quinta-feira, 22 de maio de 2014

ANTONIO RIBEIRO-Problema não é os estádios modernos, mas a vista grossa com a corrupção endêmica e não fazer o que foi prometido


Maraca
Durante os últimos meses se fala no elevado custo dos estádios em que se estima terem sido gastos entre 8,5 e 9 bilhões de reais. Por certo, há suspeitas embasadas de superfaturamento. Naturalmente, a situação deve ser investigada. A FIFA afirmava que não era necessário 12 estádios. Bastavam 8 para realizar a Copa.
Ademais, se sustenta com boa dose de simplismo redutor que no lugar dos estádios dever-se-ia construir hospitais, escolas, melhorar o sistema de transportes públicos e a segurança da população. O preço dos estádios se transformou quase na principal razão de todas as mazelas do país.
O Brasil é a sexta maior economia do planeta. Em 2013, o governo federal arrecadou 1,138 trilhão de reais. Há recursos mais do que suficientes para construir estádios, escolas, hospitais e melhorar um dos piores sistemas de transportes públicos do mundo. O problema está na incapacidade da classe política nacional de administrar o bem público e de aproveitar qualquer oportunidade para roubar endemicamente como nunca.
Um estudo realizado pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo) revelou os prejuízos econômicos e sociais que a corrupção causa ao país. O valor chega a espantosos 69 bilhões de reais por ano, quase oito vezes mais do que o custo total das arenas esportivas.
Sem o roubo descarado, o número de matriculados na rede pública do ensino fundamental saltaria de 34,5 milhões para 51 milhões de alunos. Um aumento de 47,%, que incluiria mais de 16 milhões de jovens e crianças. Nos hospitais públicos do SUS, a quantidade de leitos para internação, que hoje é de 367.397, poderia crescer 89%. Isso significariam 327.012 leitos a mais para os pacientes.
Há um fenômeno recorrente no Brasil. Invariavelmente se passa bem longe do cerne das questões. Em efeito, atira-se na sombra do alvo. Quando muito. Nove bilhões de reais são irrelevantes em relação aos 600 bilhões de reais, repito, 600 bilhões de reais, gastos anualmente para sustentar a maquina do governo. Que não funciona, diga-se de passagem. O contribuinte paga todo ano, mais de 66 vezes o preço dos estádios. Bom lembrar: sem ter a contrapartida.
Um levantamento do jornal Folha de São Paulo revela que das 167 obras do PAC, bem menos da metade foram concluídas. Outras 88 intervenções estão incompletas, sabe-se lá quando serão concluídas, e 11 delas, note bem, nunca sairão do papel. Este é legado da Copa que o Brasil quis sediar sem ter sido forçado ou induzido. Uma tremenda oportunidade perdida de deixar ao cidadão melhorias após uma competição que vai durar apenas um mês. E depois de 13 de julho de 2014, como fica? Resposta: no mesmo lugar.
Não há nada de errado em construir modernos estádios de futebol ou reformá-los. Isso não significa deixar de fazer o que deveria ser feito. Uma coisa não está em absoluto condicionada a outra. Por este raciocínio não se tapa um buraco de rua. Não se constrói um ambulatório em detrimento a uma ponte se há caixa para pagar ambos.
A um mês do início da Copa, a imprensa internacional tem reverberado as preocupações com os preparativos. Por vezes, a ênfase é que alguns estádios não estão prontos. Incluso aí, o Itaquerão, palco do jogo de abertura. Em conversa com Jean-Baptiste Boursier, apresentador do telejornal “Le Soir”, da BFM, principal canal de informação da TV francesa, abordamos a situação. Você pode acompanhar o papo aqui.
BFMTVRibeiroBP
Por Antonio Ribeiro

Caio Binder- Enquanto isso na Tailândia…(II)

