sexta-feira, 25 de abril de 2014

Marcelo Portugal acha que inflação vai disparar depois da eleição

O economista e professor Marcelo Portugal foi claro, curto e direto na fala que produziu nesta sexta-feira no programa do jornalista Lauro Quadros, Rádio Gaúcho. Respeitando a elegância típica do seu modo de abordar temas espinhosos, eis o resumo do que ele disse:

- Depois das eleições, os preços vão disparar e teremos uma inflação que dobrará de tamanho em relação ao que é hoje, sobretudo em decorrência do extravasamento das tarifas e preços públicos, mantidos atualmente sob garrote vil.


. É o que teme todo o mercado. 

Pressionado, André Vargas anuncia desfiliação do PT

Laryssa Borges e Marcela Mattos, de Brasília
Escanteado pela cúpula do PT após as revelações de que mantinha estreito relacionamento com o doleiro Alberto Youssef, o deputado federal André Vargas encaminhou nesta sexta-feira seu pedido de desfiliação dos quadros petistas. Com a decisão, Vargas fica sem legenda para disputar as eleições de outubro. No início da semana, os caciques do partido haviam tido uma conversa tensa com Vargas, que sempre insistiu em se manter no cargo de deputado federal e se blindar, por enquanto, com o direito ao chamado foro privilegiado. Diante da postura do deputado, a ideia do PT era tentar enquadrar os cerca de 30 parlamentares que ainda se mantinham aliados a Vargas e que defendem que ele não abra mão do mandato. 
De acordo com o advogado do petista, Michel Saliba, o pedido de desfiliação foi encaminhado para a justiça eleitoral na tarde desta sexta-feira e na próxima segunda-feira o diretório do PT no Paraná e a seção nacional do partido serão informados da decisão. A primeira carta com a desfiliação foi enviada para o presidente do diretório do PT em Londrina, Gerson da Silva.
“O deputado vai se dedicar exclusivamente à defesa no Conselho de Ética”, disse o advogado. No início do mês, depois que a cúpula do PT se recusou a defendê-lo publicamente, Vargas deixou o cargo de vice-presidente da Câmara dos Deputados. Na carta em que justificava a decisão, alegou que precisa se dedicar à defesa que apresentará no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, que deve votar no próximo dia 29 o relatório preliminar do deputado Júlio Delgado (PSB-MG) sobre o pedido de cassação do petista. A representação a que o petista responde foi motivada por conta das relações entre o congressista e o doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava-Jato e apontado como um dos principais personagens de um esquema de lavagem de dinheiro responsável por movimentar 10 bilhões de reais nos últimos anos.


Homem bomba - Vargas, que se dizia um homem “muito influente” dentro do partido, é considerado por petistas como um potencial “homem bomba” por não ter recebido solidariedade dos principais expoentes da sigla. Conforme revelou VEJA, na tentativa de manter o cargo, o deputado começou um processo de chantagem contra integrantes do próprio PT e elegeu como primeiros alvos o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, a senadora e ex-ministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann, ambos com bases eleitorais no Paraná, além do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha.

A interlocutores, Vargas vinha insinuando que Bernardo seria beneficiário do esquema ilegal de distribuição de recursos que envolve a Petrobras e atuaria como intermediário entre a estatal e o grupo Schahin, personagem recorrente em escândalos políticos. Em depoimento ao Ministério Público, por exemplo, o operador do mensalão Marcos Valério informou que a construtora Schahin simulou serviços prestados a Petrobras e, com os recursos pagos pelo contrato não executado, pagou pelo silêncio de um empresário que poderia comprometer o ex-presidente Lula com o assassinato do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel.

Agente da ditadura militar, Delfim Neto acionou a corrupção porque queria ele mesmo ser o presidente dos generais do Brasil

Homem de confiança dos generais, ministro de vários governos da ditadura, Delfim diz agora que não sabia nada sobre torturas e assassinatos políicos - nem sobre a censura à imprensa. 



