domingo, 25 de maio de 2014

Perdendo as estribeiras?

O Estado de S.Paulo
Para quem vive no Brasil, não é propriamente uma novidade, mas a recente fala de Lula, classificando como "babaquice" o desejo popular de que os estádios de futebol tenham boa conexão com o transporte público - discursava naturalmente para uma plateia condescendente -, traz um dado novo ao atual contexto político. Demonstra que com certo atraso ele entendeu as pesquisas de opinião de abril. Percebeu o problema que tem pela frente e está desnorteado, falando a coisa errada na hora errada.
A pesquisa do Ibope do mês passado apontava, por exemplo, que 68% dos entrevistados tinham a expectativa de que se modifique a forma de governar o País e 64% diziam que preferiam essa mudança com "outro presidente". Lula entendeu o recado: Dilma precisa desesperadamente dele. Mas não é apenas isso o que está fazendo Lula perder as estribeiras; o problema é mais profundo.
A situação atual é muito diversa da de 2010. Há quatro anos, tratava-se de criar uma personagem a partir do zero. Agora, ele precisa recriar uma candidata com enorme passivo político, que não poupou esforços em desmentir a imagem de gerente competente.
Dilma não pode culpar as circunstâncias, internas ou externas, pelo seu pífio governo. Teve maioria no Congresso e, por bom tempo, altos índices de popularidade, a economia internacional melhorou, a arrecadação interna aumentou. E ainda recebeu um generoso dote do padrinho político: a realização da Copa do Mundo no seu governo. Quem poderia imaginar melhor cenário do que esse para a mãe do PAC atuar e deixar patente ao mundo inteiro a sua competência?
Mas a companheira Dilma, tão obediente nos tempos de juventude, insistiu na incompetência e em incompetentes, manifestando uma incrível capacidade de transformar oportunidades em problemas. A Copa do Mundo é o exemplo mais evidente dessa sua "qualidade".
Há motivos para acender a luz vermelha no painel político de Lula. Os dois presidentes anteriores reelegeram-se. Agora, quando era a vez de Dilma, a imprevisibilidade é consenso, e Lula precisa entrar novamente em cena, para recriar a candidata. Isso não significa que está afastada a possibilidade de ele concorrer. Se alguma coisa o recente doutor honoris causa por Salamanca ensinou-nos durante os últimos anos é a de que não se deve ouvi-lo literalmente. Até a Convenção Nacional do PT, em junho, tudo pode acontecer.
O destempero da fala de Lula sobre a expectativa do brasileiro em relação aos serviços públicos evidencia também que ele captou a mensagem das manifestações de junho. Embora não tenha se dirigido diretamente contra o ex-presidente petista, a voz das ruas protestou contra a situação, e ninguém mais do que ele é responsável pelo que está aí. Os onze anos de governo do PT deixam uma herança maldita não apenas na economia e nos serviços públicos, mas de retrocesso político (que é a outra face da moeda do populismo), administrativo (não é novidade que Pasadena é apenas a ponta do iceberg) e institucional (a começar pelas agências reguladoras).
Mas será que isso é suficiente para que Lula ande dizendo o que está dizendo? Não é novidade que ele fale coisas sem muito nexo. Tem a rara capacidade que Andy Hertzfeld, um dos pais do Macintosh, atribuiu certa vez a Steve Jobs: a de criar um campo de distorção da realidade, posteriormente definida como a habilidade de acreditar e fazer acreditar em quase tudo, pelo carisma, exagero e marketing persistente, distorcendo o sentido coletivo de proporção e dimensão.
No entanto, Lula não está apenas falando coisas sem nexo. A sua própria bússola política está desorientada: enfrenta ele legítimas aspirações populares com uma arrogância típica da sua sucessora? Talvez seja um sintoma de que tenha compreendido o seu verdadeiro problema político. Gaba-se de eleger qualquer poste, mas agora - e aqui está o seu calcanhar de aquiles - ele não pode escolher o poste. Já foi escolhido há quatro anos, noutro cenário político. Certamente, a companheira Dilma, combalida por sua própria incompetência, não seria a sua atual opção. É uma das consequências de ser governo, que ele parece não ter aprendido: os seus atos geram responsabilidade. Mas essa palavra ainda não está no seu dicionário.

