sábado, 12 de abril de 2014

VENEZUELA- Comprar comida, uma aventura

Daniel Lansberg-Rodríguez* / Foreign Policy

Estadão


O Tio Coelho, ou Uncle Rabbit, é um dos personagens mais famosos do folclore venezuelano. Eternamente ameaçado por seu arqui-inimigo, o poderoso Tio Tigre, o herói sempre consegue - por meio de estratagemas e mágicas, além de uma sorte descomunal - ludibriar seu poderoso adversário.

Os venezuelanos precisam recorrer cada vez mais ao Tio Coelho escondido em cada um deles para sobreviver. O país sofre uma escassez sem precedentes de artigos de primeira necessidade (arroz, farinha de trigo, açúcar, papel higiênico, óleo de cozinha, leite e carne de frango) decorrente dos efeitos de uma política de controle do câmbio cada vez mais impossível de administrar e do rigoroso tabelamento de preços imposto pelo governo.

Quando eu e minha mulher regressamos à Venezuela, no início do mês, tivemos de suportar uma odisseia do aeroporto até nossa casa, a meros 32 quilômetros. Um congestionamento era o resultado do fechamento de várias estradas por protestos da oposição. Sugeri ao nosso motorista que seria melhor fazer compras. Paramos num supermercado de um bairro de classe média, onde o motorista pediu para ser informado se encontrássemos leite, café ou alimentos para crianças. Seu irmão tornara-se recentemente pai de gêmeas e toda a família estava preocupada em armazenar comida.

Evidentemente, o café era para os adultos da família, numa parte do mundo em que o café representa a base do tecido social e o sustentáculo da hospitalidade. Não encontramos leite nem café, somente um consolo para o motorista: alimentos para crianças (exclusivamente da marca Gerber e com sabor de ameixa).

As filas nos caixas eram imensas. Decidimos esperar em filas separadas - o que representou para as famintas sobrinhas do motorista um total de 18 potinhos de purê de ameixa, três vezes o limite do racionamento de seis unidades. No caso de produtos escassos, como comida de criança, o governo venezuelano estabeleceu restrições rigorosas. De modo que os cidadãos são induzidos (como no nosso caso) a fazer compras em grupo, mas pagar como clientes individuais. A demora provocada pelo fluxo dos compradores - para conferir os cartões de crédito ou contar o dinheiro - é ainda exacerbada por algum comprador isolado que tenta com jeitinho, ameaças ou apelos convencer os caixas a fazerem exceções.

Avôs doentes e crianças são numerosos, assim como pessoas que declaram ligação com notórias figuras do governo ou membros dos temidos "coletivos" paramilitares, favoráveis ao chavismo. Algumas chegam a subornar os caixas para guardar temporariamente sob o balcão produtos excedentes ameaçados de confisco, enquanto entram novamente na fila. Um subterfúgio que pode transformar uma ida à mercearia numa missão de dia inteiro. Recentemente, o governo prometeu um sistema de identificação do consumidor "para reduzir o transtorno".

Publicamente, o regime e seus defensores reagem de várias maneiras às crescentes queixas a respeito das filas: minimizando-as (as pessoas não se incomodam de esperar nas filas no banco, em shows e no cinema, por que deveriam se queixar das filas para comer?) ou adotando uma atitude otimista (significa que há dinheiro para comprar coisas).

Entretanto, as filas gigantescas de apáticos cidadãos podem se tornar perigosas para os donos das lojas. Alejandro Pasos, que tem uma doceria no bairro de Carapita, favorável ao governo, contou um episódio recente num supermercado de Caracas.

As pessoas na fila havia várias horas estavam famintas. Algumas começaram a pegar alimentos das prateleiras ao lado da fila e a comer: bananas, bolachas, chocolate e assim por diante, deixando cair as embalagens ao terminarem. "A loja não tomou nenhuma medida", ele disse. "Provavelmente, porque não quis dar motivo para um tumulto ou chamar a atenção do governo. Ultimamente tem havido alguns saques."

Clientes frustrados costumam recorrer a estratégias inteligentes. Digamos que uma cliente solitária encontre um artigo raro, como papel higiênico. Ela enche o carrinho, ignorando o limite de quatro rolos permitidos por compra individual, depois telefona ou envia uma mensagem de texto a amigos ou parentes para irem ajudá-la na hora de passar pelo caixa (e distribuir uma parte de sua pequena fortuna).