Relatórios de órgãos de informação da época concluem que ex-ministro - homem forte do regime - teria alavancado esquema de corrupção para chegar ao Palácio do Planalto.

. A reportagem é do jornalista Vasconcelos Quadros, do iG, conforme publicação feita hoje:

Dois relatórios de órgãos de informação do regime militar encontrados no Arquivo Nacional, em Brasília – um da Aeronáutica e outro do Exército –, aos quais o iG teve acesso, insinuam que o ex-ministro Delfim Netto, czar da economia da ditadura, teria alavancado um esquema de corrupção para pôr em prática um plano que o levaria ao governo de São Paulo em 1974 e, depois, ao Palácio do Planalto.
Os dois informes foram produzidos em períodos distintos. O primeiro, de maio de 1969, é uma espécie de alerta da comunidade de informação ao governo militar. Diz que o homem forte do regime, “movido por ambição pessoal desmedida”, fez pactos com grupos econômicos nacionais e internacionais com a intenção de chegar ao topo do poder.
“Seu objetivo imediato é enriquecimento pessoal. Seu objetivo mais remoto é o de sustentação financeira de um plano político que o conduziria ao governo do Estado de S. Paulo, na pior das hipóteses”, descreve o informe. Em seguida o autor sugere: ”Delfim Netto aspira à própria Presidência da República”.
Câmara Municipal de São Paulo
Delfim Netto depôs à Comissão Municipal da Verdade de São Paulo em junho de 2013
Informado pelo iG sobre o conteúdo dos relatórios através de e-mail enviado a sua assessoria na quinta-feira, 17, Delfim não respondeu. Informes, como se sabe, são peças parciais e incompletas de espionagem e, sozinhos, não têm valor jurídico. No caso de Delfim, revelam que ele era bombardeado pelo fogo amigo dentro do próprio regime militar, num período encoberto pela censura imposta pelo Ato Institucional nº 5 (AI-5), do qual foi defensor e signatário.
O ex-ministro foi alvo constante de monitoramento. Em sua pasta no Arquivo Nacional, além de um suposto plano de sequestro pela esquerda armada, abortado entre o fim 1969 e início 1970 pelos próprios órgãos de informação, há fartura de referências citando supostos esquemas de corrupção. Em 1974, antes de assumir o governo, o ex-presidente Ernesto Geisel recusou a indicação de Delfim para o governo paulista, embora o pedido tenha partido de seu antecessor, o general Emílio Garrastazu Médici.
Comissão Nacional da Verdade conclui que JK morreu em acidente e não assassinado
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Em entrevista ao jornalista Roberto D’Avila, da Globonews, sobre os 50 anos do golpe, Delfim contou ter ouvido de Médici que Geisel argumentou que os militares temiam perder o poder com sua eventual ascensão à política. “Não quero porque ele, com a Avenida Paulista, vai tomar o governo”, teria dito Geisel a Médici, segundo Delfim.

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Bom dia, Cinderela

Fernando Gabeira* - O Estado de S.Paulo


As pesquisas eleitorais recentes mostram Dilma Rousseff em queda. Quando se está caindo, a gente normalmente diz opa!. Não creio, porém, que Dilma vá dizer opa! e recuperar o equilíbrio. Além dos problemas de seu governo, ela é mal aconselhada por Lula nos dois temas que polarizam a cena política: Petrobrás e Copa do Mundo.

São cada vez mais claras as evidências de que se perdeu muito dinheiro em Pasadena. Lula, no entanto, não acredita nas evidências, mas nas versões. Se o seu conselho é partir para a ofensiva quando se perdem quase US$ 2 bilhões, a agressividade será redobrada quando a perda for de US$ 4 bilhões e, se for de US$ 6 bilhões, o mais sábio será chegar caindo de porrada nos adversários antes que comecem a reclamar.


