quarta-feira, 23 de abril de 2014

Sonia Racy- Quartos vazios

A 50 dias da Copa, os números do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil para os jogos não são nada animadores. Principalmente no que se refere à ocupação de quartos na cidade de SP, onde acontece a abertura do Mundial. “Ainda temos disponibilidade de 59%”, lamenta Julio Serson, vice-presidente da entidade.
Normalmente, os hotéis trabalham com apenas 10% de ociosidade no mês de junho, em Sampa. “Os executivos sumiram das reservas, e o volume de torcedores de fora não é suficiente para substituí-los.”
Quartos 2
E há chance de ficar pior. No domingo, venceu o prazo da Fifa para confirmação de reservas e devolução de tudo que a entidade não usará. Para se ter uma ideia do que isso pode significar, em alguns lugares a federação é responsável por até 60% das reservas.
A nova lista pós-Fifa sai no fim de semana.
Quartos 3
No Rio, a história é inversa: só há 9% de quartos vazios. Também bonita na foto está Cuiabá, com 17%. Depois vêm Fortaleza (20%), Porto Alegre (21%), Manaus e Belo Horizonte (23%), Brasília (24%), Recife (29%), Salvador (30%) e Curitiba (41%).

ODORES DO ORIENTE, por Janer Cristaldo

ODORES DO ORIENTE 


Seguidamente alguém me pergunta: e a Índia nunca te interessou? Jamais. Gosto de viajar só – isto é, com uma companheira – e seria muito difícil orientar-me naquelas bandas fora de uma excursão. Passo. Sou ocidental ferrenho e não abro. Se tinha alguma veleidade de um dia chegar lá, um escritor francês a pôs por terra.

Nasci junto a uma geração que foi ensinada a gostar do Oriente, a partir de um dos mestres de então, Herman Hesse. Outro deles foi Aldous Huxley. Em seu último romance, A Ilha (1962), tenta uma fusão cultural do Ocidente e do Oriente na busca de uma convivência pacífica entre os homens. Vê o Oriente como um espelho do Ocidente. Ao invés da atitude predadora do consumo ocidental frente à mansidão oriental, o inverso acontece: o pensamento milenar tem como objetivo restaurar os resultados da inconseqüência gerada pelo avanço tecnológico.

Em meus dias de Paris, recebi em meu apartamento gaúchas que vinham de Poona, onde haviam ido buscar paz e sabedoria nos ahsrams de Bhagwan Shree Rajneesh, aquele guru que após ter sua biografia mais suja que pau de galinheiro, preferiu trocar seu nome para Osho. O guru, que se se dizia Deus, fez fortuna enganando jovens e provocou um escândalo internacional com suas cerimônias tântricas, em verdade alegres orgias sexuais. Possuía terrenos, hotéis, uma rede de casa de massagens na Europa - isto é, prostituição - e uma frota de 91 Rolls-Royces. Acusado de perversão, realização de lavagem cerebral e sonegação de impostos, expulso de 21 países, foi deportado dos Estados Unidos para a Índia, onde morreu de Aids.

Outras notícias tive da Índia através de um amigo dos dias de Paris, o fotógrafo colombiano Hernando Guerrero. Em uma exposição de fotos de uma viagem sua ao país, vi mendigos monstruosos que haviam sido deformados na infância para pedir esmolas nas ruas de Bombaim ou Nova Delhi, Benares ou Calcutá. Uma delas era particularmente repulsiva. A criança havia tido sua perna direita levantada na vertical com o pé escorado na parte interna do cotovelo. O conjunto formava um perfeito quadrado de ossos, junto ao qual estava colado um corpo esquelético, com uma perna e um braço pendurados do outro lado.

Ainda em Paris, conheci o escritor cubano Severo Sarduy, que me exibiu orgulhoso suas fotos tomando banho no Ganges, no qual boiavam cadáveres de animais e gentes. Confesso que lhe apertei a mão com um misto de temor e asco. Durante muitas décadas, intelectuais do Ocidente viram uma fonte de sabedoria em um país onde os párias morrem de fome nas ruas enquanto ratos são alimentados com pires de leite nos templos budistas.

Mesmo assim, sempre me restou um certo xodó pela Índia, particularmente por seus templos, onde o erotismo se mescla à espiritualidade. Sem falar que é uma civilização milenar, e sempre me agradaram as civilizações milenares. Assim sendo, comprei o livro Índia – Crenças, costumes e a sabedoria de uma das mais antigas civilizações do mundo – do escritor, ator, diretor e roteirista francês Jean-Claude Carrière. O autor, homem fascinado pela Índia, foi roteirista dos melhores filmes de Buñuel – como Belle du JourO Discreto Charme da BurguesiaO Fantasma da Liberdade – e também do épico Mahabharata, filme de cinco horas (nove horas, em outra versão) dirigido por Peter Brook. Carrière é também o co-autor de Meu último suspiro, um longo depoimento de Luis Buñuel sobre sua vida e obra. Recomendo. 

