terça-feira, 20 de maio de 2014

Médico cubano é acusado de abuso sexual em três grávidas de Goiás

Três grávidas acusam um médico cubano, integrante do Programa Mais Médicos do governo federal, de praticar abuso sexual contra elas durante atendimento num posto de saúde na cidade de Luziânia (GO), na região do Entorno do Distrito Federal. É o que informa o site www.brasil247.com.br desta tarde. Leia tudo:

Uma delas disse à Polícia Civil que ele pediu para ela se deitar numa maca e, durante a consulta de rotina para verificar a situação de uma infecção urinária, o profissional tocou suas parte íntimas com intenção de praticar ato libidinoso. O profissional atuava no posto desde o começo deste ano. As mulheres que o acusam já passaram por exame de corpo de delito. “A forma como ele agia é a mesma. Eram gestantes e aí, na consulta de rotina, para verificar a situação gestacional, ele praticava o ato libidinoso com as vítimas”, afirmou a delegada Dilamar de Castro, que deve ouvir o acusado nesta terça-feira (20). A Secretaria de Saúde de Luziânia  informou que já afastou o médico do trabalho. O órgão disse ainda que já repassou as denúncias para o Ministério da Saúde, responsável pelo Mais Médicos e por contratar o profissional.

Políbio Braga

Nestes Estados as polícias civis e militares farão greve ilegal nesta quarta. No RS há haverá paralisação.

Políbio Braga
Farão greve ilegal nesta quarta as polícias civis e militares de Brasília, Goiás, Minas, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Amazonas, Pará, Paraíba, Tocantins, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Rondônia, Bahia e Pernambuco. 

. No RS não haverá greve, conforme constatou o editor junto às entidades que representam policiais civis e brigadianos. 

RICARDO SETTI- Tickets para a Copa: não há limites para a insânia



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Uma grande empresa da área seguradora em São Paulo comprou, para distribuir entre clientes e parceiros, 20 ingressos na melhor localização da Arena Corinthians para o jogo inaugural da Copa 2014, Brasil x Croácia.
Diretores da empresa não dizem como nem de quem compraram.
Preço da brincadeira: 250 mil reais.
Casos como este há aos montes.

Caio Blinder- Os oligarcas ucranianos contra-atacam

Influentes e com agendas nebulosas, oligarcas econômicos (alguns bilionários) se mostram atores indispensáveis no cenário ucraniano. Aliás, eles ajudaram a montar este sórdido cenário na Ucrânia pós-independência, em um padrão semelhante ao russo. Chegamos a um ponto tão melancólico que alguns dos oligarcas são a alternativa mais tolerável ao caos, gangsterismo e inoperância do país, tudo isto instigado pela Rússia de Vladimir Putin, que não pode permitir que funcione uma Ucrânia alinhada com o Ocidente; Putin, que preside um país em que oligarcas locais se mostram um pouco inquietos com uma aventura ucraniana que foi longe demais. E vamos admitir que mesmo sem a campanha de desestabilização de Putin, a Ucrânia ainda estaria muito longe de ser um país funcional.
No entanto, vamos falar de algumas coisas que funcionam. As indicações são de que a resistência de alguns poderosos oligarcas, mas com realismo para aceitarem a necessidade de convivência (e negócios) com o vizinho que sempre estará lá, levou Putin a moderar sua posição na crise nas últimas semanas. Na segunda-feira, o presidente russo anunciou mais uma vez a retirada de tropas da fronteira. A questão não é confiar na palavra de Putin (nyet!), mas admitir que o anúncio é consistente com uma linha mais suave do Kremlin dias antes das eleições presidenciais ucranianas de domingo. A agitprop russa é menos estridente agora para denunciar a ilegitimidade destas eleições, convocadas por uma junta fascista.
Seria um sinal de que Moscou vai transacionar com o legítimo oligarca Petro Poroshenko, que tem chances inclusive de vencer no primeiro turno. Poroshenko, um bilionário conhecido com “rei do chocolate” por seus negócios no setor, tem 48 anos, mas é um veterano das batalhas na arena política que tanto contribuíram para desacreditar a elite ucraniana. Ele foi inclusive ministro de diversos governos desde a independência em 1991. Seu chocolate é enlameado.
Poroshenko não tem uma ideologia clara (naquelas bandas ninguém vira oligarca bilionário por firmeza nas ideias), mas ele assumiu um posicionamento a favor do Ocidente, da unidade ucraniana e contra os bandoleiros separatistas que atuam no leste ucraniano, embora sem a retórica explosiva contra a Rússia de outros setores da sociedade ucraniana. Poroshenko também mantém distância do governo interino em Kiev, o que ajuda a dar a impressão de ser um “outsider”, embora seja figura familiar no mar de lama. São bons cálculos eleitorais.
Putin tamb ém parece ter refeito os cálculos diante dos limites para ir adiante com a pantomina das “repúblicas populares” pró-Rússia no leste ucraniano com o chega pra lá de Rinat Akhmetov, o homem mais rico do pais, que mobilizou suas brigadas de trabalhadores contra os bandoleiros separatistas, muitos dos quais são desempregados, aposentados ou trabalham a serviço do submundo e da inteligência russa. Oligarcas nomeados governadores pelo governo interino de Kiev, em escalas diferentes, também estão segurando as pontas no leste ucraniano.
Para os oligarcas (e a imensa maioria dos ucranianos), não interessa um país que descambe para o mero banditismo separatista ou que seja manipulado de forma brutal por Moscou. Eles, ao que tudo indica, estão tentando salvar a Ucrânia, que não vai se safar do seu mar de lama, porém agora tem uma chance de não afundar ou ser desmembrada por nosso homem em Moscou. A Ucrânia terá uma vitória com gente duvidosa na eleição e Putin não estará entre os vencedores.
***

