segunda-feira, 7 de abril de 2014

Os crentes poderão estar em maus lençóis. Imagine morrer e descobrir que o capeta é o RR Soares? Ou Edir? Talvez o Waldomiro? Quem sabe o Malafaia? Ou o próprio Papa Chico? (Mim)

“Estou treinando capoeira para quando morrer dar uma rasteira do capeta.” (Climério)

“Após anos de terapia encontrei meu eu. Descobri que não temos nada em comum.” (Mim)

“Não ando com pessimista. Vai que pega?” (Filosofeno)

Caio Blinder- Grande Índia

Hora de concretizar uma grande promessa na coluna: falar com mais atenção da Índia, a grande Índia, a maior democracia do mundo, com 1.2 bilhão de habitantes e 815 milhões de eleitores registrados. Apenas não prometo uma maratona extenuante como o processo eleitoral que começa nesta segunda-feira, terá nove fases e terminará em 12 de maio. A previsão é para divulgação dos resultados em 16 de maio das eleições em que estão em jogo 543 cadeiras da Câmara Baixa do Parlamento
Muito para dizer sobre a Índia ao longo das próximas semanas, mas dá para antecipar que há pouco suspense, com as projeções de uma vitória arrasadora da oposição de centro-direita liderada por Narendra Modi, NaMo para os íntimos e não íntimos, do partido nacionalista-hindu Barathiya Janata. Com vigor, NaMo promete combate à corrupção, governo mais enxuto e eficiente e retomada do crescimento pujante que contribuiu para a invenção do acrônimo BRICs para os emergentes, com a presença do I de Índia.
Por conseguinte, o cenário é de uma derrota humilhante do Partido do Congresso de Rahul Gandhi, cujo parentesco na verdade é com o outro pai fundador da Índia moderna, seu bisavô Jawaharlal Nehru. O pai e a avó de Rahul Gandhi também chefiaram o governo e foram assassinados no exercício do cargo.
A democracia indiana, portanto, é esta história trágica, vibrante e caótica, em um país de divisões por castas, etnias, religiões, de 22 línguas oficiais,  27% de eleitores analfabetos e mais de 1.600 partidos registrados. Entre os candidatos, há 50 filhos ou filhas de parlamentares e 14 artistas de Bollywood, a Hollywood indiana. Neste mosaico delicado e explosivo, não é à toa que gera apreensão a ascensão do nacionalista hindu NaMo, especialmente entre mais de 130 milhões de muçulmanos, devido à controvérsia de que, como governador do estado de Gujarat, ele fracassou ao não interceder durante os conflitos religiosos de 2002 entre hindus e muçulmanos, que causaram 900 mortos – em sua maioria muçulmanos.
Tudo grande e complicado na Índia, sem esquecer a ficha suja dos seus políticos. Por alguns cálculos, 18% dos candidatos encaram acusações criminais, inclusive estupro, homícidio e extorsão. Há acusações sem fundamento, fruto (do que mais?) da corrupção enraizada, com a manipulação do sistema policial e judicial por oponentes políticos para manchar os rivais.
Pelos cálculos do instituto de estudos CMS, 1/3 dos US$ 5 bilhões gastos nesta campanha eleitoral é dinheiro não contabilizado, utilizado para mobilizar eleitores e comprar votos. Esta quantia de US$ 5 bi é a maior já investida em uma eleição nesta democracia caótica, corrupta e competitiva, pelo menos competitiva, caro Brasil. Grande Índia.
***

Reynaldo-BH: ‘Seria mais honesto se o grito de guerra fosse ‘Continua, Lula!”



REYNALDO ROCHA

O coelho fugiu da cartola. A mulher-barbada acordou sem barba. E o Mandrake voltou a dormir. A mágica acabou, mas a lona ainda existe e insiste em ser erguida, como uma casa mal assombrada. A gerente da bilheteria tem medo de ser despedida e que chamem, de novo, o dono do circo pra o centro do picadeiro.

