domingo, 6 de abril de 2014

ALEXANDRE GARCIA- Lições de 31 de março

Na manhã de 31 de março último, a rádio Estadão de São Paulo, perguntou-me quais as lições a tirar do golpe de 1964. Fui para o exemplo mais próximo e mais atual: a Venezuela. O governo bolivariano vai pouco a pouco tirando as liberdades essenciais: de opinião e de livre manifestação, e usa forças cubanas como auxiliares. O presidente é um incompetente, a economia vai mal, a petroleira estatal é usada pelo governo e pouco a pouco se instala um golpe de estado sem que as pessoas percebam que vão ficar amarradas a um regime totalitário, a exemplo de Cuba.

A Venezuela de hoje é o retrato do Brasil de 1963, numa marcha que foi interrompida pelo contragolpe de 1964. O Brasil e o cone sul estavam na balança de ganhos e perdas da guerra fria. Fidel e Guevara aconselhavam: vocês precisam de uma revolução como a nossa. A idéia era implantar um regime como o cubano, servil à União Soviética, como fica claro pelo discurso de José Serra, então presidente da UNE, no malfadado comício de 13 de março. Foi o mais provocativo dos discursos. Brizola e Serra foram, talvez, os que mais deixaram os militares de cabelo em pé.

Se Francisco Julião, no Nordeste, organizava as Ligas Camponeses como legiões revolucionárias do Partido Comunista para invadir terras e matar os proprietários, Brizola, no centro-sul, mandava cabos e sargentos matarem os oficiais. Anos depois, em sua casa, Brizola me confidenciava que foram “arroubos da juventude”. No 31 de março de 1964, o prefeito de Encantado, interior do Rio Grande, bateu-me à porta em busca de volutários para defender a prefeitura, que seria atacada pelo Grupo dos Onze, de Brizola, organizado como uma unidade militar de combate. Eu tinha 23 anos, era funcionário do Banco do Brasil, e fiquei na prefeitura à espera do ataque que não houve.

Mas acabou havendo um ataque da VAR Palmares, Vanguarda Popular Revolucionária Palmares, da qual Dilma participou. Foi contra o Banco do Brasil em Viamão, onde eu trabalhava e fiquei sob ameaça das armas do grupo, que gritava vivas a Che Guevara. Havia uma mulher no grupo, mas não era a Dilma. Foi em 1970. Hoje vejo que se tenta fazer a cabeça de quem nasceu depois de 1970 e não testemunhou os fatos. Segundo o livro do Secretário de Direitos Humanos de Lula, Nilmário Miranda, morreram, nos 20 anos de governo militar, 386 pessoas, a que devem ser somadas às 120 mortas pelos que eram contra o governo. Segundo o “Tortura Nunca Mais”, os que foram mortos pelo governo são 358. Quer dizer, cerca de 500 mortos no confronto, em 20 anos de regime. Isso dá, nos anos de chumbo de hoje, três dias e meio de homicídios. A insegurança de hoje cria o medo. E o medo não é boa companhia para a democracia. Como já apregoava Thomas Jefferson: O preço da liberdade é a eterna vigilância. Não podemos ter nunca mais 1964, nem ser Cuba ou Venezuela.

Ficou claro o motivo pelo qual o PT defende o “controle social da imprensa”? Ou: Pede para sair, André Vargas!

