terça-feira, 10 de junho de 2014

Círculo vicioso

Estadão
Celso Ming
Por que a poupança é cada vez menor no Brasil? Pesquisa feita pelo Centro de Estudos do Instituto Brasileiro do Mercado de Capitais, liderado por Carlos Antonio Rocca, revelou que a poupança brasileira é baixa principalmente porque a parcela das empresas vem caindo. Caiu de 10,5% do PIB em 2010 para 7,9% do PIB em 2013. Essa parcela corresponde a dois terços de toda a poupança nacional. E essa é uma das importantes conclusões.
Na entrevista publicada pelo Estadão de domingo, Rocca foi além. Adiantou que as empresas passaram a poupar menos porque os lucros caíram, o que leva a novas perguntas.
As Contas Nacionais indicam forte queda da participação da indústria no PIB, de 27,7% em 2000 para 25% em 2013. Por trás dessa queda está enorme perda de competitividade do setor produtivo. Os custos são crescentes, os bens importados chegam com mais força e não há negociação comercial que dê preferência ao produto brasileiro no exterior. Nessas condições, é claro que o retorno do investimento produtivo é mais baixo e a parcela a poupar, também.
Esse quadro tem tudo a ver com a política econômica adotada. Os economistas que defendem políticas heterodoxas (desenvolvimentistas) apontam o "câmbio fora do lugar" como principal fator de redução da competitividade das empresas brasileiras, principalmente da indústria.
O problema é que o próprio câmbio valorizado demais é consequência de desequilíbrios mais profundos. A baixa consistência das finanças públicas (despesas altas demais), por exemplo, produz inflação e até mesmo governos que adotam políticas protecionistas ao setor produtivo, como o atual, acabam se decidindo por uma valorização da moeda nacional (baixa do dólar em reais) para combater a inflação. Ou seja, mesmo quando "colocado no lugar", por intervenções do Banco Central, o câmbio não se sustenta aí. A inflação não deixa.
Neste momento de escassez de mão de obra, os custos trabalhistas avançam acima da produtividade do trabalho e também oneram as empresas e sua capacidade de gerar poupança. Chega, então, o ponto em que o baixo nível de poupança também se transforma em fator de redução de poupança, na medida em que derruba o investimento e estanca o retorno das empresas e, portanto, estanca a poupança. É um círculo vicioso.
A própria indústria contribui para a perpetuação desse estado de coisas, na medida em que seus dirigentes aplaudem políticas protecionistas ou a distribuição de isenções tributárias minimalistas que não atacam o problema.
O atual governo entende que o BNDES dá enorme contribuição para suprir a baixa capacidade de poupança e de investimento do setor produtivo brasileiro. Mas isso pode ser ilusório. Nada menos que 70% dos empréstimos do BNDES vão para empresas de grande porte que, em princípio, têm mais capacidade de levantar recursos para investimento. Além disso, a política de eleição dos futuros campeões nacionais para os quais vai um bom naco de recursos não se tem mostrado eficiente. Basta levar em conta alguns fracassos alarmantes, como o do Grupo Eike Batista e da LBR Laticínios.

Cadê a cota do meu povo, Presidente?

