domingo, 20 de abril de 2014

Os ingleses têm Osborne, mas nós temos o Mantega!

Dificilmente um ministro das Finanças, o homem da mala, que precisa dizer “não” a todos os políticos ansiosos por mais gastos, será muito popular se for eficiente. Seu papel é mesmo ingrato. Em entrevista a Veja desta semana, o ministro das Finanças britânico, George Osborne, do Partido Conservador e segundo homem mais importante do governo, reconhece que não se pode olhar para a popularidade quando é preciso cortar gastos. Segue um trecho da entrevista:
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Absolutamente correto! Mas exige coragem passar a tesoura e assumir a fama de impopular. Agora, se é verdade que o bom ministro das Finanças será um tanto impopular, o contrário nem sempre é verdadeiro. Ou seja, ministros bastante impopulares não necessariamente serão bons. É o caso de nosso ilustre Guido Mantega, impopular (acima de tudo perante os investidores), mas medíocre em sua gestão, para dizer o mínimo.
Mantega é popular apenas entre os governantes que adoram um cofre aberto. Durante algum tempo foi possível gerar resultados satisfatórios, ainda que insustentáveis. Mas a conta chegou, a economia não cresce, e a inflação permanece muito elevada. Mantega, atuando mais como marionete da presidente Dilma do que como responsável pela chave do cofre, não levou em conta o “bem-estar dos cidadãos”, preferindo se deixar seduzir pelos afagos do poder.
Se Osborne não quer que digam que não teve coragem de tomar as medidas certas por serem impopulares, Mantega sem dúvida não poderá desejar o mesmo, pois sabe, no fundo, que toma as medidas erradas, ainda que nem assim consiga ser popular, pois o modelo já se esgotou. O pior dos mundos para um ministro das Finanças: populista, mas impopular.
Rodrigo Constantino

O projeto do PT é não ter projeto nenhum

Em sua coluna na Veja desta semana, J.R. Guzzo fez um ótimo resumo do “projeto” do PT: não ter projeto nenhum, à exceção de não largar o osso. São como ratos magros que descobriram um enorme depósito de queijo, e agora que se esbaldaram e engordaram, não abrem mão por nada desse mundo de seu privilégio. Segue um trecho:
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É contra isso que todos os brasileiros decentes estão lutando: um bando que se agarrou às tetas estatais e suga nossos recursos com cada vez mais vontade. São muitas boquinhas para alimentar, e o rato tem muita fome. Projeto de país? Esquece! Enquanto for possível preservar as tetas para si, o bando fará “o diabo” para continuar no poder. E ainda tem gente que acha que o PMDB é o maior ícone dessa voracidade fisiológica…
Rodrigo Constantino

