quinta-feira, 8 de maio de 2014

UMA DATA INCONVENIENTE

Janer Cristaldo
Sou indiferente a datas. Que um feito histórico seja celebrado em um dia determinado, até que entendo. Afinal, acontecem em datas. Quanto ao mais, nada vejo de particular em cada dia. Nem mesmo em meus aniversários, dos quais eu mesmo esqueço. Quem me lembra são minhas gerentes de banco.

Falei em meus aniversários. É que tenho dois, o dia de nascimento e o dia de registro. No campo, os cartórios ficam distantes e é melhor esperar para ver se a cria vinga, para não encilhar um cavalo e perder a cavalgada.

Natal, Ano Novo, carnaval nada me dizem. Boa parte de minha vida, passei esses dias em quartos de hotel, pois costumava viajar no inverno europeu. De réveillons, fujo. Detesto multidões e foguetórios. Melhor contemplar os fogos no bar do hotel.

Dia dos Pais ou das Mães muito menos, embora costume homenagear os meus nessas ocasiões. São datas criadas pelo comércio. Sem ser consumista, defendo o consumo. Cria trabalho distribui renda. E considero hipócritas esses milhares de pessoas que, gozando das benesses de uma sociedade capitalista, condenam tais festas.

Estas datas são problemáticas. Se pai e mãe deviam evocar momentos felizes, isto nem sempre acontece. Sem falar das crianças que os perderam, há milhões que jamais os conheceram. Para estas, qualquer celebração traz à tona uma lacuna dolorosa.

Sou favorável à eliminação destes festejos nas escolas. Em família, seja feita a vontade de cada uma. Os pais estarão lá para comemorar juntos. Já nas escolas, só aumenta o número de crianças sem pais, crianças órfãs e filhos de pais separados. A celebração será contraproducente, se não traumática.

Assim sendo, manifesto meu apoio a decisão das escolas que deixam a data passar em branco. Claro que não faltarão olavetes que verão nisto mais uma vitória do comunismo em sua tentativa de solapar a família e demais valores do Ocidente. Ora, os comunistas sempre foram fanáticos defensores da família, e o lapso que produziu no mundo soviético uma Alexandra Kolontai, feminista avant la letre e defensora do dito amor livre, foi muito curto. Stalin logo botou ordem no pedaço.

Leio que no Rio algumas escolas deixaram de comemorar o dia das Mães. Com o objetivo de contemplar alunos órfãos ou com pais gays, ou mesmo para ir na contramão no consumismo incentivado pela data, creches e escolas vêm abolindo a comemoração. Criaram o Dia da Família, mais inclusivo. 

No Colégio Hélio Alonso, na zona norte do Rio, a mudança, há dois anos, levou a protestos. "As mães querem ouvir as crianças cantando, querem chorar. Mandaram bilhetes reclamando, postaram no Facebook", conta a diretora, Lúcia Assis. A escola resolveu fazer a festa da família neste sábado e repetir a comemoração no sábado anterior ao Dia dos Pais.

Querem ouvir as crianças cantando quem tem filhos. Mas e os filhos que não têm mães ou pais para ouvi-los? As canções soarão como lacunas pungentes para estes. E aqueles que têm mães ou pais alcoólatras ou verdugos, ou de alguma forma odiosos? Nem toda criança tem a ventura de ter pai ou mãe amorosos. Que estes pais festejem a data em família e ouçam suas crias cantando em casa.

A celebração pública machuca não só crianças, mas também mães que perderam seus filhos. Em um país em que uma família certinha, com os pais e mães – como direi? – originais, é cada vez mais rara, tais festas mais machucam do que alegram.

"A gente entende que, independentemente da forma como a família está estruturada, sempre existe alguém que faz o papel da mãe e do pai. Mas as crianças que tinham mães ou pais ausentes, ou cujos pais não conseguiam chegar para a festa, que era no fim da tarde de sexta, ficavam muito tristes. A festa da família traz abordagem mais ampla, de aproximação com a escola", diz Lúcia Assis. 