Carrière fez mais de trinta viagens à Índia e conhece o país e sua cultura com a palma de sua mão – se é que é possível conhecer algo da cultura de um país onde existem tantos deuses quanto devotos. O livro é uma viagem fascinante pelos seus templos e religiões, ritos e costumes. Também recomendo. É a melhor viagem que se pode fazer à Índia. Não tente outra. Porque, lá pelas tantas, nos conta Carrière:

- De manhã, às sete ou oito horas, vemos os homens defecarem, uns ao lado dos outros, à beira da estrada, ou ao longo da via férrea, sem nenhum constrangimento. Vemos a mesma coisa nos campos, sempre de manhã, e também em Varanasi, bem perto do Gânges. O excremento humano é visível. Ele tem um cheiro, como em todos os lugares. Antigamente, os viajantes diziam que este cheiro pairava sobre toda a Índia. Hoje, parece que ele se atenuou. Ou então eu me habituei.

Pelo jeito, o escritor se habituou. Há quatro anos, as autoridades de um distrito da região indiana de Jaipur decidiram colocar guardas "armados" com apitos e tambores para perseguir todos que urinarem ou defecarem em público. A iniciativa foi posta em prática em 34 municípios do distrito de Jhunjhunu, com uma população de cerca de 300 mil habitantes, e teve o objetivo de refrear os hábitos higiênicos de cerca da metade da população do país.

Voluntários se encarregaram de tocar música pelas cidades perto dos que fazem suas necessidades em público, os identificando, para depois anunciar em público seus nomes. O governo iniciou há anos vários programas com o objetivo de erradicar a defecação ao ar livre, mas cerca da metade dos 1,21 bilhões de habitantes do país, sobretudo em zonas rurais, continuam tendo este hábito.

"Somos a capital mundial da defecação ao ar livre. É um assunto que gera preocupação, angústia e raiva", disse na época o ministro de Desenvolvimento Rural indiano, Jairam Ramesh, que detalhou que 60% dessas ações no mundo acontecem na Índia. 

Depois deste relato de Carrière, Índia nem pensar. Mas pelo jeito a campanha de pouco ou nada adiantou. Leio no The Independent que um boneco batizado de Mr. Poo (Senhor Cocô, em inglês), que representa um monte de fezes, é o representante da mais recente campanha de saúde pública do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) lançada na Índia. 

Um vídeo, lançado no início deste ano, mostra um homem perseguido pelas ruas de uma cidade indiana por uma multidão de montinhos de fezes. Calcula-se que mais de 620 milhões de pessoas continuam defecando nas ruas -- o maior número no mundo.

Mais de três Brasis. E ainda há quem sonhe em viajar à Índia. Melhor ler Carrière.

Políbio Braga- Agentes do terrorismo mudam o nome da rua Marechal Floriano para Iara Iavelberg em Porto Alegre.

Sem autorização alguma da Câmara de Vereadores de Porto Alegre e sem sanção do prefeito José Fortunati, o nome da rua Marechal Floriano mudou para Iara Iavelberg, a terrorista paulista que foi morta por tropas federais quando fugia com seu amante, o capitão Carlos Lamarca.

. Ambos eram dirigentes da VPR.

. Iara Iavelberg foi companheira de armas quando ambas militaram em grupos terroristas brasileiros e foram integrantes da mesma organização.

. As placas com o nome de Iara estão na esquina com a Rua dos Andradas, a principal do centro de Porto Alegre, conforme se vê na foto ao lado, desta manhã.

Caio Blinder- Obama, para dentro e por fora (II)

Ron Fournier é um tarimbado jornalista americano que está por dentro para explicar a odisseia Obama. Ele diz que, tanto na frente interna como na externa, o presidente se perde na trajetória quando os mares ficam turbulentos. Na frase de Fournier, para aliados e oponentes, o presidente então parece “ingênuo, fraco e desconectado”.
Mesmo o camarada New York Times expressa desalento com o desempenho do presidente, com a emblemática reportagem de domingo passado sobre a estratégia de Obama para lidar com a Rússia de Vladimir Putin. Fournier avança, dizendo que existem paralelos na maneira com a qual o presidente atua na frente russa e com os republicanos dentro de casa. Há uma distância entre promessa e desempenho que ilustra uma “fundamental falta de liderança”.
Obama faz apostas erradas e enfrenta adversários da pesada (Putin ou republicanos). Com o presidente russo, ele tentou forjar uma parceria e Putin não se mostrou um parceiro confiável. Agora, de acordo com a estratégia desenhada no New York Times, a Casa Branca busca uma estratégia de longo prazo para conter a Rússia, em uma versão modernizada do que foi feito na Guerra Fria.
Na guerra fria doméstica, Obama chegou na eleição de 2008 com a ideia do pós-partidarismo, abandonado ao primeiro sinal de intransigência republicana. Ele deixou de buscar compromissos e passou a expressar indignação por não encontrá-los. A rigor, com o atual perfil republicano, a missão é praticamente impossível, exigindo um superherói político. Mas, Obama é um presidente que não se engaja com o Congresso, revela-se indisposto para construir relações (com aliados e adversários) e é movido pelos ventos das pesquisas de opinião pública. Autor do best-sellerA Audácia da Esperança, Obama, na verdade, vende uma postura presidencial muito cautelosa.
Fournier não resiste a um veneno oferecido por um marqueteiro democrata não identificado, que já assessorou Obama nas duas campanhas presidenciais: “Ele não consegue lidar com Putin. Ele não consegue lidar com os republicanos. Simplesmente, ele não é um líder natural”.

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