É a ideologia, estúpido! Ou: O Petróleo é nosso, mas a Petrobras é deles

Todos já estão cansados de escutar a famosa afirmação de um assessor de Bill Clinton: “É a economia, estúpido!” Ele queria dizer, com isso, que as eleições e, portanto, os rumos de uma nação são definidos pela situação econômica. Não vou negar que o bolso influencia, e muito, mas não determina. O ambiente de crenças e valores é tão ou mais importante. A longo prazo, sem dúvida muito mais importante.
O que poderia nos levar a substituir a afirmação por esta: “É a ideologia, estúpido!” Quando boa parte do povo abraça uma ideologia – um conjunto de crenças – equivocada, não há como fazer milagre e colocar o país na trajetória da prosperidade sustentável. Quando o capital é crucificado, o lucro visto como pecado, o empresário como explorador, e o estado como messias salvador da Pátria, sai de baixo!
Em sua coluna de hoje na Folha, Reinaldo Azevedo vai por essa linha ao afirmar:
Na quarta, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou relatório de Roberto Requião (PMDB-PR) proibindo a doação de empresas privadas a campanhas eleitorais. Segundo o senador, aceitá-la corresponderia a acatar a “legitimidade da influência do poder econômico no processo eleitoral e, por consequência, no resultado das eleições”. Com muito mais fru-fru, glacê e gongorismo igualitarista, é o que pensa o ministro Roberto Barroso, do STF.
[...]
A trilha persistente do atraso remete mesmo a uma palavrinha fora de moda, cujo sentido tanto a direita como a esquerda tentaram e têm tentado esvaziar: ideologia. Não há nada de errado com o clima. Não há nada de errado com o povo. Não há nada de errado com a história – todas as nações têm a sua, e o passado, visto à luz das conquistas morais do presente, nunca é meritório. Catastróficos por aqui são os valores que explicam a realidade e que, em larga medida, buscam substituí-la.
O que é aquilo na fala de Requião? Ele jamais vai entender que sonhos de justiça corromperam e mataram mais do que o capital. Talvez tenham salvado mais também. Não são termos permutáveis. Pensem na casa da mãe Dilmona em que se transformou a Petrobras.
Ideias têm conseqüência. Requião, por exemplo, endossa as mais atrasadas que existem, um nacionalismo tacanho que mais parece xenofobia a tudo que vem de fora, e que serve como desculpa para privilegiar alguns poucos amigos do rei à custa do povo brasileiro. A “Lei da Informática” foi filhote dessa crença absurda. “O petróleo é nosso” é outro slogan parido dessa mesma ideologia.
Resultado: por questões ideológicas, governantes corruptos contam com a maior empresa estatal disponível para todo tipo de esquema de desvio de recursos. Vamos proibir o financiamento de empresas a campanhas, mas vamos preservar as estatais que servem como cabide de emprego para os companheiros e caixa dois para propagandas partidárias e enriquecimento ilícito! Reinaldo Azevedo resume da forma mais objetiva possível:
Parece evidente que Paulo Roberto Costa, o ex-diretor que está em cana, usava, sim, a empresa em proveito próprio, mas fazia também a corretagem a serviço de partidos. Só um idiota ou um rematado canalha (ou ambos num só) não reconhecem que, se a Petrobras fosse uma empresa privada, pagaria menos pelos serviços que contrata porque não seria preciso pagar o “Imposto Corrupção”.
Venham cá: por que um partido político faz tanta questão de ter a diretoria de uma estatal? Para que suas teses sobre refino de petróleo ou hidrologia triunfem sobre as de seus rivais? Trata-se de uma luta de cavalheiros? Disputam as estatais para alimentar a República dos Ladrões. É cru, eu sei, mas é assim. E Requião, Barroso e outros sábios decidiram que a doação legal de campanha é que faz mal à democracia brasileira.
A quem tem interessado essa ideologia nacionalista e estatizante? Com certeza não ao povo brasileiro, que tem observado passivamente o desmonte da maior empresa do país, mergulhada em escândalos de corrupção, enquanto continua tendo de importar petróleo e derivados em quantidade cada vez maior. Azevedo conclui: “Afinal, o Petróleo é nosso, mas a Petrobras é deles”. É a ideologia, estúpido! A solução? Privatize Já!
Rodrigo Constantino

