terça-feira, 13 de maio de 2014

O estrago causado por Lula

Em artigo publicado hoje no GLOBO, Carlos Alberto Di Franco argumenta que a postura do ex-presidente Lula causa grande estrago em nossa democracia. Em tempos em que o “Volta, Lula” conquista até empresários, cansados, com razão, da incompetência e arrogância da presidente Dilma, é bom lembrar do que Lula representa em termos de imoralidade, pois creio que seu impacto negativo seja ainda maior a longo prazo. Di Franco escreve:
Irrita-se Lula porque a imprensa não se cala diante do seu exibicionismo de contradições e desfaçatez. Em recente entrevista à TV portuguesa, chegou ao ponto de interromper a entrevistadora que queria saber o grau de suas relações com José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares. “Não se trata de gente de minha confiança”. Fantástico!
As denúncias da imprensa sobre os desmandos na Petrobras, consistentes e sólidas como uma rocha, não provocam no ex-presidente a autocrítica que se espera de um estadista. Ao contrário. Sua ordem é “ir para cima” de quem represente um risco para o projeto de perpetuação do PT no poder.
Incomoda-se Lula porque os jornais desnudam suas aparentes contradições que, no fundo, são o resultado lógico da praxis marxista: o fim justifica os meios. O compromisso com a verdade é absolutamente desimportante. O que importa é o poder. Em agosto de 2006, quando o escândalo do mensalão estourou, Lula falava: “Quero dizer, com franqueza, que me sinto traído. Não tenho vergonha de dizer ao povo brasileiro que nós temos que pedir desculpas”. Agora, na alucinante entrevista à TV portuguesa, Lula afirma rigorosamente o contrário: “O mensalão teve praticamente 80% de decisão política e 20% de decisão jurídica”. É um ex-presidente da República, responsável pela nomeação de oito dos 11 integrantes do Supremo Tribunal Federal, acusando a Corte de cumplicidade na “maior armação já feita contra o governo”.
O ataque à imprensa e o autoritarismo petista têm em Lula sua maior expressão. Essa “progressiva estratégia de estrangulamento das liberdades públicas”, segundo Di Franco, tem profunda ligação com o jeito imoral de ser do ex-presidente Lula.
A personalidade de Lula foi também o tema da coluna deste domingo de Ferreira Gullar na Folha. Para o poeta, é impressionante a “facilidade com que ignora toda e qualquer norma, seja ética, política, jurídica ou administrativa”. Para Lula, “tudo é permitido, desde que favoreça seus propósitos”. Gullar reconhece que Lula não é o único político a agir assim, mas é insuperável neste quesito.
Ferreira Gullar vai adiante: para Lula não há distinção entre aliados e adversários. O “chefe da trupe” não se acanha na hora de mandar seus subalternos pagarem o preço pelo “mensalão”, ou até de dizer que não tem ninguém ali de sua confiança. Por outro lado, pode abraçar Maluf como se fossem velhos companheiros, se isso for de seu interesse.
Lula chegou até a tentar fazer chantagem com um ministro do STF, e depois que o resultado do julgamento lhe foi desfavorável, partiu para a desmoralização da instituição. Mas, como indaga Gullar, o que esperar de alguém que já disse abertamente que o político não deve dizer o que pensa, e sim o que o eleitor quer ouvir, ou seja, deve mentir e enganar o leitor sem mais nem menos?
O poeta se mostra preocupado com as consequências dessa postura de Lula no Brasil de hoje e amanhã. E tem toda razão ao se preocupar. Nunca antes na história deste país houve um líder político com tanta influência e, ao mesmo tempo, tão imoral, disposto a tudo pelo poder. É uma combinação assustadora. E ainda tem empresário que endossa sua volta por aí…
Rodrigo Constantino