Uma outra instituição, criada há 45 anos, a Escola Dinâmica de Educação Moderna (Edem), na zona sul, só organizou essas festas nos primeiros anos. "Para quem não tem o pai ou a mãe, a ocasião evidencia esse buraco. Mas a motivação principal foi a vontade de sair desse jogo do consumo desenfreado. É um dia que só serve ao comércio", defende a psicóloga e pedagoga Judy Galper, diretora da Edem. O Dia da Família, realizado em setembro, acaba sendo "uma farra coletiva", com piquenique e oficinas, mas sem presentes.

Na creche Amora, na zona sul, freqüentada por bebês e crianças de até 5 anos, este será o segundo ano sem tributo às mães. As descontentes já se conformaram, mas fazem questão de ganhar lembrancinhas, aponta a diretora pedagógica, Cláudia Castro. "A gente tem de acompanhar as mudanças da sociedade. Os alunos estão pintando cachepôs para entregar para toda a família."

Já é um avanço, neste país que só costuma copiar o pior. Se bem que a família, nestes anos que correm, já não está com essa bola toda. Que vai acontecer quando os homoafetivos, os poliamorosos e os homolesbotransexuais ocuparem seu espaço nas escolas? 

Será no mínimo divertido. Mais cauteloso seria não fazer festa alguma.

‘Crise na Venezuela coloca em xeque o papel do Brasil como líder’

Na madrugada desta quinta-feira, a Guarda Nacional Bolivariana (GNB) da Venezuela avançou sobre quatro acampamentos de estudantes em diferentes pontos de Caracas e deteve 243 jovens, numa ação que visa sufocar a pior onda de manifestações no país em algumas décadas. Desde as 3 horas, pelo horário local (4h30 de Brasília), centenas de policiais fortemente armados tomaram os locais onde os opositores mantinham uma resistência pacífica havia algumas semanas. A ofensiva só confirma as conclusões do relatório da ONG Human Rights Watch divulgado nesta segunda. A entidade civil documentou e denunciou abusos cometidos pelas forças de segurança sob o comando do governo. O documento adverte que as violações de direitos humanos não foram casos isolados, mas um padrão sistematicamente aplicado em diferentes locais do país – inclusive no interior de unidades militares.
Em entrevista ao site de VEJA, José Miguel Vivanco, diretor para a América Latina do Human Rights Watch, tocou em um ponto crucial para a crise na Venezuela: a pífia atuação de órgãos como a Organização dos Estados Americanos (OEA), União das Nações Sul-americanas (Unasul) e do Brasil – maior economia da América Latina e líder regional.  Advogado com longa carreira em entidades que defendem os direitos humanos, Vivanco reconhece um pequeno avanço após as negociações intermediadas pela Unasul, sobretudo por causa dos primeiros diálogos entre governo e oposição. No entanto, segundo o advogado, o “sucesso ou o fracasso da iniciativa dessa organização está, em grande medida, nas mãos do governo brasileiro”, que vê sua posição de líder regional enfraquecer devido ao silêncio diante dos abusos.
O que a comunidade internacional poderia fazer para ajudar na crise da Venezuela? Quais seriam os papeis específicos de entidades como OEA e Unasul?
A comunidade internacional — particularmente os membros da Unasul que interagem com o governo venezuelano — deveria condenar energicamente os graves abusos que a Human Rights Watch documentou. Contudo, lamentavelmente, as organizações regionais como a OEA e a Unasul não têm desempenhado esse papel porque estão profundamente divididas. Existe um grupo importante de governos, que seja por razões econômicas ou afinidades ideológicas, entusiasticamente apoia o projeto político e o discurso do governo venezuelano. Esta defesa se ampara na soberania nacional e permite desqualificar qualquer crítica sobre direitos humanos como um esforço intervencionista e imperialista. Estes países, salvo contadas exceções, decidiram fazer vista grossa e consequentemente também têm evitado fazer pronunciamentos sobre a grave situação do país. (Continue lendo o texto)

Cinquenta ônibus depredados em greve: o que é isso, companheiros?