“Quebrado e carente, parentes ausentes.” (Mim)

“Estou carente e caridoso. Sem pensar eu pego até a mãe do Conde Drácula.” (Climério)

“Quando um homem é picado pelo poder a vergonha que ele tem na cara desce pra bunda.” (Mim)

“Quando a outra opção é o cemitério, todo lugar é bom para se morar.” (Mim)

ABSTRAÇÕES CADAVÉRICAS- "Morrer é preciso. Fazer lugar no planeta e pagar o chopinho do agente funerário" (Mim)

ILUSÃO COR DE ROSA DOS CRENTES FOCADOS NO ALÉM- “Quando eu morrer irei morar com Jesus no paraíso.” Vai, vai se puder pagar aluguel no mesmo condomínio do homem.

CARLOS BRICKMANN- SOB O DOMÍNIO DO MEDO

1 – Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores sem Teto, MTST, ameaçou impedir o jogo inaugural da Copa, se não atenderem a suas exigências. “Se não respeitam nossos direitos, no dia 12 de junho não vai ter inauguração”. Quem é Boulos, que chantageia o Governo e ameaça fazer de junho um mês de conflitos? É filósofo formado, filho de um professor da USP, médico famoso. Mas o importante não é isso: o importante é que é ligadíssimo ao ministro Gilberto Carvalho. E, depois de instalar três mil de seus seguidores nas proximidades do Estádio do Corinthians, em Itaquera, SP, e ameaçar a realização da Copa do Mundo, foi recebido pela presidente Dilma Rousseff e posou para fotos abraçado com ela e com o ministro Gilberto Carvalho. Como diz o Governo, vai ter Copa. Como diz Boulos, que é quem manda, vai ter Copa se ele deixar.
2 – A Polícia invadiu, em 17 de março, uma reunião em que se planejavam incêndios e paralisação de ônibus – onde, por exemplo, abandonar os veículos para bloquear o trânsito em São Paulo (dois meses depois, dois milhões de pessoas ficaram sem transporte). Na reunião, havia 42 pessoas; destas, 13 eram ligadas ao PCC, Primeiro Comando da Capital, base do crime organizado. Um dos presentes era Carlinhos Alfaiate, acusado de participar do assalto ao Banco Central em Fortaleza. Outro presente era o deputado estadual Luiz Moura, do PT, do grupo do secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto.
O PCC controla cooperativas cujos veículos jamais foram incendiados – só os dos concorrentes.
Os donos do jogo
Boulos, do MTST, e Luiz Moura, do PT, escolhem seus amigos na mesma área. Talvez isso nada tenha a ver com a desenvoltura de pessoas que dominam a situação agindo fora da lei. Mas os amigos comuns nunca se afastaram de ambos.
Enfim
Há certas personalidades que sempre acabam aparecendo no noticiário. É tão infalível quanto achar o ministro Mercadante em fotos da presidente Dilma. A escrita se manteve: o juiz Sérgio Moro, que cuida na Justiça do inquérito da Operação Lava-Jato, informou ao Supremo que Alberto Youssef, apontado como doleiro, por algum motivo depositou R$ 50 mil na conta bancária do senador Fernando Collor, do PTB alagoano. Moro diz que Collor não é investigado e que seu objetivo é apenas informar a existência dos depósitos.