Os macacos da vaidade e o marketing do comportamento

coluna de João Pereira Coutinho na Folha hoje está fantástica, como de costume. Trata de tema muito sério – o racismo -, mas com suas imperdíveis tiradas de humor. No mais, sua análise está, em minha opinião, perfeita: vaidade, tudo é vaidade! A febre que tomou conta das redes sociais após o episódio com Daniel Alves, com várias “celebridades” posando com uma banana, demonstra como somos dominados por aquilo que Luiz Felipe Pondé chama de “marketing do comportamento”.
Coutinho começa assumindo com sinceridade que todos temos nossos preconceitos, não apenas no bom sentido (sim, ele existe, são os valores e costumes adquiridos antes do filtro racional, mas ainda assim de extrema importância, tradições que resistiram aos “testes do tempo” por alguma função útil), mas também no sentido mais “rasteiro”.
Ele passa então a descrever alguns dos seus, dos quais compartilho (a parte de manter distância de adolescentes não tenho como colocar em prática, pois sou pai de uma, mas entendo perfeitamente que os outros não precisam achar “lindos” os nossos filhos nessa fase de erupções vulcânicas dos hormônios e profunda necessidade de autoafirmação). Cada um com seus preconceitos. Mas racial?
O que a cor da pele mais morena ou mais clara tem a ver com moral? Sim, Coutinho conhece as explicações antropológicas, de que tribos adquiriram sentimentos atávicos de “nós” contra “eles”, e que “o outro” representava uma ameaça em potencial, ou seja, o “diferente” pode ser um risco. Mas sua incompreensão continua, e Coutinho diz: “imaginar que a pigmentação da pele tem importância moral ou epistemológica é um sintoma de primitivismo brutal”.
Tudo certo até aqui. Mas nem por isso devemos aplaudir a “macaquice viral” das fotos de “celebridades” com bananas nas mãos. O que incomoda nisso, segundo Coutinho, é a vaidade presente no ato. Não se trata apenas de um gesto de solidariedade para com o jogador, e sim uma propaganda pessoal para os outros, para mostrar todos os seus “bons sentimentos”. O “circo” foi armado para expor a grande “tolerância” dos famosos (ou candidatos à fama). É algo bastante artificial.
A hipocrisia, enfim. O tema me interessa muito, a ponto de ser a essência do meu último livro, que fala justamente sobre isso. Pensemos em Luciano Huck, um dos primeiros a postar foto com banana e talvez o maior ícone desse “marketing do comportamento”, o Mr. Bondade: como deve ser cansativo para ele manter a pose o tempo todo! Penso na personagem de Judie Foster em “O Deus da Carnificina”, de Polanski, quando ela admite que tudo aquilo (a pose de boa moça tolerante) era extremamente cansativo.
O mestre em dissecar tal hipocrisia é Tom Wolfe, autor de Radical Chic Fogueira das Vaidades. Estou lendo seu novo livro, Sangue nas Veias, que se passa aqui em Miami, onde estou. É justamente sobre raças. E é excelente, pois uma vez mais o escritor desnuda seus alvos, expondo o que jaz por trás das máscaras. Eis a alfinetada que ele dá logo no prólogo:
Do nada, uma frase surge na sua cabeça: “Todos… precisam de sangue nas veias! A religião está morrendo… mas todo mundo continua precisando acreditar em algo. Seria intolerável… ninguém aguentaria… finalmente ser obrigado a dizer a si mesmo: ‘Para que continuar fingindo? Eu não passo de um átomo aleatório dentro de um superacelerador conhecido como universo.’ Só que acreditar em, por definição, significa cegamenteirracionalmente, não é? Portanto, meu povo, isso deixa apenas nosso sangue, as linhas sanguíneas que correm pelo nosso próprio corpo, para nos unir. ‘La Raza!‘, como bradam os porto-riquenhos. ‘A Raça!‘, exclama o mundo inteiro. Todos, em toda parte, têm apenas uma última coisa na cabeça… Sangue nas veias!” Todos, em toda parte, vocês só têm uma escolha… Sangue nas veias!
Tratar brancos, negros, amarelos e pardos “com o mesmo respeito daltônico”, como recomenda Coutinho, eis a arma que pode combater o racismo com o tempo. “Cotidianamente. E, sobretudo, anonimamente. Sem fazer propaganda”. Caso contrário, fica difícil engolir a genuinidade do ato. Fica parecendo que tudo não passa de um alimento para a própria vaidade. Muito melhor simplesmente comer a banana sem fazer alarde.
Rodrigo Constantino