O que se passa com o Brasil? Está certo que sempre sentimos um baque quando saímos do país e vamos para os Estados Unidos ou a Europa. A começar pelas gritantes diferenças entre os aeroportos. Mas assim já é demais! Chego em Miami, no belo e organizado aeroporto internacional, alugo um carro bom por ótimo preço e 20 minutos depois estou no meu destino em Miami Beach. Uma rápida descansada (classe econômica, algo que a esquerda caviar não sabe o que é), e ligo o computador para ler as notícias. A primeira que vejo é essa: Cinquenta ônibus são depredados por grevistas na Zona Oeste do Rio:
A greve de rodoviários, que acontece desde o primeiro minuto desta quinta-feira, pegou os passageiros de surpresa e causa transtornos no município do Rio. Na Zona Oeste, as empresas de ônibus que operam foram alvos de vandalismo por parte dos rodoviários em greve. Somente a Viação Jabour teve 30 coletivos depredados, e os motoristas tiveram que voltar à garagem nesta manhã. A Viação Redentor também teve veículos depredados pelos grevistas. O BRT circula com 60% da frota, prejudicando milhares de usuários.
No início da manhã, um grupo de grevistas estava reunido na porta das garagens das empresas de ônibus na tentativa de convencer colegas a aderir à paralisação. Alguns profissionais discordaram do aumento firmado entre o Sindicato de Motoristas e Cobradores do Município do Rio (Sintraturb Rio) em março deste ano. O acordo fixou reajuste de 10% no salário e 40% na cesta básica. O grupo dissidente, no entanto, reclama que a classe não foi consultada sobre esse acordo e pede, pelo menos, mais 10% de aumento salarial e tíquete de R$ 300.
Por coincidência eu já estava pensando em escrever algo sobre o novo hobby dos “manifestantes” (prefiro chamá-los de vândalos), que é justamente queimar ônibus. Só esse ano já foram mais de cem! O que acham que vão conseguir com isso além de encarecer as passagens e transformar a vida de todos num inferno? Também acho que o transporte público no Brasil precisa melhorar, e muito. Mas por acaso o método para tanto será destruir tudo que é coletivo no caminho? Não me parece uma ideia muito brilhante…
Até que ponto há interesses políticos nisso tudo? Por que os grevistas ameaçam aqueles que querem trabalhar? Greve pode até ser um ato legal, mas uso de coerção sobre trabalhadores não. Isso é crime! Assim como é crime destruir propriedade alheia. Esses “manifestantes” são, portanto, criminosos. Não importa se suas intenções são boas ou se há legitimidade em suas demandas: perdem a razão no momento em que partem para a violência.
O Brasil voltou à época de greves diárias que paralisam o país, é? Foi essa a grande conquista do PT no poder? Antes esse era um método usado pelo PT para chegar ao poder; agora parece ser um método que usam para tirar o PT do poder. E sempre quem paga o pato são as pessoas humildes, os trabalhadores que desejam apenas chegar no trabalho e garantir seu ganha pão, de preferência sem perder 2 ou 3 horas no trajeto e sem tanto risco de assalto ou, como vemos, de ataques violentos.
O contraste com um país mais desenvolvido e civilizado é grande demais, chocante. Esse tipo de coisa apenas aumenta a vontade de muitos de ficar por aqui, de partir do Brasil de vez para voltar apenas nas férias. É muito triste tudo isso, pois sabemos o potencial que nosso país possui. Mas muitos fazem de tudo para que ele seja eternamente o país do futuro. What a shame!
Rodrigo Constantino

O Brasil do fim do mundo – Um dos linchadores diz que dois participantes da barbárie já foram executados pelo narcotráfico

