terça-feira, 22 de abril de 2014

Caio Blinder- Obama, para dentro e por fora

O mundo está preocupado com os EUA. Não falo apenas dos inimigos de carteirinha, mas dos seus aliados. Eles estão apreensivos com o governo Obama, um governo que se desengaja do mundo de forma premeditada e, quando resolve se engajar, atua de forma desastrada.
O retraimento americano é natural. Há um cansaço imperial e Obama reflete o estado de espírito nacional, em particular depois do custo em todos os sentidos das empreitadas no Afeganistão e Iraque, marcas registradas da administração Bush. Obama prefere usar termos mais suaves como recalibramentos e viradas. Essencialmente, é uma virada para dentro, uma virada doméstica, embora acompanhada da promessa de mais investimentos geopolíticos e geoeconômicos na região da Ásia/Pacífico.
São viradas, porém, desajeitadas. Nesta terça-feira, o presidente está iniciando uma viagem pela região Ásia/Pacífico (era para ter viajado em outubro, mas houve o adiamento devido à crise de paralisação parcial do governo em Washington). São escalas no Japão, Coreia do Sul, Filipinas e Malásia. Com a visita, Obama quer acalmar aliados dos EUA quando a China é cada vez mais assertiva na região, enfronhada em várias disputas sobre águas territoriais. Um exemplo concreto é a expectativa do anúncio do mais amplo acesso americano a bases navais filipinas desde a devolução do vasto complexo de Subic Bay em 1992.
Existe esta apreensão dos aliados diante do retraimento americano, como na crise síria, quando Obama fixou uma linha vermelha que não poderia ser cruzada pelo ditador Bashar Assad no uso de armas químicas e recuou quando elas foram utilizadas. A mensagem foi bem captada pelos russos, que estão entre os grandes beneficiários dos vacilos e amadorismos da politica externa americana. Basta ver a “invasão/não invasão” da Ucrânia, coisa de profissional.
E aqui vamos deixar claro que a flacidez diplomática dos EUA tem sinal verde de uma opinião pública interna que está indiferente às encrencas e às desolações internacionais, seja na Síria, seja na Ucrânia. Já a oposição republicana, dividida entre alas mais belicosas e outras mais isolacionistas, basicamente atua de forma oportunista e dispara a torto e a direito contra a Casa Branca.
Neste contexto de erros de cálculos da Casa Branca, indiferença da população americana e disfunção em Washington, é natural a dúvida de aliados como o Japão se realmente eles podem contar com os EUA, uma superpotência hoje avessa ao confronto, a não ser em caso de ataque direto aos seus interesses. E o governo de Shinzo Abe não ajuda muito com sua postura hipernacionalista e até insensível ao cruel papel japonês na Segunda Guerra Mundial. Felizmente nas últimas semanas, o primeiro-ministro Abe deu uma recalibrada para não constranger tanto os aliados e protetores americanos.
E as promessas de comprometimento americano são mal vendidas. Na verdade, Obama exagerou na dose com o recalibramento para a Ásia/Pacífico. Como ele irá concretizar a meta de direcionar 60% dos ativos militares dos EUA para a região em 2020? A superpotência americana corta gastos do Pentágono e, ao mesmo tempo, tem seus compromissos como a mais importante polícia na ordem mundial.
Washington negligenciou a Europa como se fosse um museu, mas está aí o dinossauro russo botando para quebrar. E qual é a resposta essencial de Obama? Existe uma fuzilaria retórica contra Putin, além de sanções cosméticas, enquanto de cara o presidente americano descartou o uso de força militar na crise ucraniana. Está aí uma prova da atuação desastrada de Obama: nem diplomacia efetiva e nem dissuasão convincente. Como no oceano Pacífico, aliados americanos no mar Báltico questionam se podem contar com os EUA.
Na viagem que está iniciando, Obama irá precisar acalmar seus aliados, a destacar os japoneses, enquanto não enfurece os chineses, com os quais os americanos têm um complexo balé de cooperação e competição. A politica externa americana pode acabar no pior dos mundos: agravar as relações com Rússia e China (sem conter os seus avanços) e, ao mesmo tempo, deixar mais apreensivos os aliados dos EUA.