Por Bernardo Santoro, publicado no Instituto Liberal
A Presidente Dilma sancionou ontem a Lei 12.990/14, que garante 20% das vagas oferecidas em concurso públicos para cidadãos brasileiros que se autodeclaram negros. Três anos antes, Sérgio Cabral Filho, como Governador do Rio, sancionou a Lei Estadual 6.067/11, que garante a mesma reserva de vagas não somente para os que se autodeclaram negros, mas índios também.
E aqui vai a reclamação de alguém diretamente prejudicado por essa diferenciação: por que o Governo Federal resolveu que índios não merecem cotas? Por que o PT resolveu discriminar a minha raça? Para quem não sabe, minha avó por parte de pai é índia Charrua da fronteira do Rio Grande do Sul, que desde 2007 é reconhecida como etnia indígena pelo Senado Federal e mais recentemente pela Funai.
Eu comecei com essa introdução, mostrando que eu mesmo tenho direito a algum tipo de cota, para ter o direito cidadão fundamental de expressão. No Brasil “politicamente correto” da era PT, se você não faz parte de algum povo historicamente oprimido, você é um opressor, dentro de uma dicotomia que deslegitima hoje o discurso da classe média branca, masculina, heterossexual e cristã. Como sujeito historicamente oprimido, agora eu posso continuar minha argumentação com legitimidade.
Já escrevi em outras oportunidades sobre o problema da quebra do princípio da isonomia, segundo o qual o Estado deve tratar todos os cidadãos de maneira igual, sem distinção de cor, credo, classe social, sexo, opção sexual, ou outro parâmetro qualquer. Quando, nas faculdades de Direito, se argumenta que o princípio da isonomia deve ser relido de forma que “os iguais devem ser tratados com igualdade e os desiguais tratados com desigualdade”, abre-se uma porta que não pode ser fechada. Se é o próprio Governo que decide quem é igual e quem é desigual, resta evidente que haverá uma sistemática discricionariedade onde grupos de interesse organizados pedirão benesses e subsídios às custas de toda a sociedade sob o argumento de serem “desiguais”.
Esse argumento da desigualdade acaba por legitimar tratamento anti-isonômico racial, como o feito ontem pela Presidente Dilma em favor de negros, assim como legitima tratamento anti-isonômico econômico, ao injetar bilhões de reais em recursos públicos em empreiteiras e “campeões nacionais”, como no caso do Grupo X e da JBS/Friboi. Quando a regra do tratamento igual é quebrada, o desigual com maior capacidade de organização sempre vai levar a melhor, se locupletando com recursos econômicos transferidos da sociedade para o Estado. Não há mais preocupação com produção e satisfação do consumidor, mas sim com lobby e satisfação de políticos. Todo tratamento anti-isonômico é chancelado, legitimado e aplicado.
Não posso deixar então de citar Stanlislaw Ponte Preta: “ou restaure-se a moralidade ou locupletemo-nos todos”. Presidente Dilma, cadê minha cota de índio?

Nova pesquisa IBOPE mostrará queda de Dilma

dilma
Em queda antes da Copa
A pesquisa presidencial que o Ibope divulgará entre hoje e amanhã, a última antes da Copa começar, mostrará Dilma Rousseff em queda, Aécio Neves em ligeira alta e Eduardo Campos na mesma, quando comparada ao levantamento anterior do instituto, de 22 de maio.
Aos números: Dilma aparecerá com cerca de 37% (antes tinha 40%),  Aécio em torno dos 22% (tinha 20%) e Campos na faixa dos 11% .
A pesquisa, encomendada pela União dos Vereadores do Estado de São Paulo, foi apurada entre quarta-feira passada e hoje de manhã com 2002 entrevistados.
São pesquisas diferentes, mas na margem de erro a pesquisa Ibope equipara-se ao Datafolha de sexta-feira passada, que apresentou Dilma com 34%, Aécio com 19% e Campos com 7%.
Por Lauro Jardim

Mais um



Na dúvida, Renan responde
Críticas em pessoa
Renan Calheiros entrará na linha de frente contra os conselhos populares criados por Dilma Rousseff, que serão consultados sobre as políticas da administração pública federal (Leia maisaqui e aqui).
Ontem, Renan foi mais um a levar a queixa ao Palácio do Planalto: numa conversa com Dilma, criticou a decisão de criar os conselhos por decreto.
Como fizeram Michel Temer e Henrique Alves, Renan pediu que o governo enviasse ao Congresso uma Medida Provisória ou projeto de Lei sobre o tema.
Dilma argumentou objetivamente:
- Os conselhos não ferem a competência do Legislativo.
Os parlamentares sabem que Dilma não pensa em recuar. Renan também não vai: hoje fará um discurso no Senado descendo a borduna no fato de os conselho nascerem por um decreto presidencial, goela abaixo do Legislativo.
Por Lauro Jardim

PMDB diz sim à coligação, mas a comparação com 2010 mostra que as coisas mudaram

Percentual menor
Temer e Dilma: percentual menor
O PMDB aprovou a coligação com o PT com 59% dos votos dos convencionais. Beleza. Vitória incontestável dos pró-PT.  Mas nunca é demais relembrar que em 2010 o “sim” à coligação alcançou 84% do total de votos.
Por Lauro Jardim