Por Felipe Frazão, na VEJA.com:
O ajudante de pedreiro Lucas Rogério Fabrício Lopes, de 19 anos, que confessou ter participado da morte brutal da dona de casa Fabiane Maria de Jesus, de 33 anos, disse nesta quinta-feira à Polícia Civil que dois outros agressores foram executados por traficantes que atuam no bairro Morrinhos, no Guarujá (SP). Fabiane foi espancada até a morte no último sábado após ter sido confundida como uma suposta sequestradora de crianças na região.
Lopes foi detido por policiais militares nesta madrugada e teve a prisão preventiva decretada pela Justiça. Preso no 1º Distrito Policial do Guarujá, ele admitiu ter dado duas pancadas com a roda de uma bicicleta na cabeça de Fabiane, conforme registrado em vídeos feitos pela multidão. Lopes também disse que outras pessoas que participaram do linchamento fugiram de Morrinhos. Os policiais fazem buscas por outros agressores identificados em vídeos feitos pela população.
Segundo investigadores, há relatos de que traficantes estariam aplicando castigos em moradores de Morrinhos em represália ao espancamento de Fabiane. “Soube que muitas pessoas que participaram do linchamento fugiram do Guarujá”, afirmou Lopes à polícia. No depoimento à polícia ao qual o site de VEJA teve acesso, Lopes apontou a participação de dois outros agressores, identificados como Alex, o “Pote”, e Pepê. Segundo Lopes, Pepê é seu vizinho e vestia uma bermuda de cor vinho no dia do espancamento. Ele usou um fio elétrico para amarrar Fabiane. Lopes disse que a mãe de Pepê foi até a sua casa e avisou que ele tinha sido morto por marginais.
Lopes disse ter “escutado boatos de que Alex (Pote) também sumiu, junto com Pepê, e deve ter sido morto por marginais”. Alex aparece nas imagens de bermuda preta e sem camisa amarrando as pernas da vítima, segundo Lopes. Eles jogavam futebol juntos no bairro. “Ele [Alex] agrediu muito a vítima e, a todo o momento, dizia ‘é ela mesmo, tem que matar’”, relatou. Segundo Lopes, crianças também participaram do linchamento: “Várias crianças estavam com madeira na mão e ameaçavam bater na vítima”.
O espancamento começou por volta das 14h15 de sábado, quando Lopes saiu de casa ao ouvir a gritaria e se envolveu no crime. Os boatos diziam que a mulher “arrancava o coração e os olhos de crianças para rituais de magia negra”, declarou. Quando era adolescente, Lopes chegou ser apreendido por seis meses na Fundação Casa por tráfico de drogas. Ele disse “estar muito arrependido, e que foi influenciado por boatos nas redes sociais e pessoas que estavam no local acusando Fabiane de matar crianças”.
Por Reinaldo Azevedo

Caio Blinder- Realidade ucraniana derrota Putin

E, então, Vladimir Putin não está com esta bola toda. Nosso homem em Moscou não é um grande estrategista. Ele é desenvolto nos lances táticos, alguns espertos, especialmente quando se aproveita de espaços abertos ou de erros dos adversários. Perfil de quadro da KGB. Não devemos nos curvar com admiração ao recuo de estadista na crise ucraniana.
O “pedido” de Putin aos separatistas pró-russos para que adiem o referendo no leste ucraniano, marcado para este domingo (deveriam, isto sim, cancelar a pantomina) marca o primeiro grande gesto do presidente russo para baixar o fogo depois de colocar tanta lenha na fogueira. O incendiário é bombeiro. Agente duplo? Na expressão precisa do Wall Street Journal, não se trata de um compromisso, mas de uma mera aceitação da realidade.
Resta saber se bolsões de pró-separatistas vão aceitar a realidade. Putin criou seus monstrinhos. Podem fugir ao controle do tático do Kremlin. Putin, aliás, não “pediu” que os separatistas deponham as armas ou desocupem os edifícios tomados em várias cidades nas últimas semanas.
De qualquer forma, a perspectiva de realização de um referendo parece cada vez mais precária. Apesar da falta de cooperação de parte do aparato de segurança, o governo interino ucraniano empreende uma ofensiva contra as milícias pró-russas no leste. Com isto, ficou difícil para os separatistas consolidarem suas posições, embora não tenham sido desalojados. Neste cenário, não dá para imaginar a realização de um referendo.
Em termos políticos, Putin não conseguiu mobilizar a massa pró-russa na frente ucraniana para uma insurreição. Não existe apoio maciço para o desmembramento da Ucrânia. Várias pesquisas confirmam o desejo da maioria da populacao do leste para que o país permaneça unido, embora com mais autonomia regional. Existe uma escalada de tensão e de confrontos, mas nenhum incidente no leste até agora que sirva de pretexto para uma intervenção aberta de Putin para proteger a minoria pró-russa “dos fascistas ucranianos.
Aconteceu o incêndio na sexta-feira passada no edifício sindical em Odessa, no sul, onde morreram dezenas de separatistas, mas a responsabilidade sobre a tragédia é confusa e não há como as tropas russas marcharem para Odessa. E, finalmente, este recuo de Putin afasta a imposição imediata de novas sanções ocidentais.
Putin anunciou a retirada das tropas russas da fronteira ucraniana. A ver. Na quarta-feira, a Otan e o Pentágono disseram não ter evidências desta retirada. De qualquer forma, a resistência ucraniana tanto no leste como em Odessa deixou claro que qualquer intervenção militar russa no país vizinho não seria um passeio como na Crimeia anexada em março. Putin até expressa boa vontade agora com as eleições gerais ucranianas do próximo dia 25. Sua vontade é impedir que aconteçam. Querer nem sempre é poder, nem para Putin.
Em abril, um acordo firmado por EUA, União Europeia, Rússia e Ucrânia para conter a escalada da crise não decolou. Na verdade, serviu para os russos ganharem tempo e os separatistas avançarem no leste do país. O objetivo do presidente russo é desestabilizar a Ucrânia e impedir que o pais penda de forma decisiva para o lado ocidental. Aos trancos e barrancos, a Ucrânia parece caminhar para o lado que Putin não deseja. O Instituto Blinder & Blainder não vai se aventurar a relatórios definitivos sobre o crise, mas, até que tem acertado nos prognósticos. Por ora, o instituto pergunta: cadê o ganho estratégico para o nosso homem em Moscou?
Triunfo assegurado para ele será nesta sexta-feira, 9 de maio, nas celebrações russas da vitória sobre o nazismo na Segunda Guerra Mundial. O 9 de maio de tornou o epicentro da nova ideologia patriótica de Putin. Vamos ver quando tempo vai durar a euforia nacionalista centrada no nosso homem em Moscou.

