segunda-feira, 19 de maio de 2014

Janer Cristaldo- ATOR ALMEJA UM BRASIL DE MARIGHELLA

ATOR ALMEJA UM
BRASIL DE MARIGHELLA
 


Comentei outro dia a extraordinária capacidade de síntese de frei Betto, que conseguiu resumir um amontoado de besteiras em uma única frase: “Não sei por que se fala do fracasso do socialismo na Europa e não se fala do fracasso do capitalismo no ocidente”. Mas não só frei Betto tem esse dom que, aliás, é característico de não poucos intelectuais.

É o caso do ator Wagner Moura, que declarou ao Estadão na quarta-feira passada: "Tenho o maior amor por esse País, mas não está dando para viver aqui”. A frase é típica de um jovem, embora Wagner já não coza na primeira fervura. Se um ator bem sucedido, com ampla divulgação na mídia e possibilidades no cinema não consegue viver aqui, quem conseguirá? O Zé da Silva que ganha salário mínimo ou pouco mais e nem sabe o que comer em um bom restaurante e tomar um bom vinho?

Frase típica de jovem, disse. E disse porque já fui jovem, condição que todos viveram vivem ou tiveram vivido. Também pensei assim, há mais de quatro décadas, quando busquei asilo cultural e espiritual na Suécia. Dá pra viver, sim senhor, e particularmente quando se é Wagner Moura. Em nenhum outro país o ator terá a fama, prestígio e facilidades das quais goza no Brasil.

Ele reclama do preconceito e do conservadorismo – diz a reportagem do jornal - e diz que Praia do Futuro (seu último filme) vai contra isso, mas reclama mais ainda da política. Na eleição passada, já se havia distanciado do PT e apoiado Marina Silva para presidente. "O PT não inventou o toma lá/dá cá, mas o institucionalizou", diz, desiludido.

Mais uma Madalena tardia. De sua declaração, deduzimos que votou no PT e nas últimas eleições apoiou uma hipotética candidata que levaria o país a um desastre que nem o PT conseguiria levar. Se o leitor acha que exagero, peço que espere algumas linhas para ver quais líderes Moura queria para o Brasil.

O PT é a última flor do Lácio marxista, ou do marxismo latino, como quisermos. Verdade que, uma vez no poder, degustou as delícias do capitalismo e das empreiteiras e desprendeu-se de suas plumas vermelhas. Se perdeu as plumas, não perdeu as garras e até hoje tenta instituir no país uma ditadura travestida de democracia – ao estilo do PRI mexicano –, seu projeto de controle social da mídia que o diga.

O Brasil é um bom país para se viver, que o digam os exilados que fugiram com o rabo entre as pernas durante o regime militar e hoje estão todos de volta, gozando as benesses do país que os militares salvaram da condição de republiqueta soviética. Mais ainda, gozando de gordas bolsas-ditadura, benefício que não tiveram as vítimas da guerrilha ou seus familiares.

Verdade que o país tem seus bolsões de miséria e uma rotina de violência. E seus preços, hoje, são exageradamente altos. Mas alguém na condição de Moura passa ao longe de tudo isso. Sua declaração é charminho de antigo petista que hoje, com o partido mais sujo que pau de galinheiro, pretende manter distância daquilo que um dia apoiou. Mas vejamos qual Brasil o ator almeja.

“Pai dedicado, Wagner adora curtir os filhos. Quer um Brasil melhor para eles. Ia fazer logo seu longa sobre Marighella, que agora está prevendo para 2016. "Tem gente que diz que era um assassino, mas ele entendeu o Brasil e sabia que a chapa ia esquentar, já antes do golpe. Marighella pertence a uma geração que se sacrificou pelo Brasil, eu quero fazer o filme sobre ele para a minha geração. Ficou difícil, hoje, entender e aceitar esse idealismo, as pessoas estão muito centradas." 

Ah bom! Moura queria um Brasil comunista, liderado por um facínora. PT e seus desmandos para ele é pouco. Preferia uma ditadura nos melhores moldes soviéticos ou cubanos. Por isso não está dando para viver aqui. Enfim, Havana não fica muito longe. 

Mas é claro que para lá o ator não vai. A não ser, é claro, como turista e hóspede privilegiado de hotéis aos quais o cubano não tem acesso. É espantoso que, 25 anos após a queda do Muro e do desmoronamento do comunismo ainda haja quem aspire viver em regimes cuja inviabilidade a história recente acaba de mostrar.