Nunca um presidente gastou tanto em propaganda como Dilma Roussef. Conheça os números.

Políbio Braga
Em editorial de hoje, o jornal O Esado de S. Paulo informa que a presidente Dilma Rousseff supera seu mentor e padrinho, Luiz Inácio Lula da Silva, cuja Presidência, em 2009, usou R$ 2,2 bilhões para trombetear as reais e supostas conquistas de seu governo. Somente com a administração direta, a despesa foi de R$ 761,4 milhões, também um recorde. Leia mais:

. Não terá sido por mera coincidência que, tanto no caso de Lula quanto no de sua sucessora, espantosas quantias de dinheiro tenham sido despejadas no período imediatamente anterior a um ano eleitoral.
Lula teve de ampliar o investimento em publicidade porque precisava eleger um "poste", e não se faz isso sem uma formidável máquina marqueteira. Com efeito, o governo Dilma aparece em quarto lugar no ranking do Ibope sobre os investimentos em publicidade em 2013. Supera até mesmo a gigante Ambev, cuja necessidade de disputar mercados - coisa que a maior parte das empresas estatais e o governo não precisam fazer - a levou a gastar R$ 1,8 bilhão.

. Na média do primeiro biênio, o atual governo gastou R$ 1,78 bilhão por ano, 23% a mais do que a média de Lula em seus dois mandatos. Se a comparação for apenas com o primeiro termo de Lula, que gastou, em média, R$ 1,32 bilhão por ano, Dilma é ainda mais perdulária.

. Além da despesa exorbitante, o problema é a óbvia utilização político-eleitoral da propaganda de governo, atitude que afronta a lei. A Constituição, em seu artigo 37, estabelece que "a publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas deve ter caráter educativo, informativo ou de orientação social". A publicidade do governo, no entanto, atende a outras finalidades. O padrão da gastança continua firme neste ano. Conforme a legislação, o teto para a despesa com esse tipo de publicidade oficial em ano eleitoral deve ser a média dos três anos anteriores - que, como se observou, foi substancialmente elevada por Dilma. O site Contas Abertas, que acompanha os gastos públicos, mostrou que, nos dois primeiros meses de 2014, o governo Dilma já despendeu R$ 30 milhões a mais em publicidade do que no mesmo período de 2013.

CLIQUE AQUI para ler a versão completa. 

Autoridades dos EUA surpreendem diretor da TelexFree tentando fugir com US$ 38 mi

Durante uma busca feita na sede da TelexFree em Marlborough, no estado americano de Massachussetts, policiais surpreenderam o diretor financeiro da empresa, Joseph Craft, numa tentativa de fugir com inúmeros cheques destinados aos donos da empresa, James Merrill e Carlos Wanzeler. O valor total da apreensão chegou a 38 milhões de dólares. A Securities and Exchange Comission (SEC), autoridade reguladora do mercado de capitais dos Estados Unidos, foi a autora do pedido de busca e apreensão. Segundo a SEC, todos os bens da empresa foram congelados, mas os valores são mantidos em sigilo pelo governo americano.
Autoridades americanas acusaram a TelexFree dos Estados Unidos de formação de pirâmide e fraude no início da semana passada. A empresa era o grande veículo de operação da matriz brasileira, também investigada por de formação de pirâmide, depois que suas operações locais foram bloqueadas pela Justiça do Acre. A TelexFree Brasil passou a ensinar aos chamados 'divulgadores', ou seja, as pessoas que aderiam ao esquema, formas de aplicar dinheiro na empresa nos Estados Unidos e obter ganhos. No início do ano, a TelexFree americana transferiu dinheiro ao Brasil por meio de patrocínio ao clube de futebol Botafogo. Depois do pedido de falência e das acusações, o clube alvinegro avalia retirar o logo da empresa da camisa.
O processo conduzido pela SEC acusa de fraude o americano James Merrill, presidente da empresa, e os brasileiros Carlos Wanzeler e Sanderley Rodrigues de Vasconcelos. Os quatro maiores divulgadores também não saíram ilesos no processo: Steven M. Labriola, Santiago de la Rosa, Randy N. Crosby e Faith R. Sloan. Craft, o diretor capturado em fuga, também é acusado de fraude.