RS-Ex-diretor do banco, o deputado Gilberto Capoani diz de que modo o governo Tarso está acabando com o Banrisul

Políbio Braga
Ex-diretor do Banrisul, o deputado Gilberto Capoani (PMDB) fez avaliação crítica sobre o resultado apresentado pelo banco neste primeiro trimestre. A divulgação do resultado do Banrisul neste início de 2014 apresentou queda de 60% em comparação com o mesmo período em 2013, enquanto o Bradesco registrou alta de 11,8%, o Itaú registrou alta de 27,3% e o Banco do Brasil registrou alta de 4,7%. Foi a mais desastrosa queda numa década.

. Em nota ao editor ele disse o seguinte:

- É má gestão.

. O que significa má gestão, no caso,  é isto:

- A retirada de recursos, responsáveis pelo lastro financeiro do Banrisul foi o principal fator de queda no resultado. O Governo Tarso sacou do fundo de reserva dos aposentados do Banco, sacou os depósitos judiciais, e provocou o enfraquecimento do Banrisul de forma muito irresponsável. 

. O deputado lembrou ainda a crise enfrentada pela Fundação Banrisul:


- Realizamos uma audiência pública para debater as alterações no plano de aposentadoria e o déficit milionário. Uma instituição que tem um patrimônio de quase R$3 milhões, com um desequilíbrio de quase R$2 milhões, como pode sobreviver assim?

Caio Blinder- Enquanto isso na Ucrânia…(eu não sei)


No ar, no domingo, um editor do serviço russo da BBC de Londres era cobrado pela apresentadora a prever o que irá acontecer na Ucrânia. Com franqueza, ele disse que não sabia diante das novas incertezas que se descortinavam com os referendos realizados em duas regiões pró-russas do país. As autoproclamadas autoridades de Donetsk e Luhansk arrotam números triunfantes de comparecimento às urnas (veja a foto acima) e de apoio ao autogoverno, embora não haja como verificar o primeiro quesito e definir com precisão qual é o plano. Independência? União com a Rússia? Autonomia? Terra de ninguém?
As autoproclamadas autoridades prometem um segundo turno no domingo para definir o status da região. Até o nosso homem em Moscou expressa mensagens ambivalentes. Ora, ele se distancia da pantomina (da qual é um dos produtores), ora, ele estimula uma farsa ainda mais escandalosa e perigosa, que se estende além das fronteiras ucranianas. Na segunda-feira, o Kremlin disse que “respeitava” os resultados eleitorais no leste ucraniano, mas pediu um diálogo entre os separatistas e o governo central, sinalizando que uma anexação ao padrão da Crimeia não é um cenário para Moscou.
O fato é que os referendos foram um exercício de improvisação, coisa de república de banana movida a máquina de propaganda ao estilo soviético (de acordo com o governo interino em Kiev, 2/3 dos habitantes da região não participaram da bananada). Claro que este tipo de referendo é irregular, mas é um fato político. Ele tem consequências. Imagine, os bananeiros de Donetsk dizem que com os resultados, a presença das tropas ucranianas na região é irregular e que a partir de agora elas são “ocupantes”.
A armadilha para o governo de Kiev (que prepara suas próprias eleições nacionais para dentro de duas semanas) era agir como governo, correndo o risco de acirrar os ânimos entre o setor pró-russo. No pior dos mundos, este governo não exerce sua autoridade e os ânimos ficaram mais acirrados devido à escalada de violência.
Para mim, ainda parece improvável uma aberta intervenção militar de Vladimir Putin, embora o cenário adiante seja de uma guerra civil. Putin é um promotor do hipernacionalismo. Isto vale tanto para os russos, como para os ucranianos. Um arguto ex-diplomata britânico, Rodric Braithwaite, que já foi embaixador em Moscou, sintetiza que Putin provocou a crise para atingir três objetivos estratégicos: uma Ucrânia neutra sujeita à influência russa; mais garantias para os direitos da minoria russa no leste do país; e a devolução da Crimeia para a Rússia.
Os recursos para concretizar os objetivos são um pouco de violência e blefe. Se a encrenca ameaça degringolar, o presidente russo pega todos de surpresa e vai para outro caminho, com alguns acenos conciliatórios, como aconteceu na semana passada. No entanto, este aprendiz de feiticeiro talvez não controle a dose da poção como gostaria e como tantos esperam.
É verdade que, como lembra Braithwaite, os ucranianos não estão lidando muito bem nesta crise (e quem conseguiria?), mas merecem sua soberania e o direito de construírem sua democracia. Eles patinam em parte graças às putinadas do nosso homem em Moscou. Putin está aí para melar estas prerrogativas ucranianas e o Ocidente carece de uma estratégia convincente na crise.
Existe culpa lá atrás dos americanos (quando aliciaram a Ucrânia para entrar na Otan, apavorando os russos) e, mais recente, da Europa, ao seduzir Kiev a estreitar os laços com a União Europeia sem medir as consequências. Bons temas para os historiadores. O urgente agora é ver o que acontecerá nos próximos dias. Como o editor russo da BBC, eu não sei o que vem por aí. No entanto, tudo indica que o dia de amanhã promete ser pior do que o de ontem na Ucrânia, com bananadas dos separatistas, patinadas dos ucranianos e eventualmente mais putinadas.