Caio Blinder-Hillary, Jeb e o game of thrones da política americana




O jogo das monarquias presidenciais
As casas monárquicas Bush e Clinton geram reações viscerais. Se Hillary ou Jeb for coroado candidato partidário, a eleição presidencial de 2016 será a oitava das últimas dez com a presença de um Bush ou de um Clinton na chapa republicana ou democrata. Constrangedor para a república americana, mas…
Vamos ser cerebrais. Edward Luce, no Financial Times, levanta um ponto persuasivo: Hillary é ex-primeira-dama e Jeb é filho e irmão de presidente, mas ambos são políticos e candidatos competentes. Mais: hoje em dia, são os mais qualificados. Merecem a indicação por mérito e não por mero direito adquirido. Para Luce, o duelo entre as monarquias Clinton e Bush será benéfico para a república americana.
Hillary, que nesta terça-feira está lançando mais um livro, Escolhas Difíceis, sobre sua atuação como secretária de Estado, enfrenta bem menos dificuldades para ser candidata democrata, caso formalize a entrada na competição, do que o ex-governador da Flórida Jeb Bush na arena republicana. Em 2016, pode aparecer um raio como Barack Obama, que em 2008 eletrocutou a ambição de Hillary, mas raio duas vezes seguidas?
Jeb Bush enfrenta mais intempéries. Existe uma aglomeração de presidenciáveis republicanos, como Rand Paul, Marco Rubio e Ted Cruz. Eles têm espaço, pois o Partido Republicano se deslocou muito para a direita desde a coroação de George W. Bush no ano 2000. A base quer distância da dinastia Bush, vista como moderada em termos ideológicos (quem diria) e gastadora em termos fiscais.
No entanto, o establishment republicano faz as contas e prefere um candidato menos afinado com a base radical. Faz o que pode para enquadrar o Tea Party nas primárias para a escolha de candidatos ao Congresso e governos estaduais nas eleições agora em novembro. O plebeu Chris Christie despontava como uma boa opção moderada para 2016 até cair do cavalo, ou melhor dizendo, da ponte, no escândalo sobre perseguição política no seu estado de Nova Jersey. O monárquico Jeb tem uma queda por imigrantes, até ilegais, é casado com uma mexicana e fala espanhol. É um currículo essencial para cortejar a minoria latina, além das reformas educacionais que implantou quando era governador.
Hillary e Jeb querem se apresentar como o futuro. A ex-primeira-dama se distancia de Barack Obama sem dar a impressão de que está apunhalando o presidente nas costas e Jeb faz o mesmo com o irmão mais velho. Algumas coisas, porém, estão na cara. A associação televisiva de Hillary pode ser feita não apenas com o seriado Game of Thrones, mas com Golden Girls. Ela terá 69 anos na próxima eleição. E Jeb não será um garotão aos 63.
No entanto, expressões como competência e experiência têm peso no caso de Hillary Clinton e Jeb Bush. Os americanos vão se curvar à monarquia meritocrática. Um deles vai terminar no palácio presidencial conhecido como Casa Branca.
***
Colher de chá para o Ronaldo por corrigir o Instituto Blinder & Blainder, que com mais um erro matemático preserva sua “reputação”. Texto foi corrigido. Bushes e Clintons estiveram em sete chapas presidenciais desde 1980. Logo se mais um concorrer em 2016 será a oitava em dez eleições.

Serra deixa longe Suplicy nas pesquisas de intenção de voto — mas ainda não sabe se concorre ao Senado

Ricardo Setti
Política é também coragem e ousadia — e até agora o ex-governador José Serra ainda não decidiu se vai concorrer ao Senado por São Paulo ou à Câmara dos Deputados.
Se for candidato a deputado, é muito provável que Serra, graças ao grande reconhecimento de seu nome e ao eleitorado fiel que conquistou em sucessivas eleições, leve consigo outros candidatos do PSDB e aumente a bancada do partido.
Se optar pelo Senado, porém, a julgar pelo mais recente retrato da disposição do eleitorado — a mais recente pesquisa de intenção de voto divulgada pelo Instituto Datafolha –, poderá finalmente mandar para casa o senador Eduardo Suplicy, do PT, que está há três mandatos consecutivos de 8 anos na cadeira de senador, uma excrecência porque, junto a sua ex-mulher, Marta Suplicy, perfazem uma bancada de 2 dos 3 senadores de um Estado em que o PSDB é amplamente majoritário há 20 anos.
Além do mais, contribuiria para diminuir a vantagem folgadíssima que o PT e aliados mantêm no Senado sobre a atual oposição, junto com outros tucanos que têm este ano grande chance de ser eleitos, como o ex-governador Tasso Jereissati, no Ceará, sem contar que a favorita ao governo do Rio Grande do Sul, senadora Ana Amélia (PP), tem como primeiro suplente o ex-secretário gaúcho do Meio Ambiente José Alberto Wenzel, que é do PSDB.
Serra ostenta 11 pontos de vantagem sobre Suplicy para o Senado, mas a decisão de enfrentar Suplicy — que esteve por um triz de ser derrotado por Afif Domingos, então no DEM e aliado dos tucanos, em 2006 — depende ainda de negociações do governador Geraldo Alckmin sobre quem vai compor sua chapa como candidato a vice e a senador.
O governador negocia com o PSD do ex-prefeito Gilberto Kassab e já conseguiu a adesão do PSB do presidenciável Eduardo Campos, mas a distribuição dos cargos ainda não está definida.
Não parece haver dúvida, porém, de que a maior ameaça à permanência de Suplicy está no ex-governador e ex-presidenciável.