O “Volta, Lula” já voltou. Será ele mais uma vez o candidato. O construtor de postes – visto como um gênio, mas somente um mágico chinfrim – que errou em todos. A fatura demorou a chegar, mas chegou.



O poste principal consegue perder para ela própria. Contra dois desconhecidos nacionalmente, chega ao absurdo de perder pontos nas pesquisas de intenção de votos que não são transferidos para ninguém.

A falência do circo ainda é causada somente pela incompetência do elenco. Erros na economia, volta da inflação, a Petrobrás transformada em PTbrás, corrupção, André Vargas, Papuda, mensalão, PMDB em fuga, PACs inexistentes, Copa superfaturada, aeroportos e portos em frangalhos saúde se amparando em escravos, diplomacia de bordel. Será que haverá dinheiro para continuar comprando consciências e cidadanias?

O “Volta, Lula” chega a ser patético. A volta dos que não foram. Seria mais honesto se o grito de guerra fosse “Continua, Lula!”

O momento é sério. Caso o criador consiga reeleger a criatura, qual será o limite do lulopetismo? Quem segurará a ira contra a imprensa livre? Até onde decairão a Petrobras, a Eletrobras e as agências reguladoras?

Nesses momentos, é bom ter não apenas um, mas dois adversário que consigam multiplicar a munição da oposição. Finalmente o show de horrores pode estar chegando ao fim.

‘Esquemas ardilosos’, editorial do Estadão

O Estado de S.Paulo


A polêmica decisão do presidente do Senado, Renan Calheiros, de transferir para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa a responsabilidade de decidir sobre a ampliação das investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobrás proposta pelo PT, é uma manobra claramente procrastinatória destinada, com o incentivo do Palácio do Planalto, a diluir o impacto do escândalo da Refinaria de Pasadena, que, graças às trapalhadas de Dilma Rousseff, acabou criando riscos para o projeto petista de perpetuação no poder. Trata-se de mais uma chicana política dentre as muitas do amplo repertório de que o notório presidente do Senado se vale para levar vantagem em barganhas com o Executivo.



Há nesse episódio, porém, algo muito mais grave do que a cumplicidade de Renan Calheiros com o Palácio do Planalto para transformar em pizza as investigações parlamentares sobre a Petrobrás. É a constatação de que o presidente da Câmara Alta não hesita, por um lado, em desmoralizar o instituto da CPI, poderoso instrumento de que os congressistas - em especial a minoria - dispõem para cumprir com eficiência sua missão constitucional de fiscalizar o Poder Executivo. E, por outro lado, Renan submete mais uma vez a Casa a que preside ao vexatório exercício de se prostrar diante do Executivo.

Existe ainda nessa tramoia uma terceira e mais grave ameaça às instituições democráticas. Se de acordo com a esdrúxula interpretação de Renan Calheiros de que uma CPI sirva para tudo, menos para investigar a fundo assuntos que incomodam um governo que disponha de base parlamentar majoritária, está aberto o caminho para que seja vedado à minoria o direito - mais do que isso, a obrigação constitucional - de controlar os eventuais excessos da maioria e dos outros Poderes. Um direito e uma obrigação, aliás, que são garantidos à minoria pela Carta Magna quando estabelece que uma CPI pode ser convocada por apenas um terço dos senadores ou deputados federais, em suas Casas ou no Congresso Nacional. Há também no texto constitucional, bem como na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), outras salvaguardas a esse direito da minoria.

Coadjuvantes da farsa, parlamentares governistas tentam, com argumentos falaciosos, criar confusão em torno do objetivo da CPI da Petrobrás, que, de acordo com a lei, deve ser a investigação de "fato determinado". No caso, a controvertida compra da Refinaria de Pasadena, no Texas. "Já que vamos investigar a Petrobrás, por que não investigar também outros casos suspeitos?", pergunta o senador petista Humberto Costa (PE). "Desejamos apenas ampliar o debate", tergiversa Gleisi Hoffmann (PT-PR).

