quinta-feira, 17 de abril de 2014

Debandada de empresários na França: agredir os ricos é punir os pobres!

O socialista Hollande assumiu o governo francês com uma retórica contra os ricos. Socialistas tendem a acreditar que riqueza é algo estático, que economia é um jogo de soma zero e que, portanto, o pobre é pobre porque o rico é rico. O resultado é uma hostilidade aos ricos e criadores de riqueza em potencial, o que apenas prejudica os pobres.
À época, os liberais já diziam que essa mentalidade iria afugentar os empresários e piorar a situação econômica da França, já em frangalhos. Não deu outra. Em reportagem publicada no NYT e traduzida pela Folha, há relatos de vários empreendedores que se mudaram de lá e não pretendem voltar. Seguem alguns trechos:
“Muitas pessoas indagam: ‘Por que você saiu da França?’”, disse Santacruz, 29. “Minha resposta é que a França tem problemas demais. Há uma sensação de desânimo que parece estar aumentando. A economia vai mal, e, se você quiser progredir ou abrir seu próprio negócio, o ambiente não é bom.”
Um êxodo de empresários e de jovens está em curso, em um momento no qual a França mais precisa deles. O país teve baixo crescimento econômico nos últimos cinco anos, tendendo à estagnação, e aumento do índice de desemprego, atualmente em cerca de 11%.
Empresários ricos também estão partindo. Enquanto novatos reclamam das dificuldades para abrir um negócio, os que o conseguiram dizem que a sociedade estigmatiza o sucesso financeiro. A eleição do presidente François Hollande, membro do Partido Socialista que certa vez declarou: “Não gosto dos ricos”, não ajudou a desfazer essa impressão.
[...]
Segundo o Ministério de Relações Exteriores, cerca de 1,6 milhão dos 63 milhões de cidadãos da França vivem fora do país, e até 60% desse montante saíram a partir de 2000. Milhares estão indo para Hong Kong, Cidade do México, Nova York, Xangai e outras cidades. Aproximadamente 50 mil franceses moram no Vale do Silício, e 350 mil estão radicados no Reino Unido. Muitos dizem que provavelmente não voltarão.
Tudo isso é um tanto óbvio para os liberais, é o resultado esperado quando o governo ataca aqueles que criam riqueza. Mas a esquerda não entende isso, ou por ignorância, ou dominada pela inveja que prefere destruir os mais ricos em vez de ajudar os mais pobres.
Qualquer governo que pretende ajudar os mais pobres deve tratar bem os mais ricos e, acima de tudo, os empreendedores, os criadores de mais riqueza em potencial. O ambiente de negócios deve ser o mais amigável possível, com baixos impostos, tributação simplificada, confiança nas regras do jogo, segurança jurídica e física, sólidas instituições, e respeito à meritocracia, ou seja, haverá perdedores e vencedores no processo competitivo, e tais resultados devem ser respeitados.
Foi Ayn Rand, a filósofa e novelista russa, quem melhor resumiu a questão. Em um discurso sobre o dinheiro, ela coloca na boca de seu personagem: “Não espere que eles [empresários] produzam, quando a produção é punida e a pilhagem recompensada”. Diz Rand:
“Quando você perceber que para produzir precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em autossacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada”. 
Como a França de Hollande comprova uma vez mais, o jeito mais fácil de se criar pobreza é agredir os ricos. Quer melhorar a vida dos mais pobres? Então é bom começar a tratar bem os mais ricos…
Rodrigo Constantino