Para os que esperam esses reforços, a vigilância é fundamental. Quando as prateleiras se esvaziam, outros clientes podem entrar em confronto, tentando pedir, trocar ou mesmo roubar seus objetos do desejo. Para evitar conflitos, produtos são escondidos em corredores raramente usados no supermercado por quem pretende comprá-los mais tarde, ou para um amigo que está chegando. Finalmente, encontrei um pouco de café (depois de três dias, quatro supermercados e dois cafés da manhã à base de Red Bull) - acabei descobrindo meia dúzia de pacotes de café moído espertamente escondidos sob uma pilha de sacos de ração para gatos.

Na hora de pagar, podem ser usados estratagemas mais interessantes. O dr. Juan Paz admite que, às vezes, mostra rapidamente uma identidade "do tipo oficial" (na verdade, uma carteirinha de sócio de um clube esportivo) a funcionários incautos, afirmando ser membro do temido Departamento de Proteção do Consumidor da Venezuela.

"Eles nunca se dão o trabalho de conferir", disse. "Temem que eu fique irritado pelo fato de duvidarem das minhas credenciais."

Outro que usa seus truques é Andrés Díaz (pseudônimo), um empreendedor que estudou nos EUA. Ele também é uma pessoa bem de vida, fato que lhe permite pagar os preços exagerados do mercado negro ou então recorrer aos restaurantes (que costumam ter bom estoque) se precisar. Entretanto, ele confessa que usa um recurso ocasional que chama de "a opção nuclear": fingir que não é venezuelano.

"Se você fingir que é estrangeiro e não fala espanhol", diz o caraquenho de pele clara, "pode fazer de conta que não entende o motivo pelo qual eles não permitem que você compre os produtos. Tudo o que precisa fazer é manter um olhar inexpressivo, segurar o dinheiro, esforçar-se para parecer indignado e perplexo num espanhol entrecortado, idiota. Esse tipo de turista é tão raro hoje na Venezuela, que eles não têm ideia do que fazer. Acabarão vendendo o que você quiser só para acabar com uma situação desagradável." Ele recomenda não usar a técnica onde alguém possa reconhecê-lo.

Intrigado, decidi tentar essa estratégia. Evidentemente, depois de bons dez minutos de pantomima, e de recorrer a uma gerente que aparentemente exagerara sua familiaridade com o inglês, saí do supermercado segurando orgulhosamente seis deliciosos pacotes de café San Domingo. Em casa, fiz um brinde ao Tio Coelho.

TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

DANIEL LANSBERG-RODRÍGUEZ É JORNALISTA

Caio Blinder- Cálculos ucranianos (II).