Foi a crônica de um golpe anunciado. Na terça-feira, os militares tailandeses impuseram a lei marcial e também um diálogo na base da ponta do fuzil entre facções políticas rivais que há um bom tempo ameaçavam levar o país para a guerra civil. Dois dias de reuniões não resolveram a parada política (alguma surpresa?) e os militares, como são militares, então marcharam nesta quinta-feira para assumir o pleno poder, com as habituais promessas de restaurar a ordem e implementar reformas.
O material didático publicado inicialmente no dia da decretação da lei marcial não tem sua validade expirada. Portanto, dei apenas uma atualizada com este parágrafo. Sobre o último parágrafo do texto original, vale o contraponto que esta intervenção militar pode ser um tiro pela culatra, embora eu insista com resignação que a coreografia dos generais talvez seja necessária para desatar os nós políticos da Tailândia.
***
A gente conhece o jargão: militares decretam lei marcial, dizem que não se trata de um golpe e que as coisas serão normalizadas assim que for possível. No entanto, no caso da Tailândia nem dá para ser muito cínico com a situação. De fato, a única instituição que consegue ser árbitro do poder são as Forças Armadas diante do ambiente político tóxico e polarizado. O Instituto Blinder & Blainder não é chegado em quarteladas, mas admite sua resignação com o que está acontecendo no país do sudeste asiático. A lei marcial parece ser a única alternativa viável. Resta saber se a jogada militar irá forçar os atores políticos a negociarem.
O objetivo desta coluneta é ser telegraficamente didática sobre um país tão distante. Trata-se do mais direto envolvimento militar na crise crônica na Tailândia desde 2006 quando um golpe (aqui podemos usar o termo sem pudor) removeu do poder o bilionário populista Thaksin Shinawatra. Em maio, foi a vez da irmã do bilionário e fantoche político, Yingluck Shinawatra, ser destituída pela Justi ça da chefia do governo, acusada de abuso de poder.
A Tailândia não segue o paradigma atual de protestos globais: o maior ativismo no país tem lugar para que haja menos democracia. No esquema polarizado, temos o movimento dos camisas amarelas (velhas elites, classe média urbana, funcionários públicos e setores monarquistas) que se insurgiu de uma década para cá contra os irmãos Shinawatra, apoiados pelo movimento dos camisas vermelhas, gente mais rural que recentemente se mobilizou para votar de forma acelerada. Em 30 anos, o comparecimento às urnas saltou de 45% para 78%. Logo, os camisas amarelas não gostam de democracia eleitoral e acusam a dupla Shinawatra de recorrer a todos os truques populistas para faturar votos, desde sua mera compra a subsídios para os mais pobres..
No entanto, a instabilidade política não é recente. Falta solidez democrática na Tailândia desde que foi justamente instalada a monarquia constitucional em 1932. Desde então, a média é de um golpe a cada dez anos. Nao é à toa que o período desde 1932 é conhecido como “estação de golpe”. Sendo mais preciso, entre golpes consumados e tentativas, foram 18 em 82 anos.
A economia tailandesa é mais sólida do que a sua política. O país se recuperou da crise cambial asiática de 1997, do tsunami de 2004 e das enchentes de 2011. A intervenção militar de agora talvez impeça a Tailândia de afundar na guerra civil.

Políbio Braga- Opinião, Adão Paiani, DEM - Saiba por que a pesquisa do Ibope não melhora nada na posição declinante de Dilma

A análise a seguir é de Adão Paiani, advogado, consultor jurídico da bancada federal do DEM, Brasília, e foi feita esta manhã a pedido do editor: 

 Os números do Ibope na verdade não devem animar Dilma e o governo. Pelo contrário. A luz passou de amarela para vermelha piscante. Se comparada com a última pesquisa Datafolha, do começo de maio, Dilma passou de 37% para 40%; variação pequena, mesmo depois de sua manifestação de 1° de maio e a propaganda do medo do PT. Aécio e Eduardo não perderam nada, mantiveram os mesmos índices. 

Ou seja, Dilma não tirou votos deles. Já se comparada com a própria pesquisa do Ibope de março, Dilma caiu de 43% para 40 em maio, Aécio subiu de 15 para 20%, e Eduardo campos saiu de 7% para 11%. Quer dizer, não há mágica que o PT e seus aliados possam fazer para ler de uma forma positiva essa pesquisa. Talvez a melhor leitura esteja sendo feita pelo mercado, onde a bolsa, hoje, está tendo uma ligeira alta, mantendo a tendência de subir na medida em que Dilma cai nas pesquisas.