Caio Blinder- Cinco cenários ucranianos

Ainda antes do início das operações militares do governo ucraniano contra separatistas pró-russos na terça-feira, o tarimbado Ian Black, do jornal britânico The Guardiantraçou cinco cenários da crise. Material didático entregue de bandeja para o Instituto Blinder & Blainder, que passa aos leitores com alguns ajustes. Então, lá vai:
Uso de força pelo governo ucraniano
Com a concretização da ameaça do uso de força pelo governo ucraniano (finalmente) contra os separatistas pró-russos, agora existe o risco de violência em larga escala e, no cínico alerta de Moscou, de guerra civil. Com a escalada de violência, podem ocorrer a suspensão da Constituição e o adiamento das eleições presidenciais de 26 de maio. Confirma-se assim o quadro de desestabilização do país, algo que não deve deixar ninguém chocado, apesar do lamento hipócrita em Moscou.
Intervenção direta russa
Com a anexação da região ucraniana da Crimeia em março, a Rússia tem garantido que não intenciona mandar tropas para a Ucrânia. Não convém a Vladimir Putin iniciar uma guerra, embora o Parlamento em Moscou o tenha autorizado a intervir militarmente caso os interesses russos sejam ameaçados. Putin antecipou que estes interesses incluem proteger quem fala russo na Ucrânia, embora a maioria dos falantes sejam ucranianos étnicos.
A intervenção pode seguir o figurino familiar de responder a um apelo fabricado por ajuda de “compatriotas” em nome de “federalização”. No entanto, uma plena invasão parece problemática. Forças ucranianas estão em melhor posição do que na Crimeia, onde as unidades russas já estavam estacionadas. Ademais, no leste o entusiasmo por uma intervenção russa é bem menos intenso do que na Crimeia. Há até 40 mil soldados russos na fronteira, mas até onde for possível a opção preferencial de Moscou será por ações clandestinas, embora as negativas de envolvimento sejam cada vez menos plausíveis. O objetivo essencial russo ainda é impedir a realização ou a legitimidade das eleições de 26 de maio.
Sanções ocidentais mais duras
Este cenário é altamente provável. Os EUA deixaram claro que as sanções serão incrementadas contra Moscou se as ações militares pró-russas continuarem. Sanções em energia, mineração e setor bancário estão na mesa. O Banco Central russo já admitiu uma saída de US$ 63 bilhões de capital no primeiro trimestre. O problema são as divisões europeias: a Alemanha depende de gás russo, a França tem contratos militares com Moscou e há pesados investimentos russos na indústria financeira britânica. Se a Rússia não for pega em flagrante com sua intervenção militar, será difícil uma resposta europeia mais vigorosa.
Intervenção da Otan
Extremamente improvável. A aliança militar ocidental tem expressado de forma intensa sua preocupação com a crise ucraniana, definida por seu secretário-geral, Anders Rasmussen, como o “maior desafio à segurança europeia em uma geração”. Ele não cessa de advertir sobre as “graves consequências” se houver uma invasão russa. Muito teatro. A Otan precisa falar grosso após ter fracassado para impedir a anexação da Crimeia. E, muito importante, precisa reassegurar seus integrantes na Europa Oriental, especialmente os três pequenos países bálticos (Lituânia, Letônia e Estônia) sobre os compromissos para defendê-los. Aliás, medidas neste sentido foram anunciadas na quarta-feira por Rasmussen. A cooperação com a Rússia foi suspensa, mas não há perspectiva da Otan iniciar  uma guerra de forma deliberada.
Opções diplomáticas
Ian Black admite que numa situação complexa e volátil é difícil prever o day after. De qualquer forma, negociações estão programadas para quinta-feira, em Genebra, com a participação de Rússia, EUA, União Europeia e Ucrânia. Black avalia que a desestabilização no leste ucraniano fortalece a agenda russa por uma solução política palatável a seus interesses nestas negociações em Genebra, assim como aos interesses dos grupos pró-russos na Ucrânia por mais autonomia.
Vamos ver. Um day after do outro e os dias no momento são de opções militares, de extensões ainda indefinidas.
***