Caio Blinder- Enquanto isso na Tailândia…

A gente conhece o jargão: militares decretam lei marcial, dizem que não se trata de um golpe e que as coisas serão normalizadas assim que for possível. No entanto, no caso da Tailândia nem dá para ser muito cínico com a situação. De fato, a única instituição que consegue ser árbitro do poder são as Forças Armadas diante do ambiente político tóxico e polarizado. O Instituto Blinder & Blainder não é chegado em quarteladas, mas admite sua resignação com o que está acontecendo no país do sudeste asiático. A lei marcial parece ser a única alternativa viável. Resta saber se a jogada militar irá forçar os atores políticos a negociarem.
O objetivo desta coluneta é ser telegraficamente didática sobre um país tão distante. Trata-se do mais direto envolvimento militar na crise crônica na Tailândia desde 2006 quando um golpe (aqui podemos usar o termo sem pudor) removeu do poder o bilionário populista Thaksin Shinawatra. Em maio, foi a vez da irmã do bilionário e fantoche político, Yingluck Shinawatra, ser destituída pela Justi ça da chefia do governo, acusada de abuso de poder.
A Tailândia não segue o paradigma atual de protestos globais: o maior ativismo no país tem lugar para que haja menos democracia. No esquema polarizado, temos o movimento dos camisas amarelas (velhas elites, classe média urbana, funcionários públicos e setores monarquistas) que se insurgiu de uma década para cá contra os irmãos Shinawatra, apoiados pelo movimento dos camisas vermelhas, gente mais rural que recentemente se mobilizou para votar de forma acelerada. Em 30 anos, o comparecimento às urnas saltou de 45% para 78%. Logo, os camisas amarelas não gostam de democracia eleitoral e acusam a dupla Shinawatra de recorrer a todos os truques populistas para faturar votos, desde sua mera compra a subsídios para os mais pobres..
No entanto, a instabilidade política não é recente. Falta solidez democrática na Tailândia desde que foi justamente instalada a monarquia constitucional em 1932. Desde então, a média é de um golpe a cada dez anos. Nao é à toa que o período desde 1932 é conhecido como “estação de golpe”. Sendo mais preciso, entre golpes consumados e tentativas, foram 18 em 82 anos.
A economia tailandesa é mais sólida do que a sua política. O país se recuperou da crise cambial asiática de 1997, do tsunami de 2004 e das enchentes de 2011. A intervenção militar de agora talvez impeça a Tailândia de afundar na guerra civil.

"A morte não é o filme Sexta-Feira 13. Não tem essa de continuação." (Mim)

“A morte é o OMO que dá uma limpeza geral nos podres de um defunto.” (Pócrates)

Da série Perguntinhas Decorativas,pois a resposta todos já sabem: "Só está encrencado no Brasil quem rouba pouco?"