DEM PARTE PARA BRIGA COM DILMA EM PROPAGANDA ELEITORAL

E como diz seu Nicanor

E como diz seu Nicanor, agricultor aposentado, bagaceira como quê, que enviuvou duas vezes, mas que não perdeu o bom humor: “Minha primeira namorada não beijava na boca, não fazia dengo, não havia preliminares entre nós. Terminamos de maneira trágica quando ela virou churrasco, presunto, salame e lingüiça.” (Mim)

“Não fosse pelas moscas eu seria completamente feliz.” (Leão Bob)

“Caso meus antepassados tivessem devorado todos os cristãos e romanos a humanidade não estaria num outro patamar de desenvolvimento?” (Leão Bob)

“Concordo que fui um pouco mimado pelos meus pais. Sou filho único.” (Bilu Cão)

“Minha dona anda neurótica. Como faz falta um terreno sujo e uma boa enxada.” (Bilu Cão)

“Comecei bem o dia. Minha mulher diz que está pensando em pedir o divórcio.” (Climério)

CAIO BLINDER- #FreeHappyIranians


#FreeHappyIranians


A patrulha moral contra a moçada
Quando o Irã vai se libertar de uma teocracia? Quando vai se libertar da patrulha moral? Quando tentar ser feliz não será perigoso? Agora é está história que corre o mundo, viral no jargão, dos seis jovens que foram presos em Teerã por colocar no YouTube o vídeo em que, sensuais e sapecas, eles dançam e cantam em mais uma versão (são mais de 1.500 no mundo) do hit Happyde Pharell Williams.
Na blasfêmia, os jovens estão juntos e as moças com a cabeça descoberta nas ruas e telhados de Teerã. O vídeo está aqui e quem não ficar feliz com ele é ruim da cabeça. Vulgaridade, esbravejou o chefe da polícia da capital. Vulgar é você, rebato eu. Não deu outra: foi lançada a campanha global de tuiteiros com o hashtag #freehappyiranians (as informações são da libertação nesta quarta-feira da moçada sob fiança).
No Irã, gente com a cabeça aberta (nem precisa estar descoberta) pergunta se o liberalismo do presidente Hassan Rouahni é para valer. Claro que Rohani é um iluminado em relação a Mahmoud Ahmadinejad (mas este parâmetro é fácil). O que vemos é um presidente pródigo para fazer relações públicas (usando o Twitter, enquanto a moçada é vedada de fazer o mesmo). Rohani condenou a infeliz decisão do chefe de polícia, no entanto, ele se esconde atrás da necessidade de cautela diante do assédio da linha dura contra qualquer abertura, seja para que os iranianos possam ser felizes, seja nas negociações nucleares.
A jornalista iraniana Nasih Alinejad tem uma plataforma em que mulheres iranianas se expressam livremente. No caso delas, se desnudar é estar com a cabeça descoberta, com os cabelos soltos. De semanas para cá, centenas de mulheres mandaram suas fotografias despojadas para a recém-criada página no Facebook My Stealhy Freedom. Nasih Alinejad pergunta por quantas gerações, os iranianos precisarão esperar para serem livres? Eu arremato: e para serem felizes ou meramente para decidirem o que querem ser ou sentir, sem esta patrulha moral?
***