Para investigar Dirceu, promotora pede quebra de sigilo do Congresso e do STF

Uma investigação disciplinar sobre o mensaleiro José Dirceu pode –  a depender de uma promotora do Ministério Público do Distrito Federal – resultar na quebra de sigilo de aparelhos celulares utilizados não só no Palácio do Planalto, mas também no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Congresso Nacional. Durante a apuração sobre um possível telefonema dado por José Dirceu de dentro do presídio da Papuda, a promotora Márcia Milhomens Sirotheau Corrêa pediu à Vara de Execuções Penais do Distrito Federal que obrigue as companhias telefônicas a fornecer dados captados por antenas de telefonia móvel na área da Esplanada dos Ministérios. O pedido, incomum em investigações do tipo, causou reação da Advocacia-Geral da União.
José Dirceu teria conversado por telefone com o secretário da Indústria da Bahia, James Correia, em janeiro. Se confirmada, a conversa configura uma infração disciplinar e pode implicar a perda de benefícios do mensaleiro. Preso no regime semiaberto, Dirceu ainda não obteve o direito ao trabalho externo justamente por causa da apuração sobre o telefonema.
A sindicância aberta pelas autoridades penitenciárias do Distrito Federal não comprova a conversa de Dirceu com James Correia. Por isso, alegando que as providências administrativas foram “insuficientes”, a promotora solicitou a quebra do sigilo telefônico com base em coordenadas geográficas. O problema é a dimensão da área atingida: a promotora pede que as cinco principais operadoras de telefonia móvel informem as chamadas efetuadas e recebidas na por meio das Estações de Rádio Base (ERBs), que captam os sinais de duas áreas identificadas por Márcia Milhomens. Uma corresponde ao presídio da Papuda, onde está Dirceu. A outra é a do Palácio do Planalto. O período citado vai de 1º a 16 de janeiro.
Já se sabia que a promotora havia incluído o Paláco do Planalto na lista de alvos da quebra de sigilo telefônico dos aparelhos móveis. Mas, como relatou o jornal Folha de S. Paulo na edição desta quinta-feira, as ERBs da área também captam os sinais de ligações feitas no Congresso Nacional, no Supremo Tribunal Federal e em outros prédios da Esplanada dos Ministérios. 
"Considerando que a falta disciplinar imputada ao sentenciado José Dirceu de Oliveira e Silva diz respeito ao uso indevido de  aparelho celular no interior da unidade prisional em que se encontra, verifica-se a necessidade de confronto entre as ligações realizadas pelos aparelhos de telefonia móvel que se encontravam no presídio e pelos aparelhos de telefonia celular que se encontravam no estado da Bahia, no mesmo período de tempo”, justificou a promotora no pedido. Ela não explica porque incluiu a área da Esplanada na requisição.


A Advocacia-Geral da União reagiu contra o pedido da promotora e apresentou uma queixa disciplinar contra Márcia Milhomens ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). O argumento é o de que ela teria ultrapassado suas atribuições legais ao pedir os dados de telefonemas feitos na Praça dos Três poderes.

Assessor petista que hostilizou Barbosa saiu de licença médica para ir ao Rock in Rio

Horas depois de o site de VEJA questionar o gabinete sobre sua misteriosa doença, militante anunciou sua demissão pelo Facebook

Gabriel Castro, de Brasília
Rodrigo Grassi Cademartori pediu afastamento médico da Câmara dos Deputados para ir ao Rock in Rio
Rodrigo Grassi Cademartori pediu afastamento médico da Câmara dos Deputados para ir ao Rock in Rio (Reprodução Facebook)
Rodrigo Grassi Cademartori, o assessor parlamentar petista que hostilizou o ministro Joaquim Barbosa na saída de um bar na capital federal, pediu demissão do cargo. Ele fez o anúncio horas depois de o site de VEJA procurar o gabinete da deputada federal Érika Kokay (PT-DF) para perguntar sobre a misteriosa doença que o motivou a tirar uma licença médica em setembro do ano passado. Afastado por duas semanas da Câmara, alegando razões de saúde, ele viajou ao Rio de Janeiro para assistir ao Rock in Rio.
O próprio militante petista fez o anúncio de sua demissão em seu perfil no Facebook, na noite desta quarta-feira. A deputada Érika Kokay (PT-DF), em cujo gabinete Cademartori trabalhava, confirmou ao site de VEJA o pedido de exoneração. 
Rodrigo Cademartori Grassi, o Rodrigo Pilha, ficou famoso depois de perseguir e hostilizar o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, em Brasília. Esse foi apenas o evento mais notório de um currículo recheado de tentativas de intimidação – entre as vítimas, está a blogueira cubana Yoani Sánchez. 
Lotado no gabinete de Érika Kokay, ele parecia exercer unicamente a função de perseguir qualquer um que não se identificasse com as bandeiras do petismo. Mas o empenho do inquisidor em favor da moralidade pública parece não ser legítimo.