Coluna de quinta-feira calculou como altamente improvável uma invasão russa do leste ucraniano. E uma ampla reportagem do New York Times observa que os objetivos de Moscou podem ser mais sutis do que uma invasão, com o foco em uma estratégia de longo prazo para impedir que a Ucrânia escape da órbita de influência russa.
No entanto, vamos para outra órbita e trazer alguns argumentos que conduzam para o cenário de uma invasão, por cortesia de um texto de Michael Weiss na publicação Foreign Policy. Alguns dos argumentos são convincentes (a Otan acaba de alertar, por exemplo, sobre o alto grau de prontidão das tropas russas na fronteira) e outros me parecem frouxos, até caricaturais, como o de número 4. Mas, prefiro deixar o conjunto da obra para o leitor refletir e se posicionar:
1) Com quase 50 mil soldados na fronteira com a Ucrânia, incluindo a ocupada Crimeia, os russos têm muita mobilidade para uma operação ambiciosa. O aparato não é necessário para exercícios militares de curto prazo, contando inclusive com hospitais de campanha.
2) Putin gosta de humilhar os EUA, especialmente seu atual comandante-em-chefe. Barack Obama faz advertências para o presidente russo não ir adiante  com uma intervenção militar, mas, como escreveu Scott Wilson, no Washington Post, “raramente uma ameaça de um presidente americano foi descartada de forma tão rápida e abrangente”.
3) O pacote de resgate do FMI no valor de US$ 18 bilhões, além de promessas de ajuda dos EUA e da União Europeia, pode contribuir para tirar a Ucrânia do buraco e supera o suborno que Putin ofereceu ao deposto presidente Yanukovich para que o país não fechasse o acordo com a UE. Putin prefere o colapso das instituições ucranianas e de sua economia de mercado à estabilidade. Qualquer esforço de reconstrução exige a presença de tropas russas.
4) Putin tem uma claque no Ocidente fazendo seu trabalho de propaganda. O argumento essencial: a prioridade é apaziguar e não controntar o urso ferido. Se os tanques russos entrarem no leste da Ucrânia, haverá o argumento de que é melhor se resignar e não irritar Putin, pois o próximo lance poderá ser a invasão da Polônia.
5) Se houver invasão, não há muito a fazer da parte da Otan. A aliança militar ocidental antecipou que não pensa em uma resposta militar contra uma intervenção bélica russa. Nem blefa a respeito.
6) A turma do Putin fala coisas aterradoras e o conselho é escutar. Um dos propagandistas mais influentes de Moscou, Dmitry Kiselyov, disse na televisão que a Rússia “é o único país que pode transformar os EUA em um cinzeiro radioativo”  Putin, como se diz, “não quer descer da rampa” nesta crise.
7) O complexo industrial-militar russo depende dos recursos manufatureiros ucranianos. Isto vale mais do que o reverso. Um governo pró-ocidental em Kiev será um sério revés para este complexo.
8) O Kremlin simplesmente mente de forma indecente. Nunca se deve acreditar nas garantias de Putin e seus subordinados de que uma invasão da Ucrânia esteja descartada.
9) Existe um negócio chamado Kombinatsiya, do jargão soviético, ou seja, o uso de combinações operacionais que conduza a uma ação como uma invasão. Incluem desinformação, fabricação de incidentes, orquestração de manifestações e a narrativa de que a proteção dos filhos da mãe-pátria está em jogo em todas as partes. O resultado: invasão em nome de uma diáspora russa em perigo.
10) A modernização militar russa não é para “inglês ver”. Precisa de um “test drive”. Putin ficou horrorizado com o desempenho de suas tropas na invasão da Geórgia em 2008 e já são remotas as campanhas estilo “terra arrasada” na Chechênia. A Ucrânia é um bom e presente campo de treinamento.
Como eu disse, nem tudo acima soa convincente, mas nunca podemos esquecer como Putin é capaz de surpreender, colidindo com  as regras do bom senso. Está aí um bom argumento para temer o pior.
***

Ex-diretor fez fortuna vendendo facilidades na Petrobras

Documentos revelam que Paulo Roberto Costa intermediou interesses de grandes empreiteiras dividindo o lucro com políticos

Rodrigo Rangel e Hugo Marques



ARRECADADOR – O engenheiro Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras, tinha uma missão extraoficial conferida pelo partido que o indicou ao cargo, o PP: articulava com empresas e fornecedores da estatal ajuda financeira para campanhas políticas (Helia Scheppa/JC Imagem)