Estranho: se os depósitos são suspeitos, por que negá-lo? Se não são suspeitos, por que divulgá-los?
O dinheiro e os votos
José Batista Junior, o Junior Friboi, sócio do JBS Friboi, maior frigorífico do mundo, acaba de descobrir alguns fatos da vida. Ele foi recebido no PMDB com tapete vermelho, com promessas de apoio total em sua candidatura ao Governo do Estado, com palmas e estrondosos desta vez, vamos. Ele acreditou. Íris Rezende lhe disse que não seria candidato ao Governo. Ele acreditou. Candidatos a cargos legislativos lhe disseram que ajuda financeira seria bem-vinda, claro, mas não seria determinante para apoiá-lo. Ele acreditou.
Agora descobriu que quem manda no PMDB goiano é o ex-governador, ex-senador e ex-ministro Íris Rezende. Íris já teve mais votos (ultimamente, virou freguês do tucano Marconi Perillo), mas, comparado ao estreante Junior Friboi, é o rei do pedaço. Íris tem votos, pode oferecer aos companheiros de partido, apesar das últimas derrotas, uma perspectiva de poder e uma chapa forte, capaz de eleger muitos deputados; Junior Friboi só tem dinheiro. Dinheiro ajuda, mas não se ganha eleição sem voto.
Quem será o candidato ao Governo pela oposição? Simples: quem Íris quiser.
O custo da eleição
Antônio Ermírio de Moraes, conhecido, respeitado pela competência, lançado por um partido forte para o Governo paulista, fez uma campanha caríssima com seu próprio dinheiro. Foi triturado: houve denúncias pesadas contra suas empresas, tentativas de manchar sua reputação, tudo aquilo que hoje ocorre numa campanha eleitoral. Foi derrotado por Orestes Quércia. E nunca mais se candidatou.
Um político diferente
Ele tinha tudo para manter-se permanentemente na política. Seu pai, popularíssimo, era o prefeito Faria Lima – popular o suficiente para eleger-se diretamente prefeito de São Paulo, bem relacionado o suficiente para só não chegar a presidente da República, na época dos generais, por ter morrido quando seu nome era unanimidade. Seu tio, brigadeiro Roberto Faria Lima, fez impecável carreira militar; seu outro tio, almirante Faria Lima, foi governador (indireto) do Rio. O nome valia votos. E, sem precisar de campanha, José Eduardo Faria Lima se elegeu deputado, com grande votação. Não gostou do que viu. Elegeu-se mais uma vez e concluiu que não tinha vocação política. Simplesmente se retirou, esquecendo quaisquer vantagens que um parlamentar possa ter. Foi morar no Interior paulista. Morreu aos 72 anos, no dia 21, num desastre de automóvel.
Da coluna de Cláudio Humberto
“Um dos líderes do MST, João Paulo Rodrigues, encontrou o fundador do Wikileaks na embaixada do Equador e ofereceu asilo ‘em território autônomo’ no Brasil, diz a revista americana Vice. Assange riu.”