Ora, se o PT quer exercer o legítimo direito de investigar as denúncias de corrupção no Metrô ou eventuais irregularidades no porto pernambucano de Suape, dispõe de maioria mais do que suficiente no Senado e na Câmara para criar uma CPI para cada um desses "fatos determinados". Quem é que poderia se opor a isso? Mas transformar a investigação sobre a Petrobrás num "combo" é um deboche que só pode desmoralizar o Congresso.

Além da proposta de CPI da Petrobrás apresentada pela oposição no Senado, à qual o PT adicionou a possibilidade de ampliar a investigação para abranger os casos de São Paulo e Pernambuco, e que nessa condição será avaliada pela CCJ a pedido de Calheiros, há ainda mais duas propostas, apresentadas na Câmara, uma pelos governistas e outra pela oposição, de formação de comissões mistas de senadores e deputados, dedicadas também à Petrobrás.

Em resumo: já que o escândalo que paira sobre a maior empresa brasileira não sai das manchetes, armam-se esquemas ardilosos para dar à opinião pública a impressão de que a base governista desenvolve corajoso combate à corrupção, estando, no entanto, tudo armado para que qualquer CPI que venha a se instalar para investigar a Petrobrás termine em pizza. E o pior é que esse atentado à integridade institucional do Parlamento não está sendo perpetrado pelo Executivo - que apenas o inspira. Sujam suas mãos membros do Poder cujas prerrogativas democráticas deveriam proteger.

Um ano da morte de Thatcher: uma justa homenagem a esta que foi a maior estadista que o mundo já teve