Madrasta tenta se livrar do homicídio triplamente qualificado. Ou: Que as Erínias lhe corroam a alma por muitos anos!

Tragédias e barbaridades, como as que colheram o menino Bernardo Boldrini, não costumam ser matéria deste blog. Mas decidi escrever algumas palavras sobre esse caso. De saída, leiam a reportagem (post anterior), a gente nota que Graciele Uguloni está, vamos dizer, arrumando a narrativa para ver se consegue se livrar da acusação de homicídio doloso, entrando na categoria apenas do culposo. Certamente seu advogado não tem a menor esperança de que isso aconteça. Então está tentando livrar esta senhora ao menos do agravante. Explico.
O assassinato meramente culposo, sem intenção (Parágrafo 3º do Artigo 121 Código Penal), rende de um a três anos de prisão, e o condenado fica em regime semiaberto. O advogado de Graciele já lhe deve ter dito que não há a menor chance de emplacar essa tese. Ela deverá ser enquadrada mesmo no caput do Artigo 121: matar alguém rende pena de 6 a 20 anos. Ocorre que, no caso dela, a coisa é mais séria. Leiam o que estabelece o Parágrafo 2º do Artigo 121:
§ 2º – Se o homicídio é cometido:
I – mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe;
II – por motivo fútil;
III – com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum;
IV – à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido;
V – para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime.
Pena: 12 (doze) a 30 (trinta) anos.
Convenham: os motivos dessa senhora são torpes e provavelmente fúteis (há a suspeita sobre a herança). Ela recorreu a remédios (substituto, no caso, do veneno) e à dissimulação, impedindo Bernardo de se defender — especialmente porque era uma criança.
Assim, a pena mínima possível para esta senhora é de 12 anos. Mas duvido que começará aí. Certamente será mais elevada. Só então se pensarão atenuantes — se é que existe algum — e agravantes: parece que os há aos montes. O menino reclamava de maus-tratos e abandono, e há provas a respeito.
O exame do corpo indicou a presença de anestésico. Graciele vai tentar convencer os jurados de que sua intenção não era matar o garoto. Quem vai engolir? Quando menos, ela assumiu o risco de matar — já que, enfermeira que era, conhecia os efeitos dos medicamentos mais do que uma pessoa comum. Mais: ela também ocultou o cadáver, crime que rende de um a três anos de prisão. Até onde se sabe, a cova foi aberta com antecedência, o que evidencia a premeditação também nesse caso.
Estamos diante de um caso de homicídio triplamente qualificado, com ocultação de cadáver. Tomara que esta senhora viva bastante — e em condições salubres — na cadeia para que Tisífone, Megera e Alecto, as Erínias, lhe corroam a alma.
Por que ela fez o que fez? Porque há pessoas que são más, uma evidência com a qual muita gente tem dificuldade de conviver. Porque há gente cujo caráter é deformado. E ponto! Não parto do princípio de um Rousseau às avessas — que não deixa de ser Rousseau, afinal… — de que somos essencialmente maus. Nem essencialmente maus nem essencialmente bons. A esmagadora maioria dos homens, felizmente, consegue reconhecer no outro um seu igual e não pratica atos dos quais não gostaria de ser alvo. É, fazendo uma graça, uma espécie de sabedoria natural kantiana. Mas há aqueles que não reconhecem no outro um seu igual se estão em disputa o poder, a cobiça, a atenção amorosa etc. Escolham aí…
Não existem políticas de estado para gente como Graciele, a não ser uma: o poder de polícia para retirá-la do convívio social, deixando claro à sociedade que seu comportamento é inaceitável.
Por Reinaldo Azevedo