Partir para a ofensiva na Copa do Mundo? Não é melhor deixar isso para os atacantes Neymar e Fred? Desde o ano passado ficou claro que muitas pessoas não compartilham o otimismo do governo nem consideram acertada a decisão de hospedar a Copa.


O governo acha que sufoca as evidências. O próximo passo desse voluntarismo é controlar as evidências. O papel do IBGE e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), por exemplo, começa a ser deformado pelo aparelhamento político. Pesquisas que contrariam os números de desemprego são suspensas. E o Ipea foi trabalhar estatísticas para Nicolás Maduro, que acredita ver Hugo Chávez transmutado em passarinho e, com essa tendência ao realismo mágico, deve detestar os números.


Controlar as evidências, determinar as sentenças pela escolha de ministros simpáticos à causa, tudo isso é a expressão de uma vontade autoritária que vê a oposição como vê os números desfavoráveis: algo que deva ser banido do mundo real. A visão de que o País seria melhor sem uma oposição, formada por inimigos da Petrobrás e por gente que torce contra a Copa, empobrece e envenena o debate político.


Desde o mensalão até agora o PT decidiu brigar com os fatos, e isso pode ter tido influência na queda de Dilma nas pesquisas. O partido foi incapaz, embora figuras como Olívio Dutra o tenham feito, de reconhecer seus erros. Está sendo incapaz de admitir os prejuízos que sua política de alianças impôs à Petrobrás ou mesmo que a Copa do Mundo foi pensada num contexto de crescimento e destinava-se a mostrar nossa exuberância econômica e capacidade de organização a todo o planeta. Gilberto Carvalho revelou sua perplexidade: achava que a conquista da Copa seria saudada por todos, mas as pessoas atacaram o governo por causa dela.


Bom dia, Cinderela. O mundo mudou. Dilma e o PT não perceberam, no seu sono, que as condições são outras. Brigar com os fatos num contexto de crescimento econômico deu a Lula a sensação de onipotência, uma crença do tipo "deixa conosco que a gente resolve na conversa". Hoje, em vez de contestar fatos, o PT estigmatiza a oposição como força do atraso. Ele se comporta como se a exclusão dos adversários da cena política e cultural fosse uma bênção para o Brasil. A concepção de aniquilar o outro não é vivida com culpa por certa esquerda, porque ela se move num script histórico que prevê o aniquilamento de uma classe pela outra. O que acabará com os adversários é a inexorável lei da história, eles apenas dão um empurrão.


Sabemos que a verdade é mais nuançada. O governo mantém excelentes relações com o empresariado que financia por meio do BNDES e com os fornecedores de estatais como a Petrobrás. Não se trata de luta de classes, mas de quem está se dando bem com a situação contra quem está ou protestando ou pedindo investigações rigorosas contra a roubalheira, na Petrobrás ou na Copa.


A aliança do governo é aberta a todos os que possam ser controlados, pois o controle é um objetivo permanente. Tudo o que escapa, evidências, vozes dissonantes, estatísticas indesejáveis, tudo é condenado à lata de lixo da História. Felizmente, a História não se faz com líderes que preferem partir para cima a dialogar diante de evidências negativas, tanto na Petrobrás como na Copa ou no mensalão. Nem com partidos incapazes de rever sua tática diante de situações econômicas modificadas.


Dilma, com a queda continuada nas pesquisas, sai da área de conforto e cai no mundo em que os candidatos dependem muito de si próprios e não contam com vitória antecipada pelo peso da máquina. Será a hora de pôr de novo em xeque a onipotente tática de eleger um poste. Nem o poste nem seu inventor hoje conseguem iluminar sequer um pedaço de rua. Estão mergulhados no escuro e comandarão um exército de blogueiros amestrados para nublar as redes sociais. Com a máquina do Estado, o prestígio de Lula, muita grana em propaganda e na própria campanha eleitoral, o governo tem um poderoso aparato para enfrentar a realidade. Mas essa abundância de recursos não basta. Num momento como este no País, será preciso horizonte, olhar um pouco adiante das eleições e estabelecer um debate baseado no respeito às evidências.