‘Tudo bem. Ou, podia ser pior’, de Carlos Alberto Sardenberg

Publicado no Globo desta quinta-feira
CARLOS ALBERTO SARDENBERG
Há três linhas de propaganda no governo Dilma. A primeira é de defesa (linha Mantega, do vai tudo bem no Brasil); a segunda é de ataque (dos ministros Mercadante
e Gilberto Carvallho, por exemplo, segundo os quais a imprensa e a oposição tentam criar falsas tempestades); e a terceira é uma velha conhecida, a linha do qual é o problema?
Dá para explicar qualquer coisa. Por exemplo: a compra da refinaria de Pasadena foi um bom negócio, como diz o ex-presidente da Petrobrás José Sérgio Gabrielli, ou um mau negócio, como disseram Dilma e Graça Foster, a atual presidente da estatal?
Não importa.
Se foi bom, então as críticas são ataques eleitoreiros da oposição e da assim chamada grande imprensa. Se foi mau, paciência, pessoal, essas coisas acontecem. Qualquer empresa do mundo comete erros, não é mesmo?
Todas as análises que mostram problemas na gestão da Petrobrás, inclusive as derivadas dos balanços da própria empresa, recebem tripla resposta.
Primeira: a companhia vai muito bem, já tira petróleo do pré-sal, como, aliás, garante a intensa propaganda da estatal.
Segunda: oposição e imprensa disseram que a Petrobrás estava falida e ia quebrar. Não quebrou.
A terceira é o modo de lidar com fatos que não podem ser ignorados, como o grande desastre da refinaria Abreu e Lima: começou custando US$ 2 bilhões e já deveria estar pronta; pois demora mais um pouco e vai sair por US$ 20 bilhões. Pois é, diz o pessoal do governo e do PT, um erro, aconteceu, estamos consertando. Agora, a refinaria vai.
E a, digamos, circunstância de a bilionária obra ter sido liderada por Paulo Roberto Costa, preso pela Polícia Federal, acusado de desviar dinheiro para partidos do governo?
Bom, de fato, um problema, mas tudo será apurado, inclusive pela CPI governista do Senado.
A linha Mantega tem um truque. Arranjar sempre algum país que está pior. O Brasil está crescendo pouco? Nem tanto, tem uma crise mundial e além disso, a Grécia …
Como esse truque foi perdendo eficácia – pois os países emergentes normais estão, de fato, em situação melhor – foi preciso arranjar outra comparação. Esta: o Brasil está melhor do que a oposição e a imprensa anunciaram.
Para isso, é preciso carregar no quadro atribuído aos “inimigos do país”. O grande inspirador dessa linha é o próprio Lula.
Ainda ontem, o ministro Gilberto Carvalho dizia que, lendo os jornais, se tem a impressão de que “o Brasil quebra amanhã”. O ministro Mercadante diz que a oposição e a imprensa anunciaram a “tempestade perfeita” – com recessão, inflação disparada, falta de energia, perda do grau de investimento, juros altos, etc. Também anunciaram, acrescentam, que ia dar tudo errado na Copa.
E nada disso aconteceu, garantem, triunfantes, esses membros do governo e do PT.
Com isso, o pessoal do governo tenta escapar da situação contrária: na verdade, o país mostra um desempenho pior do que o anunciado pelo próprio governo.
Ninguém disse que o Brasil ia acabar ou que racionamento de energia era fatal ou que a Copa não sairia. O que muita gente dizia, e diz, é o que está acontecendo: o país foi jogado numa armadilha de crescimento baixo, com inflação alta e juros na lua.
E o fato é que, no período Dilma, a economia cresce menos do que 2% ao ano, muito abaixo do “4,5% a 5%” alardeados pela própria presidente. A taxa de juros real voltou a ultrapassar os 4% ao ano, o dobro dos 2% previstos pela presidente. E a inflação caminha na casa dos 6%, sempre acima da meta de 4,5%, apesar dos controles de preços. A tarifa de energia está subindo de novo, com o setor metido em desequilíbrio financeiro e gastando toda energia de que dispõe.
E a Petrobrás? Ninguém disse que ia falir, mas que poderia estar melhor do que hoje, se não tivessem ocorrido tantos erros e sabe-se lá o que mais.
E a Copa? Está saindo como muita gente dizia, atrapalhada, cara e com obras incompletas.
Mas o brasileiro, diz o governo, quer a Copa e vai torcer, assim como gosta do Brasil.
Verdade. Mas pode ser como na Copa das Confederações: o público cantou o Hino, vibrou com o time e … vaiou a presidente.
DesempregoNisso tudo, o dado do desemprego é crucial. O governo fez do desemprego a 5% uma marca. É o que diz a pesquisa tradicional do IBGE, medindo emprego e renda nas seis principais regiões metropolitanas.
Mas e se o desemprego for de 7%, como diz a Pnad Contínua, outra pesquisa, nacional, do IBGE? A coisa muda. É maior que a taxa dos EUA.
Por isso, essa Pnad Contínua causou tanto desconforto. É difícil responder em qualquer linha.