Caio Blinder- O Japão é OK

A Índia em uma encruzilhada histórica com a espetacular vitória do Partido Bharatiya Janata, de Narendra Modi; a China economia número 1 do mundo já em 2014 e o Japão estagnado. Estagnado? Poucos jornalistas ocidentais estão tão bem equipados como David Pilling para tratar de temas destas magnitude e questionar a estagnação japonesa. Pilling já foi correspondente do jornal Financial Times em Tóquio e Pequim. Hoje é seu editor de Ásia e escreve uma coluna sobre o continente que para mim é leitura obrigatória. Aliás, suas colunas antecipando o triunfo de Narendra Modi alertavam a respeito das expectativas sobre um líder do nacionalismo hindu que promete dinamizar a economia, mas tem um controvertido passado sectário.
Pilling acaba de publicar um livro sobre o Japão, justamente para mostrar a perseverança do país dado como estagnado. O nome é Bending Adversity ( Dobrando Adversidade). Gosto do subtítuloJapão e a Arte da Sobrevivência. Pilling já estava no seu posto em Pequim em 2011 quando o Japão foi vítima do terremoto, tsunami e desastre no reator nuclear de Fukushima. Ele retornou ao Japão para cobrir o desastre e nas reportagens relatou a disciplina e a tenacidade do país diante de mais uma adversidade. O livro é fruto de sua ambição para “criar o retrato de uma nação teimosamente resistente com uma história de superação de sucessivas ondas de adversidade”.
Aqui não vou me deter no passado mais distante da história do Japão para abraçar e hostilizar influências estrangeiras. Quero apenas destacar a objeção que Pilling faz à visão comum de estagnação japonesa nas últimas duas décadas. Afinal, o país é rico, confortável e continua sendo uma superpotência tecnológica, embora já tenha sido superado pela China em medidas quantitativas de economia. Um amigo japonês do jornalista do Financial Times observa que “todos falam sobre o declínio do Japão, mas aqui não há buracos nas ruas, há carros de boa qualidade, não há violência e o ar é limpo. O Japão é OK”.
Pilling observa o inquietante ressurgimento do nacionalismo japonês sob o primeiro-ministro Shinzo Abe (nem tudo é OK ou já foi OK com o país), mas lembra que uma fonte a longo prazo de tensão com a China é a bombástica propaganda da ditadura chinesa para desviar a atenção dos problemas internos.
Há uma sacada muito boa de Pilling (que se estende à superpotência distante, mas muito presente, na região da Ásia/Pacífico, os EUA). Ele diz que EUA, China e Japão têm economias mais  robustas e modernas do que seus sistemas políticos. No caso americano, eu esclareço que se trata da disfunção em Washington. No caso japonês, é a ausência de um epicentro político que assuma responsabilidades pelas decisões. O sistema tem o seu curso e quando acontecem falhas ou fracassos existe uma anódina culpa coletiva.
A conclusão de Pilling é uma boa provocação quando tanto se fala sobre o triunfo chinês, algo no estilo de que o século 21 será da China. Ele arremata que, “apesar de duas décadas perdidas e tantos problemas, as notícias sobre o fim do Japão são exageradas”. Esta aí um país que não se dobra à adversidade.

