sexta-feira, 2 de maio de 2014

REVISTA ISTO É- DESTAQUE- A caminho do segundo turno. Pesquisa ISTOÉ/Sensus mostra pela primeira vez que eleição presidencial não deve ser revolvida em uma só votação, como apontavam enquetes até agora divulgadas. A oposição ganha votos e, se fosse hoje, a disputa seria entre Dilma Rousseff e Aécio Neves

DILMA 31%
AÉCIO- 27%

Políbio Braga- Bolsa sobe com boataria sobre empate técnico entre Dilma e Aécio


Neste final de semana são cada vez mais consistentes as informações de que o Instituto Sensus, contratado pela revista IstoÉ para sete rodadas de pesquisas de intenções de votos, trará neste final de semana o seguinte resultado:

Dilma, 31%
Aécio, 27%

. Com margem, de erro de 2% para mais ou para menos, isto significa empate técnico.

. O boato eleitoral impulsiona a bolsa brasileira nesta sexta-feira, que também marca a virada da carteira teórica do Ibovespa. Mais cedo, os investidores reagiram bem ao dado de geração de emprego nos Estados Unidos, que veio muito acima do esperado pelos economistas. A combinação de fatos faz a bolsa disparar com volume consistente, beirando a casa dos 53 mil pontos.

. No mesmo âmbito da boataria, o que circula é que o Planalto tem conhecimento dos números há mais tempo, porque a pesquisa responderia aos interesses do ala do PT que defende a consigna "Volta Lula". Os resultados de Sensus fortaleceria o movimento, desestabilizando mais ainda a presidente.

ISSO É VENEZUELA - JORNALISTA SE DEMITE APÓS ENTREVISTA COM ESCRITOR SER CORTADA

APRESENTADORA VENEZUELANA PEDE DEMISSÃO APÓS TER ENTREVISTA EDITADA
Publicado: 2 de maio de 2014 às 16:48 - Atualizado às 18:07
Apresentadora pediu demissão após censura em entrevista
Apresentadora pediu demissão após censura em entrevista
A apresentadora do programa de entrevistas da rede venezuelana de televisão Globovisión, Shirley Varnagy, anunciou em seu Twitter que estava de saída da emissora. De acordo com o microblog da jornalista, o motivo seria a edição feita na entrevista feita com Mario Vargas Llosa, escritor peruano ganhador do Nobel de Literatura com forte posicionamento político.
Shirley divulgou bastante a entrevista conseguida com muito “esforço” e disse que não podia “permanecer indiferente”. Ela tem recebido apoio de inúmeras pessoas, incluindo um professor de jornalismo. Em resposta, ela disponibilizou a íntegra da entrevista com Vargas Llosa em seu site.
O corte foi feito quando ela perguntou a opinião de Llosa sobre um artigo de Gabriel García Márquez, falecido recentemente, sobre o finado presidente da Venezuela, Hugo Chávez. No artigo, Márquez relatou um encontro com o líder bolivariano, concluindo que ele não poderia dizer se tinha conhecido um dirigente “ao qual é oferecida a oportunidade de salvar o seu país” ou “um ilusionista, que poderia entrar para a história como apenas mais um déspota”.
Além de Varnagy, mais de 50 jornalistas e profissionais se demitiram do canal desde a mudança de direção, em março de 2013.

Caio Blinder- O que há de novo na frente ucraniana?

