO - Não há um projeto. E faria uma afirmação até mais dura. Não existe direita organizada no Brasil hoje. Essa é uma frase forte, mas verdadeira. Politicamente não existe. O que tem mais de direta seria quem? O DEM, PSDB? Partidos sociais-democratas com bandeiras que em qualquer lugar do mundo seriam vistos como de esquerda ou centro-esquerda. Direita fascista organizada é história pra boi dormir que serve ao interesse da esquerda golpista. E há um vento de mudanças no horizonte no âmbito cultural, que tem impacto no âmbito político. Você vê alguns comediantes, músicos, intelectuais comprando briga de forma mais firme contra essa turma bolivariana.
OPOVO - Porque a democracia não se sustentaria num governo dito socialista?
CONSTANTINO - A esquerda, especificamente a mais jurássica, jamais teve apreço pela democracia. É vista como coisa de pequeno burguês. Parece evidente que o pessoal é oposto à democracia, vide Venezuela.

Atenta aos detalhes

Graça: a coisa está feia
Graça: a coisa está feia
Quer dizer que Graça Foster acumula a diretoria internacional da Petrobras há quase dois anos – desde que Jorge Zelada saiu – por todo esse tempo e não ficou sabendo que a joint venture da refinaria de Pasadena tinha um comitê gestor?
Por Lauro Jardim

Fim da guerra OAB e Bolsonaro

Bolsonaro: advogado de novo
Bolsonaro: advogado de novo
Terminou em paz uma antiga guerra da família Bolsonaro com a OAB no Rio de Janeiro.
Em 2010, o ex-presidente da OAB-RJ, Wadih Damous, cassou a carteira de advogado do deputado estadual Flávio Bolsonaro, após o mesmo ajuizar ação contra o uso de dinheiro da Ordem para fazer campanha institucional contra os militares
Por 7 votos a 6, a OAB/RJ resolveu devolver a carteira de advogado de Bolsonaro na semana passada.
Por Lauro Jardim

‘Nós, nós e nós’, um texto de J. R. Guzzo

Publicado na edição impressa de VEJA
J. R. GUZZO
O governo do Brasil criou uma certeza nos últimos onze anos. Está absolutamente convencido de que o fato de ganhar eleições lhe dá, automaticamente, razão em tudo; não pensa, nunca, que o eleito representa todos, e não apenas os que são a seu favor. Exatamente ao mesmo tempo, acha que quem discorda do governo está errado por princípio. É como na religião ─ se você não tem a mesma fé do vizinho, jamais pode ter razão em nada. É um herético que está desafiando a vontade de Deus, e um inimigo que tem de ser destruído. O problema é que existe aí uma séria encrenca com os fatos, essa praga que só atrapalha o conforto das ideias prontas ─ o Brasil, infelizmente para o governo, o PT e seus profetas, tem heréticos demais.
Fazer o quê? O diabo, além de estar nos detalhes, está nos números. No caso das eleições para presidente em 2010, a última medição objetiva sobre quem está a favor e quem está contra o governo, a aritmética prova que ninguém é muito maior que ninguém. No segundo turno da eleição, Dilma teve 55 700 000 votos e José Serra ficou com 43 700 000; obviamente não dá para fazer de conta que os votos do perdedor não existem. Na verdade, já é um assombro que Serra, tido como um dos candidatos menos atraentes do planeta, tenha conseguido esses espantosos 43,7 milhões de votos; positivamente algo não deu certo do outro lado. Além disso, mais de 29 milhões de eleitores nem foram votar, e outros 7 milhões preferiram ficar nos nulos e brancos ─ ou seja, 36 milhões de cidadãos simplesmente não votaram em ninguém. Resumo da ópera: de um eleitorado total de 135 milhões de pessoas, 80 milhões não votaram em Dilma.
Ficamos, assim, na curiosa situação em que a maioria dos eleitores é considerada pelo governo como inimiga da vontade popular ─ se não estão com a gente, reza o seu evangelho, só podem estar do lado do mal. Lula, Dilma e sua máquina de propaganda, ao que parece, resolveram lidar com esse despropósito inventando um modelo de adversário fabricado na sua imaginação. “O ódio que alguns têm de nós é ver a filha da empregada cursando uma universidade federal”, disse Lula ainda há pouco. Mas por que raios alguém haveria de se importar com isso? Quem vai se prejudicar se a filha da empregada estiver numa universidade federal? Ou estadual? Ou particular? Por que ficaria com “ódio”? Lula sabe muito bem que tudo isso é pura invenção. Mas sabe também que a mentira viaja de Ferrari, enquanto a verdade vai a lombo de burro; passa 100 vezes pelo mesmo lugar antes que a verdade tenha conseguido chegar lá, e nesse meio-tempo falsifica até a regra de três. Dilma faz a mesma coisa com menos talento. Outro dia veio com a história de que só criticam a estratégia social do governo os que “nunca tiveram de ralar, de trabalhar de sol a sol para comprar uma televisão, uma geladeira, uma cama, um colchão”. Como é mesmo? Todo mundo, ou 999 em cada 1 000 brasileiros, tem de trabalhar para comprar qualquer dessas coisas, já que nenhuma delas é dada de graça a ninguém. Mas e daí? O que interessa é vender a ficção de que só o governo é capaz de ajudar os pobres ─ e só pode discordar disso quem nunca trabalhou na vida.
Essa montanha de dinheiro falso é engolida com casca e tudo no Brasil de hoje ─ e, conforme o caso, há uma conta a pagar por quem não engole. O caso do músico João Luiz Woerdenbag Filho, 56 anos, natural do Rio de Janeiro, conhecido do público como Lobão e autor de uma coluna quinzenal nesta revista, é um clássico. Lobão foi colocado no banco dos réus do Tribunal de Inquisição formado na classe artística para decidir o que é o bem e o mal no Brasil, e até hoje não conseguiu se levantar. É acusado do delito de ter se vendido “à direita” ou apenas de ser “de direita” ─ coisa esquisita, porque se imagina que ele teria o pleno direito, pela Constituição, de ser de direita ─ ou de esquerda, ou seja lá do que lhe desse na telha. O que o resto do mundo tem a ver com isso? Mas Lobão é um artista de fama, e um artista de fama não tem direito à liberdade de pensamento e de expressão se ganhar o selo de “direitista”. Na verdade, no Brasil de hoje nem se sabe o que é ser “de direita”; nossos juristas diriam que o crime de “direitismo” ainda não está bem “tipificado”. Tanto faz. Para a polícia política do PT, é criminoso de direita todo sujeito que disser às claras que não gosta de Lula, nem de Dilma, nem da sua inépcia, nem do PT, nem do governo, nem do “projeto” do petismo, nem dos seus melhores amigos, que vão de Collor a Maluf.
Esperem a campanha começar.

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