O macacão corta-fogo laranja com o nome impresso sobre o bolso, o logo com o nome da Petrobras em verde sobre fundo branco, o olhar confiante e o gesto firme apontando com precisão o objetivo. Tudo na foto ao lado transmite a ideia de um líder da empresa que orgulha os brasileiros, provavelmente um diretor técnico de alto calibre, um PhD em mineralogia ou um engenheiro premiado por inovações tecnológicas originais que ajudaram o petróleo a brotar mais facilmente das profundezas, contribuindo, assim, para aumentar dramaticamente o valor da companhia. As aparências enganam. A imagem ao lado já foi anexada ao melancólico histórico de corrupção no mundo oficial do Brasil. Ela viaja o mundo pelas agências noticiosas com o homem identificado na legenda como Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras preso pela Polícia Federal, personagem central do escândalo de pagamento de propinas a políticos.
A RELAÇÃO DOS COLABORADORES
Mendes Júnior – A anotação diz que o dono da empreiteira está “disposto a colaborar”. Procurada, a empresa informa que mantém contrato de prestação de serviços de engenharia com a Petrobras, mas desconhece a colaboração
UTC/CONSTRAN – A anotação informa que a empreiteira “já está colaborando”. A UTC afirma que desconhece a colaboração e que não comenta anotações de terceiros
ENGEVIX – A anotação diz que a empresa “já teve conversa com candidato”. A empreiteira assegura que desconhece tal lista e que suas doações eleitorais seguem a legislação
IESA – A anotação informa que a empresa “vai colaborar a partir de junho”. A companhia afirma que seu presidente da área de óleo e gás conhece Paulo Roberto Costa, mas não fez doações eleitorais
HOPE RH – A anotação diz que a empresa “já vem ajudando e vai ajudar mais a pedido do PR”. A prestadora de serviços na área de recursos humanos não respondeu aos questionamentos
TOYO-SETAL – A anotação diz que a empresa começa a ajudar “a partir de março”. A firma de engenharia naval também não respondeu
Na semana passada, vazaram as primeiras informações obtidas pelos policiais no exame ainda superficial da agenda, algumas planilhas e outros documentos apreendidos com Paulo Roberto Costa. O conteúdo é explosivo. Mas os investigadores que cuidam do caso dizem que se trata apenas de um pequeno trecho do propinoduto que o preso operava na Petrobras, tendo de um lado corruptores, do outro, corruptos e ele no meio fazendo a integração entre as duas partes do empreendimento criminoso.
De 2003 a 2012, o engenheiro Paulo Roberto Costa dirigiu a área de Abastecimento da Petrobras, que comanda um orçamento bilionário e lida com as maiores empresas do Brasil e do mundo. Pelo volume de dinheiro movimentado e os múltiplos interesses envolvidos, é o lugar perfeito para aninhar uma quadrilha de corruptos. A Polícia Federal descobriu que Paulo Roberto, um doleiro, políticos e prestadores de serviços estão interligados em um consórcio criminoso montado para fraudar contratos na Petrobras, enriquecer seus membros e financiar políticos e partidos.
Paulo Roberto Costa é o que em Brasília se chama de “indicado político”. É assim que ele aparece na ata de uma reunião com seus advogados pouco depois de sair da Petrobras. Está lá, em um dos recortes estampados na página 70 — escrito a mão por quem secretariou a reunião —, a preocupação extra dos causídicos com o fato de o doutor Roberto ter ocupado cargo de “indicação política” na Petrobras. Por essa razão seria muito arriscado ir adiante com o plano de abrir uma “offshore”, eufemismo para empresa-fantasma em algum paraíso fiscal. Em outro trecho, registra-se a recomendação de que, ele abrindo uma empresa, a “holding” deveria ser colocada em nome da mulher e das filhas. São típicos cuidados de quem está se metendo em um negócio obscuro, com finalidade não muito clara e, definitivamente, com o objetivo de ser mantido longe dos olhos das autoridades. Enfim, uma atividade típica de alguém que chegou a uma estatal ou órgão público não pela competência técnica, mas por “indicação política”.
Foi o Partido Progressista, o PP, uma das agremiações que apoiam o governo, que instalou Paulo Roberto Costa na estratégica diretoria da Petrobras. No que é um dos grandes contos de fadas do Brasil oficial, o papel do indicado político é explicado pela necessidade de os políticos terem quem resolva problemas paroquiais deles e dos eleitores. No caso do indicado político do PP na Petrobras, a explicação era que ele poderia eventualmente facilitar a outorga de uma autorização de funcionamento para um posto de gasolina. Só isso? No mundo da fantasia, sim. No universo da mentira tacitamente aceita como parte do jogo político, sim. Mas o homem do macacão laranja, do olhar confiante e gesto firme talvez nunca tenha sabido o que é preciso para abrir um posto de gasolina. Os documentos que a Polícia Federal encontrou em seu escritório começam a revelar as verdadeiras atividades de um sujeito que desembarca em uma estatal ou ministério como “indicação política”. Paulo Roberto Costa foi colocado na Petrobras para intermediar negócios entre empreiteiras e outras empresas com a estatal brasileira de petróleo e, assim, abastecer o propinoduto ligando corruptores a corruptos.
VEJA teve acesso ao material apreendido pela Polícia Federal. Ele revela os verdadeiros motivos por trás da disputa acirrada dos partidos para indicar um afilhado, um amigo ou um correligionário para um cargo público. As anotações na agenda do engenheiro apontam uma contabilidade financeira envolvendo políticos. Numa delas, Paulo Roberto registra o repasse, em 2010, de 28,5 milhões de reais ao PP, o partido responsável por sua indicação ao cargo. 
Para ler a continuação dessa reportagem compre a edição desta semana de VEJA no IBA, no tablet, no iPhone ou nas bancas.