Dora Kramer-Artes e manhas

Dora Kramer
Programa humorístico antigo tinha um refrão musical que dizia assim no encerramento do número: "Cara de pau vai fazendo o seu papel".
Um coro hipotético ecoa na memória aquele cântico em seguida à leitura detalhada do noticiário sobre a palestra do ex-presidente Lula da Silva em palestra contratada pelo jornal espanhol El País, na semana passada.
Foi em Porto Alegre, onde na véspera ele já havia feito uma afirmação meio esquisita, mas não tão explícita. Pedia a aplicação de um "remédio já" para conter a inflação.
Produziu as metáforas de sempre, fazendo comparações com "febres de 38 e 39 graus" e não disse nada, além do que pretendia: falar o que as pessoas querem ouvir para fazer de conta que está ao lado da maioria.
No dia seguinte mandou às favas a cerimônia e resolveu criticar a economia fazendo de seu "sparring" o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, que estava na plateia.
Crescimento baixo? Culpa do Arno. Basta liberar o crédito. "Não é por maldade dele, não", amenizou Lula, para ironizar em seguida: "Cabeça de tesoureiro".
O ex-presidente deu lições, autoelogiou a oferta de crédito em seu governo, cobrou explicações do secretário como se subordinado a ele fosse e uma chefe não tivesse. "Se depender do pensamento do Arno você não faz nada."
Um festival de zombarias tão desrespeitosas com o profissional que ali estava sem condições de se defender e com a presidente da República que o nomeou e o sustenta no cargo (e, portanto, avaliza suas ações) que fica difícil compreender aonde o ex-presidente quis - ou quer com essa metodologia discursiva - chegar.
Segundo explicações da assessoria do Instituto Lula, a lugar nenhum, pois tudo não passou de uma "brincadeira". Ora, piorou, pois o El País não iria organizar uma palestra para que o ex-presidente se desse ao desfrute de um exercício de autorrecreação a fim de se divertir com o secretário do Tesouro Nacional nomeado pela presidente da qual foi fiador perante toda a nação.
Lula bateu muito mais pesado do que muitos críticos da política econômica que tanta "irritação" desperta na presidente Dilma. Entretanto, por motivos óbvios, desta vez não reagiu. O ex-presidente disse que está tudo errado e ela aceitou.
Mas, Lula afirmou também que ele fez o certo e indicou que sabe qual é o caminho correto. Está querendo o quê? Preparar o terreno para ser candidato? É uma possibilidade. Atuar como cabo eleitoral tirando o discurso da oposição? Também pode ser. Mas é estranho que faça isso falando mal do governo de sua candidata.
Ou estará dizendo ao eleitorado que pode de novo votar nela que ele estará na retaguarda para assegurar que daqui para frente tudo vai ser diferente? As pessoas deram uma segunda chance em 2006 depois do mensalão, uma terceira em 2010; pode ser. Desde que estejam dispostas a renovar a aposta mais uma vez.
Travado. O grau de desconhecimento explica o baixo índice, mas não justifica a queda de Eduardo Campos na pesquisa do Datafolha. Ainda que pouco, ele é mais conhecido agora do que em maio. No entanto, perdeu quatro pontos porcentuais entre uma consulta e outra.
Além disso, tem a candidata a vice, Marina Silva, bastante conhecida e com "recall" da presidencial de 2010, em tese para funcionar como alavanca da preferência do eleitorado. Essa era a ideia quando o PSB resolveu antecipar a oficialização do nome da ex-senadora como companheira de chapa.
Algo está emperrando o desenvolvimento de Campos. Duas hipóteses: 1. Os constantes vetos de Marina, que acabam passando uma imagem negativa do PSB, além de atrasar o avanço das alianças; 2. A dubiedade contida no discurso de críticas pesadas à presidente Dilma, sem o mesmo rigor dirigido ao PT e muito menos ao ex-presidente Lula, dificultando a marca de oposição.