Belluzzo: como destruir o Brasil

Em uma longa entrevista ao Estadão, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo mostra por que o Brasil é um país que não avança: gente com esse tipo de mentalidade econômica, parida em lugares como a Unicamp, predomina no debate nacional sobre a área.
Sim, é verdade que até mesmo Belluzzo, próximo do governo, faz críticas (agora – mas nós sabemos o que você fez no verão passado!) à gestão de Dilma. Diz coisas como ”é preciso dar mais peso ao investimento do que ao consumo e elevar a meta de superávit primário”. Mas não se enganem: estamos diante de um típico economista arrogante, que acredita na economia como um organismo a ser controlado de cima para baixo, por “esclarecidos” como ele.
Entre as estratégias que defende está o fortalecimento da Petrobrás, que pode contribuir com a reindustrialização, e a permanência da política de campeões nacionais. Luciano Coutinho, à frente do BNDES hoje, não poderia concordar mais. E é o mesmo Coutinho que, na década de 1980, aplaudia excrescências como a Lei da Informática, que jogou o país no atraso tecnológico.
Sobre a inflação, Belluzzo simplesmente desconhece suas origens, e finge não ter sido negligente antes, quando vários economistas liberais já apontavam para os equívocos de Dilma e do Banco Central, alertando que haveria mais inflação à frente. Diz ele:
Hoje o Brasil tem dificuldade para lidar com o regime de metas e para colocar a inflação na meta. Ouço muita gente dizer: vamos fazer uma recessão e colocar a inflação na meta. Pensar isso é ótimo, mas você vai ter que enfrentar as consequências políticas.
Cômodo falar isso agora, quando uma recessão passou a ser praticamente a única forma de conter a inflação produzida pelos erros do governo, sob os aplausos do próprio Belluzzo. Nessa outra passagem, Belluzzo demonstra a arrogância e a crença de que cabe ao Estado ser a locomotiva do crescimento, desprezando a classe empreendedora brasileira e ignorando que ela não faz mais justamente pelos obstáculos criados pelo próprio governo:
Crédito vem do latim credere, crença. A questão da confiança é importante e não é calculável. Lá na China, o Estado tem o comando da economia e autonomia para tomar decisões. Mas aqui no Brasil, o Estado não tem essa autonomia. Tem a restrição de ter de fazer o jogo de convencimento para virar as expectativas do mercado ao seu favor. Não adianta querer subir na parede contra isso porque sempre foi assim. E pesa ainda o fato de o Brasil não ter uma classe empresarial parecida com a americana e com a inglesa. Aqui você precisa lidar com o problema de uma economia que não inova, que precisa de incentivo do Estado. A construção desse espaço de confiança é importante.
Belluzzo idealiza o modelo chinês pelo visto, esquecendo-se de que lá a economia só deslanchou quando o estado saiu um pouco da frente da iniciativa privada. Mas Belluzzo inverte tudo ao afirmar: “Achei engraçado que um jornal publicou que a china tinha desacelerado de 7,5% para 7,4%. O Estado atua sobre o crescimento da China e ele não vai ficar abaixo disso”. Os problemas da China é que se devem ao excesso de intervenção estatal, não a parte que vai bem.
Outro sinal de arrogância autoritária veio quando o assunto foi controle de capitais:
O senhor está defendendo o controle de capitais?
Luiz Gonzaga Belluzzo- Claro. Temos de ter o controle de capitais como outros países. Recentemente, o Fundo Monetário Internacional publicou um documento importante sobre essa questão do controle de capitais dizendo, claro, que o controle de capitais não é desejável em si mesmo, mas é preciso que se tenha a capacidade de dirigir a entrada de capitais de forma a te beneficiar. Muitos países já fizeram isso. Não é nenhuma heresia econômica. O que é inconveniente é ter momentos de euforia e depressão.
O que espanta não é exatamente a mentalidade de Belluzzo. O que espanta mais é o fato de o Brasil insistir tanto nesses modelos e dar tanto crédito e espaço a economistas cujo histórico de acertos é quase nulo! Por que tanta insistência no fracasso? Por que os “desenvolvimentistas” (ainda que não desejem o rótulo, é o que são) da Unicamp ainda recebem tanta atenção? Isso é espantoso, e diz muito sobre nossa incapacidade de realmente progredir.
Nivaldo Cordeiro fez um bom resumo da coisa:
A entrevista do Belluzzo é escandalosa. Me parece o verdadeiro formulador do PT. Ele e a Unicamp. Confusão mental e maldade juntas. Vai quebrar. Seguidores do Belluzzo hoje dominam o Estado de cima a baixo. Basta ver quem está nos postos de mando. A confusão mental virou epidêmica. O PT é Belluzzo e Unicamp. Enquanto estiverem no poder farão experimentos deletérios com os brasileiros. Estão degradando tudo. Vai quebrar. A entrevista do Belluzzo é uma salada indigesta de conceitos confusos. Percebe-se a arrogância de quem acha que sabe tudo. Dá pena. E dá medo. Dentro de uma universidade séria o discurso do Belluzzo seria ridicularizado. Mas o PT o fez consultor privilegiado na formulação da política. Admito: a política econômica do PT não é apenas ridícula e confusa. Ela é destrutiva. Formulada por gente como Belluzzo.
Seria muito melhor para o país, ainda que não para os torcedores do Palmeiras, se Belluzzo cuidasse apenas de assuntos ligados ao futebol…
Rodrigo Constantino

Janer Cristaldo- Deuses precursores 2

AGNI E MITRA 

Segundo a autora, encontramos mais um mito precursor nos Veda, os livros sagrados da Índia revelados pelo próprio Brahma e compilados por Vyasa, que datam do século XIV antes de nossa era. Traduzo.