Marina Silva, a melhor cabo eleitoral do PT

Não há coisa mais cretina do que a soberba. E é pior quando parte de alguém que faz uma espécie de profissão de fé na humildade ou que a exerce com tal voracidade que chega a ser concupiscente. Eis Marina Silva, a candidata a vice na chapa de Eduardo Campos (PSB) e líder da Rede, o partido inexistente mais arrogante do Ocidente. Marina concede uma entrevista à Folha que está na edição desta quinta. E lá está o título da página: “PSDB de Aécio tem o cheiro da derrota no 2º turno”. Não é um exagero nem uma simplificação. Ela realmente disse isso. Em que medida é um movimento combinado com Campos? Não se sabe. Quando se trata de Marina, nunca se sabe! Parece-me, no entanto, que, desta feita, ela pode estar obedecendo a uma estratégia conjunta — a tal lógica da diferenciação.
Só para esclarecer: por que falo em soberba? Em primeiro lugar, porque não me parece que seja a hora de os dois candidatos de oposição resolverem se enfrentar. Há cinco meses inteiros ainda até a eleição. Nas condições atuais, Dilma venceria no primeiro turno. Basta pensar: e se Aécio Neves responde na mesma moeda? Acontece o quê? Os petistas aplaudirão o bate-boca de pé. Essa tontice de Marina tem um quê de desonestidade intelectual e política porque parte da certeza de que aquele que foi atacado não vai responder — e acho, se querem saber, que não deve mesmo. Em segundo lugar, Marina é soberba porque parte do princípio de que ninguém ocupa a sua altitude moral e, pois, ela pode ser juíza do processo político e sair por aí a julgar os vivos e os mortos.
A Folha publica um texto sobre a entrevista e há endereço para um vídeo. Não assisti. Mas suponho que, se Marina tivesse dito algo de relevante — além do ataque à outra candidatura de oposição —, o jornal teria aproveitado num texto de mais de 5 mil toques. Se não está ali, é porque não há. Segundo Marina, Eduardo Campos é diferente de Aécio Neves. É certo que sim! Em quê? Ela exemplifica: ambos divergem sobre maioridade penal. E isso nem chega a ser exatamente verdadeiro. A proposta do PSDB mantém a dita-cuja em 18 anos, mas abre a possibilidade de a Justiça considerar exceções no caso de crimes hediondos. E pronto! Aí está a diferença.
Marina, ora vejam, expressa o seu entendimento de voto útil, que viola a história: “O PSDB sabe que já tem o cheiro da derrota no segundo turno. E o PT já aprendeu que a melhor forma de ganhar é contra o PSDB.” Ela se esquece de que o PSDB venceu duas eleições para a presidência no primeiro turno, e o segundo colocado era um petista — no caso, Lula!
Até agora, como se sabe, Marina não conseguiu transferir seus votos para Campos, mas ela prefere fazer especulações sobre a viabilidade do outro candidato que disputa o terreno oposicionista. Em certo sentido, convenham, o pleito difícil de explicar é o do PSB, que se diz oposição a Dilma, mas não a Lula. De tal sorte a candidatura está ancorada nesse fundamento que o ex-governador de Pernambuco seria obrigado a sair da disputa se o ex-presidente decidisse tomar o lugar de Dilma na chapa. Campos, está dado, não se opõe a um modo de governar, mas a uma pessoa.
Marina fala ainda como a senhora do progressismo e do avanço social. Depois verei o vídeo. No Acre, por exemplo, ela é governo, junto com Tião Viana (PT). Estou curioso para saber o que ela pensa sobre a exportação de haitianos para São Paulo. Ela já se importou bastante com bagres para ser tão silente sobre seres humanos, não é?
Ah, sim: segundo fiquei sabendo, em São Paulo, a chefe da Rede tende a apoiar a candidatura de Vladimir Safatle, do PSOL, ao governo do estado. Aí estão as suas afinidades. É mesmo uma pessoa diferenciada. A Folha informa que, antes da entrevista, ela passou beterraba nos lábios porque tem alergia a batom. O mundo é estranho. Eu sou alérgico a gergelim. E ela também nega que tenha falado diretamente com Deus, como andou espalhando por aí o presidente Lula. o Altíssimo, parece, se manifestou diretamente no seu coração.
Não deixa de ser um privilégio, né?
Por Reinaldo Azevedo