Tarso Genro e o velho ódio à liberdade de imprensa

O inefável governador Tarso Genro (PT), do Rio Grande do Sul, que tem tudo para perder a reeleição no seu Estado — cavalgando o Pégaso (ele já cometeu poesias…) e a própria incompetência —, participou de uma sabatina nesta segunda, promovida pela Folha e pelo SBT. Se quiserem uma síntese de todos os temas dos quais ele tratou, cliquem aqui. Eu darei relevo a um aspecto de sua fala que revela, digamos assim, suas paixões autoritárias.
Reproduzo, em vermelho, trecho de reportagem da Folha. Volto em seguida.
O petista declarou que existe uma campanha contra partidos e políticos que está sendo feita pela oposição ao governo Dilma com o apoio da imprensa. Segundo o governador, “as grandes cadeias de comunicação são democratas [militantes do DEM] ou tucanas e fazem campanha massiva” contra siglas alinhadas à esquerda.
“Em todas as categorias existem as pessoas com desvio de conduta. Ocorre que a campanha que se faz toma todos políticos como corruptos e todos os partidos como venais. Isso pode trazer um dano irreversível à democracia. Se essa tese vencer e se extinguir a politica, o primeiro passo é acabar com a liberdade de imprensa”, afirmou.
Retomo
As tolices de Tarso nem mesmo são compatíveis entre si. Por que a oposição a Dilma faria campanha contra partidos políticos se ela também é composta de… partidos?
A afirmação de que “as grandes cadeias de comunicação” são partidárias do DEM ou do PSDB, com todo o respeito, é intelectualmente delinquente. Aquelas que são sérias — e nem todas são — apenas se negam a se comportar como esbirros do petismo, que é o que querem os companheiros.
Fui coordenador de Política da Sucursal da Folha em Brasília, em 1996. O PT estava na oposição. Os petistas tratavam os jornalistas a pão de ló e, obviamente, eram as principais fontes dos repórteres em matérias críticas ao governo FHC. Uma das fontes mais loquazes era ninguém menos do que… José Dirceu! O PT nunca reclamou do engajamento da imprensa — que, saibam os leitores, vota, tomados os seus membros, majoritariamente na esquerda. Com raras exceções, as dissensões costumam se dar à esquerda dos petistas, que ainda formam a maioria. Há mais eleitores do PSOL nas redações do que na sociedade. Jornalistas têm a ambição de entender o que dizem os membros desse partido.
Tarso certamente não é um mentiroso, mas a sua afirmação é escandalosamente mentirosa. De resto, seu partido odeia a liberdade de imprensa e já tentou acabar com ela várias vezes:
1: tentou criar o Conselho Federal de Jornalismo para punir jornalistas considerados incômodos;
2: tentou recriar a censura por intermédio do II Plano Nacional de Direitos Humanos;
3: tentou usar a Conferência Nacional de Comunicação para criar mecanismos que limitem a liberdade de informação;
4: defende ainda hoje uma tal regulamentação da mídia que tem, sim, a pretensão de arbitrar sobre conteúdo.
Como, até agora, não foi bem-sucedido, então escolheu outro caminho: usa dinheiro público, da administração direta e das estatais, para financiar difamadores profissionais, que respondem por páginas cujo único propósito é exaltar o PT e o governo Dilma e atacar a imprensa independente e também lideranças da oposição.
Pregação tem seu efeito
Essa fala estúpida de Tarso acaba tendo algum efeito. Muita gente resolve “provar” para os petistas que eles estão errados. E, aí, acabam caindo numa espécie de armadilha e atacando os adversários do petismo só para provar que são isentos.
Por Reinaldo Azevedo

Onze anos em sete meses?