O esquema da TelexFree tinha como alvo imigrantes brasileiros e latino-americanos. Devido à grande adesão da população da República Dominicana ao negócio, as autoridades do país também processaram a empresa por formação de pirâmide, nesta terça-feira. A estimativa é que, no mundo todo, o esquema tenha drenado 1 bilhão de dólares de divulgadores.

JOGANDO A TOALHA

O índice de 5% de desemprego apresentado pelo IBGE contempla as pessoas que procuram trabalho. Muitas devem ter desistido, pois a criação de vagas de março de 2014 caiu quase 90% frente a 2013.

Políbio Braga-Brasil: Mercado aposta em inflação acima do teto pela 1ª vez

Pela primeira vez no ano, a projeção para a inflação medida pelo IPCA em 2014 estourou o teto da meta, limite definido em 6,5%. Segundo o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, a estimativa saltou de 6,47% para 6,51% entre uma semana e outra. Há quatro semanas, a estimativa era de 6,28%. Para 2015, a previsão ficou estável 6%. Há quatro semanas, a expectativa era de 5,80%.

- PIB: A previsão de crescimento da economia brasileira em 2014 recuou de 1,65% para 1,63%. Há quatro semanas, a expectativa era de 1,70%. Para 2015, a estimativa de expansão se manteve em 2,00%, mesmo valor há oito semanas. 

- Juros: Os economistas mantiveram a previsão para a taxa Selic no fim de 2014 em 11,25% ao ano, há quatro semanas a previsão era a mesma. Para 2015, a mediana segue em 12,00% ao ano há dez semanas. A taxa básica de juros está em 11,00% ao ano desde a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que ocorreu em abril. 

- Déficit: O mercado financeiro elevou a previsão para o déficit em transações correntes em 2014. A pesquisa Focus mostra que a mediana das expectativas de saldo negativo na conta corrente este ano passou de US$ 77,00 bilhões para US$ 77,05 bilhões. Para 2015, a previsão de déficit nas contas externas ficou estável em US$ 75,60 bilhões. Há quatro semanas, o déficit estava em US$ 75,00 bilhões para 2014 e em US$ 73,50 bilhões para 2015.

Por uma direita festiva

Ser jovem e liberal é péssimo para pegar mulher. Este é o desafio maior para jovens que não são de esquerda.

Um dos maiores desafios dos jovens que não são de esquerda não é a falta de acesso a bibliografia que seus professores boicotam (o que é verdade), nem a falta de empregos quando formados porque as escolas os boicotam (o que também é verdade), mas sim a falta de mulheres jovens, estudantes, que simpatizem com a posição liberal (como se fala no Brasil) ou de direita (quase um xingamento).

Os cursos em que você encontra jovens liberais (economia, administração de empresas, engenharia e afins) têm muito poucas mulheres e as que têm não têm muito interesse em papo cabeça e política. O celeiro de meninas que curtem papo cabeça e política são cursos como psicologia, letras, ciências sociais, pedagogia e afins, todos de esquerda.

E aí se recoloca o problema: quando liberais se reúnem há uma forte escassez de mulheres, o que é sempre um drama. E quando junta muito homem falando papo cabeça sem mulher por perto, todos ficam com cara de Sheldon. Sem mulheres, tudo fica chato em algum momento. Como resolver um problema sério como esse?

Vou repetir, porque eu sei que questões altamente filosóficas são difíceis de se entender: o maior desafio para um jovem estudante liberal no Brasil é pegar mulher (no meio universitário e afins), sendo liberal. Claro, charme pessoal, simpatia, inteligência, grana, repertório cultural, sempre são fatores importantes, mas a esquerda tem um ponto a favor dela que é indiscutível: se você é de esquerda, pegar mulher é a coisa mais fácil do mundo. Qual o segredo da esquerda? É ser festiva.