Na Convenção do partido, ala do PMDB anti-Dilma entrega panfleto acusando o governo de superfaturamento, ineficiência administrativa e de ignorar Temer

Pelo código de condutas na internet
Constrangimento na convenção
O cartão de visitas dado a quem chega à Convenção do PMDB dá a medida de temperatura interna do partido.
A turma que trabalha para explodir a aliança com o PT cumpriu o prometido e preparou um panfleto, distribuído na entrada da ala do Senado onde ocorrerá a votação. O texto é um petardo de dar inveja à oposição.
Com o título: “Ao companheiro do PMDB”, o panfleto põe o dedo até em superfaturamentos e questiona, entre outras coisas:
* Por que participamos de um governo onde nossos ministros não têm poder de decisão e nosso vice-presidente não é ouvido para nada?
* Por que sermos co-responsáveis pela volta da inflação, da carestia, pela falência da saúde, da segurança e da educação? Por que sermos responsáveis pelo recorde mundial de homicídios e violência?
* Por que sermos co-responsáveis pelos escândalos da Petrobras, pelo superfaturamento das obras da Copa e pelas promessas não cumpridas?
* Por que ficar mais quatro anos assim? Só para dar mais quatro minutos de horário eleitoral para o PT?
Resta saber se o panfleto chegará às mãos de Dilma Rousseff, que promete marcar presença no meio da tarde…
Por Lauro Jardim

Um quartinho de fundos no Palácio do Planalto

cristovam
Batendo na aliança do PDT com o PT
Cristovam Buarque fará hoje na convenção do PDT, que começa dentro de uma hora,  um discurso duro contra a coligação do partido com o PT para as eleições presidenciais. Não tem esperanças de mudar o que está acertado. Mas dirá coisas como:
- Estamos trocando ideais por um quartinho de fundos no Palácio do Planalto. Sou contra.
Por Lauro Jardim

PT usa tática maquiavélica no campo: dividir em luta de classes para conquistar o poder

O PT deixa, até aqui (e espera-se que acabe este ano o estrago), uma enorme “herança maldita” ao país. Economia em frangalhos, inflação saindo de controle, corrupção escancarada, etc. Mas talvez a maior delas seja esse clima de total divisão da população entre “nós e eles”, entre “bons e maus”, “pobres e ricos”, “trabalhadores e patrões”, “mulheres e homens”, “negros e brancos”, “gays e heterossexuais”. Isso produz um efeito perverso a longo prazo.
Não poderia ser diferente no campo. Em sua coluna de hoje no Estadão, o agrônomo Xico Graziano toca no assunto, mostrando como o PT trouxe para o meio rural essa divisão artificial que prejudica o país. O objetivo petista tem sido jogar uns contra os outros, como se a produção “familiar” fosse vítima e os grandes produtores rurais os vilões. Logo no começo, ele diz:
O teatro separatista, mais uma vez, repetiu-se no campo. Na primeira cena, o governo anuncia o Plano Agrícola e Pecuário para a “agricultura empresarial”. Passado alguns dias, divulga o Plano Safra da “agricultura familiar”. Belos discursos, amoldados para cada evento, animam uma trama típica do maniqueísmo político. Um país, duas agriculturas.
O Brasil é a única nação importante do mundo que separa a sua agropecuária em dois lados: o do “agronegócio” e o “familiar”. Uma política que deveria reforçar a ação pública em favor dos pequenos produtores no campo, desgraçadamente, serve ao modo de governar que distingue a sociedade entre “nós” e “eles”. Ou, pior, entre os “bons” e os “maus”. Dividir para reinar, ensinava Maquiavel.
O agronegócio tem sido o salvador da Pátria nessa economia enfraquecida, por culpa do próprio governo. Salva o dia apesar do governo, não por causa dele. O papel do governo tem sido criar obstáculos, fomentar a disputa no campo, estimular “movimentos sociais” criminosos, e tratar os produtores rurais como inimigos do clima e da nação. Isso é resultado direto de uma estratégia ideológica do PT:
Ao mudar o governo, de Fernando Henrique Cardoso para Lula, a gestão da agricultura brasileira acabou separada em dois ministérios. A partir de então, o conceito de “agricultura familiar” começou a ser totalmente deformado, passando a significar os “pobres” no campo, em oposição aos “ricos”, aglutinados no “agronegócio”. Jamais, em tempo algum, se produziu tamanha bobagem no pensamento agrário. Mera, e retrógrada, ideologia.
Jogar agricultores “familiares” contra os “patronais” não é solução para nada no campo, e atende apenas a interesses políticos de grupos oportunistas. Em vez de integrar os trabalhadores “ao ciclo do progresso tecnológico no campo”, as medidas de “reforma agrária” do PT têm apenas criado “favelas rurais” dependentes de esmolas estatais e mais conflito, como se pode perceber com o movimento indígena.
A verdadeira solução para os problemas ainda existentes no campo é tirar o PT do poder. Caso contrário, a manutenção dessa tática maquiavélica irá apenas incitar cada vez mais conflitos, prejudicando justamente o setor que tem sido a locomotiva de nossa economia, por contar com grandes vantagens comparativas naturais. Mas o que a natureza nos deu, o PT pode facilmente destruir…
Rodrigo Constantino