O Estado de S.Paulo
Mais de 11 anos depois de ter chegado ao poder, e só às vésperas do início oficial da campanha eleitoral - que já colocou nas ruas - para tentar obter mais quatro anos a partir de janeiro de 2015, o governo do PT anuncia ter pronto um grande plano de obras rodoviárias para todo o País. Decerto o País carece, e não é de hoje, de uma malha rodoviária extensa e, sobretudo, em boas condições de operação para facilitar a circulação de bens e pessoas, reduzir os riscos de acidentes e evitar custos adicionais a seus usuários, razão pela qual seria muito bem-vinda uma ação eficaz do poder público nesse sentido.
No entanto, não é crível que o governo tenha êxito com seu novo e mirabolante plano rodoviário - "mais de uma licitação por dia até o fim do ano", anuncia o diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), general Jorge Fraxe. Faltando pouco mais de sete meses para o encerramento do terceiro período presidencial do PT, a elite desse partido fez muito pouco na área de infraestrutura.
O Dnit e os planos rodoviários sintetizam os graves problemas que marcaram os 11 anos e meio da gestão do PT, retardaram os investimentos, implicaram perdas para os contribuintes e deixaram rastros de irregularidades, como favorecimentos para empresas privadas e ganhos ilícitos para ocupantes de cargos públicos.
O atual diretor-geral do Dnit foi colocado no posto para, em primeiro lugar, fazer uma limpeza no órgão que, há três anos, foi apontado como centro de um esquema de propinas e superfaturamento de obras. O Dnit foi controlado até meados de 2011 por pessoas indicadas pelo PR, partido da base governista no Congresso e que havia indicado também o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento. Afastado durante as investigações das denúncias de que representantes do partido teriam montado no Dnit um esquema de recebimento de propinas de empreiteiras, o diretor-geral na época, Luiz Antônio Pagot, foi depois demitido e substituído pelo atual.
No início de sua gestão, o general Fraxe reviu contratos para afastar do Dnit as suspeitas que ainda restassem de atos irregulares e procurou dar ao órgão a competência técnica que dele se espera, dadas suas responsabilidades na ampliação e manutenção da extensa malha rodoviária federal. O Dnit não conseguiu, porém, desfazer sua imagem de lentidão.
Mesmo que o Dnit passasse a agir com a presteza exigida pela carência de infraestrutura no País, qualquer programa rodoviário federal seria tolhido, como tem sido, pela formação ideológica dos governantes petistas, contrária à participação do capital privado na prestação de serviços públicos.
Apesar da notória escassez de recursos públicos para a execução de obras, o governo do PT resistiu durante anos à participação do capital privado no setor rodoviário. O governo Dilma, quando finalmente aceitou a realidade, o fez de maneira equivocada, impondo aos investidores condições insustentáveis do ponto de vista econômico e financeiro. Interessante para o usuário, a chamada modicidade tarifária veio, porém, acompanhada da imposição de limites muito baixos para o cálculo da rentabilidade da operação ao longo do período de concessão, o que limitou o interesse dos investidores.
O fracasso, em setembro do ano passado, do leilão de concessão da Rodovia BR-262, entre Espírito Santo e Minas Gerais (não houve ofertas, dadas as condições impostas), obrigou o governo a rever as regras para os leilões seguintes.
O programa rodoviário, enfim, chegou com muito atraso, e os obstáculos criados pelo governo, além de sua limitada competência gerencial - notória também nos planos de concessão de ferrovias e de terminais portuários, que ainda não saíram do papel -, devem reduzir o ritmo de seu avanço.
O governo Dilma promete fazer, em sete meses, 400 licitações, investir R$ 8 bilhões em estradas, contornos, anéis rodoviários, pontes, viadutos e travessias de cidades, num total de 6,4 mil quilômetros de obras. Conhecendo seu histórico, dá para acreditar?

Mercado aposta em inflação mais alta e PIB mais baixo para 2014

Economistas de instituições financeiras elevaram a projeção para a inflação neste ano, estimando-a em 6,43%, ante 6,39%, de acordo com a pesquisa Focus do Banco Central nesta segunda-feira. Já a estimativa para a expansão da economia em 2014 caiu a 1,62%, ante 1,69% na pesquisa anterior. Ao mesmo tempo, a projeção para a Selic no fim deste ano ficou inalterada em 11,25%, com perspectiva de manutenção em 11,00% na reunião deste mês do Comitê de Política Monetária (Copom).Para este ano, os analistas dos bancos estimaram uma alta no IPCA, voltando a se aproximar do teto da meta da inflação para este ano: 6,5%. Nas últimas semanas, as projeções chegaram a ultrapassar o patamar máximo praticado pelo governo, recuando nas semanas seguintes.
Políbio Braga

Juiz da bandidagem do Lava Jato exige explicações de Teori Zavascki. Governo e PT demonstram alívio.

Políbio Braga
Juiz da 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba enviou ofício ao ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, em que informa sobre o risco de fuga do doleiro Alberto Youssef, principal alvo da Lava Jato, da Polícia Federal. O juiz reagiu mal à decisão monocrática de Teori e pediu que o ministro esclareça o "alcance da decisão", a fim de "evitar que os processos, a ordem pública e a aplicação da lei penal sejam expostas a riscos por mera interpretação eventualmente equivocada" de sua parte.

. A decisão do ministro passará para a opinião pública a percepção de que o STF põe panos quentes no caso, já que poderia ter limitado seu ato apenas ao trêfego deputado Vargas, PT, investigado sem autorização prévia da Corte. O site www.brasil247.com.br disse que a decisão do ministro Teori Zavascki de requisitar inquérito da Polícia Federal para o STF, com soltura de 12 presos na Operação Lava Jato, suaviza tensões em Brasília. Leia mais:

 Sob risco de sofrer abordagem a qualquer momento, empreiteira Camargo Corrêa, defendida pelo ex-ministro Marcio Thomaz Bastos, comemora; ordem de liberdade para ex-diretor Paulo Roberto Costa chegou ao Paraná; mudo dentro da carceragem da PF, mesmo informando por escrito ter sofrido ameaças, ele passa a ter menos motivos ainda para contar o que sabe; doleiro Alberto Youssef, igualmente beneficiado, está na mesma situação; comandada pelo PMDB e relatada pelo PT, CPI perde força; bom para o governo, coordenado por presidente do Senado, Renan Calheiros, e ex-ministra Gleisi Hoffman; oposição chefiada por Aécio Neves desafiada a criar fato novo.