Agni nasceu no 25 de dezembro, solstício de inverno, tendo sido sua vinda anunciada ao mundo por uma estrela no firmamento. Desde então, quando reaparece, os sacerdotes anunciam a boa nova ao povo e repetem o rito do descobrimento do fogo, esfregando os lenhos cruzados, até que surge a chispa como uma criatura celestial que colocam sobre palhas para que prenda fogo. Os sacerdotes levam até o berço de palha uma vaca que leva a manteiga e um asno que leva o soma, um licor alcoólico de cor dourada, com os quais alimentam a pequena chama, à qual chamam criatura.

No ritual, os sacerdotes lhe oferecem pão e vinho e cada fiel recebe uma pequena partícula da oferenda, que contém parte do corpo de Agni, nome que se transformou em Agnus, cordeiro em latim, no contato com o povo romano. O cordeiro que se oferece a Deus como vítima propiciatória pela redenção dos homens, o cordeiro de Deus, Agnus Dei.

O nome de Agni significa “unção”, que em grego se diz “cristnos”, de onde procede “cristo”, o “ungido”, o Messias judeu e cristão dito em grego, porque em hebraico se mashiakh, que se translitera como messias. Os dois lenhos cruzados são a cruz onde se gera o fogo, o Sol, que é a origem do deus segundo o dogma ariano de uma trindade composta pelo Sol, pai celeste; o fogo, encarnação do Sol e o espírito, sopro de ar que acende a chama.

Nos conta a autora que a Índia teve um outro deus, não tão importante, mas que passou ao panteão persa – e depois ao romano – com todas as características de um deus principal. Seu nome era Mitra, também chamado o Senhor, e fez nascer com suas flechas a fonte eterna do batismo, já na Pérsia. Nasceu de mãe virgem, em um 25 de dezembro, a festa mais importante da religião dos magos persas. Seu nascimento foi anunciado por uma estrela que apareceu no Oriente e os magos acudiram a adorá-lo, levando-lhe perfumes, ouro e mirra. Mitra morreu no equinócio da primavera, em março, para ressuscitar triunfante no terceiro dia.

Na religião mitraica, que primeiro foi hindu, logo persa e finalmente foi adotada por Roma como religião oficial, Mitra, que originalmente foi o ministro principal do deus Ormuz, venceu o touro que simbolizava a vida, arrastou-o a uma cova e lá o degolou para beber seu sangue, porque de seu sangue surgiu a vida e de sua carne se originaram todos os animais e todas as plantas. Por isso, Mitra se converteu em criador do universo e, ao mesmo tempo, em mediador entre Ormuz e o ser humano. Os ritos de iniciação nos mistérios de Mitra incluíam batizar o neófito com sangue de touro sacrificado em um lugar mais elevado, de onde o sangue manava para banhar o iniciado. A iniciação começava com o batismo e terminava com a comunhão, em que se consumia a carne do touro com água, pão e vinho. O pão e o vinho se consagravam previamente com uma fórmula mística que os converteria em corpo e sangue do deus. O culto de Agni surgiu 1400 anos antes de nossa era. Qualquer semelhança com aquela outra história não é mera coincidência.

Janer Cristaldo- OS DEUSES PRECURSORES

1. JEZEUS CRISTNA 

Livro que recomendo para estes dias em que se celebra a morte infamante do Cristo:Pablo de Tarso, ¿Apóstol o Hereje?, da espanhola Ana Martos. Apesar de alguns lapsos, como falar da existência de três reis magos na Bíblia – o Livro fala apenas de magos, jamais diz que são reis e muito menos que são três – Martos faz importantes reflexões sobre as origens do cristianismo e sobre a heresia de Paulo. 