Blog do Ricardo Setti- André Vargas continuará na campanha de Gleisi?


ANDRÉ VARGAS: Na mira da Polícia Federal renunciou à vice-presidência da Câmara, se licenciou como deputado… Mas continuará coordenando a campanha de Gleisi Hoffmann ao governo do Paraná?

Gleisi com o deputado envolvido com o doleiro preso: fica ou continua na campanha? (Foto: Gazeta do Povo)
Gleisi com o deputado envolvido com o doleiro preso: fica ou continua na campanha? (Foto: Gazeta do Povo)
Investigações da Polícia Federal na chamada “Operação Lava-Jato” identificaram o deputado André Vargas (PT-PR), então vice-presidente da Câmara, como atuando em sintonia com o doleiro Alberto Youssef na captação de verbas em projeto do Ministério da Saúde. Além disso, o deputado usou em janeiro jatinho fretado pelo doleiro para viajar de férias com a família.
A operação Lava Jato envolve atividade gravíssimas: deflagrada no dia 17 do mês passado, em Curitiba e outras 16 cidades do Paraná, de São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Distrito Federal, já levou a duas dezenas de prisões, inclusive à do doleiro.
A Polícia Federal informa estar atrás dos operadores de um mercado clandestino de câmbio no Brasil que envolve 10 bilhões de dólares e é responsável pela movimentação financeira e a lavagem de ativos de pessoas e empresas envolvidas em vários crimes — coisa do porte de tráfico internacional de drogas, corrupção de agentes públicos, sonegação fiscal, evasão de divisas, extração e contrabando de pedras preciosas e ladroagem de dinheiro público.
Apanhado segurando o pincel, o deputado André Vargas primeiro afirmou ser vítima de uma “campanha pela mídia”, o velho recurso petista de negar tudo quando se trata de bandalheira. Em seguida, decidiu tirar licença do mandato para cuidar de “interesses particulares” — a ponto de eu haver perguntado, aqui, se ele já não fazia isso, em seu envolvimento com o doleiro. Mais adiante, renunciou à vice-presidência da Câmara, oficialmente para “preservar a instituição”.
Está submetido a processo de cassação de mandato e a uma investigação interna no PT — esta, com certeza, resultará em nada. No final, acabarão dando uma medalha ao deputado, haja visto a verdadeira celebração que o partido faz com os mensaleiros condenados como criminosos.
De toda forma, um personagem como André Vargas não parece ser a criatura mais indicada para continuar coordenando a campanha da ex-chefe da Casa Civil da presidente Dilma Gleisi Hoffmann ao governo do Paraná, pelo PT.
O homem na mira da Polícia Federal continua ou não com aquela que foi o braço direito da presidente Dilma?
Gleisi é casada com o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo que, indagado a respeito, saiu de fininho:
– A Gleisi não tem campanha — alegou Bernardo, contra todas as evidências possíveis e imagináveis. — É só a partir de junho [que a campanha vai começar], portanto, não tem coordenação de campanha — jurou.
O PT promete realizar na semana que vem uma reunião para avaliar a situação de Vargas e seu papel na campanha eleitoral de Gleisi.
“Não sei se vai permanecer ou não na coordenação”, afirmou à Agência Estado o presidente do PT do Paraná, Ênio Verri. “Acredito que neste momento ele deve priorizar a defesa dele, o que acho natural. Consequentemente não terá tempo para ajudar na coordenação, essa é minha opinião” — o que é outra forma de sair de fininho.
Verri continuou: “O cenário muda, lógico, embora a posição do André é de não renunciar e fazer o debate com a sociedade sobre as acusações que está recebendo. Mas é cedo para dizer o que vai acontecer, a expectativa nossa é passar a Semana Santa, sentar e ver para onde nós vamos”.
Quanto a Gleisi, está quietinha.

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