VEJA- Cuiabá: vai ter Copa. Graças ao improviso

Numa entrevista à agência Reuters que rodou o mundo desde a noite de sexta-feira, o ex-jogador Ronaldo, que tem assento no Comitê Organizador Local da Copa, soltou o verbosobre o atraso nas obras de preparação do Brasil. “Eu me sinto envergonhado”, disse ele. Foi uma declaração contundente, vinda de uma figura pública brasileira diretamente envolvida no torneio, e o governo tentou reagir. No sábado, a presidente Dilma Rousseff e o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, se pronunciaram. “Não temos do que nos envergonhar”, disse a presidente, ao passo que ministro – surpresa! – lançou mão de uma metáfora futebolística e acusou o ex-atacante de desferir “um chute contra o próprio gol”. Mas a verdade, infelizmente, é que o Brasil tem, sim, motivos para se envergonhar. E esses motivos estão expostos na terra revirada e nas ruas obstruídas de Cuiabá (MT), cidade que, a vinte dias do início do mundial de futebol, sintetiza todos os erros de organização em que o país se enredou.
Quando Cuiabá foi escolhida, em 2009, uma das doze sedes da Copa, os mato-grossenses ficaram esperançosos de deixar no passado a palavra atraso. Com infraestrutura urbana precária, a capital do Estado prometia uma revolução. Porém, uma visita à cidade revela que a palavra atraso, além de ser pronunciada em todas as esquinas, agora vem acompanhada de termos como desvio e improviso. As principais obras de mobilidade urbana não ficaram – e nem ficarão – prontas a tempo. O deslocamento na cidade é caótico: dezenas de placas de trânsito indicam caminhos interditados por causa de canteiros de obras, que acumulam entulho e barro. Com tráfego pesado, as ruas alternativas foram esburacadas. Principal responsável pelo iminente vexame que o Brasil transmitirá aos estrangeiros que chegarão ao país nas próximas semanas, o governo de Mato Grosso admite o despreparo para executar as obras prometidas e tenta garantir o mínimo. "Se eu não trouxer o turista, o torcedor, a família Fifa e os jogadores do aeroporto ao hotel sem passar por aqueles desvios e lugares terríveis eu matei a minha cidade e a minha copa", disse ao site de VEJA o responsável pela Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo, Maurício Guimarães.
A capital mato-grossense tornou-se exemplo de como não fazer: subestimou dificuldades previsíveis, como as desapropriações de imóveis, falta de mão de obra qualificada, má gestão e atrasos no repasse dos recursos federais e na conclusão dos projetos. “As condições financeiras apareceram e fomos audaciosos de abraçar tudo para não desperdiçar o que estava à disposição do poder público, como sede de Copa. Isso criou um grande volume de execução num tempo muito curto. Foi obra demais, excesso de trabalho. O Estado não estava preparado”, admite Maurício Guimarães. Parte da responsabilidade pela desorganização pode ser atribuída à escolha das sedes: a Fifa sugeriu de oito a dez, mas o Brasil queria ampliar para dezessete; terminou com doze. A pulverização fez o país erguer estádios milionários que dificilmente terão utilidade no futuro – Mato Grosso, por exemplo, não tem nenhum time na elite do futebol, tampouco um campeonato estadual atraente.
Os primeiros visitantes desembarcarão num empoeirado cenário de “praça de guerra”, conforme definiu na semana passada o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Augusto Nardes. Apesar de não haver nenhuma batalha em Cuiabá, os atrasos mais visíveis ficam em “trincheiras” – mergulhões para carros em cruzamentos da Avenida Miguel Sutil, que corta a cidade com pistas mal pavimentadas e conversões improvisadas. As duas maiores "trincheiras", Jurumirim e Santa Rosa, ficarão pela metade, somente com pistas laterais e rotatórias abertas à passagem de carros depois de asfaltadas às pressas. Na da Santa Rosa, ainda vaza água em solo com terra e pedras aparentes em frente ao hotel onde a comitiva da Fifa se hospedará.
O Tribunal de Contas do Estado (TCE) e o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA) questionaram em vistorias o acabamento das obras. Relatórios dos dois órgãos apontaram uma série de falhas visíveis nas construções: ausência de sinalização, infiltrações, drenagem inadequada, rachaduras e paredes tortas (fora de prumo). A pista de saída do recém-inaugurado Viaduto do Despraiado, por exemplo, corre o risco de ser invadida por terra se chover forte por causa do deslizamento de um barranco ao lado. “Em novembro do ano passado já apontávamos que as obras não estariam prontas se continuassem no ritmo em que se encontravam”, disse o conselheiro do CREA-MT André Schuring. "Por causa da qualidade terrível, começava a ficar claro que o tal legado da Copa também é uma obra de ficção." Ele observa a necessidade de inspeções técnicas para identificar quanto pode custar ao município o eventual reparo dos erros.
Felipe Frazão/Veja.com