Para começar, segundo a autora, os poemas e livros sagrados hindus, que narram o mito do primeiro casal que desobedeceu e foi expulso do paraíso terrenal do Ceilão, afirmam que Brahma finalmente os perdoou, mas que, posto que era um deus, conhecia de sobra a natureza humana e soube de antemão que continuariam pecando e ofendendo-o, porque o mal já havia entrado no mundo e não era fácil tirá-lo dali. Por isso, decidiu enviar Vischnu, a segunda pessoa da Trindade, para que se encarnasse no ventre de mulher mortal e redimisse o gênero humano do mal e da morte eterna. Vischnu se encarna mais de uma vez. Sua oitava reencarnação foi Cristna, e a nona, Buda. 3500 anos antes de nossa era, Cristna nasceu de mãe virgem, tendo sido profetizada sua vinda ao mundo pelos livros santos. Acho que o leitor já conhece história semelhante.

Adelante! A concepção da mãe de Cristna foi marcada pelo divino. Vischnu apareceu em sonhos a uma mulher justa e boa chamada Lakmy, que esperava um filho, advertindo-a que daria luz a uma filha, que seria eleita por Deus para ser mãe do futuro redentor do mundo. A criança deveria chamar-se Devanaguy e não deveria conhecer varão, mas permanecer virgem e entregue à oração.

Anos depois, Cristna foi concebido milagrosamente durante uma cena mística, na qual Devanaguy entrou em êxtase enquanto orava fervorosamente, ofuscada pela luz e esplendor do espírito divino que se encarnou em seu ventre. Mas Rausa, tirano e tio de Devanaguy, foi advertido em sonhos de que a criança que nasceria de sua sobrinha o destronaria algum dia e a encerrou em uma torre.

Nove meses depois chegou o momento esperado do parto e, ao primeiro gemido de dor da parturiente, um forte vendaval a elevou milagrosamente e a transportou até a cova do pastor Nauda, onde nasceu um menino a quem deram o nome de Cristna.

Todos os pastores acudiram a adorá-lo e a atender a mãe e o filho, mas Rausa soube que a criança havia nascido fora de sua prisão e, enfurecido, mandou degolar todos os meninos que tivessem nascido naquela noite. Devanaguy recebeu a advertência celestial e fugiu com o menino para colocá-la a salvo da degola, quando os soldados do tirano se aproximavam perigosamente.

Passaram-se os anos e Cristna, a criança celestial, cumpriu dezesseis. Chegou então o momento de abandonar a proteção materna para percorrer a Índia e predicar uma nova moral. Uma moral que a todos impactou, porque se atreveu a proclamar a igualdade entre os homens e inclusive, com coragem, entre as castas hindus, algo que ninguém até então havia sido capaz de mencionar. E não só isso, mas também pôs em destaque a hipocrisia dos sacerdotes brâmanes, o que lhe valeu sua ira e suas contínuas perseguições.

Quando foi necessário, Cristna realizou o milagre de curar enfermos e leprosos, fazer andar os paralíticos, devolver a visão aos cegos e inclusive ressuscitar os mortos. Muita gente o seguiu porque sua doutrina falava de bondade, de ajudar e amar-se mutuamente e de socorrer os frágeis e inválidos. Ensinou que é preciso amar aos demais como a si mesmo, que é melhor devolver bem por mal e que a melhor forma de viver é praticar a caridade e todas as virtudes.

Disse ter vindo ao mundo para redimir os homens do pecado de seus primeiros pais, rodeou-se de discípulos que continuariam seu trabalho e ensinou sua doutrina através de parábolas. Certa ocasião, Cristna teve de repreender o principal de seus discípulos, Ardjuna, por sua escassa fé, já que ele e outros seguidores entraram em pânico quando sentiram aproximar-se os esbirros do tirano. Mas Cristna soube infundir neles novo ânimo, mostrando-se com todo seu divino resplendor da segunda pessoa da Trindade divina. Após sua transfiguração, seus discípulos começaram a chamar-lhe Jezeus, que significa “nascido da essência divina”.