Dilma consagra a violência como método de reivindicação e cede às chantagens do MTST

Você está sentindo falta de alguma coisa que o faria feliz, leitor amigo? Acha que o estado tem a obrigação de fornecê-la a você? Parta para a porrada que a presidente Dilma cede. Mas não se esqueça de juntar algumas pessoas, parar uma avenida, invadir alguma propriedade e gritar slogans em nome da igualdade e da justiça. Guilherme Boulos, o coxinha de extrema esquerda e líder do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), prometeu derramar sangue durante a Copa do Mundo, e o governo federal cedeu à sua chantagem. Segundo informa areportagem  da Folha, o governo federal vai construir casas na invasão conhecida como Copa do Povo, a 3,5 quilômetros do Itaquerão — e isso significa, então, que o terreno, que é particular, será comprado — vamos ver se pelo governo federal ou pela Prefeitura.
Segundo Boulos informou ao jornal, o governo federal dará — atenção! — um subsídio de R$ 76 mil para cada uma das 2 mil casas que devem ser construídas na região. Assim, pessoas que aguardam pacificamente há anos por uma moradia de um dos programas oficiais devem se sentir umas estúpidas, umas idiotas, umas trouxas. O próximo passo, claro!, é se ligar aos extremistas para conseguir mais depressa o seu teto. Segundo o rapaz, as casas serão feitas pela própria construtora Viver, dona da área, num projeto que contará com a parceria do MTST — que passa, assim, a ser o maior gerenciador de moradias do país, não é mesmo?
Boulos diz ainda que o teto salarial dos beneficiários da Faixa 1 do programa será aumentado de R$ 1.600 para R$ 2.172. A Secretaria-Geral da Presidência, cujo titular é Gilberto Carvalho, por sua vez, anunciou a criação de um grupo interministerial com o objetivo de mediar conflitos, formado pelos ministérios das Cidades, Justiça e Direitos Humanos, além, claro, da própria secretaria. A coisa parou por aí? Não! Os ditos movimentos de sem-teto já têm direito a cotas de moradias do programa “Minha Casa Minha Vida” — cada um leva um lote de mil. Agora, Carvalho anuncia que será de quatro mil.
Vejam que fabuloso! Esses grupos privatizam o bem público. Embora se apresentem como “movimentos sociais”, são, na verdade, sócios do poder. Leiam post publicado na tarde de ontem. Desde a eleição de Fernando Haddad, em outubro de 2012, 50 prédios foram invadidos no Centro de São Paulo, onde moram 20 mil pessoas. Boa parte delas paga um aluguel de R$ 200 ao MTST por aquilo que não pertence ao movimento. Esses são os interlocutores de Dilma, a quem ela quer dar uma parte do poder, por intermédio Decreto 8.243. Mais um mandato, e Dilma conduz o país para um buraco não apenas econômico, mas também institucional.
Texto publicado originalmente às 3h53
Por Reinaldo Azevedo

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Ser livre para ir e vir!Pela liberdade de expressão.Pela humanidade contra os pregadores da escuridão que assolam nosso mundo moderno.Democracia verdadeira sempre,não aquela de fachada que persegue quem não compartilha de suas idéias.