Construção da trincheira Santa Rosa em frente ao hotel onde ficará hospedada a comitiva da Fifa em Cuiabá (MT)
Reclamar das obras não é exclusividade da turma "do contra". Até ex-gestores do governo Silval Barbosa (PMDB) se constrangeram com a preparação. "Eu fico com vergonha em receber as pessoas com a bagunça que fizeram em Cuiabá. Está tudo arrebentado", disse à reportagem, sob anonimato, um ex-secretário do Estado.
Não faltou dinheiro. Só as obras da Copa em Cuiabá custaram aos cofres públicos pelo menos 2,3 bilhões de reais, de acordo com levantamento da ONG Contas Abertas. Porém, o governo só executou pouco mais de metade do orçamento: 1,2 bilhão de reais. Maior e mais caro projeto, o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) consumiu mais de 1,5 bilhão de reais e só deve entrar em operação em 2015. Os operários abandonaram boa parte dos canteiros ao longo dos 22 quilômetros do modal, na estratégia do governo estadual de priorizar as construções com chance de conclusão, ainda que parcial. De todas as obras previstas na matriz de responsabilidades, Cuiabá deve entregar apenas o estádio e o corredor viário Mário Andreazza  –  duplicação da rodovia e da ponte de acesso entre aeroporto e o centro da capital. O Arena Pantanal, um estádio moderno de 570 milhões de reais, já está sob administração da Fifa – mas ainda falta concluir o cabeamento e instalar estruturas de apoio temporárias, cabines de transmissão, tendas e grades.
Chegada – O secretário Maurício Guimarães diz que "todas as obras lhe preocupam", mas vai priorizar a liberação da saída do aeroporto de Cuiabá, trecho que ele considera "o principal gargalo". Passageiros elegeram o Marechal Rondon o pior aeroporto entre os quinze que servirão aos turistas na Copa – são doze sedes, mas São Paulo tem três aeroportos, e o Rio, dois. Cuiabá ficou na última posição em quatro das cinco pesquisas de satisfação da Secretaria da Aviação Civil da Presidência. A estrutura é acanhada: banheiros apertados e faltam calçadas livres na entrada do terminal de embarque, ainda em obras de ampliação.
Sair do aeroporto será tarefa desgastante. As interdições de trânsito têm causado engarrafamentos intensos na cidade: a frota da capital e da cidade vizinha Várzea Grande, onde fica o Marechal Rondon, soma 224 000 carros e 104 000 motos, para uma população conjunta de 833 000 habitantes. E há um agravante: o déficit de táxis. Sem contar os turistas, a média é de mais de 1 000 habitantes por taxista nos dois municípios. Em São Paulo, a proporção é mais branda: cada táxi serve a 360 moradores. "Acho que os turistas vão ficar muito arrependidos e se perguntar o que vieram fazer aqui", disse o taxista em Várzea Grande Pedro Paulo Ventura, de 29 anos.