Protesto de Teatro



Da FOLHA

Por RUY CASTRO

Apesar dos anos de treinamento no quartel e de exercícios de tiro ao alvo com milhares de disparos, fica combinado que, nos tiroteios entre polícia e bandidos nas favelas cariocas, qualquer bala que atinja alguém – idosos, mulheres, crianças ou mesmo policiais – terá sido disparada pela polícia.

São os policiais que, equipados com mira telescópica, acertam a cabeça das velhinhas na porta do barraco.

Ou, apatetados como os das comédias de Buster Keaton, matam-se uns aos outros.

Supondo que os policiais sejam melhores atiradores do que os traficantes – se não forem, algo está errado – não se entende que não saibam contra quem estão atirando.

Os paisanos tombados nos combates, por exemplo, nunca pertencem às hostes do crime.

São moradores a caminho da igreja ou rapazes em visita à vó.

Como os bandidos não matam ninguém e também não estão entre os mortos, a violência no morro deve ser causada por uma guerra entre facções da polícia.

Tudo isso indica também um grave desperdício.

Imagine o que não se investe em contingente, tempo e dinheiro na captura de traficantes carimbados – às vezes com o sacrifício e inocentes – para que eles sejam logo libertados por um juiz zeloso da “progressão da pena” ou da “falta de provas”.

Sem falar nos bem-comportados que saem para gozar o Natal em família, esquecem-se de voltar e retomam seus hábitos de ordenar execuções e atacar as UPPs.

Donde, para que prendê-los ?

Só se sabe que, com ou sem motivo e pelo menos uma vez por semana, um grupo de “moradores” – atenção às aspas – sairá por alguma comunidade depredando postos de atendimento médico, agredindo enfermeiros, botando médicos para correr e destruindo benfeitorias a custo implantadas ali.

No passado, havia o teatro de protesto. Hoje, o “pr
otesto” é o teatro.

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Ser livre para ir e vir!Pela liberdade de expressão.Pela humanidade contra os pregadores da escuridão que assolam nosso mundo moderno.Democracia verdadeira sempre,não aquela de fachada que persegue quem não compartilha de suas idéias.