Um estuário de mágoas


POLÍTICA
Um estuário de mágoas
José Casado, O Globo

São 2.200 palavras espalhadas por dez páginas com as “diretrizes” do programa de governo, da tática de campanha e da política de alianças do Partido dos Trabalhadores para a disputa em outubro. Foram proclamadas na semana passada por 800 dirigentes do partido, sob a batuta de Lula, na sagração da candidatura de Dilma Rousseff à reeleição.

O conteúdo surpreende: revela que o maior partido político brasileiro, a cinco meses da eleição e com sua candidata liderando todas as pesquisas, planeja uma campanha eleitoral raivosa sobre os adversários, na defensiva diante da “complexidade da conjuntura” e dos “reflexos da crise mundial”.

O documento, disponível na rede do PT, é cinco vezes mais extenso que o da campanha de 2010. Indica uma drástica mudança no humor petista depois de 12 anos no poder.

Dissiparam-se o tom de leveza e o autojúbilo com a certeza de que se mudavam “substancialmente o Brasil e a vida dos brasileiros”.

Agora, a “resolução” do PT é pela guerra total a quem ameaçar a “conquista de hegemonia em torno do nosso projeto de sociedade”.

Os dirigentes creem ter uma missão salvacionista: “Superar a herança maldita, cujas fontes são a ditadura militar, o desenvolvimentismo conservador e a devastação neoliberal.”

Assim, veem como “tarefa” o “aprofundamento da soberania nacional, a aceleração e radicalização da integração latino-americana e caribenha, e uma política externa que confronte os interesses dos Estados Unidos e seus aliados”.

Em síndrome persecutória, enxergam “um pesado ataque ao nosso projeto, ao nosso governo e ao PT, por parte de setores da elite conservadora e da mídia oligopolista, que funciona como verdadeiro partido de oposição”. O “principal exemplo”, afirmam, foi o “julgamento de exceção” do mensalão no STF.

Supõem ser essencial desqualificar os adversários:

“Representam um projeto oposto ao nosso, muito embora um deles se esforce em transmutar-se em uma suposta terceira via. Guardadas as diferenças secundárias e temporais, arregimentam os interesses privatistas, rentistas, entreguistas, sob o guarda-chuva ideológico do neoliberalismo e de valores retrógrados do machismo, racismo e homofobia, daqueles que pretendem voltar ao passado neoliberal, excludente e conservador.”