#nãovaiternacopa

TáxiCuiabá tem 604 táxis e Várzea Grande 187: mais de 1 000 habitantes por taxista
HotéisO déficit atual é de 12 000 leitos em Cuiabá. Não há mais quartos nos jogos: Chile x Austrália e Colômbia x Japão
TurismoTrês pontos de visitação da Chapada dos Guimarães estão fechados: Salgaderia, Portão do Inferno e Mirante do Centro Geodésico da América do Sul
Campo de TreinamentoOs dois COTs devem ser entregues incompletos, apenas com campos prontos
Aeroporto Marechal RondonNovo terminal funcionará parcialmente e com puxadinho (módulo operacional) na Copa. Novo setor internacional, com praça de alimentação e lojas, não deve abrir
Fonte: Prefeitura de Cuiabá, Tribunal de Contas de Mato Grosso, Governo de Mato Grosso e Sindicato Intermunicipal dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Mato Grosso
Estada – Outro problema estrutural de Cuiabá é a rede hoteleira. Na primeira fase do Mundial, o governo estima que a cidade receberá entre 40.000 e 50.000 estrangeiros, vindos principalmente da Colômbia, Austrália e Chile.  A secretaria de Turismo da prefeitura de Cuiabá ficou responsável por buscar alternativas de acomodação aos turistas para suprir a demanda nas partidas de pico. Em um raio de 200 quilômetros da capital, existem apenas 23 000 leitos hoteleiros – e o déficit é de 12 000 vagas, segundo o secretário Marcus Fabrício. A prefeitura incentivou que cuiabanos alugassem quartos em suas casas no esquema cama e café (bed and breakfest, em inglês) ou locassem os imóveis por temporada. Nos últimos dias, Fabrício visitou terrenos próximos ao estádio que podem servir de camping para mochileiros, principalmente chilenos, que pretendem viajar ao Brasil de carro, ônibus ou em motor-homes. O secretário também solicitou a motéis da cidade o bloqueio de cerca de 500 quartos frequentados por casais na madrugada, anote-se, com decoração adaptada: "Só precisa retirar o espelho do teto e a cama redonda, resolver essas questões". Ele não considera que hospedagem cause estranheza aos hóspedes estrangeiros: "Nos Estados Unidos é comum dormir em motel, o conceito é diferente." Mas os preços (além das camas redondas que sobreviverem à "adaptação") certamente devem espantar: no motel Segredos, a suíte dupla sairá por 1.200 reais, com hidromassagem e piscina, e as simples por 600 reais. A opção derradeira é típica de encontros universitários: alojamentos gratuitos com colchonetes em salas de aula de escolas estaduais ou igrejas.
O diretor de hotéis do Sindicato Intermunicipal dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Mato Grosso, Luiz Verdun, explica que a rede hoteleira de Cuiabá cresceu pouco desde que a cidade foi eleita como sede do mundial: havia cerca de 12 000 quartos e agora existem mais de 13 000 unidades. Segundo ele, a capital do Estado não possui demanda que sustente o mercado ao longo do ano. Verdun prevê uma "guerra de tarifas" no período pós-Copa: "O investimento é pesado, rede hoteleira não é barraca de camping que se desmonta após a festa. Muita gente vai quebrar ou terá de transformar os prédios em salas comerciais". O representante do setor também relata que os hotéis não conseguiram vender pacotes de estada com visitação às principais atrações turísticas e que sobram vagas para os dias das partidas Rússia x Coréia do Sul e Bósnia Herzegovina x Nigéria. "O turista reservou apenas um ou dois dias, só para ver o jogo e ir embora", afirma. "A Copa existe em Cuiabá em função da ecologia. Mas não fizeram absolutamente nada no Pantanal e as estradas até lá são péssimas e perigosas. A Chapada dos Guimarães bloqueou pontos de visitação muito populares."
Desde o início do ano, os mato-grossenses de Cuiabá e Várzea Grande convivem com crimes em elevação. Nos quatro primeiros meses, os homicídios aumentaram 45% e os roubos 41% nas duas maiores cidades do Estado, ante o mesmo período do ano passado. Até abril, as cidades somaram 158 assassinatos enquanto em 2013 houve 109 homicídios. Os roubos chegaram à marca de 2851 ante 2021 no ano mesmo período do ano anterior. A cidade terá reforço de tropas federais, mas Secretaria da Segurança Pública faz sigilo sobre a quantidade: “Em momento algum turistas estrangeiros ou nacionais irão correr riscos em solo mato-grossense”.
Se depois de tantos percalços em dias quentes com temperaturas acima dos 30 graus, os turistas saírem de Cuiabá com uma boa impressão do Brasil, deve ser por causa da simpatia dos cuiabanos e da boa mesa que a região oferece. Essa também é a esperança do governo estadual. Apesar de descrentes, os mato-grossenses ainda têm expectativa de que a cidade melhore. "É um transtorno que estamos passando, mas no futuro será benéfico para a população", disse o corretor de imóveis Clayton Gomes, de 33 anos, morador de Colíder (MT) a 630 quilômetros de Cuiabá.

Ararath: Blairo nega participação em esquema e diz que vai deixar política

Fonte: Só Notícias/Weverton Correa
Citado como um dos beneficiários dos empréstimos fraudulentos que resultaram na operação Ararath, da Polícia Federal, o senador Blairo Maggi (PR) negou qualquer participação no suposto esquema e anunciou que vai deixar a política, com o término de seu mandato, em 2018. Em entrevista à revista Veja, na Europa, se disse constrangido com a situação e negou conhecer o empresário Júnior Mendonça, delator do caso, que apontou Eder Moraes, ex-secretário de Estado (que articularia das movimentações) de falar em nome dele e também do governador Silval Barbosa (PMDB).