O interino, precário e ineficaz governo ucraniano já reconheceu o óbvio: perdeu o controle de regiões no leste do país para  movimento separatista pró-russo que não atua de forma separada de Moscou, embora o governo Putin não reconheça esta obviedade. Com a ampliação deste descontrole nas províncias de Donetsk e Luhansk fica cada vez mais clara a estratégia do presidente russo de subverter o que cada vez menos pode ser chamado de vida normal no país, assegurar que os militantes pró-russos realizem a farsa de um referendo separatista em 11 de maio e impedir que a Ucrânia tenha a sua eleição presidencial duas semanas mais tarde.
A ordem de Putin é para que seja criado o caos. Com cara de pau, ele exigiu, em conversa com a primeira-ministra alemã Angela Merkel, na quinta-feira, que os ucranianos retirem suas tropas do leste ucraniano para resolver a crise, sem mencionar a atuação e a ocupação de edifícios públicos por bandoleiros pró-russos. Putin alerta para que não seja usada violência contra estes bandoleiros, pois haverá uma intervenção neste caso. Ameaça de bandoleiro.
O dilema do governo ucraniano é patético: não tem condições de conter os bandoleiros, assim permitindo que ocupem cada vez mais espaço físico e político, e, caso se atreva a tomar uma atitude, tomará bordoada de Moscou. Os confrontos mais sérios iniciados nesta sexta-feira entre forças governamentais e militantes separatistas em Sloviansk podem engatilhar uma guerra civil e ser o sinal para uma incursão russa em larga escala. Com cara de pau, o governo russo advertiu que assim não vale: o governo ucraniano não pode agir contra arruaceiros armados orquestrados por Moscou que ocupam edifícios públicos, capturam até observadores militares e jornalistas estrangeiros, além de espancar ucranianos.
O Kremlin ainda não assumiu publicamente o desejo de anexar o leste ucraniano, mas, como na Crimeia há dois meses, o referendo dá uma fachada de legitimidade para uma intervenção política ou militar em nome dos russos étnicos. Pesquisas na região indicam que não mais de 20% da população apoiam a separação e posterior reunificação com a Rússia, mas números absolutos são irrelevantes. O que conta na farsa é quem vai aparecer para votar, o que para Moscou será uma expressão da vontade popular nas “república populares” de Donetsk e Luhansk
E o que fará Putin em seguida? O plano maior é  impedir que a Ucrânia assuma uma identidade ocidental ao se tornar integrante da União Europeia e da Otan. Tropas russas talvez sejam necessárias para proteger os habitantes destas “repúblicas populares” de forma indefinida. Pequenas parcelas de países como Geórgia e Moldávia estão ocupadas pelos russos, mas Moscou não define o status destes enclaves como parte do seu território.
O Ocidente esbravejou, mas aceitou tacitamente a anexação da Crimeia, mas fixou uma linha vermelha para o resto do país. Resta saber se esta linha é flexível ou se haverá algo de novo na frente ucraniana.
***

Escândalo da Petrobras é impopular também entre presidiários

Pois é… A questão da Petrobras “pegou”. Inclusive nos presídios, onde costumam estar os bandidos. Sabem como é… Mesmo num lugar em que os padrões morais e éticos não são os mais elevados, roubar dinheiro público não é uma coisa bem vista. Há práticas que o código de conduta da bandidagem não suporta.
Por isso Paulo Roberto Costa, o ex-diretor da Petrobras que estava preso no Presídio Estadual de Piraquara II, na região metropolitana de Curitiba, teve de voltar para a superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Privilégio? Não nesse caso. É uma questão de prudência. Ele realmente corria riscos lá onde estava. E o Brasil precisa de Paulo Roberto vivo. Precisa de tudo o que ele sabe e, até agora, não disse.

Por Reinaldo Azevedo

A LUTA DE ERIK GÖRANSSON CONTRA A COLETIVIDADE

Janer Cristaldo
Por Tage Danielsson * 
Tradução do sueco de Janer Cristaldo

Erik Göransson chamava-se um homem que não teve exatamente uma boa vida ao crescer. Seu pai, Hilmer Göransson, ganhara tanto dinheiro que a maior parte foi paga em impostos. Com os anos, Hilmer Göransson tomou-se cada vez mais amargo com o Estado e a Prefeitura, que implacavelmente aplicavam suas escalas progressivas de imposto aos seus imensos ganhos. Os sensíveis anos da puberdade de Erik Gõransson transcorreram pois em uma atmosfera de azedume e ódio reacionário contra as autoridades.

Quando Hilmer Gõransson faleceu foi encontrada em seu testamento a seguinte passagem: 

"Não me sobrou dinheiro algum devido à política tributária deste país. No entanto, paguei ao Estado e à Prefeitura durante minha honesta existência a soma de 4 967 563,90 coroas. Utilizei as estradas do Estado, seus hospitais, escolas, acampamentos militares, etc, num montante (calculado por alto) de 1 695 156,85 coroas. Restam portanto 3 272 407,05, que o Estado e a Prefeitura devem a mim e a minha família. Deixo em testamento este dinheiro a meu filho Erik. No uso perfeito de minhas faculdades mentais, subscrevo-me

Hilmer Gõransson." Erik ficou naturalmente muito alegre por receber tanto dinheiro e foi imediatamente à Receita Federal para apanhá-lo. Imaginem seu espanto de jovem inexperiente quando não recebeu podre öre.