. O alerta de Sergio Fernando Moro é feito após decisão do ministro pela soltura dos 12 presos na investigação.

.O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa já foi solto nesta tarde.  Moro determinou hoje que o processo sobre a refinaria Abreu e Lima seja enviado ao Supremo

VIDA EM CUBA- YOANI SÁNCHEZ

Tu não vens “no pacote”

Taxi colectivo
Pegar um táxi coletivo ao meio dia com a carroceria quente pelo sol e berrando em cada buraco é uma experiência que comove. Baixa-se a cabeça, apequena-se para poder sentar nos assentos improvisados. Fiapos da saia ou da calça pendurados num parafuso mal colocado, de uma ponta metálica que não deu tempo de bolear. Então chega a prova mais dura: compartilhar o gosto musical do chofer que se impõe em golpes de decibéis. Mas também é uma experiência psicológica singular, uma olhada jornalística que leva a refletir sobre esta realidade peculiar que habitamos.
Faz dias abordei um desses velhos “batiscafos” que rodam por Havana. Autêntico ferro velho, porém com os poderosos alto falantes de uma discoteca. O reggaetónensurdecia. A maior parte das letras era sexista… Previsíveis, até que tocou uma que me fez pensar. O cantor ria-se de alguém e espetava: “ah… Tu não vens no pacote”. Duravam só alguns segundos. “ah… Tu não vens no pacote…”, porém era suficiente. Referia-se talvez a outro músico ou artista que não aparecia na compilação dos chamados “combos”, seleções de audiovisuais distribuídos de modo alternativo e abominados pelo governo.
O que já chama a atenção no repertório popular: ficar fora do “pacote” rebaixa qualquer um ao último escalão de popularidade. Se determinado vídeo clip, documentário ou filme não estão incluídos nestas compilações isso é sinal da sua baixa notoriedade. O mais significativo é que quando as pessoas podem fazer sua própria “programação televisiva” neste gigabytes de telenovelas, documentários ou musicais… Nunca inclui os espaços oficiais. Ou seja, poder-se-ia lançar à Mesa Redonda* o ácido estribilho: “ah… Tu não vens no pacote”, como também ao noticiário principal, aos atos políticos e a quanto discurso ou declaração governamental transmitida pelos canais nacionais.
A voz do partido Comunista de Cuba ficou fora do “pacote”… Por ser chata, insossa  e repetitiva… E ter pouca credibilidade.
*Mesa Redonda: Tedioso programa de entrevistas da TV estatal.
Tradução por Humberto Sisley

Políbio Braga- Lula e Berlusconi


Lula aparece noutra tramóia suja, desta vez no Caso Berlusconi

Lula aparece como personagem de outra tramóia de roubalheira, desta vez com parceiros do controvertido Berlusconi. 



Em reportagem intitulada "Nome de Lula aparece no caso Berlusconi", a revista IstoÉ desta semana revela que em carta encaminhada ao premiê Silvio Berlusconi, em dezembro de 2011, Valter Lavitola afirma que recorreu a Lula para negociar área de manejo florestal na Amazônia:
- Ele conseguiu que a direção da empresa compradora fizesse um acordo comigo.

A carta escrita por Lavitola foi encontrada no computador do ítalo-argentino Carmelo Pintabona, amigo e um dos homens de confiança do jornalista condenado. 