COLUNA DO CLÁUDIO HUMBERTO- GOLPE: SEGURADORAS EMPLACAM MP BILIONÁRIA

  • Numa operação subterrânea, sigilosa, que envolveu o Ministério da Fazenda, a Casa Civil da Presidência da República, lobistas e as cúpulas do Senado e da Câmara, poderosas empresas seguradoras conseguiram fazer aprovar a medida provisória nº 633, que as dispensa do pagamento de mais de R$ 17 bilhões em indenizações a mutuários do Sistema Financeiro de Habitação (SFH), determinadas pela Justiça.
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  • Mutuários recorrem à Justiça para fazer valer o seguro da casa própria (20% do imóvel) para falhas de construção. A conta é de R$17 bilhões.
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  • A MP 633 inclui a Caixa no rolo, por isso ações serão deslocadas para a Justiça Federal, criando nova chance de reverter as condenações.
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  • Com a aprovação da MP 633, a Sul América Seguros fará sua dívida junto aos mutuários do SFH cair de R$ 7 bilhões para cerca de R$ 1 bi.
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  • Para não chamar atenção da mídia e nem dos próprios parlamentares, a MP 633 não foi divulgada entre as que estavam na pauta de votação.
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  • O Maranhão abriga os três municípios com a pior renda per capita do Brasil, segundo o Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas. Governado pela família Sarney durante 19 dos últimos 40 anos, o estado recebeu até abril R$ 1,62 bilhão, sendo o 4º maior receptor de verbas federais em 2014. No mesmo período, São Paulo, que tem 7 vezes a população do Maranhão, recebeu R$ 1,56 bilhão.
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  • O Rio de Janeiro, governado por aliados do PMDB, é o campeão em recursos federais em 2014: R$ 2,96 bilhões.
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  • Bahia (R$ 2,3 bilhões) e Minas Gerais (R$ 1,9 bilhão) completam o “top 3” dos Estados que mais recebem verbas do governo Dilma, em 2014.
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  • Mato Grosso do Sul (R$ 372 milhões) e Santa Catarina (R$ 485 milhões) são os que menos recebem recursos federais, este ano.
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  • A TAM deve ter bronca de Maceió, um dos mais procurados destinos turísticos do País: bilhete de ida, de Brasília para a capital de Alagoas, nesta sexta, custa R$ 2.295 – quase o mesmo valor que a própria TAM cobra por passagem para Miami, EUA. E ninguém é preso na empresa.
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  • Está garantido até dezembro o lanche da torcida da Copa no Planalto, com R$ 54,9 mil para dez mil tipos de pães, 200 pães árabes, 100 pacotes de petit fours, três mil minisalgados e, claro, 8 mil brioches.
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  • A antes famosa e desordeira torcida inglesa será vigiada por um time de policiais (“bobbies”) em todas as partidas, com policiais brasileiros, e ficar de olho não só em brigas, mas em ações de larápios locais.
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  • Já circulam em Brasília adesivos da candidatura de José Roberto Arruda (PR) ao governo do DF.  Mostra a frase “Ah, que saudade”, com a letra “A”, claro, customizado com sua marca, com um ramo de arruda.
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  • A chantagem disfarçada de greve geral que os sindicatos das polícias civil e federal tentaram ontem foi um fracasso. A adesão à paralisação foi zero ou contou só com os oportunistas em pelo menos sete estados.
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  • Funcionários e diplomatas estão revoltados: o Banco do Brasil substituiu uma agência do consulado em Madrid por duas máquinas, onde cada operação custa 2 euros.
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  • A Anatel divulgou que já são 18,5 milhões os clientes de TV por assinatura, sendo 11,5 milhões via satélite e 7 milhões a cabo. Faltaram os números do “gatonet”, produto da omissão da agência.
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  • Se Vladimir Putin já desdenhava das sanções econômicas impostas por Barack Obama à Russia, ele deve estar dando gargalhadas agora que o país fechou acordo de fornecimento de gás à China por 30 anos.
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  • Os paulistanos seguiram à risca a advertência de Lula: sem ônibus e talvez depois sem metrô, vão todos a pé para casa, à falta de jegue.
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Entre amigos