Outro dia, conversando com um amigo e colega que é bastante conhecido (por isso vou preservar sua privacidade), chegamos à conclusão de que a direita (liberal, claro, não estou falando de gente que gosta de tortura, tá?) precisa desesperadamente encontrar sua face festiva.

A esquerda festiva (que é quase toda ela) reproduziu porque teve muitas mulheres à mão. Imagine papos como: "Meu amor, se liberte da opressão sobre o corpo da mulher!". Agora, imagine que você esteja num diretório de ciências sociais no final da noite ou num apê sem pai nem mãe (dela) por perto. Um pouco de vinho barato, quem sabe, um baseado? Um som legal, uma foto grande do Che (aquele assassino chique) na parede.

Ou imagine você dizendo para uma menina bonitinha algo assim: "O capital mata crianças de fome na África!". Mesmo sendo ela uma jovem endurecida pela batalha contra a opressão da mulher (por isso tenta desesperadamente ser feia), seu coração jorrará ternura.

Imagine a energia de uma manifestação! Braços dados ou não, mas caminhando e cantando. Imagine a fuga, correndo juntos da polícia. Os corações batendo juntos!

E claro, imagine vocês no bar da faculdade (matando a aula, porque quem assiste aula não pega mulher): muita cerveja, muitas juras de revolta contra as injustiças sociais, muitas citações de Marx e Foucault.

Ou, mais sofisticado ainda: um festival de documentários em Cuba! Meu Deus, pode haver paraíso melhor para se conhecer meninas "donas do seu corpo"?

Desde as primeiras populações na pré-história sabe-se que sem álcool e conversa (por isso aprendemos a falar, do contrário só as meninas falariam) a humanidade teria desaparecido porque mais da metade das meninas não iam querer transar –principalmente quando descobriram a dor do parto.

O canal para uma direita festiva é: fale de liberdade, do sofrimento humano, de corpo, discuta documentários, diga que a vida não tem sentido, mas que a beleza existe, não se vista como o Sheldon, viaje para a Islândia, e (pelo amor de Deus!) não fale de economia. As meninas destetam economia, essa "ciência triste", porque atrapalha a alegria da vida.

Ou rezem para o Brasil virar a Venezuela e aí os meninos liberais vão pegar todas.

Eu sei: vão dizer que estou afirmando que discutimos papo cabeça para pegar mulher, mas, lamento, é isso mesmo que estou dizendo, pelo menos em parte. Acordei hoje numa "vibe" darwinista. Sorry.



Luiz Felipe Pondé, pernambucano, filósofo, escritor e ensaísta, doutor pela USP, pós-doutorado em epistemologia pela Universidade de Tel Aviv, professor da PUC-SP e da Faap, discute temas como comportamento contemporâneo, religião, niilismo, ciência. Autor de vários títulos, entre eles, 'Contra um mundo melhor' (Ed. LeYa). Escreve às segundas.