O deputado petista André Vargas ficou mais conhecido pelo público não por algum projeto de lei qualquer, mas pelo gesto de moleque diante de Joaquim Barbosa, em apoio aos mensaleiros condenados e presos. Aquela atitude, digna de um bandido, já era suficiente para sua cassação por quebra de decoro parlamentar. Mas não deu em nada, pois isso aqui é Brasil.
Dessa vez, porém, Vargas está realmente em maus lençóis e dificilmente terá como escapar da cassação. Provavelmente terá de renunciar ao mandato para não perder seus direitos políticos. O escândalo que o coloca como sócio de um doleiro preso atingiu proporções fatais, como mostra a revista Veja desta semana. Seus laços são simbióticos e o interesse, evidente: o enriquecimento ilícito de ambos.
André Vargas era uma das vozes petistas mais estridentes na questão do “controle social” da imprensa. Como diz a Carta aos Leitores da Veja, ficou bem mais claro compreender seus motivos: praticar falcatruas no governo é bem mais fácil quando toda a imprensa é chapa-branca e faz vista grossa. Elementar, meu caro Watson. Segue um trecho do editorial:
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A situação de André Vargas está insustentável após as novas revelações. Em troca de mensagens com Youssef, eis o que o doleiro responde ao deputado, para acalmá-lo: “Cara, estou trabalhando. Fique tranquilo. Acredite em mim. Você vai ver quanto isso vai valer. Tua independência financeira e nossa também, é claro!”
Que bela amizade! Só que não. É golpe de quadrilha mesmo. Diz o petista que se cair, cai atirando e leva junto gente “de cima”. Melhor ainda! Que caia, então, atirando, e leve junto mais alguns corruptos que confundem coisa pública com “cosa nostra”. Porque cair, ao que tudo indica, é apenas questão de tempo para o deputado do gesto de moleque trombadinha…
Rodrigo Constantino

Demétrio Magnoli para Mino Carta: “Eu sei o que você escreveu ontem”

Há certos “jornalistas” que adorariam poder apagar o passado. Como não podem, e como existe a tecnologia dos acervos digitais disponível, resta-lhes tentar controlar a imprensa hoje. Se tudo fosse chapa-branca, então o passado incômodo poderia permanecer oculto nas profundezas da ignorância do público.
Felizmente, ainda não vivemos sob a censura do governo e o conseguinte monopólio da imprensa chapa-branca. Aproveitando-se dessa brecha, dessa lufada de ar da liberdade de imprensa, Demétrio Magnoli resolveu resgatar, em sua coluna de hoje na Folha, alguns trechos assinados por Mino Carta (M.C.) na época do regime militar.
M.C., como sabemos, faz-se hoje de paladino da democracia e acusa suspeitas de “golpe” para todo lado, defendendo com a obediência de um cão o governo – como faziam com o porco Napoleão os temíveis cachorros da Revolução dos Bichos de Orwell. Mas o que Mino Carta pensava e escrevia á época? Algo bem diferente, como mostra Demétrio:
“Propostos como solução natural para recompor a situação turbulenta do Brasil de João Goulart, os militares surgiram como o único antídoto de seguro efeito contra a subversão e a corrupção (…). Mas, assumido o poder, com a relutância de quem cultiva tradições e vocações legalistas, eles tiveram de admitir a sua condição de alternativa única. E, enquanto cuidavam de pôr a casa em ordem, tiveram de começar a preparar o país, a pátria amada, para sair da sua humilhante condição de subdesenvolvido. Perceberam que havia outras tarefas, além do combate à subversão e à corrupção –e pensaram no futuro.” Fofo?
Enquanto Paulo Malhães lançava corpos em rios, M.C. batia bumbo para Médici. A censura não tem culpa: os censores proibiam certos textos, mas nunca obrigaram a escrever algo. Os proprietários da Abril não têm culpa (ou melhor, são culpados apenas pela seleção do diretor de Redação): segundo depoimento (nesse caso, insuspeito) de um antigo editor da revista e admirador do chefe, hoje convertido, como ele, ao lulismo, Carta dispunha de tal autonomia que os Civita só ficavam sabendo do conteúdo da “Veja” depois de completada a impressão.
Alguns “jornalistas” parecem sempre girar em torno do poder, como moscas em volta do mel. Atualmente, a revista de Mino Carta tem tentado (há pouca audiência) bater o bumbo em defesa do governo e de suas bandeiras mais autoritárias, como o próprio controle da mídia. Para fazer coro às acusações de que toda crítica ao PT não passa de anseio golpista da “elite”, Mino Carta precisa adotar a tática da camuflagem e fingir que não existia nas décadas de 1960 e 1970.
Já mostrei aqui a hipocrisia e o duplo padrão adotados por Mino Carta e sua equipe em outros casos, como na questão das cotas raciais. É o velho “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”. São pessoas assim que mancham a imagem do jornalismo brasileiro. Em vez de correr atrás de notícias e dar opiniões sinceras, há apenas proselitismo e partidarismo da pior espécie.
Com tudo isso em mente, paira apenas uma pergunta no ar: quem é que ainda leva a sério Mino Carta e sua revista?
Rodrigo Constantino

Vara curta

DORA KRAMER - O Estado de S.Paulo


Essa história tem 30 anos. O senador Aécio Neves lembrou-se dela outro dia, quando a pesquisa do Ibope registrou queda na popularidade da presidente Dilma Rousseff e, no PT, agitaram-se as vozes defensoras do "volta, Lula".