Interpretam a ansiedade por mudanças (expressa por 74% dos eleitores, no Datafolha) como atestado da própria onisciência, pois “todas estão contidas em nosso programa, como é o caso exemplar da reforma política, a democratização da comunicação, a reforma agrária, a reforma urbana e a reforma tributária”.

Acham que o epicentro está na “luta pela reforma política”. Porque “nosso grande objetivo é democratizar o Estado, inverter prioridades e estabelecer uma contra-hegemonia ao capitalismo, construir um socialismo radicalmente democrático para o Brasil”.

Essas “diretrizes” esvanecem a possibilidade de sedução do eleitor pela oferta objetiva de um futuro de progresso pessoal e coletivo. Elas pressupõem que a militância petista vá às ruas intimar o eleitorado a votar em Dilma por solidariedade à cúpula, que parece se afogar num estuário de mágoas. Seria um exercício eleitoral inovador sobre a arte de viver da fé. Só não se sabe fé em quê.

VATAPÁ VERGONHOSO

Alvo do Conselho Nacional de Justiça por ter se tornado efetiva sem concurso, a mulher do governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), Fátima Mendonça, se aposentou no Tribunal de Justiça. Trabalhar, dizem na Bahia, nunca foi seu forte. Ganhava quase R$ 15 mil.
Cláudio Humberto

‘CONTRABANDO’ EM MP DÁ A HYUNDAI R$1 BI POR ANO

Nesta terça (13), último dia para sancionar (ou vetar) a Medida Provisória 627 e todos os seus “contrabandos”, a presidenta Dilma está na iminência de beneficiar mais uma vez o Grupo Caoa Hyundai, e sua fábrica em Anápolis (GO). Segundo a MP 627, o governo abriria mão de mais de R$ 1 bilhão anuais em impostos, por mais cinco anos. Desde 2010, a Hyundai é beneficiada pela isenção, que deveria acabar em 31 de dezembro de 2015. A MP estende a moleza até 2020.Se o Diário Oficial não publicar nesta quarta a MP 627, sancionada ou vetada, ela vira lei. E torna alguns políticos ainda mais ricos.É a segunda vez que a Lei 9.826/99 é alterada. O texto original previa prazo até 2010, mas foi estendido para 2015, a oito meses do prazo.

Cláudio Humberto

VISTO PRA QUÊ? ITAMARATY IGNORA SEGURANÇA E ESCANCARA O BRASIL

Não bastasse a entrada desenfreada de haitianos, o Itamaraty resolveu fazer a festa de movimentos como Al-Qaeda e assemelhados, abrindo as porteiras para que se mudem de mala e cuia para cá: às vésperas da Copa e das Olímpiadas, instruiu embaixadas e consulados a darem vistos – sem consulta prévia ao Brasil – para nacionais do Afeganistão, Irã, Iraque, Jordânia, Líbano, Líbia, Palestina, Paquistão e Síria.
A ordem do Itamaraty, liberando vistos em regiões tomadas por grupos terroristas, está na circular telegráfica nº 94443/375, de 7 de maio.
O “liberou geral” do Itamaraty, em áreas críticas de segurança, é ainda mais leviano pela falta de estrutura para analisar pedidos de vistos.
Sem estrutura nem pessoal qualificado, embaixadas e consulados se valem de contratados locais para analisar a concessão de visto.
A Secretaria de Segurança para Grandes Eventos do Ministério da Justiça diz que nada sabe sobre a porteira escancarada pelo Itamaraty.
Diário do Poder