Amanhã, dia 8 de abri de 2014, completa-se um ano da morte de Margaret Thatcher. Ela foi a maior estadista que o mundo já teve, uma guerreira da liberdade, que deixou sua marca e combateu, como poucos, a ameaça socialista. Como estarei participando do Fórum da Liberdade como palestrante nessa terça, não terei tempo de atualizar o blog. Já adianto, então, minha justa homenagem a esta gigante da política internacional, com uma resenha da pequena biografia de Niall Ferguson e uma palestra sobre seu legado:
Thatcher: a prova de que indivíduos fazem a diferença
Em um livro extremamente conciso, o historiador econômico Niall Ferguson fez um ótimo resumo da trajetória e da importância de Margaret Thatcher para o Reino Unido e o mundo. Ler Always Right (por US$ 2,66) é tarefa de apenas uma hora, e o investimento tem alto retorno. Serve para manter acesa a chama da esperança.
Afinal, os historiadores modernos tendem a negligenciar a importância de atos individuais no curso da história, mas eles fazem toda a diferença, como reconhece Ferguson. Muitos esquecem como estava a Inglaterra naquela época. A inflação chegou a quase 30% em 1975, o clima era de desesperança, os britânicos flertavam com o socialismo e as greves eram diárias, enquanto os serviços públicos simplesmente não funcionavam.
Thatcher surgiu em cena alegando categoricamente que seu trabalho era impedir que o Reino Unido virasse vermelho. Seu discurso era agressivo contra o status quo, não uma contemporização moderada e em cima do muro. Rejeitava clara e abertamente o modelo de estado paternalista e centralizador, que ditava os rumos da economia e da vida dos cidadãos.
Cada um deveria ter o direito de trabalhar com o que quisesse para se sustentar, gastar seu salário como lhe aprouvesse, ter sua propriedade garantida e protegida. O estado passaria a ser visto como o servidor do público, e não seu mestre. Eis a essência de uma economia livre. E era nisso que Thatcher dizia acreditar sem rodeios.
Sua retórica era quase escatológica: “Não existe alternativa”. Foi o que declarou em 1980. Ou os britânicos mudavam radicalmente a direção, ou afundariam. Havia resistência a esse “radicalismo” mesmo em seu partido, mas Thatcher deixou claro para os colegas Tories: “Vocês mudem o curso se desejarem, mas essa senhora não é de mudar o curso”. Ela sabia o que devia ser feito, e estava disposta a fazê-lo, mesmo pagando o preço.
O pano de fundo ideológico foi importante para suas mudanças. O Institute of Economic Affairs, criado em 1955, foi fundamental para divulgar os valores da economia de mercado, e seus líderes tiveram papel importante na formação econômica da própria Thatcher.
O papel da imprensa também foi importante. Os proprietários e editores de jornais, como Rupert Murdoch e Conrad Black, ou Charles Moore da Spectator, tiveram coragem de bancar as reformas necessárias mesmo contra a oposição organizada da esquerda reacionária que temia perder privilégios. Foram soldados importantes na batalha liderada por Thatcher.
Uma revolução capitalista ocorreu no país. Uma onda de privatizações permitiu incrível melhoria nos serviços, os ativos se valorizaram e o próprio povo se beneficiou disso como acionista, a inflação foi derrotada e a classe média se fortaleceu muito. Sacrifícios foram necessários no curto prazo, mas valeram muito a pena. O Reino Unido voltava ao posto de líder da Europa, após grande decadência.
Mas a economia está longe de ter sido a única fonte de revolução do Thatcherismo. Os trabalhistas, na época, defendiam o desarmamento nuclear unilateral da Inglaterra, o que poderia ter sido fatal ao país. Thatcher não iria amolecer com os comunistas, e é preciso lembrar que ainda se vivia na Guerra Fria, sem expectativa de término iminente.
A postura de Thatcher nos assuntos externos era realista e firme. Foi assim nas Falklands com a Argentina, mesmo quando até Reagan parecia não dar apoio; foi assim na questão do IRA na Irlanda; na permissão a Bush (pai) para usar as bases militares inglesas contra o Iraque; ou mesmo na percepção de que, com Gorbachov, havia a possibilidade de diálogo. Intransigente e pragmática na medida certa.
A mudança cultural também foi relevante. A famosa frase “não existe sociedade, apenas indivíduos” precisa ser colocada em contexto. Thatcher defendia a ajuda ao próximo, a preocupação com o entorno, mas rejeitava veementemente a dependência estatal, ou seja, mecanismos de incentivo inadequados que premiavam o “parasita” em vez do trabalhador. O “estado-babá” não teria mais vez com ela.
Em suma, como resume Ferguson, Thatcher estava certa sobre as principais coisas importantes. Sobre as máfias sindicais, sobre a inflação como fenômeno monetário, sobre as indústrias nacionalizadas como obstáculo ao progresso, sobre a ingenuidade dos trabalhistas na questão da Guerra Fria, sobre a importância da integração comercial na Europa, sobre a oposição à moeda comum etc.
Foi uma grande líder, e seu legado é altamente positivo. Fez enorme diferença no curso da história. Ela simplesmente não tolerava a ideia de ver a Inglaterra fracassar, declinar rumo ao socialismo. Sua coragem, convicção moral e sabedoria de estadista permitiram que isso não acontecesse, apesar de muitos enxergarem tal destino trágico como inevitável na época.
É ou não é uma lição importantíssima para o mundo moderno em geral e os brasileiros em particular?
Rodrigo Constantino

NO MANICÔMIO

Realizando um trabalho no manicômio o jornalista perguntou para seu Geraldo, interno da instituição se ele já havia votado e se já havia votado no PT:
- Veja bem caro senhor, eu e meus colegas estamos aqui internados por problemas mentais e não por burrice.

Aldo Rebelo e os métodos da "Cosa Nostra"


Do Blog do Paulinho

Aldo Rebelo e os métodos da "Cosa Nostra"