. Leia a reportagem da revista (abaixo, mais nota sobre o caso):

Em carta em que extorquia o ex-premiê italiano, o jornalista Valter Lavitola, hoje preso, diz que Lula o ajudou num polêmico negócio de madeiras na Amazônia. Justiça da Itália já ouviu Pizzolato
Janaina Cesar, de Nápoles e Claudio Dantas Sequeira (claudiodantas@istoe.com.br), de Brasília
No fim de abril, o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, condenado no processo do mensalão, recebeu em sua cela na penitenciária de Sant’Anna, em Modena, a visita do procurador italiano Vicenzo Piscitelli. O integrante do MP italiano estava acompanhado de três policiais. O encontro alimentou especulações de que Pizzolato estaria envolvido na investigação conduzida por Piscitelli sobre o rumoroso caso do jornalista Valter Lavitola, ex-diretor do diário “Avanti” preso por extorsão contra o ex-premiê Silvio Berlusconi e que responde a processo também por lavagem de dinheiro e corrupção internacional. Pizzolato, porém, não foi interrogado na condição de suspeito ou de testemunha, mas como colaborador. O procurador queria sua ajuda para esclarecer um trecho até hoje misterioso da carta em que Lavitola cobra de Berlusconi ajuda financeira. Em três das 25 páginas do documento, obtido por ISTOÉ, o jornalista italiano fala que recorreu ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para conseguir vender uma área de manejo florestal que tinha na Amazônia. Nas palavras de Lavitola, Lula “provou ser um verdadeiro amigo”.

CLIQUE AQUI para saber mais. 

SPONHOLZ E O METRÔ DE SUPERFÍCIE


‘Notas pré-Copa’, um artigo de Roberto Pompeu de Toledo

Publicado na edição impressa de VEJA
ROBERTO POMPEU DE TOLEDO
1. Copa do Mundo seria melhor com um pouco menos de patriotadas. No México havia (ainda há?), pouco antes da competição, a cerimônia de “embandeiramento” do time nacional. Nesse momento o time passava a representar a nação. No Brasil, sem a mesma pompa de Estado, mas presente ao fundo uma enorme bandeira nacional, o anúncio dos jogadores convocados procurou igual efeito. O técnico Luiz Felipe Scolari, antes de desfiar a lista, pediu que todos – “comissão técnica, direção da CBF, imprensa, torcedores” – nos unamos em torno do mesmo “norte”, ainda que discordando desta ou daquela convocação. Mais tarde, ao vivo no Jornal Nacional, disse que era hora de todos os brasileiros vestirem a “camisa amarela”. À sua maneira, embandeirou a seleção.
2. Copa do Mundo também seria melhor sem intoxicação publicitária. Mais do que ninguém os publicitários deveriam saber que tudo o que é excessivo cansa. E, no entanto, dá-lhe Felipão vendendo carro, televisores, assinatura de telefone celular. Dá-lhe Neymar vendendo tudo. Antes de começar a Copa já enjoou. Sorte que depois do apito inicial do jogo inicial o enjoo passa. Cura-o a atração irresistível da bola correndo.
3. Felipão preocupou-se à toa com eventuais discordâncias agudas na convocação. Não houve dissenso nem poderia haver. Tirando Neymar, os outros 22 poderiam ser substituídos por outros 22 sem diferenças acentuadas. Isso não é sinal de pujança do futebol brasileiro; é sinal de nivelação por baixo dos estoques de craques.
4. Outra razão para a falta de dissenso é a carência de identificação dos torcedores com os jogadores. Muitos dos convocados saíram tão cedo do país que nem disputaram campeonatos de primeira divisão no Brasil. De repente aparece um sujeito chamado Luiz Gustavo, ou um sujeito chamado Hulk, de quem nunca se ouvira falar e que, sem ter vestido a camisa de nenhum grande clube brasileiro, agora é titular da seleção. Ou é reserva, como o sujeito chamado Dante. Além das torcidas clubísticas, havia também as rivalidades regionais. Paulistas e cariocas disputavam quem forneceria mais quadros para a seleção. Hoje, a disputa possível seria se serão convocados mais ingleses ou mais espanhóis, quer dizer: mais entre os que jogam na Inglaterra ou mais entre os que jogam na Espanha.
5. Felipão é esperto. Ao embandeirar a seleção, busca duplo efeito. Primeiro, formar a famosa “corrente pra frente”. Segundo, dividir responsabilidades. Mostrando-se desunidos, os brasileiros serão também culpados, se sobrevier a cruel desdita da derrota. Ele tem plena noção da carga que lhe pesa nos ombros. O pior cenário é a desclassificação prematura. Já nas oitavas de final, é mais do que possível que o Brasil venha a enfrentar ou a Holanda, que o desclassificou em 2010, ou a Espanha, a campeã naquela ocasião. Derrotado o time de Felipão, o torneio passaria a ser uma festa de argentinos, espanhóis, italianos, ingleses e outros, com o Brasil pagando a conta. As massas poderão se excitar.
6. Pior que o vexame no campo de jogo será o eventual vexame do despreparo para o evento. Prometeram-se investimentos que não vieram. A famosa “mobilidade urbana” será a de sempre, com forte tendência imobilizante, atenuada quem sabe apenas por puxadinhos nos aeroportos e decretação de feriados em dias de jogo. Alguns dos estádios só ficarão prontos na última hora, e tomara que se mostrem seguros. Tomara que não falte energia no pico das comunicações que cruzarão o planeta. Se isso tudo ocorrer razoavelmente a contento (completamente a contento não é mais possível) e se não houver torcedor com volúpia de jogar vaso sanitário no adversário, será um alívio.
7. A Copa continua um risco para o governo, mas na semana passada funcionou a favor. O craque Renan Calheiros, agora com cabeleira que ameaça a de David Luiz, soube jogar de olho na tabela – tanto enrolou que fez a CPI da Petrobras enroscar com a Copa. O assunto Petrobras morreu. Agora é Copa. O embandeiramento da seleção marcou o início de seu reinado.

