terça-feira, 8 de abril de 2014

Boataria diz que PF prepara 50 prisões e buscas em empreiteiras. Clima é de crise política grave em Brasília.


Os boatos nesta terça-feira cruzam os céus de Brasília a todo momento, estabelecendo um cenário de clara crise política.

. Fala-se até mesmo na renúncia da presidente Dilma Roussef, que assim encontraria uma saída honrosa para seu final de governo. Neste caso, Michel Temer concluiria o mandato e Lula seria o candidato do PT. Veja foto ao lado de Dilma e Temer, perdidos nos seus quadrantes. 

. O site www.brasil247.com.br, geralmente alinhado com o governo e o PT, informou esta tarde que rumores cercam os meios políticos no Congresso, todos por conta da Operação Lava Jato. 

.A Polícia Federal já teria plano para fazer cerca de 50 prisões, inclusive do deputado André Vargas. Além de tudo, seriam realizadas buscas em escritórios de empreiteiras em diversos pontos do Brasil, com ênfase na lista já publicada pela imprensa, o que inclui pesos-pesados como a Queiroz Galvão. A bancada do PT deve cobrar explicações do vice-presidente licenciado da Câmara André Vargas, que usou jatinho alugado por Beto, como o doleiro é conheido pelos políticos, para viajar aos Estados Unidos em férias; Youssef é visto como o banqueiro das campanhas; mais casas podem cair

. O pivô é o doleiro Alberto Youssef, já preso, e suas ligações como intermediário de políticos e financiadores de campanhas. Conhecido como Beto entre os parlamentares, ele teria movimentado R$ 90 milhões no período entre as duas últimas eleições.  

SPONHOLZ e a raposa tomando conta do galinheiro no Tribunal de Contas


Do blog do Ricardo Setti

aacharge
O Palácio do Planalto, não hesitando em atropelar a ética uma vez mais, dispõe-se a designar como ministro do Tribunal de Contas da União o senador Gim Argello (PTB-DF), suplente que em 2007 assumiu a vaga do ex-senador Joaquim Roriz — que renunciou para não ser cassado por corrupção — sem ter tido um único voto e que sofre acusações sérias no Supremo Tribunal Federal.
Vejam parte de reportagem que publicou a respeito o jornal Folha de S. Paulo:
“Gim é alvo de seis processos no Supremo Tribunal Federal. Em um deles, a Procuradoria Geral da República já ofereceu denúncia contra o senador em que ele é acusado de fraudar licitação e desviar verbas públicas à época em que presidiu a Câmara Legislativa do Distrito Federal.
“O processo aguarda desde 12 de setembro de 2013 pelo voto do relator, o ministro Gilmar Mendes.
“Nos outros inquéritos, a lista de crimes atribuídos a Gim Argello inclui apropriação indébita, corrupção (ativa e passiva), lavagem de dinheiro e crimes contra o patrimônio.
“Em sua defesa, Gim afirma que não é alvo de nenhuma condenação judicial”.

VEJAM O RIDÍCULO: O trem-bala São Paulo-Rio, que nem foi licitado — e talvez nunca venha a existir –, consta na papelada do governo como estando “com andamento adequado”


Ricardo Setti

O trem-bala, em ilustração: não foi nem licitado, não se sabe se vai ser, não se sabe se um dia existirá -- mas sua "obra" está em "andamento adequado", para o governo (Foto: veja.abril.com.br)
O trem-bala, em ilustração: não foi nem licitado, não se sabe se vai ser, não se sabe se um dia existirá — mas sua “obra” está em “andamento adequado”, para o governo (Foto: veja.abril.com.br)