by Paulinho
luxemburgo e aldo rebelo
O Ministro do Esporte Aldo Rebelo esculachou a cobertura da imprensa na Copa do Mundo do Brasil, dizendo que somente jornalistas se posicionam contra a realização e a organização do torneio.
Antes de analisarmos suas declarações é necessário contextualizar a atuação do comunista no contexto histórico esportivo nacional.
Rebelo foi o parlamentar que mais pressionou Ricardo Teixeira durante a CPI que revelou os desmandos do dirigente, chegando até a escrever um livro sobre o assunto.
Porém, na sequencia, após o dirigente da CBF impedir a distribuição da obra por meios judiciais, o agora Ministro, de maneira "estranha", refugou, deixando de recorrer da decisão.
Se acertaram, óbvio.
Antes disso, ou durante, o ex-árbitro José de Assis Aragão, indicado por Rebelo para gerir o estádio do Pacaembu, em São Paulo, era objeto de investigação sobre graves atos de corrupção, entre eles desvio de dinheiro, num inquérito com mais de 5.000 páginas, nenhuma delas elogiosa.
Por ação, digamos, intimidatória do Ministro, o processo arrastou-se por anos, e quase foi arquivado, mas, ao final, não apenas comprovou-se os desvios, como Aragão foi condenado a devolver a quantia aos cofres públicos.
Rebelo fingiu que não era com ele.
Agora, ao fazer parte do grupo que organiza a Copa do Mundo, o Ministro apoia a omissão do Governo, e também, em alguns casos, sociedade, com obras faraônicas e superfaturadas, além doutros descalabros, tantos, que levariam diversas linhas para serem comentados.
Ao atacar os setores sérios da sociedade, como a imprensa que denuncia, Rebelo age com hábitos típicos de mafiosos, ou seja, desqualificar o denunciante, minimizando as sacanagens, no intuito de desviar o foco das coisas graves para os festejos, quase sempre orquestrados, quando não financiados, pelo poder público.
A grande verdade é que o Ministro personifica o que há de pior no cenário político nacional, razão exata de nosso subdesenvolvimento: charlatão, falso pregador da honestidade, debochado ao comentar corrupção, de moral complacente e, segundo alguns, beneficiado por todas as faltas de qualidade citadas.

Do lobisomem à lenda urbana da gerentona

ROLF KUNTZ - O Estado de S.Paulo


Lobisomens, vampiros, assombrações e mulas sem cabeça podem ter apavorado muita gente durante séculos, mas a nenhuma dessas figuras foi atribuído um desastre econômico. Nem mesmo a personagem histórica de Vlad III, príncipe da Valáquia, também conhecido como conde Drácula, o Empalador, foi associada ao descalabro fiscal, à estagnação produtiva, a um surto inflacionário ou à demolição de alguma empresa estatal. Ao contrário: era respeitado pela devoção à sua terra, pela coragem e pela severidade na punição dos crimes cometidos por seus, digamos, companheiros. Muito natural, portanto, ver o mundo mais uma vez curvar-se diante do Brasil, primeira economia, e das grandes, submetida a demolição por uma personagem lendária, a administradora Dilma Rousseff, às vezes descrita como gerentona.



O criador dessa lenda pode ter sido um gozador, mas a piada foi levada a sério por uma porção de incautos e até espalhada como verdade por muitos meios de comunicação. Os fatos claramente negaram o mito nos últimos três anos e três meses. Ainda continuam negando, a cada nova revelação sobre as consequências da política econômica - as perdas da Eletrobrás e da Petrobrás, por exemplo, e os estragos no Tesouro. O espetáculo poderia até ser engraçado, mas tem custado bilhões e ninguém sabe quanto ainda poderá custar.

A persistência da inflação, uma das derrotas mais notáveis da política econômica, virou assunto de um complexo estudo comparativo divulgado nesta semana pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). O trabalho inclui a análise de números de 26 países com regime de metas. O tema é especialmente importante, informa-se logo na apresentação, porque a persistência eleva o custo, em termos de produto, do esforço para levar a inflação até a meta.

Em outros países, incluídos vários emergentes, a alta de preços arrefeceu e os repiques se tornaram menos fortes depois de implantado o regime. O Brasil tem sido uma exceção e o trabalho é encerrado com a indicação de algumas explicações possíveis. Uma delas é a permanência de uma forte indexação. Outra hipótese aponta para uma baixa confiança dos participantes do mercado na eficácia da política monetária - ou na disposição das autoridades monetárias responder adequadamente aos choques de preços. Uma resposta forte é indispensável para conter os efeitos de segundo round desses choques e limitar, portanto, seus desdobramentos.