Janer Cristaldo- MAIS FÁCIL MANIPULAR POVO INCULTO

Me escreve Jorge Lobo:

- Na opinião do articulista não existe nenhum grande escritor brasileiro? Será que se Machado de Assis tivesse nascido na França não seria um dos grandes?”

Quando cito meus autores diletos, meu caro, jamais citei um francês. Não que a França não tenha grandes escritores. Apenas não estão entre os meus preferidos. Estes são russos, suecos, espanhóis, irlandeses, ingleses e argentinos Não preciso sair de minha terra natal para citar uma grande obra. Martín Fierro é o poema que mais leio e releio, cito e recito, e que sempre me acompanhou em viagens mais longas. Hernández é argentino, mas seu poema começou a ser escrito em Santana do Livramento.

- Querido Janer – escreve-me Cris Fontana – se "em um universo em que existem Cervantes, Swift, Dostoievski,Kuprin, Orwell, Koestler, Huxley, Machado faz feia figura." No universo , ou melhor no inferno dantesco dos bestsellers paradidáticos que são enfiados compulsoriamente goela abaixo das crianças, Machado de Assis e José de Alencar são maravilhosos! Não entro nem no mérito do argumento , mas pelo menos tem bom português, boa gramática, linha condutora e estilo. 

- Sabe qual é o universo subliterário das crianças e adolescentes de hoje?! É Lygia Bojunga e o horrível Bolsa Amarela. São as famigeradas Ana e Maria Clara Machado com seus enfadonhos Bisa Bia, Bisa Bel e o chatíssimo fantasminha Pluft. Uma lástima chamada Até mais verde, da sofrível escritora Julieta "de" Godoy. Um arrítmico Pedro Bandeira e seus livrecos insossos! Neste universo de escrevinhadores paupérrimos de tudo, mas bons ADA (amigos dos amigos), Machado de Assis é maravilhoso. José de Alencar é fantástico. E sim, pra quem lê um livro em bom português,inglês, alemão ou francês, o "pai dos burros" continua sendo o melhor e inseparável amigo!

Sem dúvida nenhuma, Cris. Jamais afirmei que Machado escreva mal. Apenas o julgo escritor menor e que nada tem a dizer aos leitores de hoje. Muito menos aos de sua época, que já tinham um acervo excelente de boa literatura. Que mania é essa de endeusar a literatura nacional? Cultive-se a grande literatura e o resto que fique na famosa lata de lixo da história. Não que deseje este destino para Machado, mas o fato é que seria autor esquecido não fosse sua literatura imposta nas escolas.

- As crianças de hoje lêem gibi, e olhe lá – continua Cris – . As provas, muitas delas, no primário são de interpretação de FIGURAS e exercício imaginativo, interpretação do texto passa a léguas de distância das carteiras escolares. A tal ponto dos jovens nem saberem o que é e como se faz uma interpretação de texto .É só exercício opinativo e imaginativo, interpretativo de acordo com o texto lido, que é bom, nadica de nada!