Esse é um dos caminhos possíveis para recuperar o interesse pela política. No momento, a resposta ao cinismo é a indiferença com forte tendência ao voto em branco ou nulo. Embora a oposição também seja parte do jogo, a multidão que dá as costas para a escolha de um presidente é uma obra do PT que subiu ao poder, em 2002, prometendo ampliar o interesse nacional pela política, mas conseguiu, na verdade, reduzi-lo dramaticamente. Para quem se importa só com a vitória eleitoral, essa questão da legitimidade não conta. Mas é o tipo de cegueira que nos mantém no atraso político e na ilusão de que adversários são inimigos. O PT comanda um estranho caso de governo cujo discurso nega o próprio slogan: Brasil, um país de todos. De todos os que concordam com a sua política.

Até nas relações exteriores o viés partidário sufocou o nacional, atrelando o País aos vizinhos, alguns com sonhos bolivarianos, e afastando-o dos grandes centros tecnológicos. Contestar esse caminho quase exclusivo é defender interesses americanos; denunciar corrupção na empresa é ser contra a Petrobrás; assim como questionar a Copa é torcer contra o Brasil.


Bom dia, Cinderela, acorde. Em 2014 você pode se afogar nos próprios mitos.


*Fernando Gabeira é jornalista.

Ventos de mudança: o começo do fim do PT

No Brasil as coisas são assim: leva muito tempo até a ficha cair. Mas um dia ela cai! É o que parece estar acontecendo quando se trata do PT e seu discurso de “nós contra eles”, tentando monopolizar a ética. Parece até piada de muito mau gosto logo o PT falar de ética, o partido mais corrupto de todos. Mas até bem pouco tempo atrás essa falácia colava.
Em sua coluna de hoje na Folha, Reinaldo Azevedo lança um prognóstico otimista: o PT começou a morrer. Justamente porque essa blindagem que o partido usa, de demonizar qualquer crítico de sua gestão como se fosse inimigo do país, rompeu-se. Chega a ser ridículo alguém apelar para essa tática hoje. Como diz Reinaldo, “Desta vez, parece, os larápios não vão usar o relincho ideológico como biombo”. Ele acrescenta:
Há nas ruas, nas redes sociais, em todo canto, sinais claros de enfraquecimento da metafísica petista. Percebe-se certo cansaço dessa estridência permanente contra os adversários, tratados como inimigos a serem eliminados. Se, em algum momento, setores da sociedade alheios à militância política profissional chegaram a confundir esse espírito guerreiro com retidão, vai-se percebendo, de maneira inequívoca, que aquilo que se apresentava como uma ética superior era e é apenas uma ferramenta para chegar ao poder e nele se manter.
A arte de demonizar o outro, de tentar silenciá-lo, de submetê-lo a um paredão moral seduz cada vez menos gente. Ao contrário: há uma crescente irritação com os estafetas dedicados a tal tarefa. Se, antes, nas redes sociais, as críticas ao petismo eram tímidas, porque se temia a polícia do pensamento, hoje, elas já são desassombradas. E se multiplicam. Os blogs sujos viraram caricatura. A cultura antipetista está em expansão. E isso, obviamente, é bom.
Como o próprio Reinaldo reconhece, isso não é o mesmo que prever a derrota nas urnas em outubro. Está mais para uma “agitação das mentalidades” que, segundo o autor, “costuma anunciar as mudanças realmente relevantes”. É o que tenho chamado de ventos de mudança, claramente perceptíveis em todo lugar.