Gilberto Carvalho sentiu nos ouvidos o que boa parte dos movimentos sociais pensa dele e do governo Dilma Rousseff durante eventos para debater as ações voltadas para a Copa do Mundo com a sociedade civil: foi vaiado em São Paulo e no Rio de Janeiro. Ontem, em Brasília, Carvalho conseguiu mobilizar claques e amigos.
O evento na capital foi uma verdadeira explosão de confetes e aplausos a Carvalho. Mas, em dado momento, alguém resolveu botar o dedinho na ferida. Um sujeito pediu a palavra para criticar a mobilidade urbana – péssima – em Brasília, principalmente nas cidades-satélite.
O representante da sociedade civil mandou:
- Quem elogia mobilidade urbana em Brasília nunca pegou um ônibus.
Eis que os amigos de Gilberto Carvalho, um número enorme do PT, não perdoou e vaiou o crítico. Devem ter achado que não tem nada a ver trabalhador cobrar seus direitos no meio da festa.
Por Lauro Jardim

Para cima

A pesquisa que o Ibope divulga hoje à noite dará alegria a todos os candidatos. Dilma Rousseff, Aécio Neves e  Eduardo Campos sobem em relação à última pesquisa Ibope, do dia 17 de abril.
Nela, Dilma aparecia com 37%, Aécio com 14% e Campos com 6%. Agora, Dilma surgirá na faixa dos 40%, Aécio no patamar entre 19%e 20% e Eduardo Campos sobe aos dois dígitos, em torno dos 11%.
Em comparação com o Datafolha de duas semanas atrás, poucas mudanças. Aécio e Campos, quando se coteja as duas pesquisas, estão do mesmo tamanho. E Dilma teria crescido um pouco, fruto do momento em que as entrevistas foram feitas –  imediatamente após os programas de TV do PT e no auge da supreexposição de uma campanha publicitária em que o governo exibia suas obras.
De agora até o fim da Copa, é mais do que improvável que estes números mudem – exceto, claro, se acontecer algo muito significativo durante o evento. Ou seja, é com esses números que os três principais candidatos começarão a disputa em agosto, quando sobe a temperatura de campanha.
Por Lauro Jardim

“A maior e melhor mãe do Brasil é o estado. Nunca falta leite em suas tetas. É de fazer biquinho de tanto mamar, não é?” (Mim)

“Todos são quase iguais perante a lei, depende muito dos honorários que o ilustre suspeito pode pagar.” (Mim)

“Não tenho nenhuma dúvida de que Deus é pai de uns poucos e padastro da maioria.” (Pócrates)

"Ser comunista é querer dividir o que não é seu com os outros." (Mim)

Por que enterrar as verdades de agora?