Ante esta incrível mesquinharia Erik foi acometido de uma crise interior. A última vontade de seu pai precisava ser respeitada! O Estado e a Prefeitura veriam com quem estavam tratando!

Erik sentou-se e pensou como poderia escamotear do Estado e da Prefeitura todo esse dinheiro que lhe pertencia. Primeiro, pensou, durante toda minha existência devo ganhar tão pouco dinheiro quanto possível, de modo que meus pagamentos de imposto sejam insignificantes. Caso contrário, apenas aumentará a dívida do Estado em relação a mim. Segando, continuou, vou tomar-me extremamente caro ao Estado e à Prefeitura, de todas as formas imagináveis. Se eles pensam que vão ficar com o dinheiro de papai, estão redondamente enganados!

Após a morte do pai, Erik foi para o ginásio. Procurou repetir cada série, com o que recebeu 9 650 coroas escamoteadas às autoridades sob a forma de pagamento de professores, material escolar, etc. Dedicou-se assiduamente a abrir buracos com um canivete nos bancos da escola, que tiveram de ser trocados várias vezes. Um ganho para Erik de 560 coroas.

Quando ia terminar o secundário, começou a estudar intensivamente, e como tinha boa cabeça conseguiu ótimas notas. A vantagem disso é que poderia obter auxílio e subvenção o Estado para estudar na universidade. Conseguiu-os sem problema algum. Mas primeiro deveria fazer o serviço militar.

Com o uniforme da Coroa Erik faturou uma boa grana do Estado. Comeu imensas porções de comida da Coroa (boa não era, mas ele precisava comê-la pelo dinheiro do pai), era extremamente descuidado com o material da Coroa e tornou a vida tão amarga para os oficiais que estes se dirigiram ao Tesouro exigindo acréscimo de salário por condições adversas de trabalho. A defesa sueca jamais tivera antes um soldado que abateu tantos bonecos de tiro ao alvo, estraçalhou tantos pares de calça e pôs abaixo tantas paliçadas como Erik Göransson.

Erik anotou minuciosamente cada öre que ele custava ao Estado e à Prefeitura. Ao final do serviço militar havia retomado da coletividade nada menos que 260 546:64 coroas do dinheiro falecido Hilmer Göransson.

Agora aproximavam-se os estudos universitários. Que profissões, perguntou-se Erik Göransson, custam mais dinheiro ao Estado e à Prefeitura? Bem, respondeu, naturalmente são os professores na área humanística, que vivem toda a vida a custas da coletividade através de auxílios para pesquisas e outros mais, sem dar ao Estado e à Prefeitura compensação alguma em forma de dinheiro vivo. Serei professor.

Assim começaram as autoridades, lenta mas inexoravelmente, a pagar sua grande dívida para com Erik Göransson em forma de pagamentos de estudos e outras despesas. Mas Erik conseguiu ainda ganhos extras de várias coroas por dia caminhando e sujando as ruas. Uma das ocupações favoritas de Erik era apanhar toda a espécie possível de formulários nas agências de correios e telégrafos e outras instituições públicas. Punha os formulários em uma sacola, que depois esvaziava nas ruas e praças de forma que os salários dos trabalhadores da Prefeitura subiram, consideravelmente. Com apenas este simples expediente ele ganhava umas boas vinte coroas por dia da coletividade.

Por fim Erik tomou-se professor em lingüística comparada. Recebia agora um salário sobre o qual tinha de pagar imposto, mas este não era muito alto, e o que o Estado retomava por um lado, perdia pelo outro. Entre outras coisas, Erik encomendou do estrangeiro a custas do Estado pilhas de inútil literatura especializada em lingüística comparada, honrando assim a memória de seu pai.

Casou-se e teve filhos, mais pelos auxílios natalidade e maternidade que por qualquer outra razão. As crianças foram especialmente instruídas a quebrarem em pedacinhos as gangorras dos parques infantis públicos e a fazer orelhas nas cartilhas da escola.

0 professor Erik Göransson obteve ainda permissão para fazer uma viagem de estudos à Mongólia para pesquisar como os mongóis pronunciam o som tj. Viajou em primeira classe e em sua chegada providenciou uma caravana de camelos com todo o conforto possível e TV nas tendas. A dívida da coletividade com Erik Göransson baixou com isto a apenas alguns milhões de coroas.