Suprema Corte americana mantém decisão de Michigan contra ação afirmativa

Uma decisão importante foi tomada pela Suprema Corte americana nesta terça: ela sustentou uma lei de Michigan vetando o uso do critério racial para a aprovação em universidades, batalha crucial envolvendo as ações afirmativas no país.
Por 6 votos a 2, foi decidido que a justiça de instância inferior não tinha autoridade para ignorar uma medida aprovada em 2006 por 58% dos eleitores em referendo. Essa medida proíbe que universidades financiadas com recursos públicos garantam tratamento preferencial a qualquer indivíduo ou grupo com base no critério de raça, sexo, etnia ou nacionalidade.
A juíza Sonia Sotomayor, vista como “progressista”, foi um dos votos vencidos e repudiou a decisão majoritária: “Para os membros de grupos historicamente marginalizados, que dependem dos tribunais federais para proteger os seus direitos constitucionais, a decisão dificilmente pode reforçar a esperança em uma visão de democracia que preserve para todos o direito de participar de forma significativa e igualitária no auto-governo”.
Mas, como outros juízes colocaram, o caso sequer era sobre a ação afirmativa em si, e sim sobre quem tem a autoridade de decidir sobre o assunto. Juízes “progressistas”, ligados ao presidente Obama, não costumam ter muito apreço pelo federalismo e a divisão de poderes, tampouco pela preferência da maioria. São “agentes do progresso” imbuídos de uma missão revolucionária que pode passar por cima da Constituição e das escolhas locais.
Nem preciso dizer que concordo tanto com a decisão da Suprema Corte como com a medida de Michigan, aprovada em referendo popular. Permitir que universidades financiadas com os impostos utilizem critérios raciais para discriminar alunos é absurdo, fere a igualdade perante as leis, e acaba fomentando o racismo que se pretende combater.
Não faz o menor sentido segregar a população com base na “raça” e criar privilégios, tudo isso em nome da luta contra o racismo. Que a decisão da Suprema Corte representa um marco na defesa do verdadeiro liberalismo, não aquele colocado na boca de “progressistas” de esquerda como Obama, e sim aquele clássico, que prega a igualdade de todos perante as leis.
Rodrigo Constantino

QUEM PODE CONTAR A PIADA?

Janer Cristaldo
"O riso é tão importante para nossa vida quanto a inteligência ou a criatividade. Rir nos torna mais inteligentes, criativos e saudáveis”, diz o neurocientista cognitivo Scott Weems, em entrevista para o site de Veja. Quando um neurocientista fala, já fico com um pé atrás, tantas foram os despautérios que ouvi destes senhores. Mas vamos adiante. 

Em suas pesquisas, Weems descobriu que o humor é o segredo de pessoas inteligentes e criativas para suas associações rápidas e inesperadas. No livro, reúne suas conclusões a outros estudos e traça um mapa que busca compreender o papel das risadas em nossa vida. Começa mostrando como a dopamina, o neurotransmissor ligado ao prazer e o responsável pela alegria, nos fez o que somos: seres em busca de emoção e de novas maneiras de melhorar a vida. Rindo, se possível.

Não sou neurocientista, nem mesmo cientista, mas me custa admitir que uma substância seja responsável pelo riso, da mesma forma como não concebo que homossexualismo possa ser reduzido a uma questão genética. Mas como homem que ri – ou que riu um dia – me permito um pitaco sobre o que sinto. 

A meu ver, o riso é uma questão cultural, em pelo menos dois sentidos da palavra. Primeiro, o de cultura como aquele ambiente em que nos educamos. Você já viu índio rindo? Eu nunca vi um índio de perto, mas fotos deles é o que não nos falta na imprensa. É como se índio não tivesse senso de humor. E talvez não tenha mesmo. Pois senso de humor exige certa cultura, em um segundo sentido, o acervo de conhecimentos que acumulamos.

Don Giovanni, de Mozart, ou o Quixote, fazem rir a um homem culto. Mas não provocariam reação alguma em um bugre. Ele não tem os conhecimentos necessários para entender o humor ou a piada. Que são gêneros completamente distintos. No Brasil, os piadistas baratos de televisão – e mesmo de jornais – proclamam-se humoristas. Ora, humor é coisa rara no Brasil. Podemos encontrá-lo tanto em Machado como em Nelson Rodrigues, em Campos de Carvalho ou Millôr Fernandes. E o resto é piada. O que não quer dizer que não haja piadas excelentes.

Suponho também que seja coisa de idade. Ri muito em minha juventude, e mesmo em idade madura. Hoje, há muito não rio. No máximo um sorriso diante do humor. 

Houve três filmes que cheguei a vê três ou quatro vezes, e sempre ri às pampas: O Incrível Exército de BrancaleoneA Vida de Brian e M.A.S.H. Em Brancaleone, eu já começava a rir com a musiquinha introdutória do filme: Branca, Branca, Branca, Leone, Leone, Leone. Há uns dez anos, revi o filme. Não achei graça alguma. Brian agora só me faz sorrir. Quanto a M.A.S.H, precisaria rever. Mas suponho que não me faria rir como já fez.