“O regime comunista é análogo ao sistema penitenciário. Quem não é funcionário do sistema quando tem uma chance foge.” (Mim)

AMAZONAS- Vizinhos da Arena afirmam que obras são só para 'inglês ver'

A 20 dias da Copa do Mundo, moradores do entorno do estádio que sediará quatro jogos do mundial e dos centro de treinamento reclamam que as melhorias não chegaram às comunidades próximas
[ i ]Entorno da Arena da Amazônia enfrenta problemas de infraestrura e gera reclamação dos moradores, que esperavam benefícios por serem vizinhos do estádio que sediará a Copa
Manaus - Obras de adequação para a Copa do Mundo não alcançaram os vizinhos da Arena da Amazônia, que sediará quatro jogos da Copa do Mundo no mês que vem. Moradores dos bairros Dom Pedro e Alvorada reclamam que recapeamento de ruas, novas calçadas, iluminação e outras obras de infraestrutura no entorno do estádio são só ‘para inglês ver’.
No Dom Pedro, segundo o presidente da associação de moradores Osnir Gusmão, as melhorias são pontuais e atingem apenas a rota dos turistas. De acordo com a entidade, 27 solicitações de tapa-buracos no bairro já foram feitas este ano, mas somente nove foram atendidas.
“Quando foi colocada a situação da Copa do Mundo, recebemos a promessa de melhorias em todo o bairro, mas somente as vias principais receberam atenção”, disse. “A Avenida Domingos Jorge Velho, que dá acesso à sede da Polícia Federal, foi uma delas, pois faz parte da rota dos turistas. As ruas de muitas casas que vão hospedar pessoas vindas de fora do Estado e até do País estão com buracos que atravessam a via, como é o caso da Rua Plácido de Castro”, informou.
As reformas no entorno do estádio já apresentam falhas, segundo Gusmão. A calçada paralela ao centro de convenções da Arena da Amazônia está rachada e sobressalente e a passarela próxima ao local tem várias rachaduras.
O diretor de Engenharia da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), Antônio Nelson, admitiu que o foco das obras para a Copa beneficia somente as ruas principais do quadrilátero no entorno do estádio, que abrangem as avenidas Djalma Batista, Pedro Teixeira, Loris Cordovil, Torquato Tapajós, Constantino Nery, Max Teixeira, Noel Nutels, Paraíba, Recife, Brasil e Autaz Mirim. Também foram incluídos o Boulevard Álvaro Maia e a Estrada da Ponta Negra.
Nessas vias, segundo Nelson, foram realizados serviços de recomposição asfáltica, remendos profundos, troca do pavimento com qualidade mais resistente, inserção e troca de meio-fio, sarjeta, calçada, canteiro central e iluminação pública. Ele explica que, em decorrência do final do inverno, o ritmo do trabalho de manutenção foi reduzido.
“A população tem que ter paciência, que nós vamos chegar nessas localidades. Existe uma separação entre as obras da Copa e as de manutenção da cidade. Temos muitas ocorrências para um efetivo não tão grande de pessoal. É muito trabalho para um ano”, afirmou.
A pouco mais de 500 metros da Arena da Amazônia, a aposentada Maria Zenilda da Silva, 63, moradora da Travessa Pedro Teixeira, afirma que todos os anos a sua casa alaga. Ela também reclama da segurança do local e lamenta não ter havido mudanças para a comunidade que mora tão próximo ao estádio da Copa.
“Podia ter melhoras, mas não teve. A minha casa alaga na beira do igarapé, não tenho nada. Gastaram tanto dinheiro no estádio que fica em frente a minha casa. É como olhar uma comida saborosa, não ter dinheiro para comprar e ter que ficar olhando outra pessoa comer”, disse.
Moradores da Rua 4, bairro Alvorada 1, zona centro-oeste de Manaus, reclamam de buracos nas ruas e calçadas e das constantes quedas de energia na área. Eles alegam que, depois que os jogos da Arena da Amazônia começaram, as quedas de energia são constantes. Fritadeiras elétricas, geladeiras e televisores já apresentaram defeitos.
Elza Abreu, 67, moradora do local, disse que dois televisores apresentaram defeitos em sua residência e nos finais de semana as quedas são mais frequentes. “Tem dias que a energia cai mais de dez vezes. Às vezes, passamos horas para que ela se restabeleça. É um descaso muito grande”, disse Elza.
O comerciante Ângelo Gomes teme que durante a Copa do Mundo o bairro fique totalmente abandonado. “É difícil imaginar. A gente é vizinho da Copa e não temos nada”, afirmou.
Estádios
Nos bairros Glória, zona centro-oeste, e Coroado, zona leste, que abrigam o Estádio da Colina (Ismael Benigno) e o Estádio Carlos Zamith, respectivamente, cotados para treinos das seleções durante o mundial, o problema se repete.
No bairro do Coroado, a população afirma que poucos avanços foram observados, até mesmo no entorno do Estádio Carlos Zamith, localizado na Alameda Cosme Ferreira.
O feirante Francisco Marques, 41, que mandou fazer um uniforme especial para a Copa, diz que esperava alguma melhoria para a feira coberta do bairro. “Manaus continuou a mesma coisa, não mudou nada. Falta muita coisa, principalmente dentro do bairro. Me desapontei. Infelizmente, só deixa a desejar essa Copa”, disse.
Para a professora Regina Barros, 36, as mudanças estão em alguns pontos e não refletem a totalidade do bairro que, segundo ela, enfrenta falta d’água, insegurança e infraestrutura precária. Na avaliação da moradora, faltaram investimentos que seriam vistos pelos turistas e pela população.
“Nós temos um riacho que atravessa o Coroado todo. Podiam ter revitalizado o igarapé da Beira Rio, seria um atrativo. Por causa das calçadas que são usadas pelos ambulantes, a poluição ambiental e visual aumenta a cada dia”, disse.
Em frente ao Estádio da Colina, na praça de alimentação do bairro Glória, a falta de iluminação e sujeira são alguns dos problemas relatados pelos moradores. O estudante Marcelo Alexandre, 26, considera o bairro abandonado, mesmo recebendo a reforma do estádio para a Copa.
“Precisa melhorar a infraestrutura dos lanches, os banheiros não prestam, as mesas são colocadas em cima do barro e à noite é muito perigoso. No final da linha dos ônibus está uma buraqueira enorme. Hoje, eu me sinto envergonhado de ter uma Copa em Manaus, estão maquiando. Resultado: a população da Glória não está sendo beneficiada. É só para inglês ver”, afirmou.
Sem perder a esperança, o comerciante Lorival Ferreira, 77, que trabalha com a venda de fogos de artifício no local há mais de 40 anos, enfeita de verde e amarelo sua loja em frente ao estádio, mas considera um descaso “um cartão-postal como o bairro Glória não receber as adequações para a Copa do Mundo, como o saneamento básico e a regularidade do recolhimento do lixo”.
“A gente precisa ficar feliz com a Copa, mas não só com os gols da seleção e, sim, com o legado deixado para a nossa comunidade. Eu sinto alegria da Copa, mas infelizmente não vimos melhoria nenhuma. Vamos tocar a Copa do Mundo e representar apenas com o nosso sorriso. Espero que melhore, acredito que ainda dê tempo”, disse.
A Seminf informou que os quadriláteros dos estádios que serão centros de treinamento não foram beneficiados com o pacote de obras para a Copa. De acordo com o diretor de Engenharia do órgão, os serviços em algumas localidades devem ficar para o pós-Copa.