Quando soube que havia chegado sua hora, retirou-se a um lugar para rezar, proibindo a seus discípulos que o seguissem. Submergiu no rio Gânges e logo ajoelhou-se às suas margens, recostando-se a uma árvore e esperando sua morte. Enquanto rezava, chegaram os soldados do tirano e os esbirros dos sacerdotes e um deles feriu-o com uma flecha. Para que terminasse de morrer, o dependuraram em uma árvore para que o devorassem os animais selvagens.

Seus discípulos o procuraram ansiosos quando souberam de sua morte e correram para apanhar seus restos, mas nada encontraram porque o filho de Deus havia ressuscitado e voltado aos céus.

Isto aconteceu 3500 anos antes de nossa era. Qualquer semelhança com aquela outra história não é mera coincidência. Continuo mais tarde o relato dos demais mitos anteriores ao cristianismo, feito por Ana Martos.

2. AGNI E MITRA 

Segundo a autora, encontramos mais um mito precursor nos Veda, os livros sagrados da Índia revelados pelo próprio Brahma e compilados por Vyasa, que datam do século XIV antes de nossa era. Traduzo.

Agni nasceu no 25 de dezembro, solstício de inverno, tendo sido sua vinda anunciada ao mundo por uma estrela no firmamento. Desde então, quando reaparece, os sacerdotes anunciam a boa nova ao povo e repetem o rito do descobrimento do fogo, esfregando os lenhos cruzados, até que surge a chispa como uma criatura celestial que colocam sobre palhas para que prenda fogo. Os sacerdotes levam até o berço de palha uma vaca que leva a manteiga e um asno que leva o soma, um licor alcoólico de cor dourada, com os quais alimentam a pequena chama, à qual chamam criatura.

No ritual, os sacerdotes lhe oferecem pão e vinho e cada fiel recebe uma pequena partícula da oferenda, que contém parte do corpo de Agni, nome que se transformou em Agnus, cordeiro em latim, no contato com o povo romano. O cordeiro que se oferece a Deus como vítima propiciatória pela redenção dos homens, o cordeiro de Deus, Agnus Dei.

O nome de Agni significa “unção”, que em grego se diz “cristnos”, de onde procede “cristo”, o “ungido”, o Messias judeu e cristão dito em grego, porque em hebraico se mashiakh, que se translitera como messias. Os dois lenhos cruzados são a cruz onde se gera o fogo, o Sol, que é a origem do deus segundo o dogma ariano de uma trindade composta pelo Sol, pai celeste; o fogo, encarnação do Sol e o espírito, sopro de ar que acende a chama.

Nos conta a autora que a Índia teve um outro deus, não tão importante, mas que passou ao panteão persa – e depois ao romano – com todas as características de um deus principal. Seu nome era Mitra, também chamado o Senhor, e fez nascer com suas flechas a fonte eterna do batismo, já na Pérsia. Nasceu de mãe virgem, em um 25 de dezembro, a festa mais importante da religião dos magos persas. Seu nascimento foi anunciado por uma estrela que apareceu no Oriente e os magos acudiram a adorá-lo, levando-lhe perfumes, ouro e mirra. Mitra morreu no equinócio da primavera, em março, para ressuscitar triunfante no terceiro dia.

Na religião mitraica, que primeiro foi hindu, logo persa e finalmente foi adotada por Roma como religião oficial, Mitra, que originalmente foi o ministro principal do deus Ormuz, venceu o touro que simbolizava a vida, arrastou-o a uma cova e lá o degolou para beber seu sangue, porque de seu sangue surgiu a vida e de sua carne se originaram todos os animais e todas as plantas. Por isso, Mitra se converteu em criador do universo e, ao mesmo tempo, em mediador entre Ormuz e o ser humano. Os ritos de iniciação nos mistérios de Mitra incluíam batizar o neófito com sangue de touro sacrificado em um lugar mais elevado, de onde o sangue manava para banhar o iniciado. A iniciação começava com o batismo e terminava com a comunhão, em que se consumia a carne do touro com água, pão e vinho. O pão e o vinho se consagravam previamente com uma fórmula mística que os converteria em corpo e sangue do deus. O culto de Agni surgiu 1400 anos antes de nossa era. Qualquer semelhança com aquela outra história não é mera coincidência.
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“Pedro, os homens pensam que controlo suas vidas e o mundo, quando na verdade não controlo nem a minha ejaculação.” (Deus)

“Quem vive só de amor morre pesando pouco.” (Mim)

Sua sogra é uma coroa feia ou é daquelas que dá para casar?