É uma coisa incrível o governo Dilma — um ridículo ou um absurdo atrás do outro.
Agora vejam essa: lembram do trem-bala, o sonho maluco de ligar com um trem de alta velocidade São Paulo ao Rio, saindo de Campinas, a um preço estratosférico que já ninguém mais no governo sabe de quanto vai ser?
O trem-bala que, em princípio, estaria funcionando para a Copa do Mundo deste ano — ou, na pior das hipóteses, funcionando quando das Olimpíadas do Rio, em 2016?
O trem-bala que não encontra interessados?
Pois bem, o leilão para definir a empresa ou consórcio encarregado da tarefa já foi adiado três vezes, a última delas em agosto de 2013. A promessa do governo, na ocasião — será que alguém acredita? –, foi de que o quarto leilão se realizaria no segundo semestre deste ano.
Pois bem, a série de reportagens que o site de VEJA, em parceria com a ONG Contas Abertas, vem publicando sobre a execução pífia dos empreendimentos nas diferentes áreas da administração – transportes, energia, saúde, educação, entre outros — revelou uma preciosidade extraordinária, para a qual queria chamar a atenção dos leitores.
Nos balanços periódicos, apresentados a cada quatro meses, o Ministério do Planejamento enfatiza o volume financeiro de recursos supostamente desembolsados, e não a quantidade de empreendimentos. Dessa forma, não há informação oficial sobre o número de obras em andamento ou terminadas, ou seu percentual em relação ao total previsto. Os atrasos ou obras fictícias, dessa forma, não aparecem.
É preciso caçá-los nos locais, como tem procurado fazer a imprensa para mostrar que elas não andam — veja-se a transposição das águas do Rio São Francisco — ou não existem.
Além de divulgar o volume de dinheiro supostamente investido, sem especificar as respectivas obras, o Ministério atualiza constantemente o prazo de conclusão dos trabalhos. A mágica faz com que a maior parte dos empreendimentos receba o carimbo genérico de “andamento adequado”.
Agora, acreditem se quiserem: está tendo “andamento adequado”, segundo a burocracia do Ministério do Planejamento, o famoso trem-bala São Paulo-Rio — que não foi licitado, não se sabe se será e ignora-se se um dia chegará a existir.
Brasil, um país de faz-de-conta.

‘Silêncio eloquente’, de José Casado

Publicado no Globo desta terça-feira
JOSÉ CASADO
Lula emudeceu. Evita falar sobre os prejuízos e o tráfico de influência em alguns dos maiores negócios realizados pela Petrobras durante o seu governo.
Há inquéritos, prisões e debates no Congresso, mas o ex-presidente da República se mantém calado para o público sobre os bilionários “malfeitos” na sua administração.
Estranhável, porque se trata de um político habituado a sair da cama no meio da madrugada, andar até a cozinha e abrir a geladeira apenas para ter o prazer de fazer um breve e secreto “comício” ─ cena que ele mesmo já descreveu inúmeras vezes em praças públicas.
Esse silêncio, certamente, não é por recomendação médica: na sexta-feira Lula conversou por quase três horas com a presidente Dilma Rousseff, a sós, num hotel paulistano.
Ex-ministra de Minas e Energia, ex-chefe da Casa Civil e ex-presidente do Conselho de Administração da Petrobras, sob Lula, ela fez questão de escrever e divulgar no Palácio do Planalto seu testemunho sobre um dos negócios suspeitos da estatal ─ a aquisição de uma refinaria ferro-velho em Pasadena (Texas) ao custo de mais de US$ 1 bilhão, com base em documentos “técnica e juridicamente falhos”.
“Tiro no pé” foi o comentário mais frequente sobre o gesto de Dilma no plantel de porta-vozes de Lula. A nota foi interpretada como confirmação do “malfeito”. No Congresso houve quem fizesse leitura diferente: Dilma se preocupou em registrar publicamente os limites da sua atuação, estabelecidos nas ordens que possuía como ministra e representante de Lula no conselho da Petrobras.
A fronteira do seu poder estava bem delimitada. No Ministério de Minas e Energia, por exemplo, esboçou uma reforma na diretoria da Petrobras, com alavancagem de Maria das Graças Foster, a quem chama de “Graciosa”. Surpreendeu-se com a reação de José Dirceu, chefe da Casa Civil. Precisou esperar seis anos para conseguir nomeá-la comandante da empresa.
Lula foi o dono do tempo e da agenda de negócios da companhia, em transações com políticos aliados, em linha direta com José Sérgio Gabrielli, que fazia questão de exibir a estrela-símbolo do PT na lapela do paletó.
São do período Lula-Gabrielli iniciativas como a bilionária conta da compra e projetos de reforma da refinaria no Texas, a construção da refinaria em Pernambuco a custo dez vezes acima do orçamento inicial, e, ainda, a porteira aberta em áreas-chave às traficâncias dos associados na “maior base aliada do Ocidente”, conforme a modesta definição de Dirceu.
Foi nessa etapa que a Petrobras desidratou a auditoria interna e repassou mais de 75% do serviço de fiscalização dos seus contratos às próprias empresas contratadas, como registrou o Tribunal de Contas da União. Recebiam de um lado do balcão. E, do outro, forneciam até “as secretárias do gerente e do fiscal” ─ constatou o TCU em documento apresentado na Comissão Parlamentar de Inquérito que desvendou o mensalão.
O relatório final dessa CPI é instrutivo e está na rede do Senado, com seus três volumes e 1.800 páginas. A capa destaca um versículo bíblico (Mateus, 10:26): “Não tenhais medo dos homens, pois nada há de encoberto que não venha a ser revelado, e nada há de escondido que não venha a ser conhecido.”