Por mais que se esforçasse e trabalhasse e destruísse sinais de tráfico na escuridão da noite, ao atingir a aposentadoria lhe restava ainda cobrar 896 574:13 coroas da herança de seu pai. Havia apenas uma forma de recebê-la do Estado e da Prefeitura: viver ainda muito tempo. 

E Erik Göransson viveu e viveu e quitou a dívida com a aposentadoria popular, aposentadoria no magistério, fundo de garantia e auxílios-doença (saía no inverno sem chapéu para manter-se gripado). Aos 87 anos finalmente débito e crédito se igualaram e a dívida da coletividade para com Erik Göransson finalmente chegou a zero. . * "Agora começa a vida", gritou Erik Göransson”. 

E morreu. 

* Conheci Tage Danielsson (1928-1985) em Estocolmo, em 1982, quando visitei a Suécia a convite do Ministério de Relações Exteriores sueco. Jovial e sempre irônico, me recebeu com fidalguia em sua casa. Danielsson foi um dos mais importantes escritores suecos do século passado, dividindo sua criatividade entre a literatura e o cinema. Crítico mordaz de sua própria sociedade, a Suécia cosmopolita e superdesenvolvida, seus contos continuando ecoando no mundo contemporâneo. O conto traduzido pertence à coletânea Estórias para crianças de mais de 18 anos.

COLUNA DO CLÁUDIO HUMBERTO-DILMA NÃO ESTÁ DISPOSTA A CEDER CANDIDATURA A LULA


  • Podem tirar o cavalinho da chuva quem integra a numerosa bancada do “Volta, Lula”, no Congresso. Uma ex-ministra e dois ministros próximos avisam que a presidenta Dilma adora governar, tomou gosto pelo exercício do poder, vai tentar a reeleição até o fim, e não está disposta a entregar a candidatura ao ex-presidente Lula. Ao contrário de deixá-la abatida, “Volta, Lula” parece desafiá-la a ir à luta, afirmam.
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  • Na bancada do “Volta, Lula” estão quase todos os deputados do PT e vários de partidos aliados. Dilma tem anotados nome por nome.
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  • Em suas palestras, Lula se jacta de suas “três vitórias”. Nem cita Dilma como vencedora. No fundo, trata-a como um “poste”. Ela soube disso.
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  • Dilma tem dito a amigos que não vê motivo para não acreditar em Lula, que jurou não ser candidato e prometeu ajudar na sua campanha.
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  • Raposas políticas como Renan Calheiros e José Sarney, aproveitaram a fragilidade, aproximaram-se e viraram amigos de infância de Dilma.
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  • “Nunca antes” na história mundial os carteiros ganharam tanto: trata-se de “cumpanhêros” concursados, que, por indicação petista viram “analistas” e diretores regionais, com salários entre R$ 14 mil e R$ 19 mil, como apurou a coluna. A estatal paga em média R$ 2,5 mil para carteiro com anos de experiência, mas apadrinhados saíram do serviço de entrega de cartas e encomendas para cargos de nível superior.
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  • Enquanto cartas são entregues com atraso de até dois meses, cerca de 10 mil carteiros estão nos gabinetes, por meio de artifícios salariais.
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  • O filme é velho: Lula quer “os braços do povo” para voltar. Dilma também. O último que tentou renunciaria  meses depois.
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  • O Twitter ferveu com o anúncio da “morte” de Fidel Castro, até que saiu a versão verdadeira: ele foi ao hospital para autópsia de rotina.
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  • Refugiado no Brasil, o oposicionista boliviano Roger Pinto Molina está morando no apartamento funcional do senador e amigo Sérgio Petecão (PSD-AC), em Brasília. “Ele não tem para onde ir”, afirma o acreano.
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  • O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) sempre chama atenção para os cabelos já um tanto abundantes, após implante. Até nem se importa com o apelido que ganhou dos amigos mais próximos: “Cabeleira”.
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  • A Caixa vai subir o valor das apostas mínimas dos jogos da loteria. A Mega Sena custará R$ 2,50, alta de 25%. Quina vai para R$ 3,00, surpreendente alta de 33%. A Lotofácil fechou em R$ 1,50, subiu 20%.
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  • Aspirante ao Planalto, Aécio Neves (PSDB) desmarcou participação no domingo (27) em futebol em uma favela de SP, com a presença do ex-jogador Bebeto, tudo organizado por Paulo Pereira, do Solidariedade.
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  • Propaganda da Volkswagen no DF oferece “as últimas unidades” do modelo Fox “com IPVA grátis”. A publicidade malandra não informa que todo veículo zero km é isento do IPVA no DF, no ano da compra.
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  • Presidente do PSD, Gilberto Kassab se reuniu privadamente com o ministro Guilherme Afif (Microempresa), o líder Moreira Mendes (RO) e Eduardo Sciarra (PR). Na pauta, aliança nacional nas eleições.
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  • Rifado pela cúpula nacional do PMDB, o ex-governador Íris Rezende (GO) tem dito a amigos que não moverá uma palha para eleger o correligionário e empresário Júnior Friboi ao governo de Goiás.
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  • Apesar das recusas de Íris Rezende, Júnior Friboi (PMDB) aposta que convencerá o correligionário a disputar o Senado em sua chapa, de olho em garantir uma boa transferência de votos ao governo de Goiás.
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  • Lula também dirá que Dilma não é pessoa de “sua confiança”, como o fez em relação a Zé Dirceu, Genoino e Delúbio?
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Falcão responsabiliza Barbosa pela vida de Genoino