O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, chamou a atenção precisamente para essa função da política, ao mencionar, em depoimento no Senado há poucos dias, o choque dos preços agrícolas e a necessidade de restringir seus efeitos ao curto prazo. O aumento de juros anunciado na quarta-feira, depois da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), deve ser parte desse esforço. Mas esse foi o nono aumento a partir de abril de 2013 e, até agora, o remédio parece ter sido insuficiente - mesmo levando em conta o efeito retardado da política de juros. De toda forma, o longo período de afrouxamento da política monetária, entre o fim de agosto de 2011 e abril do ano passado facilitou o recrudescimento da inflação. Mas a presidente Dilma Rousseff encontrou nessa política uma chance para se vangloriar de haver derrubado os juros no Brasil. Foi mais um numa longa série de erros.

O relaxamento dos juros foi apenas um dos equívocos da política anti-inflacionária. Os demais foram cometidos sem a participação do BC. O novo prejuízo da Eletrobrás, R$ 6,3 bilhões em 2o13, é mais uma consequência da administração tsunâmica implantada pela presidente Dilma Rousseff no governo federal. A contenção de tarifas imposta às empresas de eletricidade custou e continua custando um dinheirão ao Tesouro e às empresas do setor.

Os R$ 8 bilhões previstos no Orçamento da União para compensar as empresas serão insuficientes e será necessário levantar dinheiro de outras fontes. Além disso, será preciso elevar os preços para os consumidores nos próximos dois anos, porque o represamento das tarifas serviu somente para maquiar a inflação e apenas multiplicou os problemas. O aumento das contas em 2015 deverá ficar entre 8% e 9%, segundo noticiou o Estado.

Não está clara, no entanto, a arrumação necessária para compensar o estrago acumulado. Falta levar em conta, entre outros, um detalhe publicado na sexta-feira pelo Valor. Segundo cálculo apresentado por dois minoritários do Conselho de Administração da Eletrobrás, a empresa deixou de arrecadar R$ 19 bilhões em 2013. A perda resultou do esquema imposto pelo governo em dezembro de 2012, quando foram definidas as normas para renovação das concessões.

No caso da Petrobrás, ainda falta uma boa estimativa dos danos acumulados na gestão petista. A lista dos erros é enorme e inclui a compra das instalações de Pasadena, a construção da refinaria Abreu e Lima e as perdas causadas pelo controle de preços, mas esta lista é provavelmente muito incompleta. Uma boa CPI poderia ajudar no esclarecimento das perdas e de como ocorreram, mas o governo tem feito - e deverá fazer - um enorme esforço para impedir a elucidação de uma das histórias mais escandalosas da política brasileira.

Incompetência é apenas parte da explicação do desastre das estatais, do estrago nas contas públicas, da persistência da inflação, da estagnação econômica e dos erros cometidos na política industrial. A gestão de baixa qualidade reflete igualmente uma certa forma de ocupação da máquina governamental. O PT ocupou, loteou e usou o governo, em seus vários níveis, como se, por direito de conquista, se houvesse apropriado legitimamente desse aparelho. Se nada mais puderem fazer, os cidadãos inconformados talvez possam ainda recorrer a um expediente: perguntar se a tão falada função social da propriedade vale também para a máquina transformada em patrimônio privado pelo grupo instalado no poder.