Polícia impõe disciplina militar em escola pública de Goiás: pais aprovam, “especialistas” criticam

Deu no GLOBO: Polícia impõe disciplina militar em escola pública de Goiás
Um grupo de adolescentes se perfila em formação militar, enquanto uma soldado armada os passa em revista. Nenhum deles masca chicletes. As garotas não usam batons ou esmaltes chamativos. Nas conversas não se toleram gírias. Todos são obrigados a cantar o Hino Nacional na chegada, a caminhar marchando e a bater continência diante do diretor. Não estamos num quartel, mas num dos dez colégios da rede estadual de Goiás cuja administração começou a ser transferida para a Polícia Militar desde janeiro, numa medida desenhada para amainar os repetidos casos de violência ocorridos numa região desassistida a apenas 40 quilômetros do Distrito Federal.
[...]
A escolha dos colégios não foi em vão. O entorno do DF convive com problemas crônicos de violência. Desde 2011, a Força Nacional de Segurança Pública reforça o policiamento. Em Valparaíso, o Colégio Fernando Pessoa já apareceu no noticiário policial depois que um ex-aluno foi assassinado a tiros ali. Em outra ocasião, uma professora sofreu um sequestro relâmpago ao sair do prédio.
A vice-diretora do Fernando Pessoa, que foi mantida no cargo, garante que a escola hoje é outra. Antes havia problema de tráfico de drogas e prostituição, os professores tinham medo dos alunos. No colégio José de Alencar os relatos são semelhantes: antes era tudo uma bagunça, hoje as coisas estão organizadas.
Claro que há críticas legítimas. O medo da repressão dos policiais ao fazer críticas é uma delas. Mas algumas reclamações parecem infundadas, e mostram justamente a distância entre a elite dos “especialistas” e a real necessidade dos alunos. Uma professora, por exemplo, reclama que experiências exitosas no mundo foram à contramão dessa verticalização, partindo para uma horizontalização que reduzia as relações hierárquicas.
Discordo. Ainda mais para a realidade brasileira. Acredito que essa mentalidade que rejeita e abomina qualquer hierarquia nas escolas e universidades está no epicentro de nossos problemas educacionais. Basta ver que alunos em universidades públicas invadem até a reitoria ou impedem professores de dar aulas se discordarem de sua mensagem. Isso é absurdo, demonstra que esses jovens chegam nas faculdades sem respeito pela autoridade, pelas regras, achando-se os donos do universo.
A disciplina funciona. Claro que o excesso de repressão pode sair pela tangente, pode ser um tiro no pé, gerando revolta. Encontrar um equilíbrio será o desafio constante. Mas não resta dúvida de que, atualmente, o pêndulo foi em demasia para o lado do afrouxamento das regras, do “vale tudo”, do desrespeito aos professores e às normas escolares.
Estudei minha vida toda em uma escola rigorosa, não só na cobrança da matéria (meritocracia) como na conduta. Havia fila diária para cantar o Hino Nacional, o uniforme tinha de ser usado à rigor, as meias eram brancas, não podia ter “pegação” no recreio, etc. Essa escola fica, até hoje, entre as 5 melhores do Rio em todo Enem. E mais do que o conteúdo ensinado, a lição importante que ficou foi justamente o respeito às regras, coisa que os mimados jamais suportaram.
Esses policiais estão levando para essas escolas disciplina, ordem e meritocracia. Como condenar isso? Podemos e devemos ficar atentos aos abusos, cobrar transparência e liberdade, inclusive para críticas. Mas o apoio popular, inclusive dos próprios pais e dos alunos, mostra como há um abismo entre o que prega a intelligentsia e o que deseja o povo.
Quem é contra a polícia normalmente é bandido. No caso dessas escolas públicas, diria que são aqueles que preferem a bagunça, a baderna, a esculhambação, tudo em nome da “igualdade” e da “horizontalidade” das relações hierárquicas. Eu prefiro a eficiência, a disciplina, a meritocracia. Cada um com suas escolhas…
Rodrigo Constantino

Falar é fácil

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo


Vamos ser francos: em se tratando de projeto de poder do PT a presidente Dilma Rousseff não tem muito querer. Tal afirmação contraria opinião geral de que, se o ex-presidente Luiz Inácio da Silva resolvesse disputar uma volta ao cargo agora, teria nela o principal obstáculo, mas reflete uma realidade partidária.