O presidente do PT, Rui Falcão, abriu o Encontro Nacional do PT, responsabilizando publicamente o ministro Joaquim Barbosa pela vida de José Genoino, informa a Folha Online. Afirmou: “Nós o responsabilizamos publicamente pela vida e pela saúde do companheiro José Genoino”.
Como pressão política, é parte do jogo. Como fato, não faz sentido. Genoino é um sentenciado e está condenado a um determinado regime de reclusão. Barbosa — na verdade, o Supremo — é obrigado a decidir segundo um laudo técnico. E os laudos dizem que Genoino pode, sim, enfrentar as condições do regime semiaberto.
Cláudio Alencar, seu advogado, diz que vai recorrer ao pleno do Supremo: “Vamos recorrer ao plenário para tentar reverter novamente para prisão domiciliar, que é o mais adequado no caso dele”. E acrescentou: “Nos feriados e finais de semana, não tem médico na Papuda. E a informação que obtivemos é que o único médico do complexo está de férias. O sistema penitenciário tinha que prover isso. É temerária a decisão do STF. Estamos preocupados”.
Bem, sendo assim, a situação é temerária não para Genoino apenas, mas para todos os presos. Com a palavra, o governador Agnelo Queiroz. Não fosse Genoino estar preso, nem saberíamos do risco a que estão submetidos todos os detentos.
Por Reinaldo Azevedo