Hospitais de Caracas suspendem cirurgias por falta d’água

A crônica falta de água que atinge Caracas está prejudicando o funcionamento dos hospitais da cidade, reporta o jornal El Universal nesta terça-feira. No último sábado, uma série de intervenções cirúrgicas na Maternidade Concepción Palacios foram suspensas pela falta de água, disse Moraima Hernández, médica da instituição. Na Clínica da Universidade, o médico José Manuel Olivares disse que entre terça e quinta-feira da semana passada o funcionamento normal do centro de saúde foi afetado e muitos procedimentos foram suspensos.

 No Hospital Vargas, durante a semana passada, enfermeiras tiveram de lavar as mãos com soro para atender os pacientes. Os parentes dos pacientes passaram a comprar garrafões de cinco litros de água para levar para os enfermos e para a equipe médica. Funcionários do hospital encheram toneis para garantir os serviços de limpeza, mas indicaram que há risco para a saúde quando o serviço de limpeza é interrompido pelo desabastecimento de água.

A enfermeira Karina Berroteran enfatiza que o risco de infecção é latente. “Para tomar banho, esperamos a retomada do serviço”, disse o paciente Eunises Mijares. Giovanni Provence, especialista em traumatologia da instituição, disse ter limitações para colocar gesso e avaliar lesões dos pacientes por meio do raio-X. Ele explicou que as máquinas necessitam de água para fazer as imagens. “Há um desperdício de insumos, porque estamos usando soro para as medidas de assepsia", lamentou.

O médico advertiu que três pacientes foram hospitalizados com suspeita de osteomielite, uma infecção grave causada por má higiene na hora de esterilizar materiais como pregos e parafusos que são usados nos procedimentos cirúrgicos ortopédicos. Num hospital no bairro de Lídice, na zona norte de Caracas, até ontem os pacientes foram afetados pela falta de água. A médica Rosa Torrealba disse que a água voltou, mas tem baixa pressão e os andares superiores do hospital são servidos de forma irregular. O governo da Venezuela anunciou no início de maio um plano de racionamento em Caracas que deixa parte das seis milhões de pessoas sem acesso à água por até três dias por semana.