Candidatos são escolhidos por partidos. No PT quem manda no movimento das marés é Lula. Dilma ali não tem voz ativa. Da mesma forma como foi imposta poderia, em tese, ser posta de lado caso viesse a representar uma ameaça concreta de retorno dos petistas à planície depois de 12 anos de Planalto.

A troca em si não seria complicada do ponto de vista da relação dos dois, deles com o partido e dos termos do contrato que fez de Dilma candidata em 2010. Lula fez, Lula desfaria e ela diria que já havia dado sua contribuição, precisaria cuidar da saúde e da família. Sairia como entrou, sem compromissos anteriores nem posteriores com a política.

Problemática, contudo, é a política, suas variáveis e variantes. Pela legislação, um partido pode trocar de candidato até 10 dias antes da eleição. Mas esse é só o tempo do calendário. O tempo político para a substituição, segundo gente experiente no ramo, seria mesmo o prazo da escolha em convenção. Vale dizer, final de junho.

Nesses menos de três meses seria necessário avaliar com precisão se a presidente Dilma estaria mesmo descartada como candidata competitiva - ou antes, se estaria previamente derrotada. Só nesse caso, se o PT estivesse mesmo diante da hipótese real de perder, é que valeria o risco de manobra tão radical.

Movimento arriscado, sim. A troca equivale a uma confissão de fracasso; fracasso pessoal de Lula, erro de pessoa cometido por ele. Outro fator: nada é garantido numa eleição. E se, numa hipótese remota, ele perder? E se ganhar e tiver, como previsto, um governo de dificuldades que não permitam chegar nem perto dos 80% de popularidade com que terminou o segundo mandato?

De outro lado: e se as coisas piorarem agora para o governo, mas mais à frente melhorarem, os candidatos de oposição não conseguirem decolar e Dilma ganhar sem a necessidade de "gastar" o trunfo Lula?

Convenhamos, não é uma decisão fácil. E uma operação de difícil execução.

Troca de guarda. Para os donos do dinheiro - sejam eles da área de finanças, da indústria, do comércio ou da agricultura - o nome do jogo eleitoral é "alternância".

Fonte de inspiração dos candidatos Aécio Neves e Eduardo Campos quando dizem frases como "já deu o que tinha que dar", ou sentido equivalente, referindo-se a gestões petistas em geral e ao governo Dilma em particular.

No osso. Foi-se o tempo em que o PT podia ignorar denúncias e ganhar tempo falando em conspirações dos opositores. Às vésperas do início efetivo da campanha eleitoral, acossado por uma série de notícias negativas originadas no próprio campo governista, o partido não tem mais gordura para queimar.

Daí a decisão, rápida para os padrões vigentes, do deputado André Vargas se licenciar da Câmara por 60 dias. Com Dilma em queda nas pesquisas, o governo fazendo de tudo e mais um pouco para evitar que se investigue a Petrobrás, a base dita aliada saboreando o prato frio da vingança, tudo o que o PT não precisa é de uma causa indefensável para defender.

Os diálogos gravados pela Polícia Federal em que Vargas e o doleiro Alberto Yousseff falam na construção de independência financeira mediante negócios com o governo deixam o petista numa situação muito parecida com a que levou à cassação do mandato do então senador Demóstenes Torres, devido às relações público-privadas com Carlos Cachoeira.

A ideia é que, com André Vargas fora de cena, as cobranças e o escândalo arrefeçam.