Maggi disse não ter necessidade de simular empréstimo, mas contou que “apenas” deu aval para um amigo, em um banco, que não conseguiu pagar a dívida e a agência o cobrou. “Nosso grupo fatura uns 5 bilhões de dólares por ano. Não precisaria simular um empréstimo de R$ 380.000. Os números são muito desproporcionais. Quem faz esse tipo de acusação deveria ter um pouco de senso para saber que isso não combina conosco. Deveriam antes pedir uma explicação. Mas não, chegam e detonam com todo mundo”, diz em trecho da entrevista. Eu nunca vi esse cidadão (Júnior Mendonça). De repente ele aparece e diz que teve negócio comigo? De que jeito? 

O grande problema de tudo isso, além dos custos de defesa, é o risco de imagem que você tem”. Citando os transtornos e os gastos com a defesa, Blairo fez uma análise da carreira na política. “Não é recomendável às pessoas que têm negócios fazer política. Eu, por exemplo, já marquei a data. Vou deixar a política. Assim que terminar meu mandato de senador, encerro minha carreira. O Brasil tem muitos desses problemas, os interesses são muito grandes e as pessoas circulam muito próximo do poder. E muito complicado. Para você se enrolar, basta um descuido. Não disputo mais o Senado. Não disputo mais nada. Vou voltar para minha casa e vou ser feliz. Já dei minha participação nesse processo todo”, declarou. “Vou voltar para casa e ser feliz”, acrescentou. 

A operação Ararath foi deflagrada para desarticular rum esquema de lavagem de dinheiro, que teria resultado inclusive na compra da cadeira do conselheiro Sérgio Ricardo, no Tribunal de Contas do Estado. O deputado José Riva (PSD), que foi preso no início da semana, acusado de receber mais de R$ 3 milhões de empréstimos ilegais operados pelo ex-secretário Eder (que continua preso), foi solto ontem. Além das prisões, 30 mandados de condução coercitiva (no qual a pessoa é levada para depor e depois liberada) e 59 mandados de busca e apreensão foram cumpridos. 

Alguns deles na Assembleia Legislativa, Ministério Público Estadual, Tribunal de Contas do Estado, Prefeitura de Cuiabá e residências do prefeito Mauro Mendes (PSB) e governador Silval Barbosa (PMDB), que chegou a ser detido por ter uma pistola com documentação .

COI AMEAÇA LEVAR OLIMPÍADAS 2016 PARA OS EUA

O Comitê Olímpico Internacional (COI) não tem a paciência da Fifa em relação aos atrasos nas obras estruturais brasileiras para receber eventos. Deu o ultimato para gestores do Comitê Olímpico Brasileiro (COB): ou o comitê entrega tudo dentro do prazo, sem trapalhadas, ou o Rio de Janeiro pode dar adeus aos Jogos Olímpicos de 2016. Vão de mala e cuia para Chicago (EUA). Cidade preterida pelo COI, em 2009.
A cidade americana tem experiência e estrutura para realizar grandes eventos com maestria. Foi cidade-sede da Copa do Mundo de 1994.
O clima entre os comitês não é amigável. O vice-presidente do COI, John Coates, disse: preparativos da Rio2016 são os “piores” que já viu.
A assessoria do COB negou que tenha levado uma “prensa” dos estrangeiros. O COI não respondeu até o fechamento desta coluna.
Autoridades norte-americanas assistem de camarote a confusão entre os dois comitês. Se divertem com o abacaxi que virou a história. 
DP

Quem ainda consegue defender Cuba?