O plano de emergência é necessário para contornar a severa seca que o país enfrenta, disseram as autoridades. Carlos Ocariz, prefeito do distrito de Sucre, reclamou que nenhum reservatório foi construído durante os 15 anos de governo do partido do presidente Maduro. Ele também alertou que um plano de economia de água devia ter sido anunciado meses atrás. "Nós não precisávamos esperar as coisas chegarem a esse ponto para começar a agir", escreveu, em comunicado.

Leia mais...http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/hospitais-da-venezuela-suspendem-cirurgias-por-falta-dagua

Ir a pé ou ir de trem

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo
Convenhamos: no que mesmo o ex-presidente Luiz Inácio da Silva ajuda a campanha pela reeleição da presidente Dilma Rousseff quando trata com menosprezo questões que têm o apoio da população?
A capacidade de Lula de dizer coisas desprovidas de sentido é conhecida, faz parte do seu show. A novidade é a tendência de fazê-lo em contradição ao manual do populismo, cuja regra de ouro é dizer coisas que soem agradáveis, sábias e lógicas aos ouvidos da maioria.
Nessa fase em que volta com força à cena política convenientemente protegido por plateias simpáticas ou por entrevista à imprensa estrangeira que nem sempre dispõe de todos os dados da realidade nacional para contestá-lo, o ex-presidente tem fugido à sua prática de não entrar em divididas com o senso comum.
Há três exemplos recentes. Comecemos pelo último por ser, do ponto de vista dessa mudança de comportamento, o mais eloquente.
Se não falasse a blogueiros reverentes, mas a um público eclético que encontrasse na rua (onde, aliás, não tem circulado), Lula teria a ousadia de dizer que considera uma tolice (em expressão mais grosseira) as pessoas quererem estações de metrô nos estádios de futebol? Na melhor das hipóteses seria educadamente contestado. Na pior, estrepitosamente vaiado.
Nem o mais insensível integrante da "zelite" seria capaz de um pouco caso desta ordem: "Nós (os brasileiros) não temos problema em andar a pé". Os torcedores, acrescentou, vão aos estádios de qualquer jeito: "descalço, de bicicleta, de jumento".
Sim, e também vão de ônibus lotados, em seus carros para serem extorquidos pelos guardadores. Mas, por que precisam ter desqualificado o natural anseio por um maior conforto urbano? Ou Lula está dizendo que o brasileiro deve se conformar com pouco? Se não quis, disse. Que transporte público de qualidade é luxo desnecessário, dispensável para quem anda sem sapatos e, se preciso for, se locomove no lombo de jumentos. Certamente não por escolha.
Lula, por boa contingência da vida, conta com transporte terrestre e aéreo à disposição, trata da saúde no Sírio-Libanês e não enfrenta desconfortos do cotidiano. Nada contra, desde que não faça pouco caso de quem se ache no direito de querer algo além de comida (cara) no prato, serviços públicos de péssima qualidade e apelos à gratidão eterna para um governo que se tem na conta de inventor do Brasil.
No terceiro caso o ex-presidente fez uma conta em entrevista a uma jornalista portuguesa: o julgamento do mensalão foi 20% jurídico e 80% político. Pois segundo as pesquisas, é mais ou menos este último o porcentual de brasileiros que consideram o resultado justo.
O apoio quase unânime da população às condenações feitas pelo STF significa reconhecimento de que houve um tratamento equânime no julgamento de crimes cometidos por poderosos, algo que vai ao encontro de uma aspiração civilizatória. As pessoas se sentiram bem.
Repetindo o raciocínio acima: o ex-presidente teria coragem de repetir - e mais, justificar - essa argumentação em discurso para público não selecionado previamente? Dificilmente.
Assim como seria de se ver para crer se Lula defenderia o controle dos meios de comunicação que, segundo ele, tratam com "desrespeito" a presidente Dilma Rousseff, diante das mesmas plateias que a têm recebido com vaias.
Ressurreição. Para o governo não é uma boa notícia a ordem do ministro Teori Zavascki para soltar os presos da Operação Lava Jato, notadamente o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa.
Até agora quem porventura teme o que teriam a dizer estava salvo. Soltos, serão alvo de pressão para falar no Congresso. Seja em alguma das CPIs para investigar a Petrobrás ou nas comissões da Câmara e do Senado. O assunto ganha novo gás.

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