Justiça restringe visitas a ex-diretor da Petrobras e doleiros presos

O juiz Sérgio Moro, da 13º Vara Federal do Paraná, determinou nesta segunda-feira que haja “melhor controle” do acesso aos presos da operação Lava Jato, que estão na carceragem da Polícia Federal no Paraná. Foram detidos preventivamente 13 acusados de participar de um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou cerca de 10 bilhões de reais. Entre eles estão Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, e o doleiro Alberto Youssef, pivô do esquema investigado. A decisão de Moro foi motivada pela revelação, em VEJA desta semana, de que o deputado federal André Vargas (PT-PR) enviou um emissário à carceragem para negociar o silêncio do doleiro. O recado de Vargas foi claro: “Se eu cair, levo gente de cima”.
Como mostrou VEJA, Vargas e Youssef trabalhavam de maneira coordenada para obter contratos para o laboratório Labogen, de propriedade do doleiro, com o Ministério da Saúde. Nas conversas telefônicas interceptadas com autorização da Justiça, Vargas informa que “vai atuar” em favor dos interesses de Youssef. A ajuda foi materializada em um contrato inicial de 30 milhões de reais firmado com a pasta.
De acordo com a decisão, a Polícia Federal deve ser mais rigorosa e permitir apenas o acesso aos presos de seus familiares e advogados que tenham anexado procuração nos autos do processo. "A fim de evitar prejuízo à colheita da prova, entendo que o acesso aos referidos presos deve ser melhor controlado, evitando influências indevidas. Assim, fica permitida quanto aos presos neste feito apenas visitas dos seus respectivos defensores, com procuração nos autos, e dos familiares. Certamente, também permitido o acesso pela própria autoridade policial e pelos agentes do MPF. Fica vedado o acesso de terceiros aos presos", afirmou o juiz em decisão nesta segunda-feira.
O acesso à carceragem estava aberto até para advogados que não tinham vínculo formal com o processo. Conforme reportagem do site de VEJA, um defensor de Paulo Roberto Costa levou um lanche para o ex-diretor no dia 27 de março. De acordo com a versão divulgada pela Polícia Federal na ocasião, a entrada de comida e bebida foi vetada. Os presos estão misturados na carceragem, o que já facilita conversas para combinar versões. Influências indevidas de terceiros podem atrapalhar ainda mais a obtenção de provas.
Também nesta segunda-feira a Justiça Federal decidiu enviar ao Supremo Tribunal Federal (STF) documentos da Polícia Federal que citam o deputado André Vargas no âmbito da Operação Lava Jato. A remessa dos autos ao Supremo ocorrerá por causa do foro privilegiado do parlamentar, que pediu afastamento da vice-presidência da Câmara dos Deputados nesta segunda-feira por dois meses.
"Revendo os autos constato que, entre os diversos fatos investigados, foram colhidos, em verdadeiro encontro fortuito de provas, elementos probatórios que apontam para relação entre Alberto Youssef e André Vargas, deputado federal", escreveu Moro. "Prematura a afirmação de que tal relação teria natureza criminosa. De todo modo, falece à este juízo competência para processar e julgar feito envolvendo deputado federal."
Caberá agora ao STF decidir pelo prosseguimento da investigação sobre as relações do petista com o doleiro. O juiz determinou a separação das provas obtidas pela Polícia Federal sobre a relação entre Vargas e Youssef dos demais relatórios da Lava Jato. A PF apura a prática de crimes financeiros, corrupção e lavagem de dinheiro. Apenas a parte relacionada ao petista será enviada ao STF, em até dez dias. Moro decidiu dar continuidade, na Justiça Federal do Paraná, às investigações sobre "supostos crimes de evasão de divisas, corrupção de empregado público da Petrobras e crimes de lavagem de dinheiro (até de produto de tráfico de drogas)".
Sociedade – A situação de Vargas se agravou após reportagem de VEJA revelar novos detalhes de sua estreita ligação com o doleiro Alberto Youssef, acusado de comandar um esquema de lavagem de dinheiro. Youssef, a quem Vargas chamava de "irmão", pagou um jato para o petista viajar nas férias. E os laços não param por aí: VEJA mostrou que o deputado petista e o doleiro trabalhavam para enriquecer juntos fraudando contratos com o governo federal. Mensagens de celular interceptadas pela Polícia Federal mostram que Vargas exercia seu poder para cobrar compromissos de Youssef.


As investigações da PF mostram que Vargas articulava para ajudar o doleiro a obter um contrato com o Ministério da Saúde. Em mensagens trocadas em setembro do ano passado e interceptadas pela PF, Youssef fez um apelo a Vargas: “Tô no limite. Preciso captar”. O vice-presidente da Câmara prontamente respondeu: “Vou atuar”. No mesmo dia, técnicos do Ministério da Saúde, então comandados por Alexandre Padilha, hoje candidato ao governo de São Paulo, foram destacados para certificar o laboratório farmacêutico Labogen Química Fina e Biotecnologia, de propriedade do doleiro. A ajuda foi materializada em um contrato inicial de 30 milhões de reais firmado com a pasta.

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