Há um clima novo no ar, e cada vez mais gente tem coragem de sair da toca e criticar o modelo ou o método petista. O senso de moralidade vem despertando muitos que hibernavam antes. A crise venezuelana ajudou, ao mostrar o destino final do país caso nada seja feito para impedir o “projeto” do PT.
Fernando Gabeira, em seu artigo publicado hoje no Estadão, foi por uma linha parecida, ao alertar que os petistas ainda sonham com uma onipotência que não existe e cuja sensação era derivada da bonança econômica. Diante da realidade cada vez menos favorável, o PT tenta controlar os fatos e eliminar a oposição. Diz Gabeira:
Bom dia, Cinderela. O mundo mudou. Dilma e o PT não perceberam, no seu sono, que as condições são outras. Brigar com os fatos num contexto de crescimento econômico deu a Lula a sensação de onipotência, uma crença do tipo “deixa conosco que a gente resolve na conversa”. Hoje, em vez de contestar fatos, o PT estigmatiza a oposição como força do atraso. Ele se comporta como se a exclusão dos adversários da cena política e cultural fosse uma bênção para o Brasil. A concepção de aniquilar o outro não é vivida com culpa por certa esquerda, porque ela se move num script histórico que prevê o aniquilamento de uma classe pela outra. O que acabará com os adversários é a inexorável lei da história, eles apenas dão um empurrão.
Sabemos que a verdade é mais nuançada. O governo mantém excelentes relações com o empresariado que financia por meio do BNDES e com os fornecedores de estatais como a Petrobrás. Não se trata de luta de classes, mas de quem está se dando bem com a situação contra quem está ou protestando ou pedindo investigações rigorosas contra a roubalheira, na Petrobrás ou na Copa.
[...]
Até nas relações exteriores o viés partidário sufocou o nacional, atrelando o País aos vizinhos, alguns com sonhos bolivarianos, e afastando-o dos grandes centros tecnológicos. Contestar esse caminho quase exclusivo é defender interesses americanos; denunciar corrupção na empresa é ser contra a Petrobrás; assim como questionar a Copa é torcer contra o Brasil.
Bom dia, Cinderela, acorde. Em 2014 você pode se afogar nos próprios mitos.
Não é possível enganar todos o tempo todo. É verdade que o PT distribuiu muito dinheiro – nosso – para comprar apoio. Também é verdade que sempre contou com uma narrativa messiânica disseminada por nossos “intelectuais” de esquerda. Mas há uma clara fadiga do poder. O choque de realidade é brutal. O PT é um fracasso econômico e um fracasso ainda maior na ética.
Não será possível se proteger de tantos escândalos e tanta incompetência apelando para sempre ao fator ideológico ou demonizando seus críticos. Essa estratégia hipócrita engana cada vez menos gente. São os ventos de mudança, que anunciam o começo do fim dessa seita chamada PT…
Rodrigo Constantino

Inflação dispara na Venezuela e atinge quase 60% ao ano

A inflação oficial venezuelana atingiu 4,1% em março, informa nesta quinta-feira o Banco Central da Venezuela (BCV). Com o resultado, o índice acumula alta de 59% em um ano. Subordinado ao presidente Nicolás Maduro, o BCV culpa os protestos contra o governo pela alta dos preços e endossa o termo “guerra econômica” para justificar uma política que agoniza com a inépcia das pessoas que comandam o país. O relatório do BCV inverte a lógica dos fatos, pois a escalada da inflação foi justamente um dos motivos que influenciaram os protestos. O relatório é tão parcial que inclusive omite o alarmante índice acumulado nos últimos 12 meses, que teve de ser calculado por economistas independentes que usaram como base os índices mensais divulgados pelo BCV.
VEJA