Quem mente mais na sua cidade? O padre ou o prefeito?

Você se acha adulto? Então pare de acreditar na cegonha, no Papai Noel e no PT.

“Fui uma criança muito feia. O padre me batizou usando Ray-Ban.” (Assombração)

DEMÉTRIO MAGNOLI - Controle-se, Mino!

Estimado Mino Carta:
Desde que registrei, neste espaço, os textos de bajulação sistemática da ditadura militar publicados sob a sua direção na revista "Veja", em 1970, você dedicou-me dois editoriais, que apareceram em edições sucessivas de "CartaCapital" (4/4 e 11/4). São peças verborrágicas, odientas, patéticas. Compreendo seu tormento, mas creia-me: estou do seu lado. Esclarecendo a verdade factual, liberto-o do fardo de ocultar seu passado.
Os editoriais trouxeram-me à mente o sarcástico ensaio "A arte de ter razão", escrito por Schopenhauer em 1831. Nele, o filósofo enumerava as técnicas polêmicas vulgares destinadas a circundar um problema --e também ensinava a arte da refutação. Leia-o --ou, se preferir uma síntese didática, veja a "pirâmide do desacordo" de Paul Graham. Seus editoriais circulam nos níveis inferiores da "pirâmide": o xingamento e o ataque "ad hominem". Num voo mais alto de um único parágrafo, o segundo deles atinge o medíocre nível intermediário: a contradição (você afirma, contra provas documentais, que não bajulou a ditadura). Entendo: a refutação é, no caso, impossível.
O tal parágrafo diz que a bajulação era de brincadeirinha --uma ironia genial do herói da resistência. Mino, Mino, aí está o "argumento" perfeito para todos os jornais que, em momentos e países diferentes, bajularam os tiranos! Mas leia novamente, na minha coluna de 5/4, o que você escreveu e assinou. É a narrativa histórica completa fabricada pelo regime militar, que Médici enunciava e você repetia --a mesma que Bolsonaro ainda repete hoje. Brincalhões, esses dois aí, não?
Você brincou sem parar, naqueles anos. São edições e mais edições da "Veja" consagradas à puxação de saco explícita (não exagero, convenhamos: o acervo digital da revista está à distância de dois cliques do mouse de qualquer um). Na edição de 1º/4/1970, deparo-me com uma longa "ironia": a reportagem de capa "Os militares". São seis páginas dedicadas à apologia do poder militar que poderiam ter sido escritas pela assessoria de imprensa de Médici. Na edição de 4/2/1970, à página 25, encontro uma "ironia" breve: a manufatura de um álibi para os torturadores e o elogio da Oban. Desculpe-me, Mino, mas cito entre aspas.
O álibi: "(...) policiais e militares também sabem agora evitar melhor os erros. As notícias de prisões e confissões de terroristas não são mais anunciadas com tanta pressa, como antes. (...) A tática é não fornecer ao inimigo informações preciosas que lhe permitam (...) a recomposição de seus esquemas antes de qualquer ação repressiva". Dá vontade de vomitar, não, Mino? A "tática", você sabia muito bem (até eu sabia, aos 11 anos!), tinha outra finalidade: gerar a "janela da tortura", um intervalo apropriado antes que as "informações preciosas" chegassem a entidades de defesa dos direitos humanos.
O elogio: "Na semana passada, a Organização Bandeirante, que coordena o combate ao terror em São Paulo, divulgou todo o trabalho feito para desarticular (...) grupos terroristas. Foi uma notícia dada em momento oportuno, tranquilizando o povo e, ao mesmo tempo, evitando prestar serviço ao terrorismo". Vontade de vomitar, Mino.
Você não escreveu, diretamente, essas reportagens "brincalhonas". Mas, segundo seu próprio depoimento, dirigia a revista com plenos poderes e seus patrões só a liam depois de impressa. Você recomendou as reportagens repulsivas na Carta ao Leitor. Compreendo seu descontrole.
Hoje, contorcendo-se na jaula dos níveis inferiores da "pirâmide de Graham", você (justo você!) cobra críticas minhas ao apoio prestado pela Folha ao regime militar. Já o fiz, duas vezes, mas atenção: nunca editei a Folha; apenas escrevo colunas de opinião. Você é quem deve achar um modo de viver com seu passado. Quanto a mim, nesses tempos de Comissão da Verdade, tento ajudá-lo. Sério.