Vivo longe do universo das escolas e desconhecia esta barbaridade. Escritores escrevem para serem lidos, não para terem seus textos traduzidos em desenhos. Desenho é uma coisa, atende aos olhos. Palavras é outra completamente distinta. Palavras apelam à imaginação.

Foi em 2006 que o governo federal, por meio do Ministério da Educação (MEC), comprou e distribuiu para a rede pública, pela primeira vez, literatura em quadrinhos. "Com o PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola), as editoras puderam tirar os quadrinhos do underground e direcioná-los para um público maior", afirmou na ocasião Ivan Pinheiro Machado, editor da L&PM Editora.

Vê-se um esforço deliberado do governo em eliminar o que de bom um dia a escola teve, de nivelar por baixo a educação, em suma, de analfabetizar a juventude atual. Talvez este esforço não seja consciente. Mas instintivamente as autoridades do ensino sentem que povo inculto é povo manipulável.

- O gibi – acrescenta Cris – para as crianças/adolescentes /adultos que já consolidaram o processo de alfabetização, que já sabem ler, não tem problema se for uma leitura esporádica. Mas o que vejo HOJE é gibi como leitura exclusiva para leitores que são leitores de figuras não de textos. E muitos clássicos "gibizados" para facilitar a "leitura" dos inábeis letrados pelo construtivismo. Isso é ruim , mau e apocalíptico!

E analfabetizador, acrescentaria eu. Ilustrações podem facilitar a leitura, mas desestimulam o conceito, o pensamento abstrato. Fui leitor voraz de quadrinhos em minha adolescência. Eram os “livros” aos quais tinha acess. Não sei como, os gibis chegavam até os rincões onde nasci. Quando fui para a cidade, fiz a festa. Nas matinês de sábado, após algum seriado do Capitão Marvel ou de Hopalong Cassidy, havia um farto mercado onde trocávamos revistinhas. Era leitura garantida para a semana toda. 

Às vezes, quando encontro alguém de minha idade, fazemos um torneio de erudição. Qual a identidade secreta do Capitão Marvel? Billy Batson, é claro. E a eterna namorada do Mandrake? Narda. E como era mesmo o nome do negrão aquele que parecia ter um caso com o mágico? Lothar. Como se chamava o cavalo do Zorro? Silver.

E o cachorro do Fantasma que Anda? Capeto. Em verdade, não era um cão. Mas um lobo. E sua noiva? Diana Palmer. Foi um dos noivados mais longos da história. Durou 40 anos antes que o Fantasma tomasse uma decisão. Morava na Caverna da Caveira e era imortal, graças a um truque: a cada geração, o filho retomava a identidade do pai. tom de respeito e seguindo uma longa tradição, a Caverna da Caveira conta com uma cripta, na qual estão os 20 antepassados da linhagem, aos quais ele apresenta sua esposa e, posteriormente, seus filhos. Sua marca registrada era o anel da caveira, que deixava sua impressão no rosto dos bandidos que derrotava.

Mas há obviamente tempo de ler quadrinhos e ler bom livros. Adulto, curti duas revistinhas – e ainda curto – as de Mafalda e as de Asterix. Mas aí não é mais quadrinho e sim boa literatura. 

Em suma, Cris, a situação está osca, como dizíamos lá no campo. Conheço não poucas pessoas adultas – e ocupando cargos importantes na administração - que não conseguem ler um texto do tamanho desta crônica. Ler para quê, se um analfabeto conseguiu eleger-se presidente? Quando fatos como este demonstram que leitura não é necessária para o que se chama de sucesso, o caminho está amplamente aberto para o analfabetismo funcional. 

Mas não desespere, Cris. A filha de uma sobrinha minha, com quatro anos, está aprendendo inglês e mandarim. E não é só ela. Aqui em São Paulo há muitas crianças aprendendo mais duas línguas além do português. O esquecido Nestor de Hollanda, em A Ignorância ao Alcance de Todos, dizia que as hostes dos alfabetizados avançavam, já havia até mesmo alguns infiltrados no Exército. Ainda há um núcleo diminuto – diminuto mas teimoso – que insiste, contra ventos e marés, em alfabetizar-se.

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Ser livre para ir e vir!Pela liberdade de expressão.Pela humanidade contra os pregadores da escuridão que assolam nosso mundo moderno.Democracia verdadeira sempre,não aquela de fachada que persegue quem não compartilha de suas idéias.