Gastos com Olimpíadas no Rio em 2016 não estão transparentes

25 de abril de 2014 
Gabriela Salcedo
Mesmo com orçamento previsto em R$ 36,7 bilhões para as Olimpíadas 2016, os dados sobre as despesas já executadas ou a executar com obras e projetos para o evento não estão transparentes. Os portais de transparência para prestar contas ao cidadão sobre os gastos dos jogos, realizados pelas três esferas do poder executivo, isto é, federal, estadual e municipal do Rio de Janeiro, são ineficientes ou sequer existem.
Do orçamento, anunciado na semana passada pelos representantes das três esferas, a prefeitura do Rio de Janeiro, por exemplo, é responsável por 14 projetos de legado para a cidade, envolvendo um investimento de R$ 14,3 bilhões. Deste valor, R$ 3,9 bilhões são recursos municipais e R$ 1,2 bilhão repasse federal, o restante é recurso privado.
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Como o portal de transparência da esfera municipal das Olimpíadas (http://www.cidadeolimpica.com.br/transparencia) não mostra dado algum da execução orçamentária, o cidadão que pretende acompanhá-los, não consegue. No portal, só é possível encontrar planos das políticas públicas e da matriz de responsabilidade, isto é, projetos que só são executados por conta dos jogos olímpicos.
O mesmo ocorre com a União, responsável por três projetos de legado. No portal de transparência do governo federal (www.portaltransparencia.gov.br), há um banner indicando Rio 2016, o que faz pensar que, por este caminho, o usuário encontraria os dados da execução orçamentária do evento. Entretanto, informações sobre as despesas são pífias e não permitem detalhamento. Não é possível, por exemplo, saber se a União já fez o citado repasse de verba à prefeitura, ou em que patamar está a execução dos tais projetos, que envolvem um valor total de R$ 110 milhões.
Em relação ao estado do Rio de Janeiro, os dados são ainda menos transparentes. Não há nenhum tipo de portal de transparência relacionado aos Jogos Olímpicos, mesmo tendo esta esfera do poder executivo importante papel nas obras de mobilidade e meio ambiente. Está previsto um investimento de R$ 9,7 bilhões em dez projetos de legado, mas para o cidadão comum conseguir acompanhar a execução dessas obras só por meio de muita adivinhação.
Para a fiscalização das despesas do estado com os jogos, só é possível consultar o próprio portal de transparência (www.transparencia.rj.gov.br). Isto é, o usuário deve adivinhar, dentre todos os gastos do estado, quais são referentes às Olimpíadas.
O Contas Abertas conseguiu as despesas da União aplicadas ao mega evento por meio de sistemas de acompanhamento do orçamento do governo federal. Foram realizadas consultas com palavras-chaves e, assim, encontradas 32 ações federais relacionadas ao evento no planejamento orçamentário deste ano. Elas totalizam uma dotação de R$ 1 bilhão e, até o dia 10 deste mês, foram desembolsados R$ 183,3 milhões.
Dessa forma, não há como saber claramente quais destas ações estão dentro da Matriz de Responsabilidades (prevista em R$ 5,6 bilhões) e quais fazem parte do custo operacional (previsto em R$ 7 bilhões), como hospedagem e alimentação dos atletas. O que se sabe é que, independente da esfera de poder, os projetos estão atrasados. O Comitê Olímpico Internacional (COI) já denunciou atrasos nas obras, o diretor executivo da entidade deverá ir mensalmente ao Rio de Janeiro para vistoriá-las.
O Ministério do Esporte não se manifestou em relação aos atrasos das obras nem sobre a dificuldade do cidadão comum acompanhar a execução orçamentária dos gastos relacionados ao evento por falta de transparência dos gastos com o mega evento.
Já o Estado do Rio de Janeiro justificou que ainda estão avaliando quais itens, tanto os direcionados apenas para Olimpíadas como aqueles que também fazem parte das despesas correntes, podem ser listados nessa rubrica.
A Controladoria Geral do Município do Rio de Janeiro informou que os dados sobre a execução orçamentária referentes às Olimpíadas foram retirados momentaneamente do site, em virtude de uma manutenção promovida diretamente pela Empresa Olímpica, que está providenciando a disponibilização.
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