O mesmo aconteceu com O Grande Ditador, do Chaplin. Se desopilou meu fígado na juventude, hoje nele não acho graça alguma. Aliás, nem mesmo nas gags do Chaplin, que hoje vejo como piadas circenses. Mas ainda permaneço sensível ao humor. Cervantes e Swift, Voltaire ou Ambrose Bierce, continuam me fazendo sorrir. 

Aliás, Weems se contradiz, quando afirma que o humor é o segredo de pessoas inteligentes e criativas para suas associações rápidas e inesperadas. Até aí, de acordo. Mas logo adiante o neurocientista apela à dopamina. Será que os selvagens são desprovidos de dopamina? Ou eu a perdi com a idade? Repasso a pergunta aos leitores de minha faixa etária: você que hoje tem 60 ou mais, consegue rir com a mesma facilidade que ria quando jovem? 

Você já deve ter notado a profusão de flatulências nas comédias americanas. É um cinema feito para os jovens, que são tão bestas a ponto de rir de uma função biológica. “E as mulheres tendem a rir menos quando ficam mais velhas, ao contrário dos homens”, diz o cientista. Não é o que vejo. O velho, seja lá de que sexo for, tende mais a sorrir que rir. 

Aos 60, todas as piadas e suas variantes são nossas velhas conhecidas. Até aí, minhas discordâncias, como dizia, de homem que um dia riu, com o neurocientista. Mas o grave em sua entrevista é endossar o politicamente correto. Há mais de década venho afirmando que o politicamente correto está matando o humor. As viúvas do Kremlin – pois de censura stalinista se trata – já conseguiram em vários países, inclusive neste nosso, tipificar o humor como crime.

Como bom americano, Weems não consegue fugir ao gênero. Pergunta o repórter: 

- Em outras palavras, piadas sexistas, sobre negros ou deficientes apenas ampliam preconceitos?
- Essa questão é muito importante. Anedotas preconceituosas dão voz a nossas crenças, sejam elas latentes ou escancaradas. Uma pessoa sexista só terá seus preconceitos ampliados por essas piadas enquanto alguém que não adota essas crenças terá mais convicção contra o preconceito. O humor, porém, sempre veicula mensagens múltiplas. Tudo depende da intenção. 

- Como assim? 
- Alguém que não é machista pode contar uma piada machista com a intenção de caçoar dos homens machistas, não das mulheres. Ou um machista pode contar essa mesma piada com a simples intenção de ofender as mulheres.

- E onde está a diferença? 
- Na intenção e no alvo. Se o propósito é ofender, não há nada de engraçado nisso. Mas se o esquete é mais denso — como acontece quando o comediante negro Chris Rock satiriza o racismo — então devemos olhar essas anedotas em um nível mais profundo, porque sua intenção não é insultar e, sim, educar. 

No fundo, o que o neurocientista diz, é que negro pode fazer piada de negro, é pedagógico. Mas se branco fizer piada de branco, é ofensa. O caráter ofensivo ou pedagógico da piada não depende da piada, mas da cor da pele de quem a profere. 

Este episódio, contei há quatorze anos. Como ninguém deve lembrar mais, conto de novo. Almoçávamos em três, em um restaurante de Perdizes. Este gaúcho que vos escreve, mais dois amigos jornalistas, um judeu e outro negro. Como seria de esperar-se neste tipo de encontro, logo surgiram as piadas. Contei as que lembrava de gaúchos, de judeus e quando comecei as de negro, o afrodescendentão a meu lado protestou: 

- Vamos fazer uma coisa. Gaúcho conta piada de gaúcho, judeu de judeu e negro de negro.

Ali estava, a meu lado, o racista atroz. Contaminado pelo fanatismo dos movimentos negros americanos, ele pretendia regulamentar conversas em mesa de bar. Contar piadas de negro era politicamente incorreto, a menos que um negro as contasse. 