‘Brasil brasileiro’, por J. R. Guzzo

Publicado na edição impressa de VEJA
J. R. GUZZO
Voltou a ser moda no mundo político brasileiro falar mal de São Paulo; aparentemente, essa velhacaria parida pelo ressentimento e pela demagogia foi incluída de novo na caixa de ferramentas dos heróis da nossa vida pública. Para muitas estrelas do PT é uma tentativa de enfiar-se no coro contra as elites inventado pelo ex-presidente Lula —  num desses repentes de inspiração que só ele tem para criar inimigos imaginários, em cima dos quais pode jogar a culpa de tudo sem citar o nome de ninguém. São Paulo, segundo essa visão, seria o covil mais perigoso das “elites brasileiras” de hoje.
Tra­ta-se, também, de um alvo multiuso. Serve tanto para o infeliz deputado André Vargas como para o senador José Sarney. Serve para governadores calamitosos, que tentam explicar seus fracassos inventando que São Paulo fica com “todos os recursos do país”. Serve para a defesa de qualquer corrupto – estão sendo “linchados”, costumam dizer, porque combatem “os interesses da elite paulista”. Serve para rebater denúncias contra aberrações como a compra da refinaria de Pasadena ou a construção da refinaria Abreu e Lima, próxima ao Recife; tais denúncias, dizem os suspeitos, são armadas por elitistas de São Paulo, que querem “privatizar a Petrobras” e não se conformam com o avanço industrial de Pernambuco.
Junta-se à tropa, agora, o governador do Acre, Tião Viana, que acusa São Paulo de abrigar elites culpadas pelo triplo delito de preconceito, racismo e tentativa de “higienização” contra imigrantes haitianos. Recentemente, uma secretaria do governo paulista havia reclamado que em três dias vieram do Acre para São Paulo três vezes mais haitianos do que nos últimos três anos – todos com passagens entregues por funcionários do governo acriano, incapaz de lidar com a massa de imigrantes do Haiti que vem se acumulando em seu território.
O governador, um servidor opaco do médio clero do PT, estava apenas aplicando o velho golpe dos grã­o-­senhores que reinam nos fundões mais atrasados do Brasil: combater a miséria através da exportação dos miseráveis. Mas não resistiu à tentação de enfiar na história a “elite paulista”, embrulhando com palavrório “ideológico” o que é uma simples trapaça para esconder sua inépcia. Esse gigante da luta de classes, como alguns ainda podem se lembrar, é o mesmo senador Tião Viana que em 2009 tentou empurrar para o Senado Federal uma conta de 15 000 reais que sua filha gastou com ligações no celular durante uma viagem particular de duas semanas ao México; só pôs a mão no bolso para devolver esse dinheiro aos cofres públicos depois que o caso foi revelado pela imprensa. Os outros militantes anti-São Paulo não estão muito acima. Até caciques do PT, como o secretário paulistano de Transportes, já chegaram a afirmar que “São Paulo é a cidade mais reacionária do Brasil”.
O ex-deputado cearense Ciro Gomes, nascido em São Paulo, é outro que gosta de bater bumbo nessa banda. Tempos atrás, veio com uma teoria bem estranha. Pelo que deu para entender, ele acha que São Paulo “não é bem o Brasil”; seria uma espécie de território estrangeiro, habitado por gente que talvez nem devesse ter pleno direito à nacionalidade brasileira, por lhe faltar “brasilidade”. Esse tipo de devaneio, comum entre políticos do Nordeste, talvez venha da impressão de que São Paulo é o bairro dos Jardins, o único que conhecem. O deputado poderia passar uma ou duas horas num dos outros 500 jardins que há na cidade. Poderia ir, por exemplo, ao Jardim Peri-Peri ou ao Jardim Quá-Quá; teria oportunidade de verificar, então, se está ou não no Brasil.
São Paulo, gostem ou não, é a mais brasileira das cidades do Brasil – nenhuma outra, nem de longe, é o lar de tantos brasileiros vindos de outros estados. Tem 3 milhões de habitantes nordestinos, mais que qualquer cidade do Nordeste. A eles se somam os filhos, netos e bisnetos das massas vindas do Norte – os verdadeiros paulistanos de hoje. “Elite branca”, na cidade onde milhões de moradores formam a maior mistura de etnias de todo o Brasil? A cidade mais reacionária do país? São Paulo é onde o Brasil descobriu, com os imigrantes estrangeiros, que existia algo chamado “trabalho”.
Foi em São Paulo que o Brasil ouviu pela primeira vez a palavra “greve”, e os senhores da corte no Rio de Janeiro ficaram sabendo de uma novidade revolucionária – a de que um trabalhador era um ser diferente de um escravo, precisava ser pago e tinha direitos. O ex-presidente Lula nunca teria existido sem São Paulo; não é com Acre ou Ceará, esses paraísos de progressismo político onde a “elite branca” já foi varrida do mapa, que se constroem mudanças assim.

E a ética no trabalho, como fica?