José Nêumanne* - O Estado de S.Paulo
Na sexta-feira, a professora Marilena Nakano fez parte de um grupo de ex-militantes contra a ditadura convidados para receberem uma homenagem prestada por movimentos sociais, sindicatos e pela Prefeitura Municipal de Mauá, na Grande São Paulo. Ela, porém, recusou-se a participar do evento por discordar ética e moralmente de alguns de seus organizadores. E aproveitou a ocasião para divulgar um documento intitulado Carta aberta de repúdio contra aqueles que desejam o poder pelo poder e fazem uso político dos mortos, presos, torturados e exilados dos tempos da ditadura como trampolim para permanecer no poder. Esse título denota uma dura condenação aos atuais donos do poder na República e situa a signatária entre os que não concordam com o uso politiqueiro do combate armado ao arbítrio militar. Ou seja, torna-a uma crítica singular dos que tentam usar os porões da repressão como comitês de campanha eleitoral.
Urge, de início, prestar um esclarecimento que convém ser dado, a começar por um questionamento. Ela própria foi vítima da crueldade e da abominação na forma com que os militares que subiram ao poder em 1964 e do qual foram apeados em 1984 com a eleição de Tancredo Neves para suceder ao último general-presidente, João Figueiredo, combateram todos quantos se opuseram ao seu arbítrio, seja de armas na mão ou protestando nas ruas. Que razões teria ela para não se acomodar às benesses do poder, tornadas possíveis nas gestões dos presidentes eleitos pelo voto direto e universal depois da queda da ditadura: Fernando Henrique, Lula da Silva e Dilma Rousseff? Na ditadura, ela militou na política estudantil e, depois, fez parte da Ação Popular (AP), grupo de extrema esquerda originado na ala progressista da Igreja Católica. Poderia agora, como alguns sobreviventes da repressão, estar à sombra de um cargo público. Mas não: preferiu ficar na posição solitária, inóspita e desconfortável de denunciar o oportunismo e a desfaçatez de ex-companheiros de jornada.
Irmã de Maria, viúva de Betinho, o "irmão do Henfil" que virou símbolo da volta dos exilados na canção O Bêbado e a Equilibrista, de João Bosco e Aldir Blanc, tornada hino da anistia na voz de Elis Regina, a sra. Nakano carrega nas veias a chance de ser tratada como sobrevivente da porfia quixotesca do cunhado contra a fome no País. Nas três gestões petistas, cuja permanência no poder é garantida pela esmola mensal do Bolsa Família para miseráveis, ela poderia ter virado ícone do imenso curral eleitoral beneficiado pela benemerência feita com dinheiro tomado da Nação por um Fisco de apetite pantagruélico. Mas pelo mesmo motivo com que recusou a última homenagem, rejeitou também esse benefício.
Não o fez por capricho, mas por fidelidade a antigos princípios e a outros laços de família, mais recentes, com os parentes de Celso Daniel, prefeito de Santo André cujos assassinos gozam até hoje de impunidade. Ela não aceita a versão oficial de que o cunhado teria sido assassinado por acaso.
Melhor deixar que ela própria explique sua atitude. "Esses mesmos ideais que me conduziram à prisão no passado conduziram-me recentemente a viver a experiência do exílio no período de 2006 a 2010, porque ousei, com meu companheiro, Bruno José Daniel, não aceitar o silêncio como forma de agir diante do assassinato de Celso Daniel. Pelo fato de não termos abdicado ao direito à palavra, nos deparamos com nossos algozes atuais, que são capazes de tudo em nome do poder. Com uma mão eles acariciam, homenageiam e, com a outra, realizam atos que se assemelham aos praticados pelos ditadores, com os quais convivemos, mas de formas sutis, porque hoje se encontram travestidos de democratas e defensores dos trabalhadores, dos pobres de nosso país... A minha ausência é a forma de dizer que sigo na luta, que meus algozes não me farão calar, salvo se me matarem", escreveu.
Os inimigos da sra. Nakano podem argumentar que ela exagera no tom para chamar a atenção para a causa a ser perdida pela família Daniel. Trata-se de gente muito poderosa. O secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, foi acusado, em acareação, por João Francisco Daniel, irmão do prefeito morto, de transportar malas com dinheiro das mãos de Celso para as do então presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), José Dirceu, hoje, como se sabe, residente no presídio da Papuda, em Brasília, por outros crimes pelos quais foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). De qualquer maneira, nunca será demais lembrar que seis pessoas envolvidas no caso foram mortas nestes 12 anos depois da morte do então coordenador do programa de campanha de Lula à Presidência em 2002.
Contra a teimosia dos Daniel argumenta-se que a polícia paulista, sob comando do PSDB e do PFL, desde então, garante que Celso foi sequestrado por bandidos que o confundiram com outra pessoa e que um menor o teria atingido de madrugada, num matagal, com uma certeira bala na testa disparada de uma distância de dez metros. Não é mesmo fácil argumentar contra isso. Mas, como o clã Daniel, o Ministério Público Estadual (MPE) desqualifica a investigação policial. E da luta de poucas esperanças de quem nega esse óbvio aparente resultam dúvidas graves. Os argumentos do MPE dormem nas gavetas do Supremo em que repousa o habeas corpus, concedido por Nelson Jobim à época em que presidiu o órgão máximo do Poder Judiciário, ao principal suspeito de quem desconfia que houve execução encomendada: Sérgio Gomes da Silva.
A carta da sra. Nakano soa como cobrança para o STF decidir já sobre isso. E provoca uma desconfiança: por que o governo, que manda exumar cadáveres enterrados há mais de 40 anos, empenha sua força no Congresso para manter sob sete palmos de terra verdades atuais, como o arrombamento dos cofres da Petrobrás?
*José Nêumanne é jornalista, poeta e escritor. 

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