Duas colunas de hoje na Folha falam sobre Cuba. Uma delas é a do sociólogo Demétrio Magnoli, a outraé a do cubano Leonardo Padura. Ambas apontam para a falta de liberdade na ilha, uma no caso da imprensa, a outra no caso do comércio. Poderiam ser escritas várias outras colunas sobre a ilha caribenha, todas apontando para a liberdade asfixiada em diferentes setores. Afinal, falta liberdade em Cuba, ponto.
Comecemos por Demétrio, que cita o caso da blogueira Yoani Sánchez, que lançou um jornal virtual esta semana, mas já foi bloqueada, boicotada, pois em Cuba é crime discordar do governo. Ele diz:
“Deem-me a liberdade de conhecer, de pronunciar e de debater livremente, de acordo com minha consciência, acima de todas as liberdades”, escreveu John Milton em 1644 no “Areopagitica”, que solicitava ao Parlamento inglês a anulação da exigência de licença oficial para imprimir. O panfleto de Milton está na origem da liberdade de imprensa e da aventura histórica do jornalismo. Seu argumento é que, ao longo do tempo, a obra coletiva de incontáveis autores individuais produziria um saber valioso, muito superior ao saber circunstancial dos censores a serviço do governo. Esse tema, tão antigo, conserva evidente atualidade na nossa era digital. O lançamento de 14ymedio reativa a polêmica deflagrada em meio à Guerra Civil Inglesa do século 17: a liberdade do jornal produzido no 14º andar de um edifício do centro de Havana não é um mero “problema cubano”.
“Estou preso e sou feliz, pois me sinto mais livre que muitos que estão nas ruas ou na União de Escritores e Artistas de Cuba”, respondeu Ángel Santiesteban, em entrevista publicada na edição inaugural de 14ymedio. Santiesteban já foi agraciado com o Prêmio Casa das Américas, principal distinção literária concedida pelo regime cubano. Há 13 meses cumpre pena por delito de opinião.Cuba é um teste político e moral para os intelectuais de esquerda. No Brasil, até agora e com honrosas exceções, eles foram reprovados. Não se viu um manifesto pela libertação de Santiesteban. Duvido que solicitem a liberdade para o 14ymedio. Eles acham que a liberdade deve ser um privilégio de usufruto restrito aos que concordam com eles. 
Já a coluna do escritor cubano fala daqueles que saíram do país em busca de liberdade, foram considerados traidores e apátridas, e agora podem, por desespero do regime falido, voltar a investir na ilha, em busca de lucros. Paduro contrasta tal “privilégio” com a situação daqueles que ficaram, sofreram todas as agruras de uma ditadura, da miséria, mas não gozam do mesmo direito. Ele diz:
A lei de investimento estrangeiro aprovada pelo Legislativo cubano decretou que cidadãos de origem cubana residentes no exterior podem vir a Cuba para investir, fazer negócios e obter lucros. Os apátridas podem comprar partes da pátria que eles ou seus pais abandonaram. A condição fundamental para fazê-lo é que tenham triunfado em alguma parte do mundo e disponham de capital suficiente.
Essa lei, como o nome adverte, só contempla a possibilidade de realizar investimentos em Cuba para empresários estrangeiros, entre os quais cubanos que tenham deixado o país. A lei, assim, não dá espaço aos cubanos que permaneceram apegados à sua terra e resistiram a todas as adversidades em seu país.
O máximo a que podem aspirar os cubanos de Cuba é ter um restaurante, um táxi ou uma oficina de conserto de celulares. 
Reparem que estamos falando do básico do básico: poder ter um simples jornal virtual para emitir opiniões ou abrir um pequeno negócio em seu próprio país. Tudo proibido em Cuba, país tratado como fazenda particular dos Castro, os senhores escravocratas donos de 11 milhões de seres bovinos, que vivem na completa pobreza e sem liberdade.
Com isso em mente, resta perguntar: quem ainda consegue defender o modelo cubano? Sim, porque ao contrário do que certos “humoristas” dizem, ainda há muita gente que faz exatamente isso, enaltecendo as “conquistas sociais” da ilha-presídio. Muitos desses estão inclusive no poder, fazem parte do governo, chegaram até ao posto máximo de presidente (ou “presidenta”) da República.
Repito, então: quem ainda consegue, ciente do que se passa em Cuba, defender esse regime, a mais longa e cruel ditadura do continente? Tento, com a maior boa vontade, procurando ser o mais obsequioso possível, justificar de alguma outra maneira, mas confesso ser incapaz. A resposta que encontro é sempre a mesma: só alguém totalmente desprovido de caráter, honestidade e empatia, pois a ignorância não pode mais explicar algo tão nefasto.
Rodrigo Constantino

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