Mário Andreazza e Paulo Maluf disputariam a legenda da Arena para a candidatura presidencial. Para Tancredo Neves, avô de Aécio, então seu secretário particular, interessava a vitória de Maluf na convenção, pois Andreazza teria, na sua avaliação, mais condições de vencê-lo no colégio eleitoral de janeiro de 1985.

Tancredo, então, resolveu "confidenciar" a uma jornalista que corria um burburinho sobre uma possível renúncia de Maluf à candidatura. No dia seguinte, diante da manchete, Maluf desmentiu com veemência, reafirmando a postulação da qual, jurou, não desistiria de forma alguma.

Inspirado nesse episódio, o agora candidato à Presidência da República há cerca de dez dias decidiu abordar pela primeira vez o assunto da possibilidade de o ex-presidente ser candidato nesta eleição, dizendo que para ele tanto faz enfrentar Lula ou Dilma.

Voltará ao tema sempre que considerar oportuno. Oportunidade esta de atingir múltiplos objetivos. O primeiro foi lançar um dos motes da campanha, que é a ideia de derrotar "o modelo do PT" independentemente de quem for o candidato a fim de capitalizar "uma antipatia generalizada que existe contra o partido".

O segundo, desmistificar a figura de Lula como um candidato considerado imbatível. "Quis mostrar que não temos medo." Outro, e aí a provocação assemelha-se ao gesto do avô, amplificar o coro do "volta Lula" de forma a mais cedo ou mais tarde obrigar a presidente Dilma a reafirmar sua candidatura.

Qual a finalidade? Evidentemente, tornar cada vez mais difícil a hipótese da troca de nomes. Além disso, na concepção do tucano, falar abertamente na possibilidade de outra candidatura que não seja a da reeleição de Dilma é uma maneira de disseminar a cizânia no campo adversário e dar a entender que o jogo do lado de lá não está definido.

Além disso, Aécio Neves quis mandar um recado à própria tropa, pois considerou que o PSDB estava muito passivo diante do assunto. Melhor dizendo, acuado mesmo. "Achei que era hora de furar essa bolha, tratar o tema com naturalidade porque Lula não é um fantasma nem é uma unanimidade."

Arsenal. Os adversários já contam com a ausência da presidente Dilma Rousseff nos debates antes do primeiro turno das eleições.

Ainda assim vão explorar o tema Petrobrás, deixando no ar à presidente os questionamentos tanto sobre os negócios que renderam prejuízos quanto a respeito da redução do valor e da capacidade de investimento da estatal durante sua gestão.

Isso nos debates e nos programas do horário eleitoral. Dilma será convidada a explicar também por que o governo se empenhou tanto contra a CPI.

A Petrobrás será presença recorrente na campanha. Pesquisas internas feitas no campo da oposição identificaram que mais de 70% dos consultados já ouviram falar das denúncias "de corrupção" (a pergunta foi posta nesses termos) na empresa e que o assunto é de fácil entendimento por parte da população.

Tudo junto. Para tentar superar as dificuldades do PSDB no Rio, Aécio Neves vai jogar em duas vertentes: na aliança informal com o PMDB e na candidatura própria ao governo do Estado.

Enquanto no oficial assegura apoio à presidente Dilma, no paralelo Sérgio Cabral Filho cala e consente ante a articulação do voto "Aezão" por pemedebistas defensores do apoio ao tucano para presidente e Luiz Fernando Pezão, candidato de Cabral, para governador.

A fim de marcar presença do número 45 na disputa, o PSDB estuda lançar a candidatura de um economista. Está entre três nomes: Elena Landau, Edmar Bacha e Gustavo Franco.

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