Ora, faz parte do humor - e particularmente do humor negro, sem trocadilhos - rir das desgraças alheias. Em boa parte das piadas, sempre há uma vítima. A vítima, de modo geral, é quem está por baixo. Antes ser rico e ter saúde, que ser pobre e doente. Difícil fazer piada com quem está por cima.

Ocorreu-me então uma piadinha que, espero, ainda não seja proibido contar. Três pessoas perambulavam perdidas no deserto, um judeu, um negro e um alemão. De repente, o alemão tropeça numa lâmpada. Pega, esfrega e dela salta um gênio, que se propõe a satisfazer três desejos, um de cada um dos três. Pergunta ao judeu o que ele quer.

- Bom, eu gostaria que você varresse da face da terra a raça negra.
- Muito bem - diz o gênio - E você? - pergunta ao negro.
- Quero que você extermine a raça infame dos judeus.
O gênio dirige-se ao alemão. O alemão pondera:
- Você vai mesmo atender os pedidos desses dois?
- Claro. Prometi, vou cumprir.
- Bom, então acho que vou pedir um cafezinho - respondeu o Fritz.

Dentro dos critérios de meu amigo negro, a quem caberia contar esta piada? Fui curto e rasteiro com ele: e tu vai pra puta que te pariu. Eu conto piada de gaúcho, de negro e de judeu e sobre quem me aprouver, e jamais vou proibir-me de contar piadas, seja sobre quem for.

Neste sentido, os gaúchos são campeões em rir de si mesmos. Vários volumes de piadas de gaúcho foram editadas em Porto Alegre, e nem sempre o personagem se sai bem nelas. Piada sem vítima não tem muita graça.

Silvio Santos paga dívida do Panamericano com o PT ao proibir Rachel Sheherazade de opinar

BLOG DO PAULINHO

Silvio Santos paga dívida do Panamericano com o PT ao proibir Rachel Sheherazade de opinar

by Paulinho
Rachel
Embora boa parte do público ainda não perceba, acreditando estar vivendo num país plenamente democrático, profissionais de imprensa sentem na pele, principalmente na última década os ares ditatoriais impostos pelo governo do PT no mundo da comunicação.
Utilizam-se de tudo, e todos, inclusive do judiciário, para calar os que se manifestam contra a "companheirada".
Silvio Santos, à época no desespero, vendeu a alma ao Diabo - e ele era barbudo - para acertar o socorro ao Banco Panamericano, após diversas denuncias de corrupção.
Por intervenção do PT, salvou seu patrimônio pessoal, evitou outros desdobramentos jurídicos, mas ficou refém dos desejos da camarilha que dá as cartas neste país.
Óbvio que um dia a conta seria cobrada.
E foi.
Rachel Sheherazade é uma jornalista corajosa, e que acerta muito mais do que erra em suas opiniões.
É absolutamente necessária nesse mundo marcado por profissionais de imprensa robotizados, medrosos e teleguiados pelos interesses dos patrões.
O PT e o Governo representado pelo partido, temem as repercussão viral na internet dos comentários de Rachel, assim como de outros, poucos, que se arriscam a nadar contra a maré, mesmo sabedores de que a briga é feia, e o adversário, além de sujo, imundo, é bem poderoso.
Através de indiretas, recados e, no final, um "chega junto", o PT fez chegar a Silvio Santos, e seus diretores, a lembrança do episódio "Panamericano", além da insatisfação com o trabalho de Sheherazade.
Demiti-la ocasionaria um efeito de opinião pública devastador para os "companheiros", e também à emissora, razão pela qual decidiu-se pela tortura, ou seja, manter a jornalista no emprego, mas amordaçá-la, fazendo-a sofrer ao ler as maiores barbaridades, sem poder mais opinar.
O Panamericano, que deve gerar muitas novas cobranças no futuro, pelo menos enquanto a quadrilha estiver no poder, custará bem mais caro do que o próprio Silvio Santos poderia imaginar.

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Ser livre para ir e vir!Pela liberdade de expressão.Pela humanidade contra os pregadores da escuridão que assolam nosso mundo moderno.Democracia verdadeira sempre,não aquela de fachada que persegue quem não compartilha de suas idéias.