Reserva de mercado

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo
Sempre tão atentos e reverentes a pesquisas de opinião, os partidos e os políticos têm uma impressionante capacidade de se manter alheios aos crescentes índices de rejeição à obrigatoriedade do voto, exigência com a qual o Brasil se alinha a uma minoria de países, inclusive na América do Sul.
Por que voltar ao assunto agora? Para juntar dois fatos: uma pesquisa do instituto Datafolha publicada neste domingo e a recorrente proposta de reforma política feita diante de toda e qualquer crise. Mesmo daquelas atinentes à ausência de compostura das pessoas, mal que as regras por si só não dão conta de corrigir.
A consulta mostra que 61% dos pesquisados são contrários ao voto obrigatório, enquanto 38% são a favor. Há dois anos, havia um empate: 48% eram contra e 48% favoráveis.
Em 2008, 53% apoiavam a obrigatoriedade e 43% preferiam que o voto fosse facultativo. A tendência se inverteu de maneira acentuada e, ainda assim, o tema é solenemente ignorado nos debates sobre reforma política.
Há propostas no Congresso para instituir o facultativo, mas tirando seus autores e uns poucos defensores, são solenemente ignoradas pela ampla maioria de partidos de todas as correntes. O argumento mais comum é o de que o voto obrigatório é uma garantia democrática.
Não resiste à confrontação com a realidade vigente na maioria das nações democráticas. Pela trajetória descendente da satisfação do brasileiro em ter seu direito de votar transformado em imposição do Estado, trata-se de uma assertiva na contramão dos anseios do eleitorado.
Para contraditar há uma teoria corrente não só entre políticos, mas também entre acadêmicos, juristas e curiosos em geral, segundo a qual nesse assunto o público não sabe o que diz.
Engraçado, tomam-se como verdadeiros todos os demais itens da lista escolhida por especialistas para integrar a reforma política, mas quando se trata de considerar a opinião do eleitor a respeito de seu ato individual e sagrado, não vale.
As justificativas são várias, mas a mais cínica reza que o povo brasileiro ainda não teria atingido o estágio de educação e consciência suficiente para conquistar o direito ao exercício do discernimento. Isso é dito assim como se fosse uma argumentação robusta e bastante lógica. Lamentavelmente, seus autores não informam de que maneira seria medido esse momento glorioso nem indicam a que tribunal seria submetido o eleitorado para o julgamento sobre o alcance e o preparo para a conquista da independência.
A solução por ora encontrada é fingir que a questão não existe, não tem relevância ou que guarda relação com uma insatisfação (temporária?) generalizada com a política e as instituições - talvez a ser resolvida com a reforma política.
A descrença de fato pode ser um dos motivos. Mas a desatenção, o menosprezo a algo que aparece na pesquisa como causa de desconforto é parte da descrença, pois não?
Quem sabe o eleitorado esteja, ao contrário do que pensam os sabidos, cada vez mais consciente. Convicto de que o voto é um direito e que tem sido imposto como obrigação sem que os eleitos se vejam obrigados a corresponder minimamente às expectativas dos representados.
A prova de que não ouvem é que simplesmente ignoram um tema tão diretamente relacionado à vontade do eleitor como a forma do voto.
A chance de que os candidatos à Presidência tratem do assunto é nula, porque o problema não é de consciência nem de educação, muito menos de defesa da democracia: é medo de perder a garantia da reserva de mercado. Nisso não falam, mas há consenso tácito.
Crescerá substancialmente a abstenção? Sem dúvida, uma vez facultado o direito de não votar, os candidatos, os representantes, os governantes terão de mudar radicalmente o comportamento para motivar o cidadão brasileiro ir às urnas com vontade de acertar.
Essa é a obra necessária e à qual ninguém se dispõe a dar as mãos.

“Na mulher do vizinho não observamos as varizes.” (Mim)

“Minha mulher anda muito feliz. Acho que arrumou outro.” (Climério)

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LIBERDADE COMO NOSSO DOM MAIOR

Ser livre para ir e vir!Pela liberdade de expressão.Pela humanidade contra os pregadores da escuridão que assolam nosso mundo moderno.Democracia verdadeira sempre,não aquela de fachada que persegue quem não compartilha de suas idéias.