JORNALISTA

‘A polícia, o bem e o mal’, por J. R. Guzzo

Publicado na edição impressa de VEJA
J. R. GUZZO
Pode ser uma coisa que muita gente acha desagradável ouvir, e por isso é melhor dizer logo, para não gastar o tempo do leitor com prosa sem recheio. É o seguinte: os brasileiros fariam um grande favor a si mesmos se tomassem a decisão de ficar, com o máximo de clareza e na frente de todo mundo, a favor da polícia. Isso mesmo: a favor da polícia, e da ideia de que cabe exclusivamente a ela, numa democracia que queira continuar viva, o direito de usar a força bruta para manter a ordem, cumprir a lei e proteger o cidadão. Tem, também, a obrigação legal de fazer tudo isso. Algum problema? É exatamente assim em todos os regimes democráticos. Eis aí, na verdade, uma afirmação evidente em si mesma; pode ser entendida sem a menor dificuldade após um minuto de reflexão. Mas estamos no Brasil, e no Brasil o que parece ser um círculo, por exemplo, é muitas vezes considerado um triângulo, ou um quadrado, ou qualquer outra coisa que não seja o diabo do círculo.
No momento, justamente, passamos por um desses surtos de tumulto mental. Segundo o entendimento de boa parte daquilo que se considera o “Brasil pensante”, “civilizado” ou “moderno”, nosso grande problema não é o crime, mas a polícia. Parece bem esquisito pensar uma coisa dessas, num país com mais de 50 000 assassinatos por ano e índices de criminalidade que estão entre os piores do mundo. Onde esses pensadores estão vendo o problema de que tanto falam? Vai saber. Os verdadeiros mistérios desse mundo não são as coisas invisíveis, e sim as que se podem ver muito bem. No caso, o que se pode ver com a clareza do meio-dia é a fé automática de boas almas e mentes num mandamento que ouvem desde crianças: o criminoso brasileiro é sempre “vítima das desigualdades sociais”, e o policial está errado, por princípio, quando usa a força contra ele. Seu dever, como agente do Estado, seria tratar os bandidos como cidadãos que precisam de ajuda, para que tenham oportunidade de entender por que não deveriam matar, roubar, estuprar e assim por diante. Será que esse jeito de pensar é alguma tara que nos sobrou do regime militar, quando polícia e liberdade eram coisas opostas? De novo: não se sabe.
Praticamente todos os dias há exemplos claros desse curto-circuito geral na capacidade de separar o certo do errado. O cidadão é assaltado, brutalizado, ferido ─ e no dia seguinte lê, ouve ou vê mais uma reportagem denunciando a polícia por algum erro, real ou imaginário. Ainda há pouco, o país teve oportunidade de testemunhar políticos, intelectuais e “celebridades” em geral, com a colaboração maciça da mídia, colocando a polícia no banco dos réus por reprimir bandos de marginais que vão para a rua decididos, treinados e equipados para destruir. Segundo essas excelentes cabeças, a polícia cria um “clima de violência” e de “provocação” que “força os ativistas” a se defenderem “previamente”. Para isso, veem-se obrigados a incendiar bancas de jornal, destruir carros, quebrar vitrines de loja e por aí afora. Esse tipo de julgamento vai se tornando mais e mais aceitável no Brasil de hoje. Deve ser maior do que se pensa o número de pessoas que não querem ter a tranquilidade de sua fé perturbada por fatos ou por conhecimentos; além disso, cabeças em que não há ideias são sempre as mais resistentes a deixar alguma ideia entrar nelas. Quanto à imprensa, rádio e TV, acreditem: o que mais gostam de fazer é falar as mesmas coisas, pois se sentem mais seguros quando um repete o outro e todos atiram nos mesmos alvos. Alguém já viu, por exemplo, algum jornalista arrasando o técnico do Olaria?