Entre 12 e 25 de setembro do ano passado, Rodrigo esteve afastado do trabalho por razões de saúde. É o que comprova o boletim administrativo da Casa.


Rodrigo “Pilha” pede afastamento médico para ir ao Rock in Rio 
















Na iniciativa privada, um afastamento de duas semanas somente ocorre quando o empregado é acometido por uma doença de certa gravidade. Mas doença grave seguramente é o que Rodrigo não tinha naqueles dias de setembro. Discrição, tampouco. Só foi possível reconstituir a história a seguir porque o assessor de Érika Kokay é obcecado por se exibir na internet.
Em 13 de setembro, já de licença médica, Rodrigo organizou um lual em sua casa e exibiu fotos do freezer recheado de cerveja. Era só um preparativo para o que viria. No dia 18, uma quarta-feira – dia cheio na Câmara dos Deputados – ele embarcou para o Rio de Janeiro para assistir ao festival Rock in Rio. “Mala pronta, violão, identidade e ingressos na mão ! Rock in Rio 2014, aí vai o Pilha!”, entusiasmou-se, em uma publicação no Facebook.

Nos dias seguintes, Rodrigo exibiu novas fotos no festival, ao lado de um grupo de amigos. Em uma das imagens, ele aparece com um grande copo de cerveja na mão. Tudo isso, claro, no período em que ele alegava estar impossibilitado de exercer seu cargo como funcionário público.

A visita ao Rio de Janeiro também incluiu pelo menos um dia na praia (devidamente documentado e exibido nas redes sociais). O dia ainda, foi encerrado com um jogo no Maracanã: Rodrigo assistiu à partida entre Fluminense e Coritiba. Ele próprio fez questão de registrar o momento em fotos e em um vídeo no qual aparece gritando e gesticulando. Perfeitamente saudável. E a hipótese de uma cura miraculosa seguida de uma súbita decisão pela viagem ao Rio de Janeiro deve ser descartada porque os ingressos para o Rock in Rio estavam esgotados desde abril. Ou seja, Rodrigo teve um tempo bastante hábil para 'programar' sua licença médica de forma que coincidisse com o festival de música. 
A deputada Érika Kokay diz se lembrar do pedido de licença médica, mas afirma que não pode revelar qual foi o motivo alegado pelo funcionário: "Isso é sigilo médico. Não sei como você tem coragem de perguntar", diz ela. A petista também garante que o pedido de demissão foi feito antes de VEJA apontar as incongruências na licença médica solicitada por Rodrigo.

ALEXANDRE GARCIA- A COPA E O COPO




A menos de dois meses da abertura da Copa, o SPC(Serviço de Proteção ao Crédito) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, fizeram uma pesquisa entre pequenos empresários de sete das 12 capitais que vão receber jogos. Descobriram que 63%  dos comerciantes - ou sejam dois em cada três, não pretendem aumentar o estoque, nem contratar mais funcionários e muito menos enfeitar a loja com as cores da seleção brasileira. Para eles não haverá oportunidades de venda por causa do certame de futebol. Confesso que essa mesma ausência de entusiasmo eu constato em todas as pessoas com quem me relaciono, embora isso não seja uma amostragem segura.
O que eu noto é que o copo da paciência já encheu e transborda. As pessoas, com aquele espírito das manifestações de junho, se perguntam em quanto isso vai ajudar, a não ser a FIFA. É um grande evento comercial que prioriza o futebol e desvia dinheiro que poderia estar sendo empregado em saúde, educação, estradas e em outras atividades que realmente sejam perenes e estimulem o crescimento. Ganhamos segurança, dirão alguns. Sim, segurança para a Copa, como foi para os jogos panamericanos no Rio ou a Copa das Confederações no ano passado. De lá para cá as estatísticas de sequestros, assaltos e homicídios continuam inflando.
         Mas temos os aeroportos reformados. Independentemente de Copa, nossos aeroportos estavam - e estão - defasados, atrasados, antiquados, sem acompanhar o ritmo da demanda no país sem sistema ferroviários de passageiros.  Sejam bem-vindos os aeroportos modernizados. Pena é que  a atividade econômica pode ser prejudicada com paralisações nos dias dos jogos, sem contar a suspensão de aulas nas escolas. Lembro-me da Copa de 1950, em que nada parava no Brasil. Nem mesmo os campeonatos regionais de futebol. Na final entre Brasil e Uruguai, eu estava ao lado de meu pai, que transmitia um jogo da segunda divisão, em Lajeado.
O próprio público já manda avisos. No Rio de Janeiro, o campeonato estadual deste ano teve uma média de 2.509 pagantes por partida. Enquanto isso, a reforma do Maracanã - o ícone do futebol brasileiro - orçada para 705 milhões, ficou em 1,2 bilhões de reais. Na capital do país, onde se gastaram 2 bilhões de reais para reconstruir um estádio orçado em 600 milhões, a média de pagantes no campeonato local é de 1.025 por partida. Um dos jogos chegou a ter nove pagantes - havia mais jogador em campo do que público nas arquibancadas. Nesta semana, a FIFA reabriu a venda de ingressos para a Copa - sinal de que ainda tem muita cadeira vazia. Mas como a bola já está em campo, agora é tudo fazer para conseguir tirar proveito do evento.