Dia do Trabalho, aquele feriado gostoso em que poucos trabalham (?), ainda mais quando muitos vão emendar na sexta e estender o fim de semana. Dia também de uma presidente sem escrúpulos, anti-republicana, disposta a “fazer o diabo” para vencer, anunciar benesses demagógicas sem se preocupar com seus efeitos. Dia ainda de máfias sindicais realizarem festas e eventos com o “imposto sindical” que somos obrigados a pagar.
Só não é dia de uma coisa: refletir sobre a ética do trabalho. Infelizmente, o principal legado do calvinismo não se entranhou em nossa cultura, e temos uma forte cultura do diploma, dos esquemas com o governo, mas não do trabalho. Em 2012, publiquei um artigo no GLOBO nessa mesma data falando sobre isso. Segue abaixo:
A ética do trabalho
Vários países celebram hoje o Dia do Trabalho. A data tem origem em uma manifestação grevista ocorrida em Chicago no final do século 19, que acabou em tragédia. Desde então, os socialistas utilizam o 1o de maio para manifestações de cunho ideológico contra o capitalismo. Mas faz sentido isso?
Quem fez mais pelos trabalhadores: o capitalismo ou o socialismo? Quem permitiu crescentes salários e melhores condições de trabalho: a concorrência de empresas em busca do lucro ou os sindicatos?
Os trabalhadores que desfrutam dos maiores salários são justamente aqueles dos países mais capitalistas. Via de regra, há menos intervenção estatal na economia desses países, assim como no próprio mercado de trabalho. Vários desses países ricos sequer contam com salário mínimo, férias remuneradas, 13o salário ou outras “conquistas” celebradas por aqui. Entretanto, isso não é impeditivo para rendimentos melhores. Qual o segredo?
Não há mágica. Esses trabalhadores recebem mais porque são mais produtivos, em boa parte pela melhor qualificação, e também porque há maior concorrência entre as empresas. Quando muitos empregadores disputam a mão de obra escassa, seu valor tende a aumentar. Faz sentido: se uma empresa pagar um salário baixo para alguém eficiente, então outra empresa poderá contratá-lo pagando mais e ainda assim lucrar com isso.
É o capitalismo liberal o maior aliado dos trabalhadores. Sim, é verdade que nos primeiros anos da revolução industrial a vida dos trabalhadores não era nada fácil. Mas é preciso comparar isso com a alternativa da época. Se na Inglaterra a vida era árdua, com longas jornadas e baixos salários, na Polônia, distante do advento capitalista, a situação era infinitamente pior. 
O que hoje vemos na China ilustra bem isso. As condições de trabalho ainda são péssimas na média. Mas representam um enorme avanço frente ao passado socialista. E se engana quem pensa que para melhorar bastam decretos do governo e sindicatos fortes. Não se cria riqueza e produtividade com canetadas estatais. O que a China precisa é justamente de mais liberdade, de mais concorrência.
O país em melhor situação na Europa é a Alemanha, com desemprego muito inferior aos demais. Curiosamente, foi um governo de esquerda, de Gerhard Schroder, que fez as reformas liberalizantes no mercado de trabalho. As mudanças reduziram as restrições às demissões (o que facilita as contratações) e cortaram os benefícios para desempregados que recusavam ofertas de emprego ou participar de programas de treinamento. Os sindicatos, sob pressão, aceitaram moderar suas demandas salariais.
A Alemanha se tornou o país mais competitivo da região, enquanto vizinhos bem mais camaradas nas leis trabalhistas enfrentam enorme desemprego, especialmente entre os mais jovens. Na Itália, as máfias sindicais impedem qualquer reforma que torne seu mercado mais competitivo, e até assassinato já fez parte do rol de intimidação aos reformadores.
O Brasil, infelizmente, parece com os países periféricos da Europa nesse sentido. Para começo de conversa, o trabalho aqui nunca foi valorizado como deveria. A Corte portuguesa considerava trabalho coisa de escravo. Segundo conta Jorge Caldeira em seu livro sobre o Barão de Mauá, o Imperador D. Pedro II jamais perdoou o empresário por tê-lo feito se curvar com uma pá de prata em um gesto simbólico na cerimônia de inauguração de uma estrada de ferro em 1852.
Nossa língua fala em “ganhar” dinheiro para designar o salário, como se ele fosse um presente, enquanto em inglês se fala “fazer” dinheiro, denotando a necessidade de esforço e mérito. Muitos jovens sonham com um bom “emprego”, de preferência estável em alguma repartição pública, mas poucos enaltecem o trabalho meritocrático. Isso precisa mudar. Não é necessário ser calvinista para reconhecer a importância de uma ética do trabalho para o progresso de um povo.
Mas existem ainda inúmeros obstáculos, além do cultural, que dificultam a vida dos trabalhadores brasileiros. Eles são criados justamente pela ausência de um modelo de maior liberdade econômica. Os encargos são absurdos, a educação é precária e os sindicatos concentram muito poder. O imposto sindical representa uma afronta aos trabalhadores. Qualquer associação deveria ser facultativa. Somente assim os sindicatos terão incentivos para representar efetivamente os interesses dos trabalhadores.
Portanto, trabalhadores brasileiros, uni-vos! Não temos nada a perder além dos grilhões impostos pelo governo em conluio com as máfias sindicais. 
Rodrigo Constantino

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