Não há sete lados nesse debate. Só há dois, um que está a favor da lei e o outro que está contra ─ e aí o cidadão precisa dizer qual dos dois ele realmente apoia. O primeiro é a polícia. O segundo é o que leva o crime para a rua. A única pergunta relevante, num país que tem uma Constituição em vigor, é: de que lado você está? Não vale dizer “depende”, ou declarar-se a favor da ordem, desde que a tropa se comporte com altos níveis de civilidade, seja muito bem-educada, fale inglês e não bata nunca em ninguém, nem cause nenhum incômodo físico a quem esteja jogando coquetéis molotov na sua cara, ou sacando armas contra ela. A questão real é apoiar hoje a polícia brasileira que existe hoje ─ não dá para chamar a polícia da Dinamarca, por exemplo, para substituir a nossa, ou tirar a PM da rua e só chamá-la de volta daqui a alguns anos, quando estiver suficientemente treinada, preparada e capacitada a ser infalível. É mais do que sabido que a polícia do Brasil tem todos os vícios registrados no dicionário, de A a Z. Mas, da mesma maneira como não é possível fechar todos os hospitais públicos que funcionam mal, e só reabri-los quando forem uma maravilha, temos de conviver com a realidade que está aí. É indispensável transformá-la, mas não dá para exigir, já, uma corporação armada que precise ter virtudes superiores às nossas.
A polícia, por piores que sejam as condutas individuais dos seus agentes e seus níveis de competência, é uma peça essencial para manter a democracia no Brasil e impedir a tirania daqueles que só admitem as próprias razões. É a polícia, na verdade, o que a população brasileira tem hoje de mais concreto na garantia de seus direitos. Alguém pode citar alguma força mais eficaz para impedir que o Congresso, o STF e o próprio Palácio do Planalto sejam invadidos, metidos a saque e incendiados? A PM está do lado do bem ─ goste-se ou não disso. No mundo das realidades, é ela a principal defesa que o cidadão tem para proteger sua vida, sua integridade física, sua propriedade, sua liberdade de ir e vir, o direito à palavra e tudo o mais que a lei lhe assegura. A autoridade policial já erra o suficiente quando falha ao cumprir quaisquer dessas tarefas. Não faz nexo criticá-la nas ocasiões em que acerta.
Não serve a nenhum propósito útil, igualmente, dar conforto ao inimigo ─ o que nossa elite pensante, como dito anteriormente, faz o tempo todo. O inimigo não vai deixar de ser seu inimigo; você não ganhará sua admiração, nem será deixado em paz. É um desafio à lógica, neste sentido, achar que delinquentes teriam a licença de armar-se para assegurar seu direito de “legítima defesa” contra a repressão policial. A lei brasileira, com todas as letras, diz que só a polícia tem o direito de portar armas, e de utilizá-las no combate ao crime e na defesa do cidadão ─ salvo em casos excepcionais, que exigem licença específica. Dura lex sed lex, claro. Mas não é só uma questão legal. Tra­ta-se de simples sensatez. No caso dos atos de protesto ─ qual o propósito de levar para a rua mochilas com bombas incendiárias, estiletes, barras de ferro e outros artefatos desenhados unicamente para machucar? Por que alguém precisaria de qualquer dessas coisas para expressar suas opiniões em praça pública?
O Brasil vem se acostumando nos últimos anos à ideia doente de que mostrar simpatia diante da delinquência e hostilidade diante da polícia é uma questão de princípio ─ uma atitude socialmente avançada e politicamente progressista. Quem não pensa assim é visto como um homem das cavernas, extremista e inimigo da democracia. Mas é o contrário: opor-se ao crime e apoiar a polícia é ficar a favor da liberdade. Está na moda denunciar, com apoio da caixa de amplificação da imprensa, delitos como a “pregação do ódio”, “apologia do crime” ou “incentivo ao racismo”. Esse mesmo tribunal, entretanto, aplaude como uma forma superior de cultura popular os rappers que pregam abertamente, em suas músicas, o assassinato de policiais. Há alguma coisa muito errada nisso aí. Está na hora de deixar claro: é falso acusar de “histeria” e outros pecados mortais quem não acredita, simplesmente, que no Brasil de hoje existe algum assaltante que rouba e mata porque está com fome ou tem de sustentar sua família; o que há é gente que quer satisfazer todos os seus desejos sem ter de trabalhar ou de respeitar o direito alheio. Em Cuba, regime-modelo para nosso governo, são chamados de sociopatas e enterrados na cadeia mais próxima, sem que a “sociedade” seja chamada a “debater” coisa nenhuma.
Deus não precisou da ajuda dos brasileiros para criar o Brasil. Mas, como diria Santo Agostinho, só poderá nos salvar se tiver o nosso consentimento.

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