Economia frouxa

CELSO MING - O Estado de S.Paulo
O produto e a renda avançam muito devagar, como mostrou ontem a baixa evolução do Índice da Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) - veja o gráfico.
Outros indicadores reforçam essa percepção. As vendas no varejo também estão mais fracas, como o IBGE apontou na terça-feira, e a indústria está atolada em estoques, como relatam os jornais. Mas, neste momento, o governo vê esse quadro meio parado até com certo alívio.
É que, neste início de ano, o principal inimigo deixou de ser o baixo crescimento e passou a ser a inflação. Ela caminha para o estouro do teto da meta (de 6,5% ao fim de cada ano), mesmo depois que o Banco Central puxou os juros básicos (Selic) em 3,75 pontos porcentuais ao ano em apenas 11 meses.
Ontem, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, deu a entender que têm como bem-vindos "a moderação no PIB de serviços e o crescimento menor do que o esperado na indústria". Já na Ata do Copom, divulgada há uma semana, ficou dito que uma economia mais chocha ("níveis de confiança relativamente modestos") melhora a eficácia da política de juros.
Ou seja, diante da atividade econômica mais fraca, o Banco Central tem um motivo adicional para encerrar o ciclo de alta dos juros, que já estão nos 11% ao ano e deixam impacientes setores do governo, porque, embora aumente o custo da dívida pública, a política monetária não está mostrando serviço.
A desaceleração da produção ainda não passa a certeza de que o aperto monetário vá parar por aí. Nem que, se parar, não tenha de ser retomado mais adiante, porque ainda há muita inflação a combater, especialmente quando aumenta a percepção do eleitor que seu poder aquisitivo vem sendo achatado.
E aí pega fogo a discussão sobre se a política de juros funciona ou não, num caldo de cultura em que muitos já não põem fé no sistema de metas de inflação.
Ontem, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton de Araújo, reconheceu que hoje é preciso mais carga de juros para combater a alta de preços em comparação à com a que era necessária há alguns anos. Para explicar essa perda relativa de eficácia da política monetária, Hamilton apontou para "as trajetórias de consumo do governo, o crédito direcionado e os preços administrados". É um jeito meio desidratado de dizer que o governo está engessando o ferrão do Banco Central, na medida em que gasta demais, obriga os bancos a desviar boa parte dos seus recursos para determinados segmentos e porque represa preços importantes, como os da energia e dos combustíveis. Ou seja, para esses redutos da economia, tanto faz aumentar, reduzir ou deixar os juros onde estão, porque o governo, por outros meios, determina outra coisa. Assim, se é para derrubar a inflação, a dose dos juros tem de ser maior.
Os próprios diretores do Banco Central também não sabem ao certo até onde têm de apertar a política monetária. Não têm outra saída senão seguir nos procedimentos de tentativa e erro para conferir depois se a dose do remédio foi correta para o tamanho da doença.

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