Revista Época denuncia novas estarredoras ações de corrupção na Petrobrás

Políbio Braga

Na manhã da segunda-feira, dias após o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter convocado os petistas a defender a Petrobras das mais graves acusações de corrupção na história, a presidente Dilma Rousseff trocou o discreto tailleur preto da Presidência pela clássica jaqueta laranja da estatal. Deixou a labuta no Planalto para fazer campanha no Porto de Suape, em Pernambuco. Numa cerimônia montada às pressas para lançar ao oceano o navio Dragão do Mar, Dilma defendeu incisivamente a Petrobras. “Não ouvirei calada a campanha negativa dos que, por proveito político, não hesitam em ferir a imagem desta empresa que nosso povo construiu com tanto suor e lágrimas”, disse, zangada. “Nada, nem ninguém, conseguirá destruir (a Petrobras). Com o apoio de todas as pessoas, a Petrobras resistiu bravamente às tentativas de desvirtuá-la, reduzi-la e privatizá-la.”

. A jaqueta laranja que Dilma ostentava ao discursar já deu orgulho aos brasileiros. Quem não teria orgulho da maior empresa do Brasil, a 13ª produtora de petróleo do mundo e líder inconteste na exploração de óleo em alto-mar? Hoje, é a mesma jaqueta de Paulo Roberto Costa, o ex-diretor da Petrobras preso pela Polícia Federal (PF), acusado de comandar um dos mais vastos esquemas de corrupção já descobertos na estatal, um sujeito mantido no cargo por um consórcio entre PT, PP e PMDB, com o aval de Lula, que o chamava de “Paulinho”. A mesma jaqueta de Nestor Cerveró, o ex-diretor internacional da Petrobras que, indicado por PT e PMDB, é agora acusado de ser o artífice do desastre conhecido como “operação Pasadena”, em que a estatal desembolsou US$ 1,2 bilhão por uma refinaria nos Estados Unidos comprada um ano antes por US$ 42 milhões.

O que pouca gente sabe é que o bandido petista Zé Dirceu, 
preso na Papuda, antes de fazer o gesto provocador ao lado, 
no caso o punho erguido na típica saudação comunista, 
teve um advogado ligado a ele contratado pela Astra, a belga que vendeu Pasadena para a Petrobrás.Quando saiu expurgado do governo, acusado como ladrão por Roberto Jefferson, Zé Dirceu fez o mesmo gesto, ao passar o bastão de comando da Casa Civil para Dilma, sua "companheira de armas" e nem se save de que mais.
. A jaqueta laranja não é mais a mesma. Nem a autoridade política de Dilma, após ficar claro que ela avalizara a compra da refinaria Pasadena em 2006. Somente agora, tantos anos depois, ela se disse enganada pela diretoria da Petrobras, acusada de não ter explicado corretamente os termos do negócio. Como fica a imagem de gestora competente, marca de Dilma, assim como a jaqueta laranja é a marca da competência da Petrobras?

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LIBERDADE COMO NOSSO DOM MAIOR

Ser livre para ir e vir!Pela liberdade de expressão.Pela humanidade contra os pregadores da escuridão que assolam nosso mundo moderno.Democracia verdadeira sempre,não aquela de fachada que